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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Locais de observação de Steno bredanensis durante atividade alimentar entre 2009 e 2017 na região da Baía de Guanabara e áreas adjacentes. Geometrias espaciais observadas para grupos de Steno bredanensis encontrados entre 2009 e 2017 na região da Baía de Guanabara e águas adjacentes. Amostragem de fotoidentificação de Steno bredanensis na Baía de Guanabara e áreas adjacentes entre 2009 e 2017.

Figura  1  –  Distribuição  global  de  golfinhos-de-dentes-rugosos  (Steno  bredanensis)  identificada pela faixa azul no mapa
Figura 1 – Distribuição global de golfinhos-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) identificada pela faixa azul no mapa

Metodologia

Área de estudo

Baía de Guanabara e áreas adjacentes

Coleta e análise de dados

O mesmo teste foi utilizado para avaliar se havia diferença entre tamanhos de grupos e comportamentos observados e geometrias espaciais. Para avaliar se havia relação entre os tamanhos dos grupos observados e as profundidades e declividades utilizadas, foi utilizado o teste de correlação de Spearman.

Figura  5  –  Batimetria  e  declividade  da  área  da  Baía  de  Guanabara  e  adjacências  geradas  a  partir  das  ferramentas  Topo  to  Raster  e  Slope,  respectivamente,  no  software  ArcGIS 10.2
Figura 5 – Batimetria e declividade da área da Baía de Guanabara e adjacências geradas a partir das ferramentas Topo to Raster e Slope, respectivamente, no software ArcGIS 10.2

Resultados

Legenda: O polígono representado pela linha preta circundando toda a área de esforço delimita toda a área pesquisada entre 2009 e 2012. As cores apresentadas mostram o esforço total do transecto em cada célula (1 km²) em 2013. Legenda: O polígono da linha preta, que circunda toda a área do esforço, limita toda a área pesquisada em 2013.

Legenda: O polígono, representado pela linha preta delimitando toda a área de esforço, delimita a área total pesquisada em 2014. Legenda: O polígono, representado pela linha preta delimitando toda a área de esforço, delimita a área total pesquisada em 2015. As cores apresentadas indicam o esforço total de transecção em cada célula (1 km²) em 2016.

Legenda: O polígono, representado pela linha preta delimitando toda a área de esforço, delimita a área total pesquisada em 2016. Legenda: O polígono, representado pela linha preta delimitando toda a área de esforço, delimita a área total pesquisada em 2017.

Figura 6 – Região da Baía de Guanabara e áreas adjacentes. As cores representadas mostram  o esforço total de transecções em cada célula (1km²) entre os anos de 2009 e 2012
Figura 6 – Região da Baía de Guanabara e áreas adjacentes. As cores representadas mostram o esforço total de transecções em cada célula (1km²) entre os anos de 2009 e 2012

Características de grupo e atividades comportamentais

As atividades comportamentais de moagem, socialização e descanso não tiveram tamanho amostral suficiente para realizar a análise estatística. Entre as estações, todos os comportamentos puderam ser observados no período de inverno, apesar da alimentação ser o comportamento mais comum (Gráfico 4). Legenda: É possível observar marcas de dentes ao longo do corpo do peixe e cortes na região posterior.

Houve diferenças na comparação do tamanho dos grupos entre os anos de estudo (Kruskal-Wallis, N = 80, p = 0,001). O teste a posteriori de comparações múltiplas mostrou diferenças significativas para os anos de 2014 e 2015, ambos comparados ao ano de 2010. Embora o mesmo teste não tenha mostrado diferença entre o ano de 2013 e o ano de 2010, o valor p foi de 0,052 e a representação gráfica A análise dos resultados descritivos mostra que há diferença entre os dois períodos.

O tamanho do grupo também não influenciou as geometrias espaciais percebidas (Kruskall-Wallis, N = 76; p = 0,12) e as atividades comportamentais não mostraram evidências de serem influenciadas pelo tamanho do grupo (Kruskall-Wallis, N = 74; p = 0,93). Legenda: Um único avistamento ocorreu no final de 2009 e foi adicionado em 2010.

Gráfico  2  –  Porcentagem  de  comportamentos  observadas  para  grupos  de  Steno  bredanensis  encontrados  entre  os  anos  de  2009  e  2017  na  região  da  Baía  de  Guanabara  e  águas adjacentes
Gráfico 2 – Porcentagem de comportamentos observadas para grupos de Steno bredanensis encontrados entre os anos de 2009 e 2017 na região da Baía de Guanabara e águas adjacentes

Uso do habitat

Em comparação com as demais atividades observadas, a alimentação foi observada na maior parte do tempo na parte interna da baía, enquanto a movimentação foi observada com maior frequência na parte externa (Figuras 15 e 16). Ainda assim foi possível observar que as maiores médias e maiores inclinações foram encontradas para o comportamento alimentar, em comparação com o observado para outros eventos comportamentais (Gráfico 10). No entanto, as maiores classes de tamanho de grupo ocorreram espacialmente em locais mais dentro do que fora da Baía de Guanabara, enquanto as classes mais baixas foram observadas de forma mais heterogênea tanto em áreas dentro como fora da baía (Figura 20).

Legenda: Os polígonos mais claros e mais escuros representam as áreas totais utilizadas (K95%) e concentração (K50%) respectivamente. Entre 2013 e 2017, foram realizadas 228 medições de temperatura superficial e subterrânea em toda a área de estudo (Figura 21). O tamanho dos grupos esteve positivamente relacionado com as temperaturas de superfície encontradas (Spearman R² = 0,25), apesar de não parecer estar relacionado com as temperaturas de fundo (Spearman R Gráficos 15 e 16).

Legenda: Os pontos vermelhos indicam pontos fixos de coleta e os pontos verdes, pontos aleatórios coletados ao longo dos transectos ou durante encontros com grupos de Steno bredanensis. Legenda: As coletas de temperatura tiveram início em 2013, apesar de serem comparadas neste gráfico ao perfil dos encontros desde 2009.

Gráfico  9  –  Representação  dos  perfis  de  profundidade  (em  metros)  disponíveis  (Prof
Gráfico 9 – Representação dos perfis de profundidade (em metros) disponíveis (Prof

DISCUSSÃO

Os resultados relatados por Melo et al. 2010) são resultados do monitoramento de represamentos de mamíferos aquáticos realizado pelo Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (MAQUA) em parte do litoral do Rio de Janeiro desde 1992. Na região do Havaí, Baird et al. 2008) relataram grupos um pouco maiores, de até 90 indivíduos, embora os valores médios corroborassem o encontrado no presente estudo. Através da análise de isótopos estáveis, Bisi et al. bredanensis alimenta-se no interior da plataforma continental, demonstrando hábitos costeiros.

Além disso, Lailson-Brito et al. 2012) mostrou caráter predominantemente urbano-industrial ao analisar compostos organoclorados (PCBs) em indivíduos encalhados na costa brasileira. Em estudo realizado por Hoare et al. 1999), os autores mostraram que a densidade de elefantes encontrada em toda a área de estudo pode variar mesmo que a densidade da presença humana seja baixa. Estudos com cetáceos já demonstraram efeitos negativos e abandono de habitat, mesmo temporário, devido à ocupação de áreas por diversas atividades antrópicas (RICHARDSON et al., 1995;.

A população de botos cinzentos que vivem no interior da baía diminuiu drasticamente nos últimos 15 anos (AZEVEDO et al., 2017), havendo também uma tendência de diminuição do tamanho das áreas utilizadas (CARVALHO, 2013). - JORGE; SIMÕES-LOPES, 2004), o que seria menos provável de ocorrer atualmente na Baía de Guanabara, permitindo que S. bredanensis utilize a região sem necessidade de competição. bredanensis em águas rasas reforça a associação da espécie com a plataforma continental interna, conforme sugerido por Bisi et al. 2013) por análise de isótopos estáveis.

Objetivos

Metodologia

A história consistia em uma tabela em que cada linha representava um único indivíduo e cada coluna representava uma ocasião de esforço. Populações abertas são definidas como populações nas quais existe a possibilidade de entrada e saída de indivíduos por nascimento, migração, morte ou emigração dentro de um determinado período de tempo. Populações fechadas são populações cujo tamanho é considerado estável ao longo de um período de tempo, sem possibilidade de entrada e saída de indivíduos.

Os casos primários incluem grupos de casos secundários e o intervalo de tempo entre um caso primário e outro é suficiente para a abertura da população, permitindo espaço para entrada e saída de indivíduos (Figura 23), possibilitando estimar os parâmetros propostos. O modelo POPAN para populações abertas (SCHWARZ; ARNASON, 1996) foi utilizado para estimar a abundância populacional total de indivíduos marcados que utilizaram a área de estudo durante todo o período de esforço. Considerando que nem todos os indivíduos da população apresentavam sinais que pudessem individuá-los no processo de análise, o percentual de indivíduos marcados na população (θ) foi estimado a partir do número total de fotografias dos indivíduos marcados dividido pelo número total de fotografias. com qualidade para identificação incluindo indivíduos marcados e não marcados (WILLIAMS; DAWSON; SLOOTEN, 1993).

Para investigar possíveis conexões e movimentos de indivíduos entre outras áreas ao longo da costa, o catálogo de fotoidentificação elaborado no presente estudo foi comparado com fotografias tiradas durante quatro encontros com S. As fotografias também foram comparadas com o catálogo de fotoidentificação do Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos (LABCMA/IOUSP) como resultado de um esforço.

Figura  22  –  Esquema  básico  da  estrutura  de  um  modelo  robusto  de  Pollock.  O  esquema  demonstra  ocasiões  secundárias  com  características  de  população  fechada,  sendo  compostas  por  três  ocasiões  primárias  e  seus  intervalos  consid
Figura 22 – Esquema básico da estrutura de um modelo robusto de Pollock. O esquema demonstra ocasiões secundárias com características de população fechada, sendo compostas por três ocasiões primárias e seus intervalos consid

Resultados

As recapturas variaram ao longo do tempo e os valores mínimo e máximo de recapturas entre dois dias consecutivos de esforço foram de zero e 18 indivíduos. Comparando com fotografias tiradas na Baía da Ilha Grande (BIG), constatou-se que indivíduos identificados na área de estudo também foram encontrados no BIG. Legenda: O retângulo vermelho delineia a área de estudo e as chaves, distâncias percorridas pelos exemplares nas áreas onde foram fotoidentificados.

Ao longo dos anos, a curva de coleta mostrou um aumento no número de novos animais identificados, até que uma clara tendência de estabilização foi observada a partir de 2013 (Gráfico 19). Utilizando o modelo robusto de Pollock, 24 modelos possíveis foram testados para estimar a sobrevivência (S), migração (γ' e γ”), probabilidade de captura (p) e tamanho da população (𝑁̂) (Tabela 6). Ajustando o tamanho da população à proporção de indivíduos não marcados, estimou-se uma população de 218 indivíduos (IC 95%.

Legenda: npar = número de parâmetros utilizados no modelo; QAICc = critérios de informação Quasi Akaike; peso = peso; QDesvio = Desvio. Legenda: *período em que não foi encontrado nenhum grupo de Steno bredanensis; SE = erro padrão; IC 95% (mín-máx) = intervalo de confiança mínimo e máximo.

Figura 25 – Categorias de posicionamento de marcas naturais em nadadeiras dorsais de Steno  bredanensis  identificados  na  região  da  Baía  de  Guanabara  e  águas  adjacentes  entre os anos de 2009 e 2017
Figura 25 – Categorias de posicionamento de marcas naturais em nadadeiras dorsais de Steno bredanensis identificados na região da Baía de Guanabara e águas adjacentes entre os anos de 2009 e 2017

Discussão

No Brasil, a fidelidade ao local é comumente relatada, principalmente para Sotalia guianensis (SANTOS; ACUÑA; ROSSO, 2001; AZEVEDO et al., 2004; ROSSI-SANTOS; WEDEKIN; MONTEIRO-FILHO, 2007), embora Tursiops truncatus também já tenha sido relatado na literatura (FRUET et al., 2015; LODI et al., 2014; MILMANN et al., 2017) Uma das poucas observações que sugerem fidelidade ao local para S. bredanensis é relatada por Lodi et al. 2012), onde os autores confirmam uma única recaptura de três indivíduos na região de Cabo Frio, centro-norte do Rio de Janeiro. Confirmando os resultados encontrados, Wells et al. 2008) rastreou, por meio de monitoramento por telemetria, movimentos de mais de 800 km de S. bredanensis ao longo da costa leste dos Estados Unidos, quase quatro vezes maior que o observado neste estudo. bredanensis recapturados entre as águas da cidade do Rio de Janeiro e Cabo Frio, norte do estado, enquanto Carvalho et al. 2010) relataram recaptura e movimentação semelhantes às encontradas neste estudo quando foram feitas comparações entre fotografias tiradas entre 2007 e 2010 nas Baías de Ilha Grande e Guanabara, respectivamente. Os indivíduos foram recapturados entre as regiões de Cabo Frio e arredores da Baía de Guanabara, conforme relatado por Lodi et al. 2012) e o que foi encontrado no presente estudo, também é possível sugerir que os mesmos indivíduos percorrem distâncias de aprox. 500 km (reta paralela ao litoral), envolvendo pelo menos a região litorânea de Cabo Frio a São Paulo.

As probabilidades de emigração variaram com o tempo, sugerindo algumas possibilidades, e no futuro, movimentos do tipo Markov ou aleatórios, frequentemente relatados em estudos com baleias e golfinhos (CANTOR et al., 2012; SMITH et al., 2013; TAYLOR). e outros, 2016; RIBARIC, 2017). Em outras palavras, a causalidade relacionada ao movimento pode ou não existir e deve estar relacionada a algumas variáveis ​​mencionadas anteriormente, como disponibilidade de presas e características físicas do habitat (TAYLOR et al., 2016). Embora não seja possível definir até que ponto a população estudada representa a população do Sudeste brasileiro proposta por Silva et al. 2015), pode-se presumir que faz parte de uma população maior que habita a plataforma continental do sudeste do Brasil.

A alta taxa de sobrevivência encontrada se deve à longa vida útil da espécie e ao retorno dos indivíduos à área de estudo. Por terem sido continuamente observados nas águas costeiras da área de estudo, é essencial que os esforços de monitoramento da população de Steno bredanensis na região da Baía de Guanabara e águas adjacentes continuem.

Imagem

Figura  1  –  Distribuição  global  de  golfinhos-de-dentes-rugosos  (Steno  bredanensis)  identificada pela faixa azul no mapa
Figura  2  –  Padrão  de  coloração  da  região  dorsal  e  ventral  de  indivíduo  adulto  da  espécie  golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis)
Figura 4 – Exemplar de dente da espécie golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis)
Figura  5  –  Batimetria  e  declividade  da  área  da  Baía  de  Guanabara  e  adjacências  geradas  a  partir  das  ferramentas  Topo  to  Raster  e  Slope,  respectivamente,  no  software  ArcGIS 10.2
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