Tese apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor, ao Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022.
A PRIMEIRA PUXADA
O xirê epistêmico: salvando as portas
Foi uma forma de encontrar alternativas viáveis diante de uma sociedade suscetível aos discursos eugênicos. Digo que esses intelectuais negros inventaram e continuam a inventar a vida cotidiana da melhor maneira que podem (CERTEAU, 1982), dentro dos limites de uma sociedade racial, por meio de ações táticas que aproveitam a oportunidade.
Enunciando o meu corpo-político amefricano no xirê epistêmico
Encho a cabaça23 com águas americanas, sigo o rastro pelas pequenas ondulações deixadas pelas narrativas dos intelectuais negros da APNB, considerando-as como locais comuns de reações, resistências e deslocamentos, como bem define Candace24 Lélia Gonzalez (1988). Neste xirê, há projetos e ações políticas onde os intelectuais negros brasileiros não apenas acolhem ideias criadas em outros lugares do mundo afro-diaspórico, mas participam ativamente e produzem descolonialidades.
Combates pela memória
- O papel da escola
A preservação da memória social coletiva é condição indispensável para a construção de uma nação plural e a plena concretização da cidadania, sendo fundamental o papel da escola nesse processo. No compromisso político com a descolonização, que é ao mesmo tempo ético e epistêmico, segundo Muniz Sodré (2017), ela é importante.
Sobre ações afirmativas, lanças e escudos
Eu escolhi as cotas, que é uma posição política, onde a gente tem que conversar o tempo todo, porque a gente sabe, sempre se depara com a ideia de alguém tentando diminuir, 'ah, passou, mas foi por causa das cotas . como se fosse uma coisa pequena. , então devemos estar sempre prontos para dizer que passamos no vestibular como todo mundo, paguei a inscrição como todo mundo, que não foi barato, não foi fácil. , eu fiz a prova lá igual a todo mundo, avaliei igual a todo mundo, então não teve privilégio nisso e tem muita gente que acha que você passou nas cotas que você está sendo privilegiado. , você está tirando o cargo de alguém, como se o cargo fosse de alguém, e aí eu acho importante a gente sempre dizer que somos acionista, que a gente sempre tem que reafirmar porque é um posicionamento político, é não é apenas um país livre, há muitas coisas nele (Citações da entrevista concedida ao autor). Acredito até que está melhorando, vou falar dos meus alunos, não posso ser hipócrita de dizer que não tenho a minha participação, acredito que tem porque falo disso todos os dias (..) tem coisas que Vejo meus alunos conversando nas redes sociais, meus alunos de um ano conversando, se posicionando, marcando território, falando coisas que não falavam na minha idade, porque não era uma coisa que a gente discutia na escola, teve professores quem falou sobre isso, então eu acho que as pessoas hoje estão andando com muito mais bagagem do que quando tínhamos a idade delas, elas já têm um ponto de partida porque a gente estava explorando, desde as primeiras séries lá, toda aquela coisa, aquele debate todo, aqueles capas da revista Veja falando que a gente iria baixar o nível da universidade, aquela coisa daquelas capas onde aparece uma mulher negra que diz que decidiria o futuro dela, perguntas do tipo: 'você vai deixar ele decidir o seu futuro'.
Semana da Consciência Negra (1995) e Programa Rede UNEB
- A Semana da Consciência Negra
- Rede UNEB 2000
A Semana da Consciência Negra de Santo Antônio de Jesus apresenta um substrato ético-formativo que ajuda a retratar as experiências afro-diaspóricas na Bahia. Foi durante a Semana da Consciência Negra em Santo Antônio de Jesus que conheci o saudoso Mestre Roque e o bloco afro Filhos de Olorum.
A implementação da Lei 10.639/03
Por meio de questionários aplicados e da produção de entrevistas orais, pude compreender os impasses e dificuldades que esses professores enfrentavam para desenvolver trabalhos com esse conteúdo em suas aulas. Estas foram as minhas primeiras abordagens aos métodos da história oral; a utilização de fontes orais como ferramenta na produção de histórias e memórias abriu possibilidades interessantes para o campo de produção de conhecimento sobre relações étnico-raciais.
Coletivo de estudantes negros(as) cotistas Nyanga: uma
Funcionam como lócus de articulação entre a universidade e os movimentos sociais negros, incentivando o fortalecimento e a criação de programas de pesquisa especializados no estudo de temas relacionados aos aspectos socioeducativos e culturais das populações negras. Além de incentivar o fortalecimento e a criação de centros de pesquisa e programas especializados no estudo de temas relacionados aos aspectos socioeducativos e culturais das populações negras, os Neabs desempenham papel ativo e fundamental na implementação, implementação43 e institucionalização da Lei das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História da Cultura Afro-Brasileira e Africana, bem como do Plano Nacional para a Implementação destas Diretrizes.
Programa de formação de professores(as) AfroUneb
A formação de professores não envolve um conceito único, mas hoje talvez seja consensual entre os estudiosos entendê-la como um espaço que permite a reflexão e a consciência das limitações sociais, culturais e ideológicas da própria profissão. Etapa 1, que tratou da produção de materiais didáticos e questões sobre memória e etapa 2, que teve como objetivo pensar a formação docente e a pesquisa.
AfroUneb: um Movimento Negro educador
Programa de Formação de Professores Antirracistas, Centro de Estudos da Descolonização, Unidade Ubuntu. O Programa AfroUneb na Área 2 – Formação de Professores não se afastou dessas diretrizes quando se propôs.
A “Time Line Pesquisa e Produção do Livro Didático Virtual (CD-
Tem tudo a ver com o que Hall (2003) define como os nossos próprios repertórios culturais, formas de estar no mundo, de agir, representações e contra-narrativas que lutamos para expressar.
Marcha Zumbi + 10: “todos a bordo”
Olhando para a dimensão etária, os mais jovens tiveram uma participação significativa, com cerca de 70% dos inquiridos com menos de 35 anos, com elevada concentração na faixa entre os 15 e os 25 anos – 46,7%, enquanto apenas 29,6% dos participantes tinham mais de 35 anos. anos. Dentre os aspectos destacados destacaram-se: o combate ao racismo; demanda por políticas públicas para os negros e a noção geral de apoio às causas dos negros Além disso, cerca de 20% dos participantes das duas marchas entrevistados apresentaram como motivação a oportunidade de adquirir novos aprendizados.
Encerrando a primeira puxada: "o que a gente não registra, o
Menciono isso porque acredito que a tradição oral afro-brasileira é um dos aspectos mais ricos e importantes do conjunto de valores afro-civilizacionais no Brasil. Esta tradição oral faz parte do desafio a uma realidade homogeneizante, dominante e excludente.
A SEGUNDA PUXADA
Intelectuais negros(as) da Associação de Pesquisadores(as)
Não são os indivíduos que têm experiência, mas os sujeitos que se constituem através da experiência. Contra a ideia de um “sujeito de experiência” já plenamente constituído à medida que “as experiências acontecem”, a experiência é o local de formação do sujeito.
Descritivos da APNB
- Objetivos da Associação a partir do seu estatuto
- Os Congressos Baianos de Pesquisadores(as) Negros(as) (CBPNs)
O I CBPN/Congresso Baiano de Estudiosos Negros foi realizado em Salvador, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2007. O evento foi promovido pela Associação de Estudiosos Negros da Bahia (APNB), pela do Programa de Mestrado Profissional em Ensino e Relações Étnico-Raciais (PPGER/UFSB), do Centro de Estudos Afro-Brasileiros da UFSB, do Programa Multidisciplinar em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia (Pós-Afro/UFBA ) e da Secretaria de Educação e Relações Étnicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (ODEERE/UESB).
Arregimentando o xirê metodológico
Incorporando procedimentos e abordagens extremamente diferentes, o uso de histórias de vida e temas orais também contribui para uma melhor compreensão da condição desses professores como intelectuais transformadores, a partir do que propõe Henry Giroux (1997). Conversar com intelectuais negros sobre suas histórias de vida não é uma tarefa simples.
Os(as) convidados(as) do xirê
Foi vice-presidente da Associação de Pesquisadores Negros da Bahia b) Denilson Lessa dos Santos, professor da Universidade do Estado da Bahia, mestre em História Social e atualmente cursa doutorado em Estudos Étnicos e Africanos, ambos na Universidade Federal da Bahia. Bahia. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Associação de Pesquisadores Negros da Bahia/APNB h) Romilson da Silva Sousa, Doutor em Educação e Estudos Contemporâneos pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB.
Colhendo Ewé-Orô (palavras-nomes) de intelectuais negros(as): o
- Ewé-Orô (palavras-nomes) de intelectuais negros(as) da Bahia: amacis
- Ewé-Orô (palavras-nomes): transformação
Para o professor Eduardo Oliveira, “a palavra atua como criadora do universo, expressão da Força Vital, organizadora da esfera política, tanto na relação com a comunidade quanto na relação com as famílias. proferidas por intelectuais negros podem ser encontradas nas ilustrações abaixo (nuvens de palavras).
A TERCEIRA PUXADA
A presença dos(as) Ebomis da APNB e o ato de posicionar-se ético-
APNB: tensões e lutas
75 Primeiro Congresso Brasileiro de Estudiosos Negros, realizado de 22 a 25 de novembro de 2000 em Recife (Pernambuco). Nilo Rosa, no I Congresso Baiano de Estudiosos Negros, realizado na Universidade Federal da Bahia em 2007.
Os Congressos Baianos(as) de Pesquisadores(as) Negros(as) -
Segundo Milton Santos (2008), o território vai além de um substrato físico-material e incorpora relações de poder e estratégias de pertencimento. O CBPN é resultado de um ano inteiro de reuniões, articulações e muito, muito trabalho, “é o centro, é o núcleo, a essência da célula, o fruto, a semente da qual.
Localizações epistêmicas de luta
O que motivou esse grupo foi a necessidade de produção de conhecimento, entendido, como diz Romilson, do ponto de vista étnico-racial. Este grupo foi pioneiro nesse objetivo de produzir conhecimento do ponto de vista étnico-racial (citação de entrevista concedida ao autor).
Experiências corpo-existenciais dos(as) intelectuais negros(as) da
Não sou daqueles historiadores que têm uma trajetória muito regular, tipo 'olha, comecei a pesquisar sobre escravidão na Bahia no século 19 e pesquiso até hoje', não tive essa oportunidade, eu gostaria. Eu tive isso porque as emergências da minha geração foram as emergências de uma militância mais arraigada, então, digamos, eu era muito mais um ativista intelectual, e ao mesmo tempo que eu fazia pesquisa, eu misturava essa pesquisa com militância . seja na ação afirmativa, na organização da ação afirmativa, seja pensando na implementação da Lei 10.639, então meu interesse em ensinar história africana foi alimentado pela Lei 10.639, minha participação no Conselho Nacional de Educação sobre essas questões, então eu diria que minha trajetória foi uma trajetória de atendimento às demandas no processo de construção da igualdade racial, aliei a produção acadêmica ao ativismo, nesse sentido tive que mudar de acordo com as mudanças nas demandas, quando a demanda era estudar a Lei 10.639 me comprometi a estudar. ensinar história africana porque era obrigatório nas escolas então tivemos que estudar isso, no ano que foi o debate de ações afirmativas para estudantes negros ingressando no ensino superior, eu tive que lutar para isso, então minha trajetória sempre foi ao lado da militância, eu não tive uma trajetória regular, não tenho um tema de pesquisa regular. Quando fiz o vestibular, minha irmã mais velha, Ceres Cristina, me orientou nesse sentido, ela disse: 'acho que você tem uma inclinação maior para a Sociologia'. Aí surgiu o curso de História, surgiu porque tinha pouca concorrência, então eu falei: ‘acho que vou conseguir entrar nisso’.