Convenções Coletivas nas Empresas Prestadoras de Serviço: o campo
Se o acordo coletivo estipulasse que o vale-refeição valesse X, qualquer empresa que viesse, quando viesse, teria que respeitar o acordo coletivo. Em conversa com o diretor do SINTTEL, este confirmou-nos que na verdade é um problema que os acompanha desde o início dos contactos com as empresas e os seus representantes167 e que o problema está aí desde o início. Mas o principal desafio foi fazer cumprir as convenções – pausas no trabalho, por um lado; por outro lado, a inclusão dos nomes de todas as empresas na própria convenção; Segundo o gestor entrevistado, essas foram algumas das estratégias adotadas.
Ele explica ainda que antes mesmo da privatização, o SINTTEL-Rio celebrou acordo coletivo com o sindicato patronal SINDIMEST-RJ, ligado à indústria, pois havia alguns trabalhadores que já eram terceirizados ainda nesse período. Segundo o dirigente, o Acordo Coletivo 2016 deste ano ainda não foi assinado devido à disputa entre o SINDIMEST e o SINSTAL, o que levou o SINTTEL a procurar a FEBRATEL, sindicato patronal no qual os dois sindicatos estão unidos, para assinar a convenção sobre o mesmo dia da nossa entrevista. Eu diria que isso também faz parte do trabalho sindical de sucesso, porque ele mesmo... olha, o CEO de uma empresa que tem 13 mil funcionários só no Rio de Janeiro e hoje tem mais de 20 mil trabalhadores diretos, porque tem atende também Paraná e Santa Catarini, sentado no auditório, dentro do sindicato, discutindo sobre o que pode, o que não pode pagar, o que pode assinar no acordo coletivo.
O dilema é que as empresas não pagaram o salário mínimo, não cumpriram a convenção e o sindicato não conseguiu defender o trabalhador. Hoje podemos tomar medidas para fazer cumprir um Acordo Coletivo de Trabalho contra uma determinada empresa porque temos o Acordo, caso contrário não o faríamos. Outro item comum ao acordo da Oi é o Incentivo à Educação, presente desde o Acordo Coletivo de 2001 até 2012, neste caso, o que reforça a intenção, já explicada anteriormente neste trabalho por outro diretor do SINTTEL-Rio, de intervir mais diretamente na qualidade do a formação profissional dos trabalhadores, por meio do seu Ensino Médio Técnico, além de aproximar a atuação sindical desses segmentos.
A análise das autorizações de 2012 e 2015 (mais de 17 mil) parece indicar que o trabalho temporário e de jovem aprendiz não é uma prática consolidada entre as empresas de telecomunicações do Rio de Janeiro. 171 O SINTTEL-Secretaria de Saúde do Rio emite CATs aos trabalhadores quando as empresas se recusam a fazê-lo, além de estabelecer diversas parcerias – com o NUSAT (Centro de Saúde do Trabalhador), da Prefeitura do RJ; e com pesquisadores da UERJ, UFRJ e FIOCRUZ e FUNDACENTRO, tanto para encaminhar os trabalhadores para atendimento quanto para criar parcerias no âmbito da pesquisa sobre doenças ocupacionais, priorizando também os dois segmentos mais inseguros – Teleatendimento e Rede. O perigo é que muitas vezes as empresas a utilizem como forma de baixar salários e benefícios, aumentando o número de empregados nesta situação.
Se a implementação do acordo coletivo era a meta prioritária do SINTTEL-Rio, especialmente após a consolidação e amadurecimento do processo negocial, que incluiu o fortalecimento do comitê de trabalhadores da rede e também reuniões pontuais com representantes dos empregadores mais dispostos a negociar, é interessante trazer mais uma informação sobre as Reservas feitas pelos trabalhadores mediante sua aprovação e que pode nos ajudar a avaliar possíveis avanços no cumprimento do Acordo Coletivo.
Acordos da Atento: instabilidade levada ao extremo
E aí você briga aqui, porque você não aceita essas condições de trabalho aqui, e aí você f l m s l to mpr s f “m o” f h tr lho postos aqui e abre no Piauí, como você fez há alguns anos, fechando as vagas. Trabalho Eu trabalho aqui em teleatendimento, principalmente na Contax. Mas eles foram para lá, não foi porque atendem uma população carente, eles foram para lá, evitando acordos coletivos que levam R$ 5,00 ou R$ 6,00 em VR, então fica muito difícil você negociar se você ganhar e dois anos depois lá é nenhum. Isso aconteceu em Santa Catarina, que exigiu um piso salarial que a Assembleia Legislativa de lá havia estabelecido como piso e encerrou o assunto: “Ou há ou não há acordo”.
A Contax tirou todo mundo de Santa Catarina, não tem mais funcionário de call center em Santa Catarina. Nesta instabilidade e diante de um processo de trabalho extremamente penoso e intenso, é compreensível que haja um grupo majoritário que foi demitido e não quer mais trabalhar na empresa (como mostraram nossos questionários); e que também existe um grupo significativo dentro da empresa – como ficou evidente nas falas dos participantes do workshop – que quer ser mandado embora. Foi aumentado sucessivamente ao longo da vida da criança e no convênio 2008/2009 foi estendido até os 48 meses da criança e seu valor para R$ 95,00.
Ao mesmo tempo, foram incluídos alguns outros que parecem se adequar bem ao tipo de trabalho realizado e ao perfil das pessoas que acabam atuando no segmento: desde o primeiro Convênio existe uma cláusula sobre deficiência física180, que prevê indenização por afastamentos ao trabalho em decorrência de comprovada manutenção de equipamentos ortopédicos. 180 Segundo Ricardo Pereira, diretor do SINTTEL, membro da Comissão Nacional dos Trabalhadores de Telesserviços, essa cláusula fez parte do Acordo até passar a fazer parte da Proteção dos Direitos Ganhos), mas nunca teve muito apelo aos trabalhadores, como a empresa, no Rio de Janeiro não há um número significativo de pessoas com deficiência física trabalhando lá. O acordo 2002/2003 contém uma cláusula sanitária intitulada Condições de Trabalho e Ouvidoria, que detalha todas as melhorias que a empresa deve cumprir para garantir as condições de trabalho do teleoperador (chefe individual; respeito às necessidades fisiológicas dos trabalhadores; condições de trabalho adequadas condições ambientais; readaptação da fraseologia).
Este direito é novamente garantido a todos apenas no Acordo 2008/2009 quando é incluída a obrigação de respeitar o Anexo II da NR17. Além disso, as denúncias que chegam ao sindicato sobre assédio moral - muitas delas relacionadas à perseguição aos intervalos dos trabalhadores e que, segundo supervisores e coordenadores, prejudicam o cumprimento de metas - mostram que apenas a inclusão no Acordo não significa torná-lo uma garantia de cumprimento por parte da empresa. Neste caso, podemos citar também no eixo do cronograma de trabalho, outro pequeno avanço que pudemos perceber no Acordo 2009/2010 e que está justamente relacionado a outros dois problemas que também aparecem muito nas mensagens que chegam SINTTEL denunciando. condições de trabalho e relações na sociedade: faltas – justificadas ou injustificadas – e não aceitação de certificados.
181 Nos últimos Acordos Colectivos, os dirigentes dos Teleserviços elaboraram um Caderno com as cláusulas aprovadas e distribuíram-no aos trabalhadores para que melhor conhecessem e monitorizassem/aplicassem o cumprimento no local de trabalho.
Novos repertórios ou a ação sindical em movimento
Para compreender esta prática de resistência, Abramo se dedicará à sua análise a partir da experiência das condições de trabalho dos metalúrgicos. E pudemos ver claramente, conforme apresentado na introdução e no capítulo 2 deste trabalho, como as demissões cumpriram o papel do controle do trabalho. Todas as coletas de dados por meio de formulários de demissão no momento da aprovação em 2012 e 2015 e os 520 questionários aplicados aos demitidos entre abril e setembro de 2015 tornaram-se instrumentos valiosos na análise do que Alves chamou de nova morfologia social. funciona.
Principalmente através da análise de e-mails de denúncias recebidas do sindicato - que também nos ajudaram a (re)construir o cenário de trabalho inseguro, já a partir das palavras dos próprios trabalhadores - e de duas experiências destacadas - as greves no Teleservice e a Comissão Negociadora dos Trabalhadores da Rede – que, com base em Tilly (2009) podemos chamar de tema “novo posto” e a experiência concreta de resistência que os trabalhadores de telecomunicações vivenciam diante do trabalho precário. Foi como uma libertação – da humilhação, do assédio, dos maus tratos que recebiam no seu trabalho diário – que agora poderia ser partilhada publicamente contra aqueles que lhes infligiram esta humilhação e celebrada com aqueles que sofreram a mesma situação. Na Rede a sindicalização é a mais elevada, cerca de 60%, com uma participação que tem vindo a aumentar progressivamente com o aumento do âmbito de trabalho da Comissão Negociadora com o regresso ao local de trabalho e com a consistência dos Acordos Colectivos.
Muitos dos e-mails analisados, provenientes de trabalhadores da rede, traziam reclamações sobre condições de trabalho - a maioria sobre assédio ou jornada excessiva de trabalho - mas vários deles referiam-se à atuação do sindicato, ou ao que estava na Convenção Coletiva de Trabalho e as empresas não o fizeram. cumprir. Ao longo deste caminho, percebem-se alguns progressos, mas não de forma linear - mais intensos na Rede, com muito mais problemas no Teleservice e nos próprios operadores, mas de qualquer forma permanece o entendimento de que estes trabalhadores estão atentos aos seus questões, mesmo que não consigam “traçar” seu rumo numa perspectiva de divisão, através de um cenário que se torna ainda mais sombrio, no mundo e no Brasil, com ataques frontais e sistemáticos aos direitos trabalhistas básicos. Ou mesmo investindo no Comitê de Negociação dos Trabalhadores da Rede, como espaço permanente de organização e formação de novas lideranças, com representação nos diversos locais de trabalho.
Pelas fissuras do trabalho vivo: textos, contextos e ações nas atividades de vigilância à saúde do trabalhador. Desde a década de 1990, a insegurança no trabalho tem mobilizado vários cientistas, mas também o movimento sindical e os trabalhadores, que são confrontados com as consequências desta insegurança no seu quotidiano, que podem ser observadas sobretudo através do aumento do desemprego, dos baixos salários , a intensificação do trabalho, entre outros problemas. AGRADECEMOS a sua disponibilidade e interesse em responder ao questionário e temos a certeza que a sua participação ajudará a dar maior visibilidade às ideias de quem vivencia isso no seu dia a dia de trabalho.
7.2- Caso já tenha trabalhado em outras empresas de telecomunicações, indique o(s) nome(s) da(s) empresa(s), a função desempenhada e o tempo de atuação:.