Representações sociais de jovens universitários sobre infecções sexualmente transmissíveis e sua relação com práticas de prevenção. Representações sociais de jovens universitários sobre as infecções sexualmente transmissíveis e sua relação com as práticas de prevenção / Thuany de Oliveira Abreu. Analisar as representações sociais de jovens universitários sobre as infecções sexualmente transmissíveis e sua relação com as práticas de prevenção de infecções.
A juventude e a sexualidade
Os profissionais do sexo têm poucas alternativas ao sexo desprotegido quando os preservativos são confiscados ou abandonados por medo de assédio, e o confisco dos preservativos está associado ao sexo desprotegido. O confisco de preservativos pela polícia também pode fazer com que os gestores dos locais relutem em fornecer preservativos (DECKER et al., 2015).1.
A Juventude e as vulnerabilidades
Ayres et al., (2009), discutindo as dimensões da vulnerabilidade, afirmam que a dimensão individual da vulnerabilidade pressupõe que todos os indivíduos são suscetíveis a infecções. Essas instituições funcionam como elementos que reproduzem, quando não aprofundam, as condições de vulnerabilidade socialmente dadas, sendo de fundamental importância a sua permeabilidade e incentivos à participação e autonomia dos diferentes sujeitos sociais no diagnóstico da situação e na busca de formas de superá-la. elementos da abordagem da vulnerabilidade (AYRES et al., 2009).
A juventude e as IST
Juventude e o uso de preservativos
Um estudo realizado com jovens universitários constatou que o uso do preservativo em todas as relações foi inferior a 20% das mulheres e 4% dos homens. Também é preocupante o fato de a proporção de mulheres associar o uso do preservativo como método contraceptivo e não como prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, ou seja, se utilizam outro método contraceptivo, não usam preservativo (SALES, 2016).
A Teoria das Representações Sociais
A teoria do núcleo central defende uma forma hierárquica de avaliar as representações dentro de um grupo. As práticas afetam as representações e as RS afetam as práticas, ambas sofrem interferências e se transformam.
Tipo de estudo
Participantes do Estudo
Instrumentos de Coleta de dados
Cabe ao pesquisador explorar, além dos temas previamente definidos, também as estruturas de importância dos entrevistados (MINAYO, 2001). Além de permitir a produção de informações adicionais durante a observação dos entrevistados quanto ao grau de cooperação ou outros aspectos nas respostas, que podem ser úteis na interpretação dos dados.
Coleta de Dados
A entrevista é o procedimento mais comum no trabalho de campo e através deste procedimento o pesquisador solicita informações aos participantes da pesquisa. Para tanto, entramos em contato por e-mail com os alunos de quem convivíamos próximos e solicitamos que encaminhassem o convite para participação no estudo ao seu grupo de amigos. Assim, os participantes da primeira fase do estudo (respondentes do questionário) foram convidados a participar da segunda fase.
Houve a participação de 30 jovens, sendo 15 homens e 15 mulheres, que buscaram a harmonia na composição da amostra, ou seja, o mesmo número de participantes. As sementes auxiliam o pesquisador a fazer contatos, e o primeiro selecionado designa outros de sua rede social para participar, e assim sucessivamente (VINUTO, 2014). O primeiro contato para esta fase do estudo foi uma estudante de enfermagem, que respondeu ao questionário.
Esta fase de coleta de dados da pesquisa respeitou o número mínimo de 30 participantes, recomendado para estudo com respaldo teórico do TRS. No entendimento de Minayo (2017), o termo saturação, mencionado por Glaser e Strauss (1967), refere-se ao momento do trabalho de campo em que a coleta de novos dados não fornecerá maiores explicações ao objetivo do estudo, levando em consideração a repetição de informação.
Tratamento e Análise dos Dados
Aspectos Éticos
Após obtenção da gravação fiel dos depoimentos, os mesmos foram transcritos na íntegra e armazenados em banco de dados. Como houve necessidade de adequação nas técnicas de coleta de dados, também foram adaptadas as estratégias de captação de assinaturas do TCLE, mantendo a confidencialidade e o anonimato dos participantes da pesquisa. O questionário foi utilizado para captar dados sociodemográficos, práticas sexuais e prevenção de IST.
Os autores citados afirmam que este instrumento permite a inclusão de aspectos quantitativos na análise de conteúdos relacionados ao caráter social, destacando os aspectos explicativos ou discriminatórios de uma população, entre grupos dentro de uma população, além de assumir ou compartilhar posições grupais.
Caracterização sociodemográfica dos jovens universitários
Os dados da Tabela 1 mostram que 86,25% dos estudantes pesquisados têm entre 18 e 23 anos, o que condiz com a faixa etária dos estudantes universitários no Brasil. Estudos mostram que o perfil dos estudantes universitários inclui jovens de 18 a 24 anos (ALVES; GONÇALVES;. Nota: Base de dados da pesquisa “Conhecimentos e práticas para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis na perspectiva de gênero”.
Quanto à situação habitacional, a Tabela 3 mostra que os alunos moravam com os pais. Quanto ao vínculo afetivo descrito na tabela, os estudantes relataram não ter namorado/companheiro. Nota: Base de dados de investigação Conhecimentos e práticas para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis numa perspectiva de género.
Quanto à situação laboral, apresentada na tabela 7, observa-se que 56 (35%) estudantes nunca trabalharam e o mesmo número declarou estar desempregado. A Tabela 7 mostra que 70% dos estudantes afirmam nunca ter trabalhado ou estão desempregados.
Práticas sexuais, parceria sexual e o uso de preservativos
Os dados sobre o tipo de parceria sexual e o uso de preservativo nesta parceria são apresentados na Tabela 9. Assim, um estudo que avaliou o uso consistente de preservativos em uniões de jovens adultos na Tanzânia e na África mostrou que a confiança no parceiro tem uma relação negativa com uso consistente de preservativo (HATTORI, 2014). Na Tabela 10 verifica-se que os estudantes nunca negociam o uso do preservativo com o parceiro sexual.
Nota-se que apenas 22,50% das mulheres do grupo estudado negociam o uso do preservativo com os parceiros sexuais, enquanto entre os universitários do sexo masculino há dados de 31,25%. Estudos com jovens universitários têm mostrado resultados semelhantes e destacam a dificuldade de negociação de preservativos entre parceiros sexuais (FONTE, 2016; LIMA, 2019; SANTANA, 2017). Vale ressaltar também que muitas vezes as mulheres têm dificuldade em negociar o uso do preservativo com seus parceiros e tendem a assumir um papel passivo nas relações afetivo-sexuais (GONZÁLEZ-SERRANO; ZABALGOITIA, 2013).
Estudo de Francisco et al., (2016) que avaliou o uso de preservativo entre homens e mulheres participantes do Carnaval do Rio mostrou que os homens usam preservativo com mais frequência do que as mulheres, apesar de serem mais impulsivos e terem tendência a se expor a situações de risco. Já as mulheres tendem a abandonar o uso do preservativo em relacionamentos estáveis e são mais propensas à passividade e à dominação em decorrência de aspectos históricos e culturais.
Uso de álcool e/ou outras drogas antes da última relação sexual
Categorização dos achados discursivos
Subcategoria 1.1 - Imagens e sentimentos associados às IST
Aborda dois temas: as imagens que os jovens associam às doenças sexualmente transmissíveis; e sentimentos e impressões relacionados às IST. As falas dos estudantes mostram que os jovens imaginam as doenças sexualmente transmissíveis de diferentes maneiras. Porém, além desses aspectos, existem temas como gênero, raça e classe social, [..} que conferem aos jovens significados diversos na sociedade, que são discutidos superficialmente (ARRUDA, 2016).
Entre os jovens pesquisados, 15 universitários demonstraram sua compreensão sobre as IST por meio de “Sentimentos/impressões relacionadas às IST”. Então acaba dando uma imagem pejorativa às IST em geral pela forma como é veiculada [..} acaba me confundindo. Acho que as IST estão mais relacionadas com as pessoas que não têm educação, tanto em termos de estrutura económica como social, e afecta todos, toda a população.
As falas dos universitários mostram que os estudantes têm impressões e sentimentos diferentes sobre as IST. À luz do TRS, os jovens (estudantes universitários) compreendem o mundo que os rodeia através do domínio comportamental, informacional, físico e intelectual.
Subcategoria 1.2 - Conceitos e conhecimentos sobre IST
Chama a atenção nas falas dos jovens o fato de eles associarem a transmissibilidade das DST à prática de sexo sem camisinha. A compreensão da transmissibilidade das DST via microrganismos emergiu nas falas dos universitários, conforme mostram os recortes. São doenças causadas por substâncias que ocorrem em decorrência de relações sexuais sem o uso de proteção.
É extremamente importante compreender como as IST podem ser transmitidas, pois somente compreendendo o modo de transmissão a prevenção pode ser adotada. Ressalta-se na fala dos jovens que apesar da “menção” aos microrganismos, não houve registro dos agentes etiológicos causadores das doenças venéreas. O contato com fluidos ou genitália foi apontado pelos universitários como forma de transmissão de IST.
Em relação ao uso de banheiros, estudo com jovens universitários constatou que 78,80% afirmaram ser possível contrair uma IST utilizando banheiros públicos (SPINDOLA el al., 2019). Os resultados desta pesquisa são semelhantes aos encontrados nesta investigação e mostram que na perspectiva dos estudantes universitários, a transmissão das IST pode ocorrer por meio de diferentes mecanismos e agentes infecciosos.
Categoria 2 - Práticas de prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis e
Uso de drogas, como heroína, porque como eu falei, algumas doenças são transmitidas pelo sangue [...] se você tiver contato com o sangue de uma pessoa infectada e esse sangue entrar na sua corrente sanguínea, você acaba portando certos tipos de DST. Tive muita educação sexual na escola. Esse curso sempre enfatizou as doenças, sua má evolução e prognóstico [...] eu tinha Educação Sexual na escola e em casa. Nunca tive contato direto com meu pai [...] E tinha vergonha de conversar com minha mãe.
Mas só comecei a fazer minhas próprias pesquisas [...] procurei descobrir tudo para que nada acontecesse comigo. As declarações dos estudantes universitários indicam que os estudantes obtêm informações através de conversas com os pais e com os prestadores de cuidados de saúde sobre as DST. Essa conotação pode ser observada em outros estudos que apontam para o baixo uso do preservativo feminino.
Algumas estratégias de prevenção às DST são verbalizadas nas falas dos estudantes, sendo que a maioria delas foca no uso do preservativo. Aragão, Lopes e Bastos (2011), em estudo sobre o comportamento sexual de jovens cursando medicina em uma universidade privada do interior do Rio de Janeiro, constataram que o uso de métodos preventivos ocorre apenas em 44%.
Categoria 3 - Fatores que interferem no uso ou não de preservativos pelos
Nas falas dos estudantes está escrito que a prevenção das DST é baseada no uso de preservativo. Disponível em: ttp://www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de-saude/hiv/videos-educativos. Disponível em: http://www.cchla.ufrn.br/ppgem/wp-. content/uploads/2009/09/MEDIA-STRATEGIAS-NA-APRENDIZAGEM-DO-TEMA-DST-AIDS-Rede-Ações-para-reduzir-vulnerabilidades-de-adolescentes-e-jovens-da-comunidade- de-Mae-Luiza.pdf.
Representação social do sexo na juventude portuguesa. https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-. Negligência no uso do preservativo e exposição ao risco de infecções sexualmente transmissíveis no ensino superior: um paradoxo entre informações e práticas.
Disponível em: https://cevs.rs.gov.br/upload/arquivos guia-para-mães-prevencao-da-transmissao-vertical-do-hiv-sifilis-congenita-e-hepatites-b-e-c.pdf. Disponível em: http://www.coren-ce.org.br/wp-content/uploads/2019/02/ADOLESCENTES-MAIOR-VULNERABILIDADE-%C3%80S-ISTAIDS.pdf.