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TCC_VariacaoMaterialParticulado.pdf

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Academic year: 2023

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Para a análise dos parâmetros de turbidez e concentração de material particulado em suspensão (MPS), foram feitas coletas em quatro estações amostrais espalhadas pela ilha, em dois locais de amostragem na calha sul do rio Amazonas e em dois pontos no rio Pará, os dois principais rios que fazem parte do estuário Marajoara. 35 Figura 14 - Variação da altura das marés na calha sul do Rio Amazonas na localidade de. Houve indícios de circulação das águas do Rio Amazonas pela região dos chamados “buracos” do litoral norte, em direção ao litoral sul do Marajó (Rio Pará e Baía do Marajó).

No presente trabalho, que também teve como objetivo caracterizar a interação das águas marginais da ilha de Marajó, levando em consideração os aspectos específicos das partes oriental e ocidental, foram realizadas análises de turbidez e partículas em suspensão. do canal sul do Marajó, o rio Amazonas, com foz na parte norte e oeste da ilha, e em dois pontos do rio Pará, ao sul e leste do Marajó.

Objetivo Geral

Objetivos Específicos

Estuários

O estuário do Amazonas é um ambiente altamente energético, sendo a vazão dos rios e as marés a principal força hidrodinâmica. A assimetria da maré, que é sempre positiva no estuário, não implica correntes de cheia superiores às correntes de vazante devido à contribuição do caudal do rio. A dominância da vazante contribui, assim, para a exportação de sedimentos finos para a plataforma continental (VINZON et al., 2007).

O estuário do rio Pará é caracterizado como um estuário bem misto com regime de salinidade variando entre limnético e mesohalino com oscilações de maré (BEZERRA et al., 2013).

Figura 1 - Esquema geomorfológico de um estuário e suas zonas. Fonte: MIRANDA; CASTRO;
Figura 1 - Esquema geomorfológico de um estuário e suas zonas. Fonte: MIRANDA; CASTRO;

Marés

A determinação das amplitudes e fases das componentes das marés, sejam elas de origem puramente astronómica ou de águas pouco profundas, bem como o nível médio em função das diferentes forças, é fundamental na determinação da hidrodinâmica do estuário. A circulação no estuário subsidia diversos estudos de importância prática, como transporte de sedimentos, dispersão de poluentes na descarga, determinação de correntes e níveis para navegação interior ou previsões de cheias (GALLO, 2004). A intrusão da maré em um estuário é o resultado da interação entre o fluxo do rio e o movimento oscilante gerado pela maré na foz, onde essas ondas longas são geralmente amortecidas e gradualmente deformadas pelas forças de atrito no fundo e na corrente do rio (GODIN, 1999).

Devido ao seu longo período e comprimento de onda, os maremotos comportam-se como ondas de águas rasas, sendo influenciados pela profundidade em que estão localizados (SILVA, 2009). A maré na plataforma continental amazônica é principalmente semidiurna e é amplificada na região costeira, caracterizando o estuário como uma macromaré, somando-se a isso as grandes vazões do Rio Amazonas, este ambiente apresenta uma forte dinâmica. A fronteira rio-estuário não permanece fixa no tempo, mas apresenta mudanças de posição dependendo da mudança nos parâmetros que caracterizam a maré (período e amplitude) e a vazão do rio (vazão, inclinação e rugosidade do fundo) (GALLO, 2004).

As menores amplitudes de maré são registradas em abril (0,5 m), durante a maré clara (EL-ROBRINI et al., 2006). Segundo Gallo (2004), no rio Amazonas, onde ocorre a mistura de água doce e salgada na plataforma continental, pode-se observar até algumas centenas de quilômetros a montante da foz a perturbação do fluxo do rio pelas marés. O estuário do Rio Amazonas pode ser classificado como macromaré, com alturas de maremoto na foz superiores a 4 m, tipicamente semi-diurnas. 2013) concluiu que as marés na foz do Rio Pará atingem altura máxima de 4 m, caracterizadas como macromarés que desempenham papel fundamental na mistura do estuário.

Turbidez e Material Particulado em Suspensão

Localização

Canal Sul

Segundo CORRÊA; ÁVILLA (2002), o Amazonas possui um estuário em forma de delta com cerca de 330 km de largura. Este delta é formado pela ilha de Marajó, diversas outras ilhas menores, inúmeras margens e diversos canais. A foz do canal sul do Amazonas está localizada ao norte da ilha de Marajó, no litoral do estado do Pará e possui uma área de aproximadamente 5.300 km².

A velocidade das correntes de maré no estuário do Amazonas e arredores pode ultrapassar 250 cm/s (DIEGUES, 1973). A área de estudo do Canal Sul no local denominado Ponta da Caridade localiza-se num ambiente de transição entre o rio e o mar aberto.

Rio Pará

Vegetação

Dados Meteorológicos e Climatológicos

Aspectos Fisiográficos

Podemos observar que a Ilha do Marajó está localizada no Setor 2, a ilha estuarina do Amazonas. Segundo Rossetti e Valeriano (2007), a topografia da Ilha do Marajó é predominantemente plana e sujeita a inundações sazonais durante os períodos chuvosos, caracterizada por planícies fluviais fechadas nas regiões leste e oeste e superfícies pediplanadas na parte central. Modelos digitais de elevação derivados de dados de sensoriamento remoto do Shuttle Radar TopographyMission-SRTM mostram elevações entre 4 e 6 m na parte oriental da ilha e entre 6 e 38 m na parte ocidental, com uma média em toda a ilha de 12 m. uma ilha.

O arranjo estratigráfico e a estrutura litológica da Ilha de Marajó estão relacionados à história de sedimentação da bacia da Foz do Rio Amazonas e à influência dos estuários do Amazonas a oeste e do Pará-Tocantins a leste (FRANÇA, 2003). O relevo da Ilha de Marajó é composto por duas grandes unidades morfoestruturais: o Planalto Baixo Amazonas e a Planície Amazônica (Figura 5). O Planalto Baixo Amazonas, também denominado Planalto do Baixo Amazonas ou Pediplano Pleistoceno, é constituído por sedimentos Terciários e Quaternários do Grupo Barreiras/Pós-Barreiras.

Esta unidade faz parte da zona morfoclimática de planaltos amazônicos rebaixados ou dissecados, áreas montanhosas e planícies cobertas por floresta densa (AB'SABER, 1977). A planície amazônica é constituída por sedimentos holocenos lamacentos e arenosos e corresponde a um relevo plano em baixas altitudes. Faz parte da área morfoclimática de várzeas cobertas por campos e vegetação pioneira de manguezal.

Figura 4 - Mapa de localização dos setores da ZCEP. Setor 1: Costa Atlântica do Salgado Paraense; Setor  2: Insular Estuarino; Setor 3: Continental Estuarino (Modificado de MMA, 1996)
Figura 4 - Mapa de localização dos setores da ZCEP. Setor 1: Costa Atlântica do Salgado Paraense; Setor 2: Insular Estuarino; Setor 3: Continental Estuarino (Modificado de MMA, 1996)

Aspectos Hidrológicos

1974), divide-se em zonas de influência fluvial correspondentes a uma planície fluvial bloqueada ou planície aluvial, e zonas de influência estuarina e marinha correspondentes a uma planície flúvio-marinha ou planície costeira. Fatores hidrológicos, sendo os mais importantes a quantidade e distribuição da precipitação, a estrutura geológica, as condições topográficas e a cobertura vegetal, influenciam a formação de material intemperizado na bacia hidrográfica e o carregamento dos rios com esse material. Pelas características dos rios amazônicos, a hidrografia paraense é cortada por dezenas de rios e outros cursos d'água como lagos, Paraná, buracos e córregos, que ajudam a formar um dos ecossistemas mais importantes do planeta e, consequentemente, principalmente devido à a grande quantidade de precipitação registrada na região (MONTEIRO, 2009).

Lima (2005) apresentou a classificação hidrográfica da Ilha do Marajó de acordo com a rede de drenagem (fig. 6), em Bacia Ocidental do Marajó e Bacia Oriental do Marajó. Como esta região apresenta uma densidade muito elevada de feições fluviais, que estão interligadas, dificultando a definição morfológica das bacias hidrográficas, apenas 3 bacias foram consideradas como componentes: a bacia do rio Anajás (a maior que inclui um número significativo de ilhas, inclui buracos , igarapés e canais) e as bacias dos rios Pracuúba e Canaticú.

Aspectos Hidrodinâmicos

As coletas de água e os perfis de turbidez da água foram realizados durante um período de aproximadamente 13 horas por dia, ou seja, um ciclo de maré, no ponto da margem mais próximo da Ilha do Marajó de cada rio estudado. O embarque ocorreu próximo ao município de Chaves, no Canal Sul, no município de Ponta da Caridade, ao norte da Ilha do Marajó (margeada pelo Oceano Atlântico), no dia 16 de maio de 2013. No segundo embarque partindo de Macapá com destino a Belém entre os dias 19 e 25 de junho de 2013, durante a maré viva de lua cheia, foram realizadas amostragens a bordo do navio Rey Benedito nos pontos oeste, sul e leste da Ilha de Marajó.

Figura 7 - Fluxograma do método.
Figura 7 - Fluxograma do método.

Pré-Campo

Procedimentos em Campo

Turbidez

Na segunda amostragem no Canal Sul, a oeste da Ilha de Marajó, também houve um cenário de aumento da turbidez em função da profundidade, com valores máximos ocorrendo próximo ao fundo e chegando a 188,76 FTU em ponto próximo ao início. da maré baixa, a cerca de 80 pés da superfície. Os valores mais baixos puderam ser observados nesta temporada na parte superficial do Canal Sul, com valor mínimo de 55,29 FTU, e na preia-mar, devido ao período de maré baixa, quando a ação das correntes de maré no estuário é mínimo. A coleta na região sul do Marajó, no rio Pará próximo ao município de Curralinho, foi a estação com os menores valores de turbidez da água.

Os menores valores de concentração de partículas em suspensão foram observados na seção superficial, com mínimo de 21,67 FTU no início da maré cheia. O Rio Pará próximo à cidade de Ponta de Pedras, conhecido por suas grandes profundidades às margens da Ilha do Marajó, também apresentou valores de turbidez relativamente mais baixos. Novamente, os valores mais baixos ocorreram na secção de superfície, com um mínimo de 17 FTU, durante as cheias de maré.

Tanto na estação do Canal Sul do Amazonas (mais no continente) quanto nas duas estações ao longo do rio Pará, os maiores valores de turbidez ocorreram no fundo durante a maré baixa. Nesta amostra foi possível identificar esta feição como a exportação de material suspenso no caso do Canal Sul, para o Delta do Amazonas e no Rio Pará, em direção à Baía do Marajó. Apesar das variações na intensidade da influência das marés, foram observados valores mais baixos no momento da depleção das marés em todas as estações.

Figura 11 - Variação da turbidez das águas na segunda estação no Canal Sul do rio Amazonas durante um  ciclo de maré no dia 19/06
Figura 11 - Variação da turbidez das águas na segunda estação no Canal Sul do rio Amazonas durante um ciclo de maré no dia 19/06

Material Particulado em Suspensão (MPS)

Um valor próximo a este também pode ser observado no gráfico de turbidez do Rio Pará (Fig. 12) durante o período de cheia, onde há um ponto com maior concentração de sólidos em suspensão a uma profundidade de cerca de 17m. A limitação do comprimento da corda que amarrava a garrafa Van Dorn que realizava as coletas, associada às fortes correntes estuarinas hidrodinâmicas da região, não permitiu que ela chegasse ao fundo do rio. Portanto, não foi possível quantificar o MPS de fundo na maré baixa, correspondendo aos dados do turbidímetro para o mesmo período. A estação amostral no rio Pará próxima a Ponta de Pedras foi a que apresentou maior variação de maré devido à sua maior proximidade com o mar do que a estação próxima a Curralinho, por exemplo.

Dessa forma, as características observadas na amostragem se confirmam tanto em termos dos parâmetros das estações da calha sul do rio Amazonas, quanto das estações do rio Pará. Devido à natureza da zona costeira atlântica (na noção de ondas e correntes), e à forte influência da descarga de materiais do Rio Amazonas, os maiores valores médios de turbidez e MPS foram observados nas estações do canal sul do rio Amazonas, que atuam como importadores de partículas em suspensão. tecido. Os menores valores médios foram obtidos nas estações amostrais na foz do rio Pará, próximas a Curralinho e Ponta de Pedras (influenciadas principalmente pelo rio Pará e pelo rio Tocantins, respectivamente), locais dominados pela vazão do rio Pará. rio, que atua como exportador de partículas em suspensão.

Nível de poluição por óleo nos sedimentos de fundo e nas águas do Rio Pará, em decorrência do acidente da balsa Miss Rondônia. Caracterização hidrodinâmica e transporte de sedimentos na área flúvio-estuarina do Rio Paracauari – Ilha de Marajó – Pará Geomorfologia e sedimentologia de depósitos sedimentares recentes na parte superior do estuário do Rio Pará (Baía de Marajó, Amazonas).

Figura 15 - Variação da altura da maré na segunda estação no Canal Sul do rio Amazonasno dia 19/06
Figura 15 - Variação da altura da maré na segunda estação no Canal Sul do rio Amazonasno dia 19/06

Imagem

Figura 1 - Esquema geomorfológico de um estuário e suas zonas. Fonte: MIRANDA; CASTRO;
Figura 2 - Mapa da área de estudo com destaque nos pontos de amostragem.
Figura 3 - Classificação climática, segundo “KOPPEN”, da Ilha de Marajó. Fonte: LIMA et al., 2005.
Figura 4 - Mapa de localização dos setores da ZCEP. Setor 1: Costa Atlântica do Salgado Paraense; Setor  2: Insular Estuarino; Setor 3: Continental Estuarino (Modificado de MMA, 1996)
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Referências

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Tendo por base a problemática que ensejou a realização do presente estudo e levando em conta o permanente desafio da Administração Pública em manter seus servidores