Percepções de adolescentes do sexo masculino sobre violência doméstica: uma perspectiva bioética / Lumaira Maria Nascimento Silva. Portanto, é neste ambiente familiar que devemos trabalhar os conceitos de desigualdade de género e violência doméstica.
Panorama da violência contra as mulheres no Brasil
A prevalência de violência física e/ou sexual na vida das mulheres na Grande São Paulo foi de 28,9% e na Zona da Mata pernambucana de 36,9%, segundo pesquisa de d'Oliveira et al. 2009), que associa o histórico de mãe abusada, abuso sexual na infância, mais de 5 gestações e uso de bebidas alcoólicas como fatores de risco comuns nessas regiões. Uma vez conhecido o perfil da mulher vítima de violência doméstica, podem ser planeadas ações para combater as causas desta injustiça.
Percepção dos homens sobre a violência doméstica
Portanto, as medidas devem ir além de cartazes e propagandas para prevenir a violência doméstica, devem permear diferentes cenários – sociais, econômicos e culturais – e em todas as faixas etárias, iniciar o combate às injustiças sociais já na infância e assim prevenir os fatores de risco para a violência. Existem algumas pesquisas que tentam compreender a percepção destes jovens, mas não existem diferenças significativas nas respostas relativamente à percepção da violência.
Políticas públicas no combate a violência doméstica
Dois anos depois, uma norma técnica garantiu o atendimento às mulheres vítimas de violência sexual no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2003, um novo avanço, a lei 10.778/03, introduziu a obrigatoriedade de notificação dos casos de violência contra mulheres atendidas nos serviços de saúde.
Breve histórico dos direitos humanos
Na era moderna, houve uma transição de um Estado absoluto para um Estado liberal, em que a burguesia, como classe emergente, começou a defender os direitos individuais contra os abusos dos direitos reais, expandiu o público em causa, que já não era apenas uma elite e tornou-se universal. O resumo de Bobbio (2004) reflete bem esse desenvolvimento histórico, afirmando que os direitos humanos nascem como direitos naturais universais, desenvolvem-se como direitos positivos específicos e encontram a sua plena realização como direitos positivos universais. Na Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, realizada em Viena em 1993, as mulheres ganharam destaque nas discussões sobre o exercício dos seus direitos.
Notou-se que a conquista de alguns direitos das mulheres foi tardia, culminando com a introdução da violência contra as mulheres na agenda política do Brasil na década de 1980.
O movimento feminista
Isto acontece porque as mulheres são privadas de oportunidades que estimulem as suas capacidades racionais, capacidades que são valorizadas nos homens. Lutaram para que as virtudes femininas também estivessem presentes na esfera pública, empurrando as mulheres para o mercado de trabalho e defendendo a igualdade econômica como forma de alcançar o respeito próprio (TONG, R.; WILLIAMS, N., 2015). Portanto, seu objetivo é incentivar as mulheres no mercado de trabalho com as mesmas condições salariais e acesso ao emprego que os homens.
Segundo ela, a opressão atinge as mulheres de diversas formas e é preciso discutir gênero a partir de uma perspectiva de classe e racial, levando em consideração as características específicas das mulheres.
Desigualdade de gênero e a interface com a violência doméstica
Sabe-se que as desigualdades de género interferem nas capacidades individuais e que a capacidade de realizar operações é diretamente proporcional à disponibilidade de recursos financeiros. Na perspectiva da desigualdade socioeconômica, Martinetti, que trabalha com foco na liberdade de escolha, investiga as causas das desigualdades de gênero. Na tese da dominância, ele aponta que as identidades de gênero são criadas socialmente e apresenta a diferença entre sexo e gênero.
Contudo, o “efeito perverso” deve ser levado em conta, por exemplo, em situações em que as mulheres têm uma posição melhor que os homens, os homens ainda usam a violência para provar a superioridade de género.
Perspectivas de justiça social e violência doméstica
A sociedade de Rawls propõe uma concepção política de justiça para sociedades bem organizadas, que pressupõe a concepção das pessoas como agentes racionais e razoáveis, o que garante que os princípios da justiça possam ser aplicados. Outro ponto é que a teoria da justiça de Rawls é proposta para uma sociedade bem ordenada, na qual todos os cidadãos aceitam uma concepção comum de justiça. Ao transferir este conceito de justiça para os países em desenvolvimento, existirão alguns obstáculos, como a grande desigualdade socioeconómica, que permeiam as conversas sobre género.
Isto significa que não temos uma sociedade bem ordenada, com noções de justiça muito diferentes, pelo que é ainda mais difícil aplicar princípios de justiça produzidos por uma experiência mental, porque tal situação hipotética nunca acontecerá.
Delineamento do estudo
Os adolescentes recrutados foram solicitados a assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TA), o que fortaleceu a possibilidade de desistir da pesquisa a qualquer momento, sem que isso lhes causasse qualquer dano, e também foram informados que a pesquisa não foi remunerada e também não custou nada. era. para aqueles que foram pesquisados e a confidencialidade dos dados será garantida. Com o cenário de criminalização da violência doméstica no Brasil, foi necessária maior segurança dos dados, uma vez que depoimentos de violência vivenciados em seus domicílios podem aparecer e ser entendidos como registro documental da denúncia. Portanto, a entrevista foi gravada sem identificação dos integrantes, o arquivo foi transcrito e em seguida o áudio foi destruído, sem acesso futuro às vozes dos adolescentes.
No dia marcado para o grupo focal, a mestranda Lumaira Silva conduziu a discussão junto com a mestranda Carolina Pimentel.
Local do estudo
Foi feita uma apresentação dinâmica para o contato inicial com o objetivo de criar um ambiente mais acolhedor, incentivando a participação dos associados. Na primeira fase da pesquisa foi distribuído um pequeno questionário, com perguntas fechadas, que abordam, entre outras coisas, condições socioeconômicas como idade, cor, profissão, religião. Começou com o pedido de desenhar algo sobre o tema violência doméstica com o objetivo de provocar um debate participativo e permitir uma compreensão mais profunda do assunto.
Em seguida, ocorreu o debate, orientado por um roteiro semiestruturado, com questões sobre o conceito de violência e a percepção da violência contra a mulher.
População/ Amostra
Aspectos éticos da pesquisa
Quanto ao conceito de violência doméstica, os adolescentes apontaram com maior facilidade a violência física e psicológica. Segundo o Observatório Brasil da Igualdade de Gênero (BRASIL), os homens admitiram xingar (53%), ameaçar (9%) e humilhar mulheres em público (5%), porém acreditam que denunciar esse tipo de violência não é necessário. Segundo o Centro de Atendimento à Mulher (BRASIL, 2013a), 1,85% das denúncias de violência patrimonial foram registradas em casos de violência doméstica.
Porém, como estimular a autonomia das mulheres vítimas de violência doméstica se elas têm outras funções básicas prejudicadas? O debate mostrou que esta geração de adolescentes tem uma perspectiva mais ampla sobre questões de gênero e sugeriu algumas alternativas para reduzir os casos de violência doméstica no Brasil. Políticas de combate à violência contra as mulheres no Brasil e a “responsabilidade” dos “homens que cometem violência”.
Coleta dos dados
Análise dos dados
A análise dos dados foi desenvolvida por meio da análise de conteúdo temática, conforme Minayo (2014), seguindo as etapas: 1) pré-análise dos resultados, que define uma leitura flutuante e aquisição exaustiva dos dados obtidos para posteriormente reformular as hipóteses e objetivos, se necessário. Neste estudo, as categorias encontradas foram semelhantes às pré-determinadas pelo roteiro semiestruturado: o conceito de violência doméstica, as causas, as qualidades básicas do homem e da mulher, a visão do papel do homem e da mulher na sociedade atual e as formas de combater a violência, a violência doméstica.
Perfil dos adolescentes participantes da pesquisa
Assim, com base na base comum de respeito por cada indivíduo, a família é responsável por promover quatro tipos de funções: a capacidade de manter a integridade física e mental, a capacidade de construir boas relações pessoais, a capacidade de ter um emprego e o capacidade de ter um emprego. Oportunidades educacionais. A promoção destas operações visa combater as principais causas da desigualdade de género: a desigualdade socioeconómica e a assimetria de poder, ambas permeadas pela discriminação de género.
O que é violência doméstica para os adolescentes?
Sabe-se que a violência física costuma ser acompanhada de violência psicológica e juntas foram responsáveis por 84,7% dos casos notificados de violência doméstica no Brasil em 2013 (BRASIL, 2013a). Calúnia, difamação ou injúria são exemplos de atos de violência moral (BRASIL, 2011b) e são punidos pela Lei Maria da Penha. Situações de violência psicológica e moral também causam danos à saúde da mulher, incluindo depressão e ansiedade, como mostra o estudo de Adeodato et al., 2005), onde 75% das mulheres vítimas de violência apresentaram sintomas depressivos, mas como essas situações são mais socialmente tolerados, tornam-se mais suscetíveis à subnotificação.
Esta afirmação leva à questão de que se não associam a falta de resistência física ao estupro, então não deveriam associar a possibilidade de estupro entre parceiros íntimos, ato que está incluído na definição de violência sexual e que deve ser discutido com maior peso. .
O núcleo familiar e a reprodução da visão sobre a violência
Entre os adolescentes do estudo, a bebida não foi reconhecida como forma de justificar um ato agressivo. Esse pensamento, que considera o núcleo familiar importante para o desenvolvimento do funcionamento e das capacidades individuais, vai ao encontro da perspectiva das capacidades de Martha Nussbaum (2011), com ênfase no empoderamento do pertencimento, dentre as 10 capacidades que ela propôs para uma vida digna. Note-se, no entanto, que não só a mulher deve ser responsável pelo funcionamento dos membros da família, especialmente das crianças, pois outros responsáveis também têm esse papel.
Uma vez discutida a importância desses conjuntos de funções igualmente para todos os membros da família, não só as mulheres conseguirão desempenhar as funções mais complexas, mas todos ao seu redor, uma vez que a realização de funções individuais na família está ligada ao desempenho coletivo .
Papel do homem e da mulher na sociedade atual
Contudo, não foi semelhante o movimento relativo à participação das mulheres no total de trabalhadores, que ainda permanece próximo de 1/3 do emprego, onde as mulheres exercem em sua maioria atividades informais, mal remuneradas e focadas. no trabalho doméstico (FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS, 2015). Situações como estas (baixo rendimento das mulheres e dependência financeira dos seus parceiros) colocam as mulheres em elevado risco de exposição à pobreza e vulnerabilidade, impedindo-as de desempenhar as suas funções mais básicas, como ser alimentado. A diferença social produzida pela divisão do trabalho por género constitui uma forma de desigualdade de género que torna as mulheres mais vulneráveis à dominação, exclusão e exploração.
O Instituto AVON (2013) encontrou respostas de homens que valorizam a atividade sexual, 47% concordam que os homens precisam mais de sexo do que as mulheres.
Ações para diminuir os casos de violência doméstica no Brasil
Houve muitas melhorias na vida das mulheres, muitos direitos foram conquistados, mas é preciso continuar trabalhando na busca incessante pela igualdade de gênero. A concepção do adolescente sobre a violência doméstica trouxe esperança para o processo de transição cultural em relação às desigualdades de gênero. Questões como a desigualdade de género devem ser discutidas ao longo dos anos de estudo e isso requer professores preparados e qualificados.
Visões de gênero entre homens e mulheres de baixa renda e baixa escolaridade sobre a violência contra a mulher, São Paulo, Brasil.