Foi assim que a Pastoral Juvenil da Igreja Internacional da Misericórdia de Deus de Madureira se tornou meu objeto de pesquisa. Durante estes quatro meses experimentei a Igreja Internacional da Graça de Deus da forma mais intensa que pude.
Na onda da difusão neopentecostal: o surgimento da IIGD
Cura e libertação
21 A forma como se referem àqueles que não acreditam em Cristo ou que não fazem parte do “povo de Deus”. Precisamos que o povo de Deus lute pelas nossas causas, caso contrário, apenas coisas ruins acontecerão”.
Dr. Manaia, o candidato apoiado pela Igreja Internacional da Graça de Deus
Modelos de participação institucional
Além de inegável, a participação evangélica na política partidária não parece indicar retrocesso nos próximos anos. Contudo, o que se torna cada vez mais pertinente discutir não é se a Igreja estará presente na política partidária, mas como será essa presença.
O que esperar do mandato do Dr. Manaia, por ele mesmo
E continua: “Conquistar a confiança das pessoas é muito difícil numa realidade onde se prega a desesperança para com os políticos brasileiros e onde muitos desconhecem os seus direitos e o poder que o seu voto tem. Manaia articula religião e política: “Como você tem agido como vereador para defender os princípios cristãos e os valores familiares?” Soares também atribui importância à ligação entre religião e política: “David Soares tem o compromisso de servir e prestar serviços de emergência aos mais necessitados, além de monitorar e agir em nome do povo.
Esta instrumentalização reduz a autonomia da política em relação aos poderes eclesiásticos e às suas explosões moralistas, fundamentalistas, etc.
O Ministério Jovem de Madureira
O discurso político da IIGD
Além disso, esta conversa deixou bem claro que o discurso de Chris sobre política é completamente consistente com o dos pastores da Igreja que ouvi durante os cultos: que eles precisam ser representados politicamente por alguém que defenda as suas posições com base em valores morais. (aborto, drogas e homossexualidade), mas principalmente na defesa dos seus direitos ao exercício da liberdade religiosa, seja nas ruas, garantindo a realização de encontros capazes de reunir milhares de fiéis assim como os homossexuais reúnem milhares na Parada Gay, ou em lutando para que seus projetos e obras de construção de templos não sejam embargados, dando como exemplo os casos ocorridos em São Paulo e a Lei Psiu46. Quando pedi que ela listasse as pessoas em quem ela mais confia ao tomar decisões importantes, Chris não hesitou: Deus, sua família, seus amigos mais próximos e seu pastor, que é seu líder espiritual. E só porque ele compartilha esses valores morais, isso vai ajudá-lo a não ter a história que eu contei para vocês, isso afeta a questão da confiança que temos nele.
É a partir desse pressuposto que se justifica a necessidade de os evangélicos também estarem representados: para que os interesses dos outros não prevaleçam sobre os seus, ou seja, para que concorram em igualdade de condições.
Comportamento eleitoral, uma breve análise
Cultura política: um conceito essencial
Porém, o autor percebeu que a convocação do voto religioso acabou sendo uma “bala no pé” apontando o caminho da religião na política: a porta de saída. Na definição de Kuschnir, seria um “conceito multidisciplinar criado a partir de diferentes perspectivas possíveis para o estudo do fenômeno político, a fim de incluir os aspectos subjetivos da orientação política na análise política” (KUSCHNIR, 1999, p. 227). Esta proposta sugere a existência de um componente subjetivo nas respostas dos atores sociais aos processos de socialização e comportamento político: "Nas sociedades complexas, cada indivíduo, por participar de diferentes tipos de instituições, está exposto a diferentes formas de socialização que podem ou podem não ser congruentes entre si" (p. 230).
Porém, como explicado anteriormente, é extremamente importante ter em mente que o público das igrejas pentecostais tem mudado cada vez mais.
Retomando o conceito de clientelismo
Nesse sentido, Bahia (2003) destaca-se dos autores clássicos, segundo D´Ávila Filho, na medida em que “confronta diretamente o ponto fundamental e afirma o caráter endógeno do clientelismo para toda a organização social, o que é contrário à sua interpretação como estático ou fenômeno residual” (2003, p. 152). A partir daí, a Bahia traça algumas características de um fenômeno que resiste ao teste do tempo e recorre à literatura recente para sustentar o argumento de que o clientelismo é um fenômeno endógeno de organização e um fenômeno de poder, consistindo na “troca de lealdade por valores hereditários”. benefícios, uma máquina política com compromisso” (2003, p. 153). Para o autor, “a forma tradicional de clientelismo está cedendo lugar ao clientelismo organizacional e atua nos espaços não regulamentados da sociedade organizada” (2003, p. 153).
Existem onde não há garantias legais, não constituem direitos, mas são tolerados nas relações sociais” (2003, p.153).
Uma visão sobre o lugar da religião na democracia contemporânea
A importância das relações de poder
Para os construtivistas – a corrente com a qual o autor se identifica – a segunda e terceira faces da autoridade e mesmo do “poder sem rosto” seriam muito mais importantes para a compreensão dos resultados sociais do que aquilo que os instrumentalistas sugerem. Ambos, porém, ainda preservariam a esfera autônoma de atuação e os interesses dos indivíduos, que não apareceriam nas ações sob a influência do “poder sem rosto”. Para alguns teóricos, há uma diferença entre ação livre e ação sob influência do poder, momento em que o “poder sem rosto” se manifesta.
Toda esta explicação pretende demonstrar a afinidade entre o construtivismo e o “poder sem rosto”, e a preocupação de ambos com a composição de categorias como raça, etnia e religião.
A política identitária como acesso político
A questão do conteúdo das reivindicações dos evangélicos constitui uma tarefa separada em si, uma vez que a maioria destas reivindicações dizem respeito a temas controversos ou que não afetam diretamente os seus direitos fundamentais como grupo. Os movimentos surgem em torno dessas categorias não porque as pessoas sentissem a necessidade de expressar ou defender seu compromisso primário com essas identidades, mas porque essas características serviram como marcadores de exclusão e inclusão política” (JUNG, 2006, p. 372, tradução minha). Discussões sobre cultura política, clientelismo e representação de grupo foram apresentadas com o objetivo de fornecer uma visão mais abrangente do que pode realmente estar envolvido nas relações aqui estudadas.
Também é comum que se coloquem na posição de uma minoria sub-representada para justificar o argumento de que os seus interesses e opiniões devem ser considerados nos debates na esfera pública.
O que é política para alguns jovens evangélicos da IIGD
Confiança ou Cabresto?
A certa altura, perguntei-lhe por que razão continuava a frequentar aquele grupo específico, uma vez que não se sentia bem-vinda ali. No entanto, ela critica quem entende que o candidato evangélico deve se preocupar apenas com os problemas da igreja e ressalta que, na sua opinião, os candidatos que não se importam com aspectos importantes para a sociedade como saúde, educação e violência não têm sua voz. Ele ainda destacou que pensou em votar em um candidato mais preocupado com a questão da cultura, mas desistiu: “Tenho que olhar também para o trabalho.
Aí a gente pega e coloca outro no lugar e outro que não quer continuar o trabalho.
Pequenas contradições
Isso pode acontecer com qualquer pessoa e pessoas que não são dessa religião cairão na instância, independentemente de terem feito isso. Numa delas, com mais de seis mil acessos, no momento em que o então candidato Marcelo Freixo explicou que não foi ele quem o fez. Bruno entende que as pessoas têm direito ao livre arbítrio e que, como evangelistas, devem respeitar a posição dela.
Contudo, não podem mentir sobre isto: “O que não se pode fazer é dizer que Jesus ama todas as pessoas e todas as suas atitudes.
O voto por protesto e o voto por simpatia
Sua mãe, membro da Igreja Mundial do Poder de Deus, pediu a Mariana que votasse no candidato apoiado por Valdomiro Santiago68. Ajuda votar no candidato da igreja, mas se você já tem o seu próprio candidato, não há problema. Para Pedro, a ideia de “forçar as pessoas a votar” está associada a um pedido formal ou ameaçador dos líderes da igreja.
Se tudo fosse tão fácil como é para outros grupos sociais nem seria necessário, mas ultimamente os Líderes da Igreja têm visto que é necessário ter nossos representantes lá, caso contrário as coisas não vão acontecer para nós.
Quebrando estereótipos
A igreja sempre tem um candidato, então se eu gosto dele e acho que ele merece meu voto, eu voto. Não por falta de credibilidade, mas porque sei que ele é médico e é a favor da lei do casamento médico73. É difícil confiar em alguém que você não conhece e, não importa o quanto essa pessoa lhe ofereça, no final você não a conhece.
Ana confirma que é mesmo um exagero: “mas também não é verdade que a igreja exclui, trata mal ou é preconceituosa.
A perspectiva social apontando possibilidades
Como ser representado no processo político?
Um agente individual ou coletivo está interessado no que é necessário ou desejável para atingir os objetivos que busca” (2006, p. 158). Os grupos sociais estruturais não devem ser pensados em termos de uma lógica substantiva, que os definiria segundo um conjunto de atributos que seriam comuns a todos os seus membros e constituiriam a sua identidade, mas sim baseados numa lógica mais relacional, em que os indivíduos ser entendido como posicionado nas estruturas dos grupos sociais, sem definir suas identidades” (2006, p. 161). Dessa forma, “a diferenciação de grupos fornece recursos para um público democrático comunicativo que visa estabelecer a justiça” (YOUNG, 2006, p.162) e contribui para a consolidação da.
As perspectivas podem ser vivenciadas de forma mais ou menos autoconsciente e revelar-se das mais diversas formas” (2006, p. 164).
O conceito de perspectiva e os jovens evangélicos
Acrescente-se a isto o facto de os projetos de lei apresentados durante o seu primeiro mandato não se limitarem a questões religiosas, o que poderá ser um fator importante para convencer os eleitores menos favoráveis à mistura de religião e política: “Aqui não podemos fazer publicidade, mas além disso podemos multiplicar essas vozes” – sugeriu o Pastor Rogério durante um culto. Segundo o autor, a presença de minorias sub-representadas nas salas de discussão se deve à insuficiência política. Ou seja, resulta da ausência de representantes nos debates que esta parcela da população considera importantes, como é o caso, segundo os interlocutores, dos evangélicos no Brasil.
Por exemplo, a IIGD e a Assembleia de Deus, que estão tão distantes da IURD em muitos aspectos ideológicos, têm actuado politicamente de forma muito semelhante. Na ocasião – comemorativa dos 150 anos da Igreja Presbiteriana no Brasil em culto dominical – antes das eleições, o pastor Guilhermino Cunha declarou publicamente sua amizade com a R. Revista do Instituto Humanitas Unisinos, n.400, p. Dimensões democráticas do conflito religioso no Brasil: a guerra dos pentecostais contra os afro-brasileiros.