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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Esta dissertação terá como tema principal a categoria identitária da bixa preta. O surgimento da categoria identitária negra bixa é recente e se dá na chamada “cena cultural” das grandes cidades brasileiras. A aposta negra queer remete à análise de outra categoria de identidade que tensiona as normas de gênero, raça, classe, incluindo o lugar social dos homens negros gays.

Como a expressão bixa preta surge muito recentemente como categoria identitária, o uso da homossexualidade masculina negra também permitirá acesso mais amplo ao material de pesquisa e auxiliará no processo de estruturação deste trabalho. Impulsiona o movimento, bajula o viado”, este trabalho também tentará refletir sobre as forças que se apresentam nessa tensão estabelecida pela categoria negra bixa. A análise da identidade do preto bixa exige que as categorias que sustentam essa tensão identitária sejam colocadas em pauta.

Perspectivas, Lugares e Tensionamentos

Na perspectiva analítica da interseccionalidade, procurarei ferramentas para analisar esta identidade que se forja no entre-lugar, no conflito e na autoafirmação. Pela minha leitura, entendo que o objetivo proposto é romper com os processos de opressão que se instalam na reificação dessas categorias identitárias, dadas antecipadamente e manter a submissão ao poder. Estes sistemas de poder são atravessados ​​por vários outros aspectos em relação aos sujeitos que uma análise numa perspectiva interseccional permite melhor compreender.

Pensar sob a bandeira da teoria queer não significa que deixaremos de considerar as estruturas e os panoramas sociais existentes, mas indica que se a proposta de pensar a identidade do negro bixa leva em conta esse cenário, vai além ao questionar a estruturas instaladas. e paradigmas de raça, gênero, .

Por que marcar a

A advogada apresenta a interseccionalidade como a intersecção das dinâmicas de raça, gênero, sexualidade, o que cria um quadro em que apenas as diferenças são aparentemente importantes. Brah (2006) tenta conduzir sua análise a partir do pós-guerra na Grã-Bretanha, em que os debates sobre a racialização do discurso feminista começaram a se intensificar. No mesmo período, a categoria raça, que também funciona como marcador social, tornou-se uma categoria a considerar nas análises de género e classe, dado o contexto europeu em que a legislação actual para as chamadas “cores” era apenas uma actualização. do código colonial das colônias britânicas, que mantém essas pessoas em lugares sociais subjugados.

Com base na análise realizada por Piscitelli (2008), que fornece um panorama de possíveis formas de pensar a interseccionalidade, construí meu trabalho de pesquisa a partir de uma maior consideração dos aspectos relacionais das identidades sociais, bem como das possíveis relações com as identidades sociais. estruturas. força. Prestei atenção à discussão em que se pede para análise as relações entre “a mulher de cor e o homem branco”, “o homem de cor e a mulher branca”. No primeiro, a peça Anjo Negro9, de Nelson Rodrigues, em que temos a tentativa de gerar descendência branca e a rejeição do personagem à sua condição de negro.

10 O livro, lançado em 1999, conta a história de um homem acusado de abusos, que é expulso da universidade onde leciona e viaja para passar alguns dias na propriedade de sua filha. Eu me pergunto que lugar ocupa o homem negro gay nesta relação em que os padrões a serem alcançados são cis-heteronormativos. Pereira & Moreira (2014) levam a discussão ainda mais longe ao voltarem sua atenção para uma sociedade ainda no auge do cientificismo racista e da supremacia branca que lida com um trabalho em que o homem branco é sexualmente subserviente a um homem negro.

A autora invoca o conceito de coletividade imaginada de Benedict Anderson para compreender a criação de um “nós LGBT” para fins de política governamental, ao mesmo tempo em que relata cenas de reuniões plenárias, nas quais os indivíduos se posicionam com base em seus marcadores sociais. divergem e assim confirmam suas posições na prerrogativa de concretizar uma Política de Estado. Madame Satã” aparece após o desfile de João em um desfile de carnaval do bloco carnavalesco Caçadores de Veados, em que a fantasia que ele usava seria associada à figura de uma atriz americana que interpreta Madame Satã em um filme com título português.

Produções nas artes e na mídia

A campanha gerou um conflito entre Lafond, o GGB e Quimbanda Dudu, pois os coletivos não aceitavam a associação da figura de um negro homossexual com a campanha contra as DST. Ao incluir estes movimentos e estas importantes figuras, podemos refletir sobre este processo de traçar um caminho, de importância individual e coletiva. Para facilitar a análise, foram criados dois importantes eixos temáticos após a leitura, a saber: Bixas Negras na Mídia e na Arte e Racismo e Homofobia.

Tais figuras ocupam hoje um lugar fundamental no Brasil em termos de representação e de construção de uma forma de fazer arte e música. Fanon (2008) enfatizou como a criação de uma perspectiva sobre a existência e, portanto, sobre o modo de vida das pessoas se estrutura em uma leitura do mundo dos brancos. Seguindo esse raciocínio fica claro como as negras queers se conectam a um pensamento e a uma existência que contribui para uma transformação na forma como olhamos, como nos representamos, maneirismos e performances, antes embraquedo e agora com uma cor preta diferente.

Esta afirmação destaca o quão importante é refletir sobre a forma como as estruturas sociais e também as estruturas artísticas entendem e percebem os bixas negros como indivíduos, mas como algo que é feito coletivamente e impregnado de história. Outra pessoa de grande importância no cenário musical nacional é o “rapper” Rico Dalasam, seu objetivo no campo da música seria “a construção de um imaginário que seja necessário para se tornar visível para a sociedade, reduzir e tentar erradicar tudo o que isso tornam nossas vidas impossíveis. existência negra, pobre, queer, periférica". E então podemos refletir que a história que envolve as histórias das bixas negras só faz sentido quando elas assumem seu papel principal, já que são elas que passam pelos mais diferentes formas de violência e que em seu corpo e simbólico marcam o sentimento de continuarem a se afirmar como bixas negras.

Em um dos textos encontrados no portal pesquisado, Lucas Veiga dá o seguinte conceito: “a subjetividade negra é diaspórica porque em sua memória corporal e genealógica traz o afastamento violento de seu lar, de seu espaço de segurança, da afirmação de si e do visão de mundo do seu povo.” Afirmamos que não é possível pensar a existência da bixa preta como individual, segmentada ou isolada, mas como parte de um processo que envolve séculos e é produzido coletivamente. Compreender o processo que coloca os negros queers num campo social, mas também simbólico, é fundamental para pensar as relações estabelecidas em relação a este grupo, e também para compreender o papel que os meios de comunicação desempenham na criação de uma imagem social destas pessoas .

Tabela 2 - Resultados por descritores
Tabela 2 - Resultados por descritores

Homofobia, saúde e racismo

No eixo temático “racismo e homofobia” aparecem publicações que enfatizam a violência a que as negras queers são submetidas. Ao contrário dos homossexuais brancos, a questão do racismo tem um impacto muito intenso nos corpos dos queers negros. Racismo e homofobia são violências que costumamos encontrar separadas, principalmente quando consideradas como categorias analíticas.O desafio é uni-las, pois são definidas de forma muito singular no corpo das negras queers.

Portanto, não é difícil compreender que as negras queers aparecem como elementos de cenários de violação da dignidade humana e de desigualdades geradas pelo racismo e pela homofobia. Isto leva-nos a refletir que tanto o racismo como a homofobia têm fomentado o massacre destes grupos, colocando os negros queers num lugar de extrema vulnerabilidade, pois acabam por unir ambos os elementos e revelam-se suscetíveis à atual escala de violência por crimes. de ódio e assassinato. O racismo e a homofobia em relação aos queers negros trazem uma revelação de que as configurações sociais e os acordos coletivos dificultam o seu surgimento: eles desestabilizam as normas atuais em torno da sexualidade e da raça.

A partir da reflexão sobre as bixas negras e os rumos da violência dirigida a elas, qual seria o lugar de tais bixas. A plataforma cataloga textos de diferentes autores, o que possibilita a apresentação de múltiplas ideias e perspectivas, o que contribui para a riqueza do debate e principalmente para a distribuição de textos em torno das bixas negras em diversas áreas. O segundo eixo trata do reconhecimento da estrutura social racista que afeta as queers negras e como as estruturas racistas acabam por afetar diretamente seus corpos, o que produz principalmente o humor nesta situação, denominada Panorama Recreativo na relação com as queers negras.

Com isso, a história de dor relatada no trecho transcrito acima desafia as estruturas e é fortalecida pela doença das pessoas negras, especialmente das mulheres negras e queers (AKOTIRENE, 2019). Entendendo que a população negra sofre com o racismo e a população LGBT sofre com a LGBTfobia, os negros queers sofrem com ambas as formas de violência.

Aparições políticas

O poema pode ser acessado em http://acervobajuba.com.br/poema-do-grupo-ade-dudu-memoria-da-militancia-homossexual-negra-brasileira/. O meio de comunicação do GGB era a publicação de boletins periódicos – o Boletim do Grupo Gay da Bahia – nos quais eram destacadas as atividades realizadas. Em 2011, organizada por Luiz Mott (antropólogo e fundador do grupo), foi lançada uma publicação contendo todos os números do boletim informativo, desde a fundação do grupo até 2005.

O primeiro relato das atividades do grupo Adé Dudu aparece no Boletim número 02, que relata as conquistas do grupo no I Encontro de Negros do Norte e do Nordeste. Neste encontro, em que o principal tema de discussão foi a ampliação e unificação da luta negra e das formas de atuação na comunidade, representantes do grupo Adé Dudu distribuíram mais de duzentos exemplares de um manifesto sobre a questão racial e homossexual no o momento das discussões abertas. Em 2005 encontramos o Boletim número 6 do grupo Quibanda-Dudu29, outro coletivo de homossexuais negros organizado dentro do GGB em 1995.

Desde o início, o movimento do grupo baseou-se numa organização online, através das redes sociais, principalmente através de eventos no Facebook. Fruto desta organização, acontece no dia 3 de dezembro de 2016 o primeiro encontro do grupo de bixas negras. No dia 8 de abril de 2017 aconteceu o terceiro encontro do grupo de bixas negras no Terreiro Contemporâneo, às 16h30, com a presença de cerca de vinte e duas pessoas.

A questão colocada foi considerar quais ações os participantes do grupo se permitiam realizar em suas rotinas para enfrentar os efeitos do racismo e da homofobia cotidiana. Outro foco do filme que chamou a atenção dos participantes foi a organização coletiva da “casa”, o que levou a pensar na própria construção do grupo black bix e na construção deste espaço. O objetivo deste momento separado foi mais avaliações e sugestões para uma melhor gestão do grupo.

Este foi um encontro de celebração do primeiro ano de existência do grupo e contou com a presença de aproximadamente 21 pessoas.

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Tabela 2 - Resultados por descritores

Referências

Documentos relacionados

Erick Felinto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ, Brasil Francisco Rüdiger, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Rio Grande do Sul