Guetos ocupacionais no Brasil: uma análise da segregação ocupacional por gênero e raça entre 1976 e 2015. Guetos ocupacionais no Brasil: uma análise da segregação ocupacional por gênero e raça entre 1976 e 2015.
Introdução
A discussão geral seguirá e refletirá sobre o campo dos estudos de gênero e trabalho no Brasil, suas especificidades e interligações. O debate aqui apresentado acompanhará as reconfigurações da agenda temática e das construções conceituais que ocorreram no Brasil nas últimas décadas.
Desafios teóricos e debates sobre gênero e trabalho
Exploração do trabalho, dominação e opressão das mulheres
A crítica à força de trabalho baseia-se na teoria das relações sociais de género. Os estudos sobre as diferentes formas de emprego doméstico no Brasil são exemplos que levam em conta os vínculos entre o indivíduo e a força de trabalho.
A trasversalidade do gênero
A base da divisão sexual do trabalho é a associação das mulheres ao trabalho reprodutivo e dos homens à produção. As relações sexuais sociais são desiguais, hierárquicas e assimétricas, nelas se configura a divisão sexual do trabalho.
Interseccionalidade das relações sociais
Ou seja, as relações sociais entre raça, género e classe regem o funcionamento do sistema patriarcal, racista e capitalista, baseado na opressão e na exploração. Contudo, enfatizam que raça, etnia, religião, gênero, classe social, idade, deficiência e orientação sexual são categorias de análise que estruturam todas as relações sociais.
O debate teórico das imbricações das relações sociais de gênero, classe e
A diferenciação entre a esfera pública e a esfera privada é mais relevante no sexismo do que no racismo, uma vez que os negros – incluindo as mulheres negras – sempre estiveram presentes no mercado de trabalho. Tais evidências se consolidaram com o avanço da globalização, que ocorreu também no mercado de trabalho, que revelou a diferença de tratamento dentro do grupo de mulheres, segundo características raciais.
Considerações finais
Entendo que uma análise da segregação ocupacional no mercado de trabalho deve levar em conta a não hierarquia e as sobreposições estabelecidas entre categorias como classe (ocupações), raça, gênero e idade. O objetivo aqui foi apresentar todos os caminhos e delinear o que seguiremos: a interpretação da segregação ocupacional por gênero e raça por meio das sobreposições de relações sociais apontadas pelas teorias da consubstancialidade e da interseccionalidade.
Introdução
O objetivo deste capítulo é realizar um diagnóstico inicial da segregação ocupacional4 por gênero e raça no Brasil acima de 40 anos. Dessa forma, pretende-se captar onde estão as mudanças e a continuidade da segregação ocupacional por gênero e raça no Brasil ao longo desses anos.
Método e dados
Sou guiado principalmente pelas seguintes questões: quais são as semelhanças e diferenças na divisão ocupacional por gênero e raça ao longo do tempo. Neste capítulo, a análise foi realizada por meio da elaboração de medidas descritivas dos dados com o objetivo central de observar mudanças e tendências na distribuição ocupacional por gênero e raça ao longo dos 40 anos.
Explorando os dados sobre segregação ocupacional por gênero e raça no
As mulheres ganham espaço no mercado de trabalho em ocupações relacionadas ao trabalho administrativo (grupo 4), serviços e comércio (grupo 5) e as mulheres brancas passam a ser maioria entre os profissionais (grupo 2). Nos grupos 5 e 8, as mulheres brancas têm agora vantagens salariais em comparação com o homem branco médio.
Introdução
Este capítulo procura investigar se e como gênero e raça se cruzam na segregação ocupacional no Brasil e quais tendências de mudança e estabilidade em relação à segregação ocupacional por gênero e raça surgiram ao longo de 40 anos. Aqui, a interseccionalidade serve de base epistemológica, orientando a discussão sob esse ponto de vista, bem como analiticamente, na utilização de novas abordagens metodológicas que possibilitem a investigação conjunta e comparativa de gênero e grupos raciais. Este trabalho contribui para a literatura sobre segregação ocupacional por gênero e raça tanto empírica quanto metodologicamente, pois explora a situação de cada grupo utilizando as ferramentas mais recentes e, assim, permite compará-los.
A próxima seção expõe as perspectivas teóricas e a linhagem histórica dos estudos sobre a segregação no mercado de trabalho, destacando a literatura sobre raça e gênero como sistemas de estratificação socioeconômica. A terceira seção descreve os dados e abordagens metodológicas utilizadas para medir a segregação ocupacional por raça e gênero no mercado de trabalho brasileiro ao longo do tempo, seguida pela quarta seção, com resultados e discussão.
Segregação ocupacional por gênero e raça no Brasil
Os estudos precursores sobre a segregação no mercado de trabalho foram conduzidos por economistas ingleses e americanos. Isto significa que as experiências das mulheres negras no mercado de trabalho estão interligadas com as experiências das mulheres brancas. As construções sociais de género e raça estão sistematicamente ligadas à dinâmica do mercado de trabalho, contribuindo para a desigualdade nesta área e para a segregação profissional.
1994) já vêem a omnipresença da raça e do género no mercado de trabalho como uma questão a ser testada. Alguns estudos apontam o impacto do gênero, raça e etnia no mercado de trabalho (NORONHA; VILELA; CAMPOS, 2019; RIBEIRO; MACHADO, 2018; SOARES, 2000), alguns até enfatizando a importância da intersecção (BIDERMAN; GUIMARÃES, 2019 ) ). ;. SANTOS, 2009).
O índice e os dados
Contudo, questiona-se se gênero e raça têm peso igual na estratificação ocupacional no Brasil no período analisado, uma vez que pertencem a sistemas de estratificação diferentes, como afirmam Kilbourne et. Dois dos cinco termos representam diferenças na segregação resultantes de diferentes distribuições marginais, tais como as de género e grupos raciais e ocupações. Desta forma, o método pode ser utilizado para atribuir mudanças estruturais a unidades individuais, permitindo-nos quantificar o efeito da ocupação individual na mudança da segregação por género e raça.
O objetivo de estruturar a base de dados para combinar características de gênero e raça é consistente com a hipótese teórica da interseccionalidade, que postula que a desvantagem social ocorre cumulativamente. Portanto, é possível que uma análise estatística da distribuição ocupacional por gênero e raça revele questões específicas de cada um desses grupos no que diz respeito às desigualdades no mundo do trabalho e as destaque de forma comparativa.
O que mostram os dados sobre a segregação ocupacional por gênero e
Ou seja, as diferenças na composição dos grupos de género e raça nos principais grupos da ISCO-88 representam menos de 30% do total da segregação ocupacional entre 1976 e 2015. As ocupações das Forças Armadas (grupo 0) mantiveram as suas taxas de segregação profissional por género. e corrida ao longo do tempo. Os resultados no gráfico 21 representam a repartição do índice 𝑀𝑀 por unidades de género e grupo racial.
No grande grupo 4 (trabalhadores administrativos), as ocupações que surgiram ao longo dos anos contribuíram para a diminuição da segregação racial e de género. Por que razão o efeito da segregação não reflecte as mudanças nos padrões de participação feminina e negra no mercado de trabalho.
Considerações finais
Assim, o efeito das mudanças nos padrões de participação de mulheres e negros no mercado de trabalho emerge da estrutura de conexões que existem entre ocupações, gênero e raça. Ao considerar a intersecção de gênero e raça, as diferenças dentro dos grupos ocupacionais assumem maior importância, delineando a desigualdade que existe em locais de trabalho semelhantes com base no gênero e na raça/cor dos indivíduos. Os resultados do índice aqui apresentados mostram um levantamento da segregação ocupacional por gênero e raça no Brasil.
Com base nas evidências do progresso na redução da segregação ocupacional por gênero e raça no Brasil, surgem questões sobre as especificidades de gênero e grupos raciais e ocupações em níveis mais detalhados, bem como sobre outros fatores externos que podem explicar a conexão entre ocupações, gênero e raça. Enfatizamos a importância da realização de investigações que considerem grupos ocupacionais mais díspares para verificar se a influência inter-relacionada de gênero e raça ganha maior importância ou se o gênero continua a importar mais do que a raça neste campo de estudo.
Introdução
Desta forma, é possível evidenciar melhor os mecanismos que criam diferenças e as medidas necessárias para alcançar uma real igualdade de género e racial no mercado de trabalho. Os efeitos discriminatórios criados pelo mercado de trabalho são diferentes para cada género e grupo racial, como já demonstrámos nesta tese. Os autores encontraram diferenças semelhantes entre mulheres e negros em termos de nível de escolaridade e resultados no mercado de trabalho.
Em seus resultados, a discriminação de gênero no mercado de trabalho diminuiu para as mulheres brancas, aproximando-as dos homens brancos, devido ao crescimento educacional que alcançaram. Todos os índices da divisão ocupacional e as suas consequências para a disparidade salarial utilizados neste capítulo também mostram os ganhos das mulheres brancas ao longo do tempo e o progresso mais lento dos homens negros e das mulheres negras no sentido da redução da divisão no mercado de trabalho.
O desenho de pesquisa e a construção do índice
Os resultados para o grande grupo 2 (profissionais) destacaram a necessidade de uma nova forma de compreender o impacto da segregação ocupacional, particularmente entre grupos raciais. Se os homens negros apresentam 0,27 em 2014, significa que contribuem com 27% da parcela ocupacional naquele ano. Mostra quanto do salário médio de cada grupo é afetado pela divisão ocupacional.
Dessa forma, pudemos acompanhar como a queda na segregação ocupacional por gênero e raça afetou homens brancos, homens negros, mulheres brancas e mulheres negras em relação ao seu rendimento médio por hora em cada período analisado. Contudo, neste capítulo, o nível mais desagregado utilizado são os grupos ocupacionais: 1) profissionais das ciências físicas, matemáticas e de engenharia; 2) profissionais das ciências da vida e da saúde; 3) profissionais docentes e;
Até onde avançamos na segregação ocupacional por gênero e raça?
Este progresso tem enfrentado limitações e barreiras à igualdade de género e racial no mercado de trabalho. Por outras palavras, os grupos das ciências da vida, da saúde e da educação já apresentavam níveis mais baixos de segregação ocupacional por género e raça. Quando analisamos a diferença no índice 𝑀𝑀 entre os períodos, percebemos que entre 1976 e 1996 houve uma diminuição na segregação ocupacional geral por gênero e raça em 0,16.
As mudanças estruturais fornecem uma parte significativa da explicação para as mudanças na segregação ocupacional por género e raça. Em todos os anos analisados, os homens brancos têm um salário médio por hora mais elevado do que todos os outros grupos de género e raça, enquanto as mulheres negras têm o mais baixo.
Considerações finais
A diminuição da segregação ocupacional por gênero e raça é evidente nos grandes grupos de gestores (grupo 1), profissionais liberais (grupo 2), técnicos (grupo 3), trabalhadores manuais (grupo 7), operadores de máquinas (grupo 8) e trabalhadores elementares (grupo grupo 9), mais acentuada entre profissionais liberais, operadores de máquinas e trabalhadores elementares. A análise da segregação profissional no mercado de trabalho ao longo dos anos pesquisados mostra, portanto, uma forte componente de género. Contudo, a mudança estrutural para reduzir a segregação ocupacional por género e raça é destacada nesta análise.
O Capítulo 3 destaca-se por duas conclusões principais: a importância da componente estrutural e a maior influência do género na explicação do declínio da segregação profissional por género e raça. Parece haver uma barreira à igualdade na segregação ocupacional por género e raça entre os profissionais. O impacto da segregação ocupacional por gênero e raça na desigualdade de renda no Brasil ao longo de três décadas.
Segregação ocupacional e diferenças de renda por gênero e raça no Brasil: uma análise por faixa etária.