Religião, ensino religioso e cotidiano escolar: discussão da laicidade na rede estadual do Rio de Janeiro / Luciana Helena Monsores. Religião, ensino religioso e cotidiano escolar: discussão da laicidade na rede estadual do Rio de Janeiro.
Murais, livros, folhas de ponto: Deus está em tudo
A questão das diferenças religiosas, da intolerância e do secularismo aparece na escola de forma complexa, com tendência a não se aprofundar ou não nessas questões. Para a diretora da escola, responsável pela criação do mural, é normal que Deus entre na escola.
Recreio Cultural e apresentação Gospel
A intenção é que os alunos possam sair um pouco da rotina e entrar em contato com atividades educativas divertidas junto com seus professores e funcionários. A diretora da escola também disse que não vê problema na apresentação do evangelho porque partiu dos alunos.
Datas comemorativas, festividades, símbolos cristãos
Em 2013, ocorreu um “Baile de Carnaval” no CIEP investigado, organizado pela direção e corpo docente. Imagem 10: Alunos do 8º e 9º anos, fantasiados, dançando funk no “Baile de Carnaval” do CIEP, em fevereiro de 2012.
Festa junina complica, mas o natal não
Nas suas palavras, “a única coisa que muda é isso, é como se fosse um feriado cristão em cima da Festa Junina. De qualquer forma, atualmente o feriado de junho ainda é visto como um feriado religioso católico e até acontece em muitas igrejas.
Escravismo e religião
Escravos, senhores, Igreja
Este estado em que escravos animalescos e objetificados eram mantidos pela coerção usada das formas mais violentas. Mas os escravos não foram subjugados, pois resistiram a essa situação fugindo, organizando quilombos e até executando seus senhores e feitores.
A hegemonia católica na Educação Brasileira durante o período
As primeiras tentativas de ruptura durante a transição republicana
Desde então, todas as constituições brasileiras estipularam a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas, mesmo que seja facultativo para os alunos. Porém, segundo o mesmo autor (2011), durante a Ditadura Militar, o ensino religioso nas escolas públicas recebeu reforço a partir da introdução da Educação Moral e Cívica nos currículos de primeiro e segundo anos.
A origem do município e sua divisão administrativa
Duas personalidades polêmicas e dominantes da região – Tenório Cavalcanti e José Camilo Zito – são protagonistas de histórias que ajudaram a construir a imagem da Baixada Fluminense e principalmente de Duque de Caxias. Em meados do século XIX, Meriti, área do atual 1º distrito19 de Duque de Caxias, representava apenas um ponto de venda de alguns produtos. 19 A seguir será discutida a divisão do município de Duque de Caxias em distritos e seus respectivos bairros.
A partir da década de 1930, na era Vargas, a área do atual município de Duque de Caxias vivenciou um intenso processo de requalificação do seu território e de incorporação ao modelo urbano-industrial. A emancipação política ocorreu em 31 de dezembro de 1943 através do Decreto Estadual nº 1.055, passando a denominar-se Duque de Caxias. 21 Informações disponíveis no site da Câmara Municipal de Duque de Caxias, www.cmdc.rj.gov.br e no site http://duquedecaxias.net.br/.
Aspectos políticos e econômicos: avanço econômico, desigualdade
Nesse período, Duque de Caxias aumentou sua participação no valor da transformação industrial da região metropolitana do Rio de Janeiro, de 4% para 11%. O município de Duque de Caxias tem mantido um quadro produtivo, apoiado no importante parque industrial químico e petroquímico que o tornou o mais importante centro produtor de derivados de petróleo do estado do Rio de Janeiro. De acordo com o “Diagnóstico de situação do Município de Duque de Caxias”, neste caso é utilizado o índice de Gini, que mede a desigualdade social existente na distribuição dos indivíduos segundo a renda domiciliar per capita.
De acordo com esse índice, em 2000 o município de Duque de Caxias ocupava a 11ª posição na região da capital fluminense com 0,53. A tabela revela que em Duque de Caxias, assim como em outros municípios da região da capital fluminense, há uma concentração de aproximadamente 40%. Dois políticos influentes aparecem nesse cenário em Duque de Caxias: Tenório Cavalcanti e José Camilo Zito.
O campo educacional e religião
É importante ressaltar que uma das fundadoras do Colégio Santo Antônio29 em 1942 foi Irmã Michaela Hass, que se destacou pela preocupação com a educação religiosa e pelo trabalho de cristianização e evangelização da população de Duque de Caxias. Projetando o PT na Baixada Fluminense: Um Estudo de Caso de Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Segundo Fernandes (2014), a Diocese de Duque de Caxias foi fundada em 1981 e iniciou suas atividades em colaboração com movimentos sociais.
O autor apresenta numerosos dados que mostram o crescimento significativo dos pentecostais nos municípios da Baixada, principalmente em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo. Nesta área, principalmente nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo, a religião católica representava menos de 48% dos seus habitantes. Essa influência dos evangélicos também pode ser percebida nas escolas públicas municipais e estaduais de Duque de Caxias.
O bairro de Jardim Primavera: do elitismo à realidade popular
No caso desta pesquisa, será abordada a presença religiosa e o Ensino Religioso na Rede Estadual de Ensino. Ela mesma explicou que naquela escola “não há proselitismo na disciplina de Ensino Religioso e se trabalha em valores”. 38 Há outro professor de educação religiosa na escola, mas por falta de aulas ele leciona a disciplina de Língua Portuguesa em 2013.
Ao retornar à escola estadual, perguntei à coordenadora pedagógica sobre a existência de algum material didático especial enviado pelo Ministério da Educação para as aulas de ensino religioso. Segundo ela, as razões são claras: (1) a constituição estabelece que as escolas públicas devem ser seculares, (2) não há formação especial para professores religiosos. Perguntei também se a escola informa aos alunos sobre a frequência facultativa de professor religioso e ela respondeu afirmativamente.
O Planejamento, Diários de Classe e Recursos Didáticos no Ensino
A Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro ainda não disponibiliza materiais didáticos específicos para aulas de Ensino Religioso. Segundo a coordenadora do Ensino Religioso do Metropolitanava V, os professores não recebem automaticamente informações sobre a fé dos seus alunos. Os alunos que optarem por não frequentar as aulas de Ensino Religioso deverão realizar atividades educativas alternativas dentro da escola.
Pôde-se observar, durante os quatro meses em que frequentei a escola e lecionei, que não existe nenhuma organização de educação religiosa. Segundo Sérgio, muitos professores do Ensino Religioso estão desanimados, por isso pedem para deixar o emprego ou mudar para outras disciplinas. Minha humilde opinião é que se o Ensino Religioso deixasse de ser confessional, tudo ficaria mais fácil.
Sobre os Encontros de Professores de Ensino Religioso: formação
A questão é que a maior parte das conquistas dos professores de educação religiosa são reivindicadas há décadas por toda a categoria. Além disso, o departamento de educação religiosa é o único que realiza reuniões mensais entre os seus membros. O encontro foi conduzido pela Coordenadora de Ensino Religioso da Metropolitana V, Vera Lúcia Alvarenga, católica praticante.
A professora (D) concorda e acredita que a proposta número 17 é a que resume o objetivo principal do ensino religioso: “que o aluno mude de atitude”. Neste momento, o grupo começa a discutir a importância do ensino religioso nas escolas e, nesse contexto, a coordenadora Vera Lúcia afirma que “As Bíblias são proibidas nas escolas e aceitas nas prisões. Ainda em defesa do ensino religioso nas escolas públicas estaduais, Vera Lúcia afirma que esse tema cria um ambiente favorável à autorrealização.
Quem precisa de Ensino Religioso?
A partir de vários argumentos pôde-se concluir que tanto os professores da disciplina quanto o coordenador veem o ensino religioso como um grande aliado do ensino público, como um salvador das dificuldades cotidianas que a escola e as famílias dos alunos enfrentam. As práticas cristãs de normalização do comportamento e de docilidade da alma, observáveis nas escolas e seminários, juntamente com estas práticas institucionais ‘seculares’, formaram a base histórica moderna da sociedade disciplinar.” Talvez por isso o ensino religioso seja citado nas escolas como um tema que pode resolver “o problema” do comportamento e da indisciplina dos alunos.
O que é crucial para mim é indicar a necessidade de pensar no seguinte: Se a SEEDUC tiver que reduzir o número de professores e turmas e tiver que decidir quais alunos “precisam” para esta disciplina, quais critérios serão utilizados.
Disciplinas que atrapalham, a luta para conquistar mais espaço e por
(4) o Diretor do Departamento de Ensino Religioso da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Padre Paulo Romão; A apresentação a seguir tem como interlocutor o diretor do Departamento de Ensino Religioso da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Padre Paulo Romão. Imagem 26: Alunos do CIEP 123 – Glauber Rocha em apresentação durante a manhã do X Fórum de Ensino Religioso da rede estadual.
Figura 27: Alunos do CIEP 123 – Glauber Rocha em apresentação durante a manhã do X Fórum de Ensino Religioso da rede estadual. Elogiou o documento e apresentou os professores de Ensino Religioso responsáveis pela elaboração do material. São cenas cotidianas de professores de Ensino Religioso com seus alunos e suas equipes nos encontros regionais.
O Manual da Bioética
O Manual de Bioética, o conservadorismo e a escola
O Manual de Bioética (Chaves para Bioética ou “Chaves para Bioética”) é um livreto explicativo com instruções sobre diversos temas do ponto de vista da Igreja Católica, destinado aos fiéis. O texto traz discussões sobre aborto, estupro, uso de métodos anticoncepcionais, homossexualidade e foi distribuído junto com o kit aos participantes da Jornada Mundial da Juventude. 57 http://blog.cancaonova.com/tiba midia-tenta-fazer-polemica-com-manual-que-sera-distribuido-na-loja-mundial/.
Ou seja, a Coordenação de Ensino Religioso do Estado do Rio de Janeiro participou ativamente da Jornada Mundial da Juventude. Na nossa opinião, tal material tendencioso não poderia ser divulgado, apesar da Jornada Mundial da Juventude ser um evento católico e, portanto, com liberdade de expressão e pensamento. Concordamos com as críticas que circulavam na época. 59 http://extra.globo.com/noticias/rio/manual-da-jmj-condena-pesquisa-em-celula-tronco-adocao-de-criancas-por-casais-homossexuais-9146934.html.
Machista, homofóbico e transfóbico
A frase desta epígrafe acima é de uma cena do famoso romance de Eco (popularizado entre nós por um belo filme de Jean-Jacques Annaud). 34;sob uma força maior", como diz a frase que encontrei colada na vitrine do protocolo da Metropolitana V quando a visitei para esta pesquisa. Para entender melhor a organização do ensino religioso, a pesquisa não se concentrou apenas nas escolas e no seu cotidiano. vive., mas participava de reuniões regionais periódicas, nos fóruns anuais de educação religiosa, neste caso o X Fórum de Educação Religiosa da rede estadual no Rio de Janeiro.
Nada é mais contra os direitos humanos do que um manual distribuído pelo Vaticano para ser “só” durante a Jornada Mundial da Juventude, ou no X Fórum de Professores de ER no estado do Rio de Janeiro. Revista histórica da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, vol.4, n. Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Lisboa, 1996. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.