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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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A ação afirmativa no acesso ao ensino superior pressupõe o desenvolvimento de medidas de assistência estudantil, para dar suporte à sustentabilidade dos estudantes a partir do sistema de reserva de vagas ou cotas. O segundo capítulo discute o desenvolvimento das ações afirmativas no ensino superior e o processo de adoção dessas medidas na UERJ.

Políticas Públicas em Tempos Neoliberais

Os programas e benefícios sociais, em sua configuração atual, apesar da legislação que respalda a assistência como direito social (Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS), continuam adotando a lógica histórica de garantia de requisitos sociais mínimos, com ênfase na emergência, para amenizar o situação de pobreza, o que é contrário ao conceito de direitos sociais. O autor entende que a expansão da assistência social transforma esta política no "novo fetiche de enfrentamento à desigualdade social", na medida em que representa o mais importante mecanismo de proteção social no Brasil, uma vez que a seguridade social e a saúde, que incluem a assistência social, o pilar da segurança social, está agora privatizado.

Sobre as Políticas de Ensino Superior

Barreto e Leher (2008), ao analisarem as mudanças nas universidades brasileiras, mencionam aspectos relevantes que caracterizam esse processo de reestruturação do ensino superior brasileiro, entre os quais se destaca a expansão das universidades privadas; flexibilização dos critérios para transformação de instituições em universidades; o crescimento das instituições de ensino superior com fins lucrativos, o que mostra o “empreendedorismo” do setor; aumento das escalas de distância; descaracterização do conceito de universidade e distanciamento do modelo europeu de universidade. Na década de 1990, o ensino superior brasileiro introduziu ações governamentais com orientação neoliberal, como recomendações do Banco Mundial.

Acesso e Permanência na Universidade

Assistência Estudantil no Ensino Superior

No âmbito estadual, em dezembro de 2010, foi instituído o Programa Nacional de Auxílio Estudantil Direcionado às Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado (PNAEST), seguindo a proposta federal de priorizar o auxílio aos estudantes que se enquadrem nos critérios socioeconômicos indicados pelo programa e definidos pela universidade. . As políticas de auxílio estudantil devem ser percebidas como um direito social e um investimento na construção de conhecimentos e ações educativas.

Assistência Estudantil: Direito ou Benefício?

Dados do Censo do Ensino Superior 2012 mostram que as políticas de reserva de vagas não foram acompanhadas de aumento nas ações de auxílio estudantil. O que se destaca como elemento desafiador é a superação do caráter pontual, focal e limitado da política de auxílio estudantil adotada no ensino superior para constituí-la como um direito dos estudantes.

Expressões das Desigualdades Raciais e Sociais na Universidade

Esse aspecto se manifesta desde o nível de analfabetismo até o ensino superior. Os dados mostram a persistência das desigualdades educacionais, com a taxa de conclusão do ensino médio entre brancos em 2008 em 61%, e entre pretos e pardos em 42,2%.

Tabela  1  –  Média  de  anos  de  estudos  das  pessoas  de  15  anos  ou  mais  de  idade,  por                       sexo,segundo Cor/Raça – Brasil (2003 e 2013)
Tabela 1 – Média de anos de estudos das pessoas de 15 anos ou mais de idade, por sexo,segundo Cor/Raça – Brasil (2003 e 2013)

Movimentos Negros e Contribuições no Processo de Adoção

Destaca-se a importância de recuperar elementos históricos da luta negra do século XX, como forma de melhor compreender o processo de adoção de ações afirmativas no país. Como referências ao Movimento Negro e suas expressões no século XX, destacamos as ações da Frente Negra Brasileira, do Teatro Experimental Negro e do Movimento Negro Unificado (MNU); além de destacar acontecimentos e organizações mais atuais, importantes para o desenvolvimento de ações corretivas. Moehlecke identifica como o primeiro projeto de lei propondo ações afirmativas no país o elaborado pelo deputado federal Abdias do Nascimento, notável ativista negro.

18 Nota-se que o tema das ações positivas esteve presente na história dos movimentos negros, mas a partir da década de 1980 a reivindicação por cotas ganhou mais espaço na agenda de reivindicações das mobilizações negras, segundo Nilma Lino Gomes (2004). A defesa do “desenvolvimento de ações positivas para que pessoas negras tenham acesso a cursos profissionalizantes, universidades e áreas de tecnologia avançada”. Por outro lado, é apresentado um programa de ação que visa a promoção da igualdade e que inclui a implementação de ações positivas para o acesso a cursos profissionais e universidades (JACCOUD.

Heringer (2002) analisa o desenvolvimento das ações afirmativas no período posterior à Conferência de Durban, do final de 2001 ao primeiro semestre de 2002. As diferentes expressões dos movimentos negros acima mencionadas desempenharam um papel importante no desenvolvimento das ações afirmativas no país. . .

Ações Afirmativas no Brasil

As ações afirmativas representam uma realidade recente no Brasil, mas experiências internacionais, como na Índia e nos Estados Unidos, são referências importantes. As ações afirmativas na educação no Brasil representam uma realidade relativamente nova, refletindo o reconhecimento do governo das desigualdades raciais e sociais e a necessidade de ações afirmativas, cujo princípio é. O Mapa Nacional de Ações Afirmativas do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas (GEMAA/IESP/UERJ) identifica os principais beneficiários dessas medidas, no acesso ao ensino superior: provenientes de escolas públicas, estudantes de baixa renda, estudantes de cor e parda, nativos. pessoas, deficientes, quilombolas.

Valentim destaca que as ações afirmativas no ingresso nas universidades brasileiras geralmente incluem estudantes de escolas públicas, povos indígenas, negros, deficientes e quilombolas; além de critérios relacionados à renda e origem no estado, sendo este último utilizado em poucas instituições de ensino superior do país. Vale ressaltar que o PROUNI e o FIES, programas discutidos anteriormente, são exemplos de ações positivas no ensino superior. O PROUNI apresenta um processo seletivo em que estudantes com deficiência ou estudantes autodeclarados indígenas, pretos ou pardos podem optar por concorrer a bolsas destinadas a políticas de ações afirmativas.

Após quase dez anos de ações afirmativas no acesso ao ensino superior, além de diversas experiências e regulamentações, foi introduzida no governo Dilma a Lei nº e a política de reserva de vagas com base em critérios de renda, etnia e origem educacional no ingresso na universidade foi consolidada.universidade, em nível federal. O tema das ações afirmativas destaca, assim, a estrutura histórica das desigualdades no Brasil, que não padroniza nem universaliza direitos, e mantém uma estrutura hierárquica desigual.

As Ações Afirmativas na Educação Superior e a Implementação

Considerando os dez anos desde a adoção da política de reservas de acesso ao ensino superior brasileiro, o que se percebe é a expansão dessa política nas universidades públicas e privadas. Decreto estadual nº. 30.766, de 4 de março de 2002, acompanhou a lei nº. com a proposta de regulamentar o sistema de reservas para estudantes negros e pardos nas universidades estaduais. Machado (2013) trata da primeira seleção que contou com o sistema de reserva de vagas da UERJ e avalia que o Vestibular de 2003 foi caracterizado por.

A adoção do sistema de reserva de vagas ocorreu em 2002, enquanto a primeira seleção ocorreu no ano seguinte. No primeiro momento da implementação das ações afirmativas nas universidades estaduais do Rio de Janeiro (UERJ e UENF), a reserva de vagas para pessoas negras e/ou estudantes do ensino público ocorreu separadamente. Observou-se um aumento do debate público no período em que foram introduzidos os primeiros vestibulares com reserva de vagas nas universidades estaduais.

As referências acima ilustram os principais argumentos contra a reserva de vagas no ingresso universitário. Atualmente, a política de cotas e reserva de vagas no ensino superior está consolidada como uma política pública adotada em muitas universidades brasileiras.

Assistência Estudantil na UERJ: O que se construiu?

A política acima atende às principais necessidades dos alunos provenientes do sistema de reserva de vagas. No contexto deste debate, surgiu um “mito” sobre o desempenho e o desgaste dos alunos como resultado da política de reserva de vagas. A Bolsa Permanência é um benefício destinado aos estudantes do sistema de reserva de vagas em situação de carência econômica.

A supervisão, acompanhamento e avaliação dos alunos do sistema de reserva de vagas é realizada pela referida Coordenação. O PROEM tem como objetivo possibilitar que estudantes do ensino médio se comuniquem com a Universidade para esclarecimentos sobre o Vestibular Estadual e o sistema de reserva de vagas. Oferece refeições a baixo custo e com preços diferenciados para alunos que utilizam o sistema de reservas.

Arruda (2007) destaca que houve maior procura por parte dos alunos do ensino médio, nos primeiros anos, pelo sistema de reservas. Estabeleceu-se desconfiança quanto à possibilidade de sustentabilidade e desempenho dos alunos do sistema de reservas, devido às condições desfavoráveis ​​de manutenção na universidade e à sua formação educacional.

Gráfico 4 – Ingressantes e Evadidos dentro de seus universos
Gráfico 4 – Ingressantes e Evadidos dentro de seus universos

Percursos da Pesquisa

A revisão bibliográfica é considerada de extrema importância para o desenvolvimento do trabalho; inclui leitura, interpretação e análise das principais obras e produções bibliográficas; o que permitiu o aprofundamento da compreensão do tema em questão e da fundamentação teórica da pesquisa. As entrevistas semiestruturadas foram direcionadas a ex-alunos e atuais alunos dos últimos períodos da Faculdade de Ciências Sociais da UERJ. Foram entrevistados 06 ex-alunos do curso de Serviço Social iniciado em 2003 que concluíram sua formação, além de 05 alunos da referida faculdade que estão concluindo sua formação; como forma de estabelecer um contraponto entre as iniciativas da universidade de apoio aos estudantes decorrentes da política de cotas no período inicial de implementação da medida e na sua configuração atual.

Alunos e ex-alunos da Faculdade de Ciências Sociais da turma de 2003.2 foram previamente contatados sobre a oportunidade de participação na pesquisa e confirmação de sua condição de pós-graduandos por meio de cotas antes da realização das entrevistas. Os estudantes de estudos sociais que ingressaram na universidade em 2003 foram localizados por meio de contatos telefônicos e redes sociais. Eles se mostraram muito dispostos a participar do estudo e não tivemos problemas em agendar uma entrevista com eles.

O primeiro contato com os alunos que cursam Serviço Social atualmente se deu por meio da distribuição da pesquisa no início de duas turmas do 8º ano, pois esta turma é dividida em duas turmas. Ajudar os estudantes foi um dos temas discutidos na mobilização estudantil e esteve presente e vivido nas falas dos atuais estudantes de Serviço Social.

Caracterização das Entrevistadas

As ações corretivas na UERJ começaram a ser implementadas sem uma política de assistência estudantil, o que efetivamente contribuiria para a permanência dos estudantes na Universidade. A assistência estudantil é considerada contínua na UERJ, atendendo parcialmente às necessidades dos estudantes que devem buscar outras formas de apoio para permanecer na Universidade. Disponível em: .

A experiência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) na implementação de cotas de ingresso universitário. Disponível em: .

Aspectos da Trajetória Universitária ligados à Permanência

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Tabela  1  –  Média  de  anos  de  estudos  das  pessoas  de  15  anos  ou  mais  de  idade,  por                       sexo,segundo Cor/Raça – Brasil (2003 e 2013)
Tabela  2  –  Taxa  líquida  de  escolaridade  no  ensino  fundamental  (7  a  14  anos)  da  população  residente,  segundo  os  grupos  de  cor  ou  raça  selecionados  (brancos,  pretos  &  pardos)  e  sexo,  Brasil,  1988,  1998  e  2008  (em  %  d
Tabela  3  –  Taxa  líquida  de  escolaridade  no  ensino  médio  (15  a  17  anos)  da  população  residente,  segundo  os  grupos  de  cor  ou  raça  selecionados  (brancos, pretos & pardos) e sexo, Brasil, 1988, 1998 e 2008 (em % da  população de 15
Gráfico 4 – Ingressantes e Evadidos dentro de seus universos

Referências

Documentos relacionados

Governo do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia Universidade do Estado do Rio de Janeiro Faculdade de Comunicação Social Programa de Pós-Graduação