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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A Rebelião Comunista de 1935 – Construção de Representações Sociais a partir da Análise Fotográfica / Kleber Oliveira dos Santos. O objetivo da tese é analisar as fotografias anexadas aos autos do Tribunal de Segurança Nacional (TSN) em relação ao levante comunista de 1935 e à perseguição aos militantes comunistas que se seguiram a este acontecimento histórico, a fim de determinar a construção do social ideias sobre o levante de 1935 e o comunismo.

Mutações internas do Brasil

A formação da classe trabalhadora no Brasil deve primeiro ser considerada fora de critérios puramente econômicos41. A ascensão de Luís Carlos Prestes nas fileiras do CI demonstra que a organização tem apostado na figura do ex-submarino como crucial para uma possível rebelião no Brasil.

As revoltas de novembro de 1935: Natal, Recife e Rio de Janeiro

A Revolta em Natal

Os comunistas do Rio Grande do Norte viram nesta greve um sintoma de seu amadurecimento. A Rebelião Comunista de 1935: Um Olhar sobre a Atividade Insurgente no Interior do Rio Grande do Norte.

A Revolta em Recife

Na noite anterior, Gregório, com a ajuda de alguns cabos da Aliança e soldados da 6ª Companhia servindo no Forte das Cinco Pontas, conseguiu entrar em contato com outros militares e cooptá-los para o movimento. Com a ajuda de dois “gazeteiros”101 também assaltou a esquadra da Rua Aragão, após o que apanhou um táxi até ao Largo da Paz onde se juntou ao Tenente Lamartine.

A Revolta no Rio de Janeiro

Após a realização do EAM, a aeronave que ali pousou deverá decolar e partir para apoiar as ações do 3º RI. Sem saber da derrota na EAM, os revoltosos do 3º RI mantiveram resistência dentro do quartel, aguardando apoio da aviação e da Vila Militar.

O Anticomunis mo como bandeira: a construção do perigo vermelho

135 Sobre os efeitos da revolução russa no Brasil, ver: BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz; MELO, Clóvis;. A "intenção comunista" foi a maior responsável pela propagação e consolidação do anticomunismo no Brasil em novembro de 1935.

Figura 1- Monumento às vítimas da Revolta Comunista de 1935
Figura 1- Monumento às vítimas da Revolta Comunista de 1935

A repressão ao Comunismo após os levantes de 1935: a lógica do

A atuação da Polícia

Em 1935, Filinto Müller coordenou a polícia brasileira com organizações internacionais como o FBI, a Gestapo e o Serviço Secreto Britânico167, que forneceram informações e ajudaram a definir protocolos no combate aos crimes políticos e especialmente na repressão aos comunistas168. Segundo o mesmo autor, a criação do DESPS em 1933 significou a consolidação da autonomia da polícia política no nível federal. Embora este acordo tenha sido assinado, a polícia política continuou a ser um órgão estatal, mesmo durante o Estado Novo, embora o chefe da polícia do DF pudesse envolver-se em atividades policiais em vários países174.

Ações repressivas

A LSN, que servira de precedente legal para o encerramento da ANL em julho de 1935187, criara instrumentos adicionais de controlo social e político, aderindo ao estado de sítio previsto na Constituição de 1934. Menos de um mês depois das revoltas . em 18 de dezembro, o Senado aprovou uma emenda constitucional (que havia sido apresentada em 25/11 em plena Revolta do Recife) autorizando o Presidente a declarar estado de agitação interna, idêntico ao estado de. Getúlio Vargas passou a viver um estado de sítio equivalente a um estado de guerra, que foi sucessivamente prorrogado a pedido do governo, vivendo o país em estado de exceção até 1937 (o único intervalo nesse período ocorreu entre julho e setembro de 1937). quando o pedido não foi aceite) e com a LSN reformada.

O Tribunal de Segurança Nacional: atuação e mutações

Com a criação do TSN, a competência para julgar crimes políticos da justiça comum para a justiça especial foi oficialmente transferida 213. 215 Sobre a legitimidade jurídica do TSN, Evandro Lins e Silva afirmou que: "O Tribunal de Segurança foi realmente . uma corte sombria. Os juízes do TSN usavam togas talar especiais que os distinguiam dos juízes regulares220, demonstrando uma diferença em relação ao corpo jurídico.

A imagem índice da realidade

Esta agência humana na produção de imagens só seria questionada com a invenção da fotografia no século XIX. Esta concatenação física da fotografia com o seu objeto referente explica em parte a ideia de verossimilhança da imagem fotográfica. 255 O escritor e filósofo Roland Barthes fez uma ampla defesa da compreensão da fotografia como expressão da realidade em suas obras.

Figura 2 - Câmara escura
Figura 2 - Câmara escura

A criação do método de identificação fotográfico: Ciência, estereótipos e

Percursos do retrato de identificação criminal e o Bertillonagem

O advento da fotografia representou, pelo seu potencial técnico288 e pela sua autenticidade imputada, uma oportunidade de sofisticação no processo de identificação criminal, pela qual se adaptaria aos métodos de aplicação do poder institucional e científico que se consolidaram no século XIX e seguindo. As mudanças tecnológicas na obtenção de fotografias abriram espaço para a sua utilização em larga escala como método de identificação criminal. Informação, representação e produção de conhecimento sobre criminalidade: Secretaria de Identificação e Estatística do Rio de Janeiro.

Figura  9 - Medições antropométricas
Figura 9 - Medições antropométricas

Permanências

Vucetich fez tours para divulgar esse novo sistema de identificação em diversos países, inclusive no Brasil. No Brasil, a adoção do serviço de digitação caracterizou-se pelo conflito ideológico entre saberes e recebeu resistência de médicos ligados à identificação criminal e defensores da antropologia criminal 330; Seu maior defensor em nosso país foi o jornalista Félix Pacheco331, que recebeu por correspondência o material do curso de identificação de impressões digitais. O Brasil, mesmo após adotar a impressão digital como outros países, utilizaria o retrato como forma subsidiária de identificação criminal.

Categorias fotográficas

Fotografias de identificação de pessoas

Na sua evolução ao longo dos séculos tornou-se menos abstrato e mais semelhante ao seu referente, indicando um processo de construção de uma individualidade 355. Este fato serviu aos setores anticomunistas para um processo de desconstrução do mito a realizar em torno de Luís Carlos Prestes. 373 Segundo Ana Mauad, o círculo social da fotografia inclui “todo o processo de produção, circulação e consumo de imagens fotográficas”.

Figura  12- Fotografia de identificação criminal
Figura 12- Fotografia de identificação criminal

A polícia

O Decreto nº 1.631, de 3 de janeiro de 1907, que reformou o Serviço de Polícia do Distrito Federal, indicava que dentro da organização policial deveria existir um departamento responsável pela fotografia de presos, que ficaria subordinado ao Escritório de Identificação e Estatística384. Em 1913, foi criada no Rio de Janeiro a Escola de Polícia do Estado, que entre as disciplinas incluídas na formação de policiais incluía a abordagem da fotografia. A ascensão e consolidação da polícia científica nas primeiras décadas do período republicano: São Paulo e Rio de Janeiro (DF) em perspectiva comparada.

Figura  22 - Galeria  dos Condenados
Figura 22 - Galeria dos Condenados

A imprensa

Na figura número 24, temos o registro de um artefato explosivo montado no fundo falso de um armário em uma casa da Rua Barão da Torre localizada no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, que serviu de residência e ponto de encontro para líderes comunistas . A figura 8 mostra o registro de um pão apreendido no bloqueio de uma delegacia de São Paulo. As origens da imprensa no Brasil remontam ao século XIX com a criação da Imprensa régia e do primeiro jornal impresso no Rio de Janeiro, a Gazeta do Rio de Janeiro 389.

Figura  26 - Fotografia  da Escola  de Aviação  Militar  do Rio  de  Janeiro
Figura 26 - Fotografia da Escola de Aviação Militar do Rio de Janeiro

O PCB

A foto acima mostra um grupo de delegados do PCB de diferentes estados da cidade do Recife. Além do retrato destacado do líder da Revolução Russa, Vladimir Ilyich Ulyanov (Lênin) na fotografia, temos a presença entre os integrantes do encontro, e identificado com o número sete, do militante comunista José Praxedes de Andrade , representante do estado do Rio do Grande Norte. Além de fotografias pessoais de militantes ou relacionadas com a sua actividade política, assistimos também à apreensão de fotos que realçam elementos relacionados com a ideologia comunista, como imagens de estátuas ou retratos de ícones nacionais ou internacionais, como a fotografia de Luís Carlos Prestes, que circulou por diversos grupos com o objetivo de buscar sua libertação da prisão, além de obter recursos financeiros que pudessem ser usados ​​para financiar as atividades do partido.

Figura  28 - Reunião de representantes estaduais do PCB
Figura 28 - Reunião de representantes estaduais do PCB

A presença das fotografias nos processos do TSN

Como afirmou o advogado: “não está provado que o arguido tenha realizado propaganda subversiva; que fotografias e gravuras poderiam ser coletadas por qualquer pessoa. Durante o julgamento, as fotografias foram utilizadas como prova incontestável do crime de propaganda de ideias comunistas atribuído ao acusado Osório Thaumarturgo Cesar423. Entendemos que as fotografias utilizadas nos julgamentos do TSN estavam ligadas ao fluxo semântico de informações e representações que circulavam na sociedade sobre o comunismo.

Figura 30 – Pichação  na Avenida  Iguaçu
Figura 30 – Pichação na Avenida Iguaçu

Representações fotográficas

Segundo Jacques Aumont, “olhamos as imagens não de forma global, mas através de fixações sucessivas”436, portanto, na compreensão de uma imagem, vai-se estabelecendo gradativamente uma conexão semântica e de interesse entre a imagem que está com a informação mental. percebido e sócio. -códigos culturais específicos de cada destinatário437, baseados na sua interação com memória, comportamento e sentimentos. Devemos também atentar para o fato de que uma imagem interage com a sociedade que a produz. Os significados são transmutados ao longo do tempo numa perspectiva dialógica, são construídos e reconstruídos, gerando a necessidade de estar atento a esse pressuposto para compreender o quão subjetiva e transitória pode ser a análise de uma imagem.

Pessoas

A pose em determinados momentos é formada por uma imagem ideal que se deseja transmitir,450 enquanto a roupa pode ter uma conotação política a partir disso. O recurso número 111 era um processo-crime dividido em seis partes que visava investigar uma possível infiltração comunista na Marinha, numa altura em que esta tentava apagar qualquer vestígio de rebelião nas Forças Armadas, em grande parte devido ao que aconteceu com a participação de militares navais. . a revolta de Novembro de 1935. Neste aspecto, havia um sentido de identidade para os comunistas em “estarem mal vestidos, fumarem cigarros baratos”468, algo relacionado com o simbolismo e as representações do seu activismo político.

Figura  39 - Foto de identificação  judiciária
Figura 39 - Foto de identificação judiciária

Lugares

Tanto as legendas como os elementos gráficos são parte crucial na interpretação dos significados que se pretendiam transmitir nas fotos 56 e 57. Nestas fotos, a escolha da pose do retratado não é por acaso, pois a neutralidade e a ausência de emoção que se quer transmitir contra os objetos destruídos querem transmitir uma ideia de contraponto, entre as ações reguladas do governo face à destruição e à desordem praticada pelos comunistas. Ainda no que diz respeito às fotografias que captam espaços onde ocorreram ações insurgentes, gostaríamos de destacar duas imagens que mostram locais onde ocorreram confrontos entre rebeldes e forças governamentais.

Figura  51 - Fotografia de pichação política em São Paulo
Figura 51 - Fotografia de pichação política em São Paulo

Objetos

Na construção das imagens nos registros das apreensões, vemos por vezes a utilização de cômodos muito íntimos de casas ocupadas por militantes como parte da cenografia das fotografias. 484 Segundo Wilson Milani: “Montar uma espécie de cena de crime com materiais apreendidos. Nesse sentido, devemos lembrar o importante papel que os objetos materiais e os símbolos desempenham na construção das representações487.

Figura  62 - Local  de apreensão  de material  de propaganda  comunista
Figura 62 - Local de apreensão de material de propaganda comunista

Circulação das imagens

Imagens Secretas: Fotos de Polícia Política no Acervo do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura) - Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Formação de Professores, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo, 2014 .

Imagem

Figura 5 - Sistema  fisiognômico  de Charels  Le Brum
Figura 10 - Vista  do atelier  de fotografia judiciária
Figura 13 - Fotografia apreendida
Figura  14 - Fotografia  retratando  o interior  do 3º Regimento  de  Infantaria
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Referências

Documentos relacionados

Governo do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Comunicação Social Programa de Pós-Graduação