Segundo minha memória de criança do terreiro, os rastreadores de Umbanda foram os grandes guias de meu pai. E a Omulu, Oxalá e Oxum, que revelaram algumas yalorixás que herdei do meu pai e da minha avó.
Mãe Maria
Só toco candomblé por obrigação do meu santo, mas tenho uma velha que não deixo. Para ele, o conhecimento da yalorixá se dá pela intuição divina: “Tem gente que olha livro, mas eu não nasci assim, vou de santo.
Mãe Sônia
Mas eu amo meus orixás, amo mesmo, graças a Deus as pessoas com quem trabalho fazem muito sucesso. Dizem que tenho Deus no coração, que sou uma pessoa maravilhosa, que fui escolhido por Deus.
Mãe Ceci
Quando responde a uma pergunta que considera importante, sempre me pergunta: “Os outros também pensam assim?”, querendo saber mais sobre as outras yalorixás entrevistadas. Não acredito que você pegue uma casa e abra porque quer ou porque precisa.
Mãe Vera de Tinguá
E começaram os preparativos e quando acordei já estava careca e foi uma grande polêmica porque segundo Santo Oxóssi eu era de Ayrá mesmo.[..] Saí daquela casa no dia 4 de outubro de 1975 e por motivos particulares Dois anos depois Saí do terreiro, por motivos particulares que não gostava de falar. Por que não posso ser budista, por que não posso ser messiânico, kardecista.
Mãe Vera de Belford Roxo
E eu já tinha sido informado que tinha que abrir um terreiro, então eu tinha 20 anos, não me sentia preparado para levar a minha vida e muito menos um terreiro tão responsável. O zelador disse simplesmente: "Ela não tem nada. Vou preparar um banho de ervas para ela e ela vai se levantar daquela cadeira porque está sendo punida pelo orixá para poder abrir um quintal".
Iniciação e fé
Já faz muitos anos que eu nem sabia como era meu país [MATI CECI, Entrevista com Alessandro Aguiar, Nova Iguaçu, 8 de junho de 2014]. E quando comecei a ficar mais velho, fui mascote do terreiro em Marechal Hermes e lá fui batizado na Umbanda com minha mãe que também já foi lá, tive madrinha e o tempo foi passando [MÃE SÔNIA, Entrevista com Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu , 4 de novembro de 2014].
Terreiros e Toques
As pessoas me amam, graças a Deus. Está tudo marcado porque demoro um pouco, vou falar do jogo e depois se for preciso fazer alguma coisa, farei o que as pessoas precisam no jogo, com as especificidades desse trabalho. [MÃE CECI, Entrevista concedida por Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 8 de junho de 2014]. Não posso ir aqui e lançar um feitiço aqui, tenho que abater animais, não posso fazer sacrifícios de animais aqui.
Sou contra, faço o que minha consciência não me deixa sobrecarregar. Tem um iaô para fazer, não é todo mês, é de ano para ano, as obrigações, uma obrigação de um, três anos. Espero que sejam 17 dias de festa, começando pelo pilão, pelas águas e terminando que é a missa, quando o terreiro tiver espaço, tiver chapéu próprio.[MÃE VERA DE TINGUÁ, Entrevista concedida por Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 19 de outubro de 2014] .
O Racismo, discriminação racial, preconceito racial e os conceitos afros
Mas a clareza de Mãe Vera ao vincular a intolerância religiosa ao racismo parece ser a exceção à regra: em pesquisa realizada em terreiros no Rio de Janeiro (2013), um número significativo de líderes entrevistados não vinculou a religião de base africana à raça ou ao racismo. . Outra yalorixá, Mãe Vera de Belford Roxo, diz não saber se a discriminação contra o Candomblé é racista e distingue entre racismo e intolerância religiosa. Daqui a pouco voltaremos ao tempo em que o terreiro estava de volta, as crianças têm que ficar do lado de fora e fazer muito barulho para a obra começar.
Enquanto Mãe Vera de Tinguá e Mãe Sônia ficaram entusiasmadas ao conhecer a Lei 10.639/03, Mãe Ceci e Mãe Vera de Belford Roxo acreditam que o racismo ocorre numa medida de baixa valorização das pessoas negras. Quanto às questões de origem, todos se referem à travessia do Atlântico como o início do culto aos orixás no Brasil, segundo eles, os orixás vieram com os negros durante a escravidão e por isso, com exceção de Mãe Vera de Belford Roxo, eles todos atribuem isso à discriminação do candomblé ao racismo. Não sei quais orientações a Secretaria Afro nos dará, mas com nossas atividades diárias e nossas orientações conseguiremos dar conta dessa tarefa.[MÃE SÔNIA, Entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 11 nov. 2014].
A estatística perversa: permanência do racismo e sua relação com o
Não é difícil encontrar numerosos relatos de discriminação racial contra religiões de base africana no estado do Rio de Janeiro. Ela relata que os filhos de Santo estão sendo discriminados no trabalho, tanto sua filha biológica quanto os demais filhos de Santo, e que não houve denúncia na escola. Gayaku [líder do candomblé nagô-vodun-jeje] não existe como pai de santo, apenas mãe de santo.
Não tem como, ele não é formado em direito, mas tem que se formar na faculdade do conselho. Segundo Maria Stella Azevedo dos Santos (2010, p. 37), os Omo-orixás são aquelas pessoas que se dedicam ao orixá, são filhos de Santos. Obrigação” a que o filho santo estava submetido: um processo de iniciação com duração de sete anos, com “obrigações” completas de tempo; Assentamentos santos (pré-iniciação); ”Obrigação”, de “Borí”.
De acordo com o tempo e o tipo de obrigação, os filhos desses santos podem ser classificados em Abyan38, Iyawó, Égbón e Olóyé. Os filhos de santo também podem ser classificados de acordo com a energia de sua cabeça orixá.
As yalorixás e seu pensamento sobre o ensino religioso vigente
A Constituição de 1967 garante mais uma vez o Ensino Religioso como disciplina nos horários regulares das escolas primárias e secundárias. A constituição civil de 1988 permite a continuação do ensino religioso obrigatório sem a devida diligência ou interesse comum com o monopólio histórico das religiões dominantes. Caputo (2012, p.210) afirma que a Constituição de 1988 manterá a obrigatoriedade do ensino religioso no ensino fundamental.
Em 2003, a governadora Rosinha Garotinho realizou o primeiro concurso para professores de ensino religioso, onde foram aprovados 1299. Segundo Caputo, em entrevista à coordenadora do ensino religioso do estado, Valéria Gomes, católica, indicada pela Cúria Diocesana do Rio de Janeiro, entre os professores certificados que ministram aulas sobre a religião católica. Mãe Vera de Belford Roxo é inspetora escolar e tem uma visão baseada em ambas as experiências: como sacerdotisa e como educadora.Seu principal argumento em defesa do ensino religioso na escola é que muitos problemas apresentados pelas crianças são espirituais.
Ensino nos terreiros
Você não precisa trazer para mim, você trabalha [MÃE MARIA, Entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 21 de junho de 2014]. Dependendo da ekedi e dependendo do ogã, se não for Omulu, é Oxum [Mãe CECI, entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 24 de outubro de 2014]. Posição, teoria, o que você faria, você ora por isso, você ora por... Comecei assim, mas acho que estudar não é muito interessante e divertido. [MÃE CECI, Entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 24 de outubro de 2014].
O pouco conhecimento do que é espiritualidade, do que é Candomblé [Mãe Sônia, entrevista, entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 11 nov. 2014]. E a criança que se comporta mal, a gente tenta dar responsabilidade para ela [MÃE SÔNIA, entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 11 nov. 2014]. Muitas coisas você quer ser imediatamente, mas tudo é como a natureza, tem seu tempo e seu tempo [MÃE VERA DE TINGUÁ, Entrevista concedida a Alessandra Aguiar, Nova Iguaçu, 19 out., 2014].
Modernidade, eurocentrismo e educação escolar
Este paradigma moderno de poder e conhecimento globais emerge e é configurado como universal, com a colonialidade do poder a substituir o colonialismo. Quijano (2005, p.12) afirma que “o eurocentrismo é uma forma perspectiva e concreta de produção de conhecimento ligada ao padrão global de poder colonial/moderno, capitalista e eurocêntrico”. Para Dussel (2005, p.6), esta outra face da modernidade obscurecida pelo mito ainda deve “descobrir-se inocente do sacrifício ritual e condenar a modernidade como culpada de violência sacrificial, conquistadora, original, constitutiva, essencial”. Desta forma superaremos a modernidade.
Gomes (2005, p.3) diz que esse imaginário tem um interior construído por estudiosos, viajantes, estadistas, autoridades eclesiásticas e pensadores cristãos para a civilização ocidental e um exterior. Segundo Mignolo (2005, p.7), é assim que surge a consciência criolla, que inclui o conflito entre os criollos (brancos, negros, pardos) tanto da escravidão negra quanto dos imigrantes europeus. Examinando o movimento denominado pós-modernidade, não reconhece a colonialidade do poder e as diferenças coloniais.
Colonialidade/Decolonialidade: buscando epistemologias “outras”
Mas Maldonado-Torres (2009) diz que a descolonização do pensamento filosófico é tão antiga quanto ele. Com o genocídio indígena e a escravidão negra sem precedentes na história da humanidade durante a colonização, inventou-se uma forma de poder e de estar no mundo. O fim do colonialismo europeu deixará para trás o colonialismo interno e deixará como legado a colonialidade do poder, do conhecimento e do ser. A colonialidade para Maldonado Torres (2007 apud Oliveira e Candau 2010, p.18) “é um padrão de poder que vem do colonialismo moderno, mas vai além da relação formal de poder entre dois povos, refere-se à forma como o trabalho, o conhecimento, a autoridade e as relações intersubjetivas articulam-se mutuamente através do mercado capitalista e da ideia de raça.”.
Os autores da rede de investigação modernidade/colonialidade proporão os conceitos de colonialidade do poder, do conhecimento e do ser. A colonialidade do ser é, portanto, entendida como a negação do estatuto humano aos africanos e aos nativos, por exemplo na história da modernidade colonial.” Oliveira e Candau (2010, p. 22). Os autores do grupo Modernidade/Colonialidade ampliaram as reflexões ao incluir outros conceitos relacionados aos processos educativos, conceitos fundamentais para a reversão do quadro da colonialidade, como o pensamento “outro”, o pensamento crítico fronteiriço, a diferença colonial, a interculturalidade crítica e a pedagogia decolonial. que formam resistência e ao mesmo tempo resistência a outras formas de saber, de ser e de poder.
Educação escolar, educação de terreiros e interculturalidade crítica
Este pensamento é alimentado pela afirmação da diferença colonial e pela transformação das matrizes de poder colonial no processo. A perspectiva da diferença considera as causas do não diálogo e propõe condições para que ele se desenvolva, e vai além da assimilação, questiona o lugar do conhecimento afro-indígena, propõe o reconhecimento de tradições ancestrais e outras formas de pensar, subverte estruturas sociais e políticas. da colonialidade do ser. Na conclusão deste estudo, os autores Oliveira e Rodrigues (2013, p. 13) apontam o alcance dessa disputa religiosa, que restaura a discussão sobre a laicidade do Estado e ainda intensifica uma perspectiva de poder.
Porque o questionamento de uma visão científica hegemônica dentro de um espaço escolar expressa uma ação de determinados grupos religiosos que utilizam o Estado como ação política, o que é em princípio legítimo, mas que apresenta uma perspectiva de racismo epistêmico, que de qualquer outra forma negada ao mundo. Neste ponto do debate voltamos à pedagogia decolonial, que acredito poder ser compreendida se analisarmos a proposta de ensino dos yalorixás nos terreiros e nas escolas. A educação escolar de seus filhos-de-santo é uma ferramenta essencial para a sobrevivência na sociedade e quatro dos cinco yalorixás entrevistados esperam que a educação religiosa, que inclui religiões de origem africana, seja incluída na escola, porque outras religiões estão incluídas e porque elas considero importante aprender sobre religiões.