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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A tese tem como objetivo analisar os documentos da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe (2018), que destacam o desenvolvimento da perspectiva decolonial no que diz respeito às relações raciais no ensino superior brasileiro. O Instituto de Educação Superior para a América Latina e o Caribe (IESALC) é um braço da UNESCO na América Latina que visa organizar e integrar o ensino superior na região.

As Conferências Internacionais organizadas pela Organização das Nações

12 A Terceira Conferência Mundial sobre Ensino Superior, agendada para 2019, foi adiada diversas vezes. A III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe em Córdoba – Argentina (2018), pelas questões abertas desde Cartagena (2008), a Declaração Final e o Plano de Ação CRES 2018-2028 que resultou da III Conferência de Córdoba (2018), manteve muitos pontos em comum com a edição.

Tabela 1 – Conferência Regional de Educação Superior
Tabela 1 – Conferência Regional de Educação Superior

De Havana à Cartagena (1996-2008)

I Conferência Regional de Havana (1996)

14 O Centro Regional de Educação Superior da América Latina e do Caribe (CRESALC), em 1998, dois anos depois de Havana, foi renomeado como Instituto Internacional de Educação Superior da América Latina e do Caribe (IESALC), que tem sido apoiador e organizador desde então. pelo CRES. Os agentes que compõem a área do ensino superior adotam a política de consentimento à luz das recomendações do BM.

II Conferência Regional de Cartagena (2008)

Na verdade, a II Conferência de Cartagena (2008) teve um árduo trabalho de garantir o que foi alcançado, acordado e responder ao que não pôde ser respondido pela Primeira Conferência de Havana (1996). Situada neste contexto, a II Conferência de Cartagena (2008) tem um compromisso fundamental que seria responder ao que Gazzola e Pires (2018) a chamam.

A III Conferência Regional de Córdoba 2018

Educação superior, diversidade cultural e Interculturalidade na América

Refletindo isso, o número de estudantes negros e até mesmo indígenas matriculados em instituições de ensino superior tem aumentado na América Latina como um todo e especificamente no Brasil25. No Brasil, as ações positivas – cotas – são emblemáticas, o que dificulta a compreensão e o avanço da demanda pelo reconhecimento da diversidade na inclusão e no acesso ao ensino superior na região como um todo26. 26 No capítulo final, o debate sobre a diversidade e seu reconhecimento será brevemente discutido e detalhado para compreender sua relevância para o ensino superior brasileiro e ações positivas.

No entanto, estas são categorias-chave que aparecem nos documentos e que contribuíram para localizar a perspectiva decolonial nas recomendações e declarações finais da III Conferência de Córdoba (2018) e na sua proposta para o ensino superior na região na atual década de 2018- 2028. .

Uma educação para o decênio (2018 – 2028)

Até 2021, as instituições de ensino superior da América Latina e do Caribe incluirão a abordagem da diversidade cultural e da interculturalidade com igualdade em seus projetos institucionais. Até 2021, incentivar as instituições de ensino superior a formularem políticas institucionais de formação em todas as carreiras, adotando a Interculturalidade com Equidade como abordagem transversal. Conhecer as epistemologias, as modalidades de aprendizagem e os desenhos institucionais das instituições de ensino superior para os povos indígenas, as pessoas de ascendência africana e todos os grupos populacionais que são frequentemente discriminados.

Da mesma forma, Santos (2017) analisou as implicações do Banco Mundial no ensino superior brasileiro em relação ao conceito de globalização.

Tabela 2 – Metas e estratégias para implementar o Plano de Ações CRES 2018
Tabela 2 – Metas e estratégias para implementar o Plano de Ações CRES 2018

Colonialidade e Decolonialidade

Modernidade: Implicações e dimensões da decolonialidade

Estas três dimensões afetadas pela lógica da modernidade podem ser bem resumidas nos seguintes conceitos: Colonialidade do poder (QUIJANO, 1992); Colonialidade do ser (MALDONADO-TORRES, 2007); Colonialidade do conhecimento (MIGNOLO, 2003). A colonialidade, portanto, inclui a colonialidade do conhecimento, a colonialidade do poder e a colonialidade do ser como três componentes fundamentais da modernidade/colonialidade (MALDONADO-TORRES, 2018, p.42). A colonialidade do Conhecimento encontra atualmente no sistema educativo, em geral, mais precisamente no campo universitário, um espaço para a sua reprodução.

Portanto, o conceito de Colonialidade do Conhecimento é crucial, pois nos permitirá acompanhar as contestações epistêmicas que ocorrem no seio do campus universitário.

Decolonialidade e Interculturalidade: aproximações e distanciamentos

Tanto no sentido analítico quanto no sentido histórico, que será observado mais adiante, os povos indígenas são a base para os estudos no campo da intercultura. O segundo ponto de crítica no campo da Interculturalidade é que a perspectiva decolonial condiciona e congela os povos indígenas, a sua cultura e o seu território num passado idílico. Para certos autores do campo da interculturalidade como Cusicanqui (2006), um certo elemento intercultural reside na perspectiva decolonial, mas esta é suprimida por uma proposta folclórica e teatral.

No que diz respeito à América Latina, os reflexos da interculturalidade na construção do conhecimento assemelham-se à perspectiva decolonial, especialmente na dimensão da interculturalidade crítica e da decolonialidade do conhecimento.

A Perspectiva decolonial negra

Outro aspecto da perspectiva decolonial negra refere-se a uma das dimensões da colonialidade do conhecimento no campo universitário, a exclusão e marginalização dos referidos autores do cânone acadêmico. Finalmente, este segundo aspecto da perspectiva decolonial negra revela ainda que “o privilégio epistêmico e a inferioridade epistêmica são duas faces da mesma moeda”. Estes novos cursos, estudantes negros e um pequeno número de professores negros levaram a mudanças no centro do campo universitário para contribuir para um ensino superior democrático.

Em outras palavras, revelam a colonialidade do conhecimento e o racismo epistêmico incrustados no ensino superior brasileiro e a emergência de uma perspectiva decolonial sobre inclusão e acesso para democratizar esse segmento.

Breve histórico do ensino superior no brasil

As Reformas do Ensino Superior Brasileiro até 1968

Ou seja, os primeiros exemplos de expansão do ensino superior ocorreram no setor privado. Uma mudança crucial e importante nesta época no seio do ensino superior foi o fim das cátedras. Atualmente, esse fato não tira o peso que a Reforma de 1968 tem na estrutura do ensino superior no Brasil.

Nem todas estas mudanças no seio do ensino superior alcançaram facilmente os objectivos esperados.

O ensino superior como campo social

O terceiro e último capítulo desta dissertação apresenta algumas discussões importantes sobre colonialismo, ensino superior e raça no Brasil. 50 Essa história já foi apresentada em capítulos anteriores, neste ponto é apropriado contrapará-la com o perfil atual do ensino superior brasileiro em relação às relações raciais. Portanto, trazer à tona essa questão é fundamental para compreender como alguns temas são discutidos pelo Estado e pelas instituições de ensino superior brasileiros e a importância de alguns debates em detrimento de outros.

Desta forma, o ensino superior é um reflexo desta estrutura, pois é um campo – como apresentado no segundo capítulo – que durante muitas décadas permaneceu um espaço privilegiado para pequenos grupos.

O Ensino Superior Brasileiro: um campo de disputas

Considerações sobre o negro do sistema de ensino brasileiro

Contudo, foi somente no início do século XXI que o governo brasileiro incorporou políticas públicas para combater as desigualdades estruturais que norteiam as relações raciais. Historicamente, as políticas educacionais desenvolvidas no Brasil no século XX contribuíram para a perpetuação da desigualdade, desde o ensino primário até o ensino universitário. As políticas públicas promulgadas na década de 1930, especialmente aquelas voltadas para a educação, combinaram de forma brilhante a inclusão com a exclusão numa perspectiva racial.

Com isso, como mostra Dávila (2006), embora as políticas educacionais acabassem por absorver parcela significativa dos afro-brasileiros no sistema educacional, também os excluíam, adotando práticas eugênicas que apenas buscavam encobrir, aprofundar as marcas da colonialidade. Educação Brasileira.

Antecedentes das políticas inclusivas para negros

Quadro e Retrato Atual do Ensino Superior Brasileiro: O Legado das Ações

Ou melhor, as ações positivas incluíram objetivamente os afro-brasileiros, com um percentual de vagas reservado para esse grupo. Mesmo com intensos debates e coordenação entre o movimento negro e o governo, as ações positivas não foram bem absorvidas. As histórias eram muito variadas; aqueles que se opunham às políticas de ação afirmativa no ensino superior não pouparam discursos para justificar suas posições, a ponto de redigirem um manifesto.

Portanto, a ação afirmativa nesta pesquisa inclui todas as políticas e programas destinados a incluir negros no ensino superior: cotas e reservas de vagas, entre outros.

Quadro discente recente no Brasil com base na raça

As ações afirmativas, especificamente os programas de cotas e reserva de vagas, e os programas de assistência estudantil fazem do ensino superior brasileiro um espelho para as universidades latino-americanas em geral. Ao longo desses anos, a política de cotas não só aumentou o número de alunos, mas também mudou o perfil do corpo discente no ensino superior brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), o número de estudantes negros de 18 a 24 anos cursando o ensino superior passou de 50,5% para 55,6%.

Desde então, o número de estudantes negros tem crescido continuamente, percebendo-se o quão essencial é a ação afirmativa para o ensino superior democrático.

Tabela 4 - Distribuição dos estudantes de 18 a 24 anos, segundo o nível de ensino freqüentado  (%)
Tabela 4 - Distribuição dos estudantes de 18 a 24 anos, segundo o nível de ensino freqüentado (%)

Quadro docente no Brasil com base na raça

Ou seja, leva a novas profissões, disciplinas, carreiras dentro do próprio campo universitário, provocando a necessidade de aumento do número de professores. Como se pode observar, as ações corretivas provocaram mutações morfológicas no campo universitário, a começar pelo aumento do número de alunos, o que levou ao aumento do corpo docente. Além disso, isto levou a um aumento no número de professores, mas a questão central é se houve mudanças na composição racial do ensino superior.

Diante dos dados indicados, apresentados na tabela, é possível estabelecer que o número de professores negros no Brasil ainda não é ideal para sustentar a existência de uma ‘elite’ intelectual negra, ou pelo menos de uma intelectualidade negra, para confirmar.

Experiências decoloniais exitosas

O encontro de saberes traz mestres65 às universidades brasileiras, representando os saberes tradicionais de grupos que iniciaram recentemente a docência. Assim, atualmente o projeto Encontro de Saberes encontra-se em cerca de 9 universidades nacionais, afirma José Jorge Carvalho (2018). Por exemplo, a própria UFMG criou um programa de formação especial para o encontro de saberes.

O programa Encontro de Saberes fortalece a relevância do Brasil, e especialmente do ensino superior brasileiro, para outras universidades latino-americanas.

Participação do Brasil na III Conferência de Córdoba (2018)

O Decolonial como agenda

A Declaração de Porto Alegre (2017), que está entre os documentos de apoio mais relevantes da conferência, é o resultado de dois dias intensos de debates, análises e reflexões sobre o ensino superior na América Latina. Com base nesse mesmo princípio, é criada a Carta de Brasília, elaborada em conjunto pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES); Associação Brasileira de Reitores de Universidades Estaduais e Municipais (ABRUEM) e Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF). Por si só, a Carta de Brasília (2018) representa um marco para o ensino superior brasileiro.

Portanto, resta a última questão: na prática, as instituições de ensino superior brasileiras têm se comprometido com essas questões.

Raça, decolonialidade e movimento negro: notas sobre a participação do Brasil em

Assim, destacaram-se os discursos relacionados à organização e aos debates em torno da III Conferência de Córdoba (2018), basicamente centrados no eixo “Ensino superior, diversidade cultural e interculturalidade na América Latina”, em que recomendações voltadas à inclusão e ao acesso na América Latina . Ensino superior. São essas categorias e premissas que permitiram evidenciar uma proposta decolonial de ensino superior na região. A agenda brasileira para a III Conferência de Barcelona deve ter como agenda principal a democratização do ensino superior sob os auspícios aqui apresentados.

Assim, embora o eixo “Ensino Superior, Diversidade Cultural e Interculturalidade na América Latina” utilize o termo Interculturalidade nos documentos finais como uma proposta de ensino superior democrático, ele também indica um ensino superior decolonial.

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Tabela 1 – Conferência Regional de Educação Superior
Mapa das rotas da CRES – SUL – SUL/ NORTE-SUL
Tabela 2 – Metas e estratégias para implementar o Plano de Ações CRES 2018
Tabela 3 – Recomendações para governos e universidades
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Referências

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