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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Uma análise dos temas de gênero e sexualidade levantados por uma entidade do movimento estudantil universitário no Rio de Janeiro no período entre 2018 e 2020. Na verdade, o objetivo deste trabalho é olhar para uma entidade estudantil universitária específica, o Centro Acadêmico de Serviços Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CASS/UERJ) e reflete sobre a atuação desta entidade em relação às questões de gênero e sexualidade.

Foto do CASS/UERJ presente no ato  das Mulheres contra Bolsonaro.
Foto do CASS/UERJ presente no ato das Mulheres contra Bolsonaro.

A luta pela legalização do aborto

Embora não seja uma agenda tradicional dos movimentos estudantis, a questão do aborto, bem como a sua legalização, rompeu as fronteiras dos movimentos feministas e tornou-se um debate muito atual na sociedade como um todo, mas permeado por questões de moral, ética, religião, entre outros aspectos. Esta tem sido uma reivindicação antiga dos movimentos feministas pela qual diferentes gerações lutaram fortemente nos últimos anos. O fato é que esse debate, no contexto universitário, tornou-se uma agenda importante para os jovens militantes dos movimentos estudantis, que trazem para este espaço interesses próprios, que continuam se alinhando ou convergindo com a mobilização pública numa perspectiva de defesa de direitos .

Para Cacau, esse debate traz para dentro dos espaços dos movimentos estudantis, bem como para os estudantes no cotidiano das pessoas que transitam pelo ambiente universitário. Por meio da comunicação, o universo de significados que compõem o discurso dos militantes do movimento estudantil é traduzido e (re)construído, (re)orientação de estratégias e identidades. Essa reflexão nos permite compreender a dinâmica dos movimentos estudantis contemporâneos, que se reformulam após a entrada de novos sujeitos nas universidades e produzem novos sentidos para esse espaço.

De qualquer forma, os espaços dos movimentos estudantis, bem como suas agendas, não são estáticos, pois, principalmente pelo fator geracional que permeia o ambiente universitário, acompanhamos as transformações sociais e culturais que também ocorrem na sociedade como um todo.

Diversidade sexual e diversidade de gênero

Nesse sentido, a atuação do CASS/UERJ reforçou a perspectiva de entidade ‘universitária’, por entender que essas agendas estão interligadas. Para compreender as tensões e alianças evocadas pela dinâmica CASS/UERJ, escolhemos dois casos específicos que emergem das narrativas do i. Essa compreensão é importante no sentido de que os membros do CASS/UERJ estão conscientes da diversidade e buscam formas de trazer esses debates para o espaço universitário, que se materializam na forma de agendas e intervenções políticas, entre outras.

O CASS/UERJ procurou, portanto, transformar o episódio da transfobia em um processo de formação, não apenas dos pares, mas do grupo de atores e atrizes que compõem o curso. No próximo capítulo refletiremos sobre a atuação do CASS/UERJ à luz da intensificação do conservadorismo moral, e também compreenderemos a necessidade de olhar para outros movimentos sociais através das narrativas dos sujeitos. Em diversos momentos, membros do CASS/UERJ estiveram presentes na linha de frente dos protestos, juntamente com outros movimentos sociais que não só se posicionaram contra ataques relacionados a questões de gênero e sexualidade, mas também chamaram a atenção para ataques de setores conservadores em geral, especialmente para os trabalhadores.

Nesse sentido, podemos dizer que o CASS/UERJ tem se esforçado para tornar público o que não é considerado prioritário, importante e relevante para a vida universitária.

O enfrentamento aos ataques de setores conservadores

É em meio ao aumento dos discursos de ódio antigênero e antissexualidade, à extinção de ações, projetos e programas do Poder Executivo federal voltados para segmentos sociais marginalizados e ao aumento do número de projetos conservadores em tramitação no Congresso Nacional. especialmente na Câmara dos Deputados, que os membros do CASS/UERJ trouxeram para o cenário político da universidade questões de gênero e sexualidade, que consideraram urgentes para debate. É evidente a ampla participação dos associados do CASS/UERJ no debate sobre o contexto político nacional, bem como a incorporação do debate político como forma de instrumentalização de seus pares. Nesse sentido, a abordagem CASS/UERJ vinculou a ascensão dos setores conservadores ao fortalecimento do liberalismo econômico.

Como de costume, o CASS/UERJ, junto com os veteranos da turma do período anterior, organizou uma recepção aos novos alunos ingressantes na universidade. Essa reação aos setores conservadores exigiu uma ação coletiva do CASS/UERJ, que se deu por meio de alianças e diálogo com outras unidades do movimento estudantil e dos movimentos sociais, já mencionados no capítulo anterior. Essa valorização da horizontalidade, que não ocorreu apenas no CASS/UERJ, mas também se estendeu a algumas hierarquias acadêmicas, foi uma estratégia presente na organização do CASS/UERJ.

As narrativas dos interlocutores também chamam a atenção para o entrelaçamento de questões presentes na atuação política do CASS/UERJ.

Repensando as estratégias e os limites de uma entidade do movimento

Embora a construção dessa turma inaugural tenha sido realizada por meio de um encontro individual planejado pelos membros do CASS/UERJ com a turma de veteranos, a divulgação foi feita nas redes sociais durante as férias, como forma de chegar aos alunos mais novos. visto. no dia marcado para o início das atividades. A página do CASS/UERJ no Facebook tornou-se, nesse sentido, um espaço de visibilidade midiática dos temas que surgem e de mobilização de outras pessoas para participarem das atividades organizadas por esta entidade. Embora as publicações no site do CASS/UERJ tenham estilos diferentes, o objetivo do conteúdo produzido foi atrair pessoas com propensão a se interessar por aquele conteúdo específico.

Esse fato é revelado inclusive em 3 dos 5 interlocutores desta pesquisa, que o primeiro contato com a militância foi através do CASS/UERJ. A forma de organização que o CASS/UERJ defende não só promove o autogoverno dos associados, mas também de outros estudantes que se interessam pela vida política da universidade. É, portanto, um processo contínuo de negociação que os membros do CASS/UERJ reportam como limites no seu cotidiano.

É nesse sentido que este capítulo tem como objetivo compreender como a inclusão das agendas de gênero e sexualidade permeia, ao mesmo tempo, o processo de produção de corpos e subjetividades dos membros do CASS/UERJ no contexto universitário.

Figura 07: Banner de divulgação da calourada do Serviço Social 2020.1.
Figura 07: Banner de divulgação da calourada do Serviço Social 2020.1.

O CASS/UERJ e a construção do sujeito político

Embora possamos afirmar, com base nas pesquisas de Lima (2020) e Amaral (2014), que mostra como é crescente o movimento de ativistas indo para as universidades e de acadêmicos engajados na política, também é preciso atentar para como esse processo acontece. da produção desse sujeito que, após ingressar na universidade, passa a se envolver e a participar da vida política que se produz naquele próprio espaço. Pensar a partir de um conceito plural de identidades também é uma forma de transformar esse espaço em um ambiente mais diversificado e, portanto, mais inclusivo e acolhedor. É muito importante que esta análise reflita sobre o processo de constituição de políticas democráticas para compreender como isso se materializa nas universidades.

Os dois interlocutores se veem em suas agendas e necessidades e mobilizam, a partir de sua identidade, ações que afetam seu modo de vida, o que faz parte do processo de compreensão de quem são e de suas bandeiras. Repensar de forma coletivizada como os processos considerados como violência, doença, exclusão, etc., não acontecem individualmente, nos fornece dados para abordagem da análise e possíveis mudanças no processo de construção. Como propõe Lima (2020), a construção de significados para o engajamento político acaba sendo indissociável de um processo de reelaboração de si e das relações sociais que produzem a desconexão entre os sujeitos e suas demandas.

Portanto, a próxima parte explorará como emergem as diferenciações e agenciamentos no processo de construção da ação política dentro da universidade, observando a identificação entre elas que os sujeitos encontram transformada em agendas e ações políticas no contexto universitário.

Interseccionalidade e agenciamento na construção da forma de fazer

No que diz respeito a ser negra, sou uma mulher negra filha de trabalhadores da classe trabalhadora, então o debate racial acabou chegando para mim junto com o debate da classe trabalhadora, mas o debate de classe sempre teve muita importância. peso para mim. Isto promove novas abordagens e formas de organização a partir de uma perspectiva interseccional que utiliza estas articulações como um quadro interpretativo tanto para a opressão social interligada como para formas de lutar e confrontar injustiças e desigualdades. A questão do género e da sexualidade surge como uma transição para o activismo e, consequentemente, um meio para uma compreensão mais profunda de vários temas que devem ser analisados ​​sob a perspectiva de outros marcadores sociais.

E assim se constrói toda a percepção do próprio caminho e do que se espera no futuro. Nesse sentido, ao transferir o conceito de agência interseccional para o contexto de um movimento estudantil universitário como o CASS/UERJ, que se mobiliza em favor de temas mais amplos, achamos interessante responder à seguinte hipótese: a ativação de questões sobre questões sexuais e os direitos reprodutivos e o respeito ao reconhecimento das identidades de gênero e da sexualidade por esta entidade podem simbolizar uma forma de atuação possível, como forma de resistir e reverter determinados discursos e práticas, especialmente durante o ressurgimento da direita no Brasil. Nesse sentido, entendemos a universidade como uma instituição social que expressa a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade como um todo.

Se por um lado podemos dizer que a reprodução das estruturas da sociedade tem continuidade no interior da universidade, por outro entendemos também que ela é responsável pela produção das diversas estruturas sociais que a reproduzem.

O encontro com as [minhas] companheiras e a transformação dessa

Como os temas de gênero e sexualidade têm sido ativados no contexto universitário pelo movimento estudantil. Nosso recorte temporal remonta a um momento que nos desafiou e confrontou, dada a densidade e complexidade que as disputas de gênero e sexuais assumem no Brasil contemporâneo. Com a ativação destas agendas de género e sexuais - que se entrelaçavam com questões mais gerais, como o capitalismo - tornou-se evidente que os novos sujeitos que ingressaram nas universidades, devido às transformações sociais e políticas dos últimos anos, não estão preparados para desistir. o direito de existir sem discriminação.

Foi necessário, portanto, identificar como se formaram alianças e tensões nesse processo de desencadeamento das agendas de gênero e sexualidade e, de certa forma, romper com a dificuldade histórica dos movimentos estudantis em incorporar esses temas. Nesse sentido, foi necessário considerar que a ativação dos temas de gênero e sexualidade requer uma construção coletiva de espaços de diálogo, ação e politização do debate, pensando no indivíduo como agente da prática potencialmente reproduzível. As jornadas de junho no Brasil e a questão de gênero: as idas e vindas da luta por justiça.

Estratégias que foram percebidas ou implementadas no contexto universitário, dada a ascensão do conservadorismo moral, onde as questões de género e sexuais foram fortemente atacadas pelos setores conservadores.

Imagem

Foto do CASS/UERJ presente no ato  das Mulheres contra Bolsonaro.
Figura 03: Informativo sobre St                                              .                                                              – CASS (28/06/2018)
Figura 07: Banner de divulgação da calourada do Serviço Social 2020.1.

Referências

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