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Academic year: 2023

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Em março de 2020, a Eneva encaminhou proposta ao conselho de administração da AES Tietê Energia para “unificar os negócios das duas empresas, o que resultaria na fusão das bases acionárias em companhia aberta listada no Novo Mercado B3”. , com um sólido portfólio de ativos, recursos complementares e oportunidades de exploração de importantes sinergias operacionais e financeiras, inclusão e fusão de ativos"6. Esta proposta tem o potencial de estabelecer uma posição importante e estratégica ao criar a segunda maior produtora privada de energia do país, com capacidade instalada de 6.100 MW e faturamento anual de cerca de R$ 5 bilhões. 1Professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do GESEL - Grupo de Estudos do Setor Elétrico.

6 Dada a relação de complementaridade entre esses ativos e o dinâmico processo de transição energética que impacta a matriz elétrica brasileira e o desenho do mercado, o grupo resultante dessa integração agrega valor significativo e uma posição estratégica no setor elétrico brasileiro. O principal objetivo deste estudo é, portanto, analisar os possíveis desenvolvimentos e efeitos que a combinação de ativos das duas empresas pode ter no setor, com foco em questões relacionadas à política energética, planejamento, sistemas de gestão e meio ambiente. A segunda parte apresenta o perfil de atuação da AES Tietê Energia e da Eneva listando os respectivos ativos por tipo de fonte geradora.

Por fim, sistematizam-se as principais conclusões, que de forma geral mostram que a integração gera muito mais valor do que a soma individual das duas empresas.

Panorama atual e perspectivas do Setor Elétrico Brasileiro

  • A Matriz Elétrica Brasileira
  • Política Energética
  • Planejamento
  • Operação do Sistema
  • Meio-ambiente

9 Paralelamente à perda de participação das hidrelétricas e à perda da regulação da capacidade de armazenamento, a transição energética caminha para o aumento da participação das fontes renováveis ​​alternativas, o que pode ser observado no gráfico 2. Dessa forma, o período entre 2000 e 2018 foi marcado por um aumento significativo da participação do gás natural, que está com 13%. Assim, a transição elétrica no país é marcada pela predominância das hidrelétricas, aumento da participação das alternativas renováveis ​​e mudança do perfil das termelétricas, com aumento da participação das usinas a gás natural em detrimento daqueles movidos a eletricidade. carvão e óleo combustível..

De um lado, a manutenção de baixos níveis de emissão de gases poluentes na matriz elétrica. Por outro lado, a contratação de usinas termelétricas a gás natural, que reforça a preocupação com a segurança de abastecimento diante do aumento da participação de fontes intermitentes. 14 para garantir a segurança do abastecimento de energia e compensar a irregularidade das fontes alternativas renováveis ​​e hidrelétricas sazonais.

O Gráfico 5 apresenta as estimativas da participação dos recursos na matriz para o ano de 2029 em relação ao ano de 2020. Dentre as fontes renováveis ​​alternativas, conforme a evolução da matriz, a energia eólica é a que mais se destaca. Na central térmica, o maior destaque vai para o aumento da quota das centrais a gás natural em detrimento das centrais a carvão, gasóleo e fuelóleo.

Assim, aumentar o peso do gás na matriz elétrica também faz parte de uma estratégia do Ministério da Economia, para possibilitar a redução do preço desse insumo no país (CASTRO, 2019). Em suma, a matriz elétrica brasileira vive um processo de transição, caracterizado sobretudo pela proliferação de fontes renováveis ​​alternativas e pela diminuição do peso das hidrelétricas, embora estas continuem sendo dominantes em termos de participação. Do ponto de vista operacional, um aspecto importante a ser considerado nas projeções feitas pela EPE, expressas no PDE 2029, é o aumento da intermitência e sazonalidade do sistema, devido à proliferação de fontes renováveis ​​e à diminuição da participação da hidrelétrica usinas com grandes reservatórios.

18 Nesse contexto, configura-se um paradigma operacional diferente do atual, enfatizando a necessidade de incorporar ao sistema fontes controláveis ​​que possam complementar a geração hidrelétrica, explicando a tendência de aumento da participação das termelétricas a gás natural na matriz elétrica brasileira (ver gráficos 5 e 6). Na mesma linha, as projeções da EPE (PDE 2029) apontam para a manutenção da elevada participação das energias renováveis ​​na matriz elétrica brasileira, mas com um novo paradigma definido pela diminuição da participação dos recursos hídricos e aumento da participação dos fontes alternativas de energia renovável, especialmente eólica e solar.

Eneva e AES Tietê Energia: características e perfil de atuação

Eneva

Dessa forma, a empresa consolida sua posição de destaque no abastecimento de energia às regiões Norte e Nordeste, graças à base produtiva e ao conhecimento desses complexos mercados distantes dos centros mais desenvolvidos. Como prova do dinamismo advindo de um modelo de negócio verticalizado e integrado – do poço de gás à termelétrica – a UTE de Parnaíba V venceu o leilão de Energia Nova A-6 2018. Em 2019, a UTE Jaguatirica II venceu a licitação para abastecer a capital Roraima (Boa Vista) e localidades associadas, projeto inovador que abre novas oportunidades de negócios a partir da substituição das termelétricas a diesel que dominam o sistema isolado da região Norte Região com usinas termelétricas a gás natural (GNL transportado por caminhões), mais econômicas e menos poluentes A Tabela 2 apresenta dados e informações resumidas sobre os principais ativos da Eneva.

21 No segmento de O&G, a Eneva é a maior operadora privada de gás natural com atuação em território nacional, onshore ou offshore, com foco nas bacias do Parnaíba (MA) e do Amazonas (AM). Essa atuação inovadora e agressiva no mercado de gás, com o objetivo de se tornar um dos principais players desse segmento e com grande potencial de expansão, pode ser reconhecida pelas seguintes aquisições: .. i) Sete blocos na 13ª rodada de licitações Agência Nacional do Gás, Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2015; .. ii) cinco blocos na 14ª rodada de licitações da ANP em 2017; e iii) seis blocos no 1º ciclo da oferta permanente da ANP. Bacia do Gavião Real Parnaíba em produção Bacia do Gavião Vermelho Parnaíba em produção Bacia do Gavião Branco Parnaíba em produção Bacia do Gavião Caboclo Parnaíba em produção Bacia do Gavião Azul Parnaíba em produção Bacia do Gavi Preto Parna Parna NORTE NORTO NORTE NORTO NORTE NORTO NORTO NORJA EM PRODUTOS GAVI POROVA. aviaone tesoura parnaíba bacia em desenvolvimento Bacia Gavião Carijó Parnaíba Em desenvolvimento Bacia Azulão Amazonas Em desenvolvimento Fonte: Produção própria baseada em informações da ENEVA (2020).

Um exemplo foi a construção da primeira fazenda do tipo reservatório-to-wire (R2W) no Brasil, onde a geração térmica é integrada aos campos de produção de gás natural. Dessa forma, o gás produzido pelos campos de petróleo é utilizado em usinas térmicas próprias e a energia gerada é transportada até o SIN por meio de redes de transmissão, eliminando a necessidade de construção de gasodutos para transportar a produção até os centros consumidores. Com essa dinâmica operacional e estratégica, foi possível gerar valor para as reservas de gás natural a partir da produção onshore em regiões brasileiras distantes dos centros consumidores, sem a construção de longos gasodutos para escoar a produção.

Além disso, com o campo de Azulão e a conclusão da usina de Jaguatirica II, a Eneva pretende atuar em um novo mercado localizado em sistemas isolados, substituindo a geração térmica a diesel pelo uso de gás natural, conforme mostra a Figura 1. 23 Quanto à comercialização de energia, a Eneva possui essencialmente contratos para o mercado captado, firmados com distribuidoras a partir de leilões de energia nova. Vale ressaltar que a Eneva comercializa os volumes remanescentes de energia no mercado livre, com contratos de prazos mais curtos.

AES Tietê Energia

Esses contratos fornecem receitas indexadas e previsíveis de longo prazo para a empresa e servem como garantias para financiamentos relacionados à construção de projetos de geração. Outra grande vantagem da Eneva atuar prioritariamente no mercado cativo é a autorização para repassar o custo do combustível aos consumidores regulados. A Tabela 4 apresenta os principais ativos da empresa e o gráfico 7 a capacidade instalada dividida por tipo de fonte de energia.

Assim, pode-se constatar que o portfólio de ativos da AES Tietê Energia é focado exclusivamente em fontes renováveis ​​tradicionais (hidrelétricas) e alternativas (eólica e solar). O parque hidrelétrico da AES Tietê Energia está localizado no estado de São Paulo e controla instalações com eclusas no Rio Tietê. A operação do complexo produtivo é realizada remotamente pelo Centro de Operações de Geração de Energia em Bauru.

Com o término do contrato, a AES Tietê Energia passou a comercializar quase toda a sua capacidade de geração de energia no mercado livre, oficialmente conhecido como ambiente de contratação livre. Ressalta-se que, devido às regras do mercado de energia e ao funcionamento do SIN, as usinas hidrelétricas podem estar expostas a uma quebra de produção em relação à garantia física (Generation Scaling Factor - GSF). 26 tem um passivo perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica de R$ 1.112 milhões, protegido por liminar em ação que questiona as regras de comercialização de energia elétrica.

A estratégia de combinação de ativos: novos cenários

A AES Tietê Energia se destaca por seus ativos em fontes renováveis: hidrelétricas e investimentos em energia eólica e solar (ver Tabela 4 e Gráfico 7). Nessas condições, a empresa combinada passará a deter ativos de geração hidrelétrica, térmica, eólica e solar, tornando-se uma empresa de matriz extremamente diversificada. Já a produção hidrelétrica tende a ser maior no primeiro semestre do ano, enquanto a geração térmica e eólica no segundo semestre.

Desta forma, a geração térmica e eólica poderá atender às necessidades de adaptação, devido à sazonalidade complementar da geração hídrica. Em suma, o risco de geração insuficiente em relação aos contratos é significativamente reduzido com a diversidade integrada da nova matriz da empresa. Destaca-se, portanto, que esta composição das fontes de geração atende à política energética nacional e indica eficiência e competitividade em termos de capacidade operacional, cumprimento de contratos e alavancagem para novos negócios.

Nesse sentido, a combinação de ativos resultará na criação da segunda maior geradora privada do SEB, criando mais capacidade financeira para abrir novas frentes de negócios, como é o caso das termelétricas a gás na região norte, com a expansão das oportunidades eólicas e solares, presentes no cenário PDE 2029. Por outro lado, após a união do parque produtivo da Eneva com a AES Tietê, a capacidade instalada representará uma parcela relativamente pequena do parque produtivo brasileiro.

Considerações Finais

O modelo de contratação para expansão de capacidade será baseado em estudos de planejamento (EPE) e utilizará o instrumento competitivo de leilões de geração e transmissão; Isso é. Disponível em: https://www.canalenergia.com.br/artigos/53106251/o-process-de-transicao-energetica-brasil-e-a-dinamica-internacional. Disponível em: https://www.canalenergia.com.br/artigos/53128214/analise-de-methodologies-para-suportar-a-expansao-das-fontes-intermitentes-de-energia-.

Disponível em http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-data-abertos/publicacoes/Documents/PDE%202029.pdf.

Referências

Documentos relacionados

Os Ministérios da Economia e de Minas e Energia vêm examinando, desde então, a implementação de uma reforma mais ampla e de cunho liberal, para que o mercado de gás natural possa