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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Aos professores e dirigentes do Colégio Pedro II pela participação nesta pesquisa e também à instituição que tornou este trabalho possível. Entendo que este campus constitui uma parte importante do contexto escolar do Colégio Pedro II. No quarto capítulo foram abordadas as questões relacionadas à instituição pesquisada, o processo e a análise das entrevistas realizadas com professores e dirigentes do Colégio Pedro II.

Gráfico 1 -  Proporção de ocupados negros e não negros em ocupações selecionadas.
Gráfico 1 - Proporção de ocupados negros e não negros em ocupações selecionadas.

A dimensão socioeconômica e cultural da desigualdade racial no Brasil

Os indícios desses estudos revelam a necessidade de medidas positivas para promover a melhoria das condições de vida da população negra. Taxa líquida de frequência em estabelecimento de ensino da população dos 6 aos 24 anos, por grupo etário e nível. Um aspecto positivo destacado nesta pesquisa do IBGE é que o nível médio de escolaridade da população negra aumentou.

Tabela 1 - Taxa de frequência líquida a estabelecimento de ensino da população residente de 6 a  24  anos  de  idade,  por  grupos  de  idade,  nível  de  ensino  e  cor  ou  raça,  segundo  as  Grandes Regiões – 2013
Tabela 1 - Taxa de frequência líquida a estabelecimento de ensino da população residente de 6 a 24 anos de idade, por grupos de idade, nível de ensino e cor ou raça, segundo as Grandes Regiões – 2013

Aspectos socioculturais da construção do racismo

As teorias racistas sustentavam que os negros eram um problema para o país e, consequentemente, dificultavam o desenvolvimento do Brasil em comparação com as nações europeias. Além disso, Lacerda pensava que, com a mistura, os mestiços desapareceriam do Brasil em cerca de um século. Freyre tinha uma visão do Brasil como uma democracia racial consistindo em “uma das mais harmoniosas uniões de cultura com natureza e de uma cultura com outra que os países deste hemisfério já conheceram” (FREYRE, 1933 apud ANDREWS, 1997, p. 98).

Figura 1. Quadro de Modesto Brocos, a Redenção de Cã.
Figura 1. Quadro de Modesto Brocos, a Redenção de Cã.

Movimentos negros e a demanda por ações afirmativas

Os preparativos incluíram a participação de ativistas do movimento negro em conferências pré-temáticas em diferentes partes do Brasil. A atuação dos movimentos negros também influenciou mudanças internas na estrutura do país, como a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) em 2003 (GOMES, 2012). Na verdade, é preciso considerar a participação dos movimentos sociais, especialmente dos negros, no combate às desigualdades raciais, à discriminação e ao preconceito.

Ações afirmativas: modalidades e experiências internacionais

Nos Estados Unidos, a acção afirmativa começou na década de 1960, em resposta ao movimento pelos direitos civis promovido na década anterior pelos afro-americanos. As políticas de ação afirmativa nos EUA são definidas como um benefício adicional (impulso), proporcionando aos favorecidos por este sistema maior competitividade nos processos. Nos Estados Unidos, especialmente no mercado de trabalho, as ações afirmativas são adotadas pelos líderes empresariais com o objetivo de aumentar a representação das minorias no local de trabalho.

Ações afirmativas no Brasil

Guimarães (2009a) também destacou que antes da Conferência de Durban de 2001, já existia um corpo discursivo tecido internamente exigindo ações afirmativas e justificando sua relevância social, econômica e cultural para o Brasil. As ações afirmativas com viés étnico-racial finalmente tornaram-se efetivas no Brasil como política pública após a conferência de Durban. A adoção de ações afirmativas na forma de cotas mobilizou grandemente a opinião pública e o debate foi repleto de dilemas e tensões.

Aqueles que eram contra a acção afirmativa argumentaram que tais medidas violam o princípio constitucional da igualdade e são também medidas discriminatórias. As ações afirmativas, que incluem acesso ao ensino superior, cargos de liderança em empresas, entre outros, têm o poder de beneficiar apenas uma parcela da população negra do Brasil, ou seja, aqueles com as qualificações e formação acima mencionadas. A necessidade de ações afirmativas com preconceito étnico-racial pode ser explicada à luz das desigualdades que persistem ao longo da história e dificultam a mobilidade e o avanço social da população negra, levantando questões que não foram resolvidas por políticas públicas universais.

Outro argumento a ser abordado é que as ações afirmativas criariam a racialização da sociedade brasileira devido à segregação entre brancos e negros e à intensificação das animosidades raciais. Afirmam que “a ação afirmativa, é claro, implica imaginar o Brasil como composto não de misturas infinitas, mas de grupos estanques: aqueles que têm e aqueles que não têm direito à ação afirmativa, nesse caso, preto e branco…”. Um mapeamento das ações afirmativas foi realizado recentemente pela pesquisadora Maythe de Bríbean San Martin Pulici por ocasião de seu mestrado realizado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP -UERJ).

No estudo, o autor apresentou um diagnóstico do perfil da produção acadêmica, além de identificar as áreas de estudo e os temas mais associados às ações positivas.

Neste caso, os mapas conceituais foram construídos com o objetivo de responder às questões propostas por Pulici, que se referia ao foco da pesquisa relatado no trabalho em estudo: metodologia utilizada, abordagem teórica, autores mais citados, população afetada pela ação corretiva . em discussão, a forma como foram tratadas as ações corretivas e o posicionamento teórico-epistemológico dos autores. Pulici (2012) observou que a maioria dos pesquisadores tem centrado seus estudos nas discussões sobre o sistema de cotas para a população negra nas universidades públicas. O autor destacou que a concentração de teses voltadas a esses grupos de beneficiários foi justificada pela intensa ação midiática voltada à população negra e à questão das cotas (raciais ou sociais) nas universidades públicas.

No que diz respeito às abordagens destacadas na pesquisa, o autor sugeriu que “essa concentração excessiva de pesquisas focadas principalmente em algumas populações afetadas” – estudantes cotistas e negros – fragilizou o estudo, pois criou um banco de dados de áreas específicas e não para o contexto geral das ações afirmativas (PULICI, 2012, p. 55). Em termos de metodologia, Pulici relatou que a maior parte dos trabalhos publicados advém de estudos de caso, enfatizando que este tipo de pesquisa demonstra um aspecto mais realista da questão. Quanto à repetição do diálogo teórico, Pulici notou uma extensa bibliografia utilizada para apoiar o debate das ações afirmativas.

Ao final, o autor enfatizou que a maioria dos autores de teses e dissertações são a favor das ações afirmativas. Pulici (2012) também fez uma observação sobre a visão dos autores a respeito de ações afirmativas específicas voltadas à população negra. Entre as dissertações que tiveram a população negra como categoria e subcategoria, 79,16% dos autores foram a favor das ações afirmativas, 4,16% foram contra a adoção dessas medidas e 16,66% estavam indecisos.

Quando o foco estava nas pessoas com deficiência, 100% dos autores entenderam que as ações afirmativas eram necessárias e deveriam ser implementadas.

A pesquisa acadêmica sobre as ações afirmativas no campo da Educação

Outro ponto a lembrar é que o sistema de cotas e o público beneficiário das ações afirmativas também foram abordados em trabalhos que tratavam as ações afirmativas de forma genérica. Contudo, essas questões não correspondiam ao objeto principal de análise dos pesquisadores. Todos esses autores se posicionaram como proponentes de ações afirmativas para os negros e enfatizaram a importância desse tipo de política para o acesso dos negros às universidades. Ambos os estudos destacam o posicionamento favorável às ações positivas e a importância dessas medidas em relação ao acesso dos negros à universidade.

Doebber (2011) estruturou seu estudo na análise das práticas institucionais e como elas operam para a inclusão de estudantes autoidentificados como negros que ingressaram por meio de ações afirmativas. Silva (2012) tentou abordar a questão das ações afirmativas no ensino superior brasileiro e da implementação de cotas raciais e/ou outras modalidades nas universidades federais. Para tanto, mapeou dissertações sobre ações afirmativas defendidas em universidades federais entre 2001 e 2011.

Foram identificados os conceitos de ações corretivas que aparecem nas teses e discutidos os argumentos de justificativa que estavam implícitos ou explícitos nesses conceitos. Foram destacados temas como “ações afirmativas e democratização do acesso”, “comparações entre cotistas e não cotistas”, “contexto das ações afirmativas” e “trajetória de vida”. A partir do mapeamento da produção acadêmica sobre ações corretivas foi possível identificar uma variedade de temas, tendências e carências de discussões.

Silva (2012) identificou genericamente a legislação em sua revisão de teses e dissertações como um marco para a pesquisa em ações afirmativas.

Gráfico 5 - Temas abordados nas teses e dissertações no período de 2011 a 2014.
Gráfico 5 - Temas abordados nas teses e dissertações no período de 2011 a 2014.

O Colégio Pedro II: expansão e marcos contemporâneos

Cor/ raça no Colégio Pedro II

Em 2014, a master class que marcou o início do ano letivo no Colégio Pedro II foi ministrada pelo Professor Doutor Kabengele Munanga, que se dedicou ao estudo das questões étnico-raciais. Na verdade, a discussão das questões raciais no Colégio Pedro II ganhou maior visibilidade com a criação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB). Fundado em 8 de novembro de 2013, o Centro é vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura do Colégio Pedro II (PROPGPEC) e tem como objetivo promover a produção e difusão do conhecimento por meio do ensino, da pesquisa e da extensão para o desenvolvimento de políticas de diversidade étnica e racial, promovendo a igualdade e o respeito às populações de origem africana e indígena (COLÉGIO PEDRO II, 2015a).

Após a constituição do núcleo, diversas atividades foram incluídas no calendário acadêmico, com especial destaque para temas raciais. Em 2014, o NEAB organizou o primeiro circuito cultural afro-brasileiro no Colégio Pedro II, com o tema Pise na Terra Onde Piso, que aconteceu de 18 de outubro a 1º de novembro, com o objetivo de promover a democratização do conhecimento da cultura negra . e principalmente promover reflexões e experiências baseadas na exposição ao contexto cultural afro-brasileiro (NEAB, 2015). No campus São Cristóvão III, onde foi realizada esta pesquisa, no mês de novembro, durante a Semana da Consciência Negra, trabalhos propostos pela equipe de sociologia para estudantes foram expostos nos corredores da faculdade.

Essas atividades foram citadas pelos entrevistados nesta pesquisa como momentos importantes para a questão da identificação racial dos estudantes. O número de alunos negros do Colégio Pedro II ainda não foi totalmente mensurado pela instituição. Com a legislação 12.711 de 29 de agosto de 2012, foi viabilizado o acesso dessa população, por meio de ações afirmativas, e é importante destacar a discussão das questões raciais, que, como mencionado, já ocorre no Colégio Pedro II.

Nesta pesquisa, o tema das questões raciais no Colégio Pedro II é discutido utilizando como uma das bases de problematização os depoimentos de professores sobre a identificação dos alunos e a política de cotas de preconceito racial no Colégio Pedro II.

Figura 1 - Mesa Beatriz Nascimento com o tema “Lei 10639/03 e Ações Afirmativas: educando para os direitos  humanos”, realizada durante o I Circuito Cultural Afro-Brasileiro do Colégio Pedro II(Foto da autora)
Figura 1 - Mesa Beatriz Nascimento com o tema “Lei 10639/03 e Ações Afirmativas: educando para os direitos humanos”, realizada durante o I Circuito Cultural Afro-Brasileiro do Colégio Pedro II(Foto da autora)

As ações afirmativas nas perspectivas de gestores e professores

O uso do software Atlas.ti e o processo de categorização do conteúdo das

  • Categoria Cotas raciais
  • Categoria identificação do aluno cotista
  • Categoria Processo pedagógico

Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Dissertação ( Mestrado em Educação) Mestrado em Educação) Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

Tese (Doutorado em Educação Especial) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2011. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Dissertação (Mestrado em Ciências da Informação) – Escola de Comunicação, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013.

Dissertação (Mestrado em Educação) – Centro de Educação e Humanidades, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2013. Tese (Doutorado em Comunicação e Informação) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

Dissertação (Mestrado em Psicologia Social) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de Sergipe, Sergipe, 2014. Dissertação (Doutorado em Psicologia) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2011. Dissertação (Mestrado em Educação Especial) - Centro de Educação e Humanidades, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2013.

Gráfico 7 - Distribuição das categorias de análise
Gráfico 7 - Distribuição das categorias de análise

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Gráfico 1 -  Proporção de ocupados negros e não negros em ocupações selecionadas.
Tabela 1 - Taxa de frequência líquida a estabelecimento de ensino da população residente de 6 a  24  anos  de  idade,  por  grupos  de  idade,  nível  de  ensino  e  cor  ou  raça,  segundo  as  Grandes Regiões – 2013
Tabela  2  -  Pessoas  de  15  anos  ou  mais  de  idade,  que  frequentam  cursos  de  educação  de  jovens  e  adultos  ou  supletivo; total e respectiva distribuição percentual, por nível de ensino, grupos de idade, cor ou raça e  sexo, segundo as Grand
Tabela  3  -  Média  de  anos  de  estudo  das  pessoas  de  25  anos  ou  mais  de  idade,  segundo  as  Grandes Regiões e características selecionadas - 2004/2013
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Referências

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Monografia apresentada ao Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.