Penso na concretização da minha prática docente quando penso nos memes em diálogo através do olhar dos alunos comuns participantes da pesquisa. Apresento algumas experiências iniciais através da metodologia de conversas mediadas digitalmente no WhatsApp e apresento memes em diálogo com um curso regular.
Desenhando meu trajeto educacional com as tecnologias de meu tempo
Lembro que também me fascinava os selos, um objeto tão pequeno que marcava cadernos, papéis, documentos, cartas e outras coisas. E hoje, entender que a tecnologia se expandiu e que hoje escrevo sobre um contexto mediado pela rede digital, confirma que os significados deste estudo foram redefinidos em diálogo com a minha história e a história dos jovens deste tempo.
Encenando a docência e inventando minhas tecnologias
Refiro-me às palestras de McLuhan (2007) que, estudando a máquina de escrever, entendeu que ela une composição e publicação, permitindo ao poeta apresentar-se imediatamente ao público com suas expressões, sejam eles resmungando, gritando, assobiando ou gargalhando de uma forma estranhamente imaginativa. e feliz garota. O mimeógrafo, o microscópio escolar, o telefone, o selo, a câmera, tudo isso foi legitimado pelas minhas criações e inventividade, truques que romperam com os conceitos hegemônicos propagados sobre as crianças da classe trabalhadora, geralmente rotuladas como pobres, mal vestidas, inútil, faminto, bagunceiro e ignorante.
Eu também fui normalista
Realizo pesquisas com jovens estudantes normais porque no Curso Normal existe uma relação entre encontro, pertencimento e ativismo. Vivenciar o Curso Normal na juventude fez com que me aproximasse do sonho de menina de ser professora.
Entre redes e tessituras, as tecnologias permanecem em mim e eu nelas
Na época do Império, o caráter prescritivo e pragmático do Curso Normal foi separado da formação teórica. Isso é resultado de uma ideologia oficial que utiliza escolas e faculdades de formação de professores para difundir a visão de mundo de um grupo dominante (BRAGANÇA; MOREIRA, 2013).
O Curso Normal e as políticas deste tempo
São disputas, conflitos, tensões e ideologias que cercam a história da formação docente e o papel do Curso Normal. Reconheço a legitimidade e relevância do Curso Normal (OLIVEIRA, 2017), um marco na história da formação de professores, mas não ignoro os processos de instabilidade em curso na política educacional, caracterizados pelas forças de um sistema econômico que os últimos reformas do ensino secundário, uma educação centrada nas dimensões do saber fazer que, esgotando-se nesta lógica, está única e exclusivamente de acordo com os interesses do mercado (FERRETI, 2018).
Entre andanças, minha chegada ao campo e a descoberta da palavra outra
Entrei no Curso Normal porque foi basicamente uma decisão dos meus pais, porque eu não quis, então fui obrigado. E eu gosto muito, digo que não escolhi o curso normal, o curso normal me escolheu porque vim para cá sem nenhuma perspectiva (Érica, 19 anos, 3º ano CN).
As jovens, seus modos de ser, de pensar e interpretar as tecnologias digitais em rede
Nesse sentido, fazer minha tese me trouxe mais perguntas do que respostas, principalmente por escrever sobre algo que não fazia parte do meu cardápio cultural, os memes. No mesmo espírito, os participantes do grupo compartilharam suas leituras sobre essa prática cultural no cotidiano, falando sobre o acesso às redes sociais e o quanto os memes estavam conectados a contextos da realidade que eram eventos políticos, sociais e relacionados à vida das pessoas. estudante em tempo integral. A perspectiva criativa de Giovanni sobre mídias sociais e memes estava em consonância com o que os participantes da pesquisa discutiram.
A partir das conversas, a sugestão inicial dos normalistas foi pensar nos memes como “ferramentas de ensino”, o que me causa conflito sobre o rumo que o estudo poderia tomar. Se os memes surgem de uma relação dialógica com os normalistas, por que instrumentalizar seu uso? Nas redes sociais, os memes são partilhados, replicados e reformulados pelos utilizadores, materializando diferentes ideias, opiniões e pensamentos.
Os memes no campo: “seria muito legal que a escola trouxesse essa invasão da Área 51
Os memes criados sobre a “invasão da Área 51” e os efeitos desse evento nas redes sociais me fizeram pensar na importância de discutirmos assuntos atuais na educação com nossos alunos, principalmente quando inferem diretamente o comportamento humano. Os memes seriam um meio de conexão com a comunicação e a cibercultura, indo além do significado de uma simples piada (CALIXTO, 2019). Memes são produções suscetíveis de intervenção autoral e criativa do praticante “para bricolage lógica e mensagem na produção de um novo sentido” (ALMEIDA; OLIVEIRA; SANTOS, 2019, p. 63).
Ao mesmo tempo em que os memes sugeriam comunicação, foi possível perceber que os fatos políticos foram colocados como uma categoria que os estudantes poderiam acessar. Pude perceber que “os memes também podem ser usados em sala de aula para sintetizar a ideia de um conceito, de um momento histórico ou de uma experiência, desenvolver a criatividade e a colaboração e promover a autoria entre professor-alunos e alunos-alunos” (ALMEIDA; OLIVEIRA; SANTOS, 2019, p. 61). Segundo Corrêa e Venâncio (2017), entendidos como imagens humorísticas, os memes expressam sentimentos humanos que representam as relações sociais que existem dentro deles.
A cibercultura entre potências, ambivalências e o contexto pandêmico
A cibercultura e o cenário da festa algorítmica na pandemia
O uso das redes sociais nada mais é do que capturar dados e oferecer informações baseadas em suas ações recentes. Nessa direção, a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC), por meio do Decreto nº que estabeleceu medidas para evitar a propagação do vírus, após a suspensão das aulas presenciais em 2020, inicialmente pelo período de 15 dias e posteriormente prorrogado por todo o ano letivo de 2020 e 2021, decidiu adotar o Ensino Emergencial a Distância (ERE). 48 Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia Estudantes-da-rede-estadual-Pode-acessar-plataforma-on-line-com-conteudo-de-aulas-a -start-esta-segunda-feira.ghtml.
Para entender isso, o caminho que percorri foi simplesmente o diálogo com as jovens, o que me permitiu encontrar no discurso suas relações dialógicas mútuas (BEZERRA, 2016). Ao me propor o encontro com jovens normalistas, ampliei minhas leituras e compreensões, arrisquei uma jornada que transformou as formas como percebia a cibercultura, seus fenômenos e a vida. A apresentação de diálogos com jovens numa perspectiva prática, no campo da escola, suscitou a possibilidade de escrever esta história com o Curso Normal consciente de que “querendo ou não, já estamos vivendo uma cultura de convergência” (JENKINS, 2008 , pág.43).
As primeiras conversas sobre memes no zap: o assassinato dos jovens de Paraisópolis
E memes são uma coisa divertida e para as pessoas rirem, esse assunto não é para brincar. A normalista Pamella questiona os memes como uma “brincadeira”, apontando a dificuldade de pensar neles ao abordar um assunto tão delicado, que envolve a morte de jovens. Porém, pensar os memes no contexto de Paraisópolis pode, de certa forma, nos fazer pensar em acontecimentos que não fogem da realidade cotidiana da nossa sociedade injusta e desigual.
Nesse campo, os memes são estruturas vivas que se replicam em constantes processos de mutação (DAWKINS, 2007). Caracterizados pela prática de reinterpretações, os memes transmitem as interpretações de temas sociais e confirmam suas impressões sobre um fato, cena ou acontecimento presente. A questão de como considerar os memes na educação tem suscitado algumas dúvidas em minha mente, uma vez que a proposta da tese não é criar um “modelo educacional”, mas garantir e publicar que, ao ouvir e dialogar com os alunos, encontrem pistas. o que me faz valorizar o que eles pensam, vivem e dizem.
No zap, os memes em diálogo com o Curso Normal
Em relação ao Gesto, existe um link chamado “#memeécoisaséria”, em que a organização utiliza essa prática cultural-linguística para disponibilizar mais memes com discursos questionáveis que tendem a fragilizar e culpabilizar as escolas públicas e os professores pelos inúmeros problemas que existem na educação. .. A jovem Anna Júlia, que “apaga a história na contramão”, constrói o meme apresentado na Figura 35 e traz sua própria contradição, percebendo que é comum vermos práticas que atacam as escolas públicas porque, para ela, é do interesse dos grandes negócios. Mas quando você tem a experiência de lidar com escolas públicas, é algo muito diferente do que elas tentam te ditar.
Não ter a vivência do que se vivencia nas escolas públicas significaria não conhecer o seu real significado. Não dar credibilidade à escola pública é manter práticas de controle e preservação dos valores hegemônicos (Anna Júlia, Curso Normal). Por um lado, os jovens expressam as suas ideologias cotidianas em memes e usam o riso ambivalente como fuga e saída, mas por outro lado, a ideologia oficial usa a memética como planejamento estratégico para corroer, enfraquecer, enganar e satirizar negativamente as escolas públicas e seus professores .
Dialogando sobre a ideologia oficial e a ideologia do cotidiano
O que defendem os memes normalistas, as imagens carnavalescas são “contra a ordem e a favor de uma cultura do riso libertador” (PONZIO, 2021, p. 529). Apesar de partir do marxismo para pensar a ideologia, Miotello (2005) explica que Bakhtin supera a ideia de predomínio de um. Estaríamos diante de uma “ética”, ditada pela própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dotada de “conversas bonitas sobre os fundamentos ontológicos, epistemológicos e políticos da teoria”.
Neste sentido, não há condição para uma visão global, tal como no caso da estratégia não há condição externa que lhe confira a condição de autonomia. E assim ele deve brincar com o terreno que lhe é imposto, organizado pela lei de uma força estranha. Diferentemente da estratégia que vem de um lugar específico, de um estado de poder, da relação de domínio, controle e vigilância global, a tática é uma saída: saber usar as armas do poder hegemônico e transformá-las nas armadilhas do poder hegemônico. resistência e subversão.
A pesquisa em fluxo, de repente a COVID-19: Quais são as palavras ditas?
O ensino remoto entre desafios metodológicos e resistências
E os memes vão chamar a atenção porque memes são algo que as pessoas geralmente gostam (Pamella, CN). Vamos organizar tudo, escolher memes para falar da vida de normalista, falar sobre o que achamos dos memes e como isso facilita um pouco a nossa rotina não tão fácil (Gabriella, CN). Isso abriu a possibilidade de dizer no e para o Curso Normal, o campo de pesquisa, para outras escolas e principalmente para os sujeitos jovens e outros jovens que os memes representavam formas promissoras de dizer.
Essas evidências foram comprovadas na pesquisa à medida que demonstraram suas diferenças nas formas de adquirir, interpretar e criar memes. Os memes compartilhados na tela também representam o que as jovens sentem ao discutir o curso. Estar aqui hoje para conversar com os professores e com todos vocês trazer memes é uma forma de dizermos o que pensamos, mas também de fazer rir.
Na live alguns lampejos: o que pensam professores sobre memes?
À medida que continuamos nossos experimentos meméticos, discutimos alguns temas relevantes, incluindo a disseminação de notícias falsas nas redes sociais. 97 São inúmeros os ataques e Fake News direcionados a Paulo Freire circulando nas redes sociais, inclusive por meio de memes. E foi pela insistência incansável na busca pela alfabetização crítica e cultural que surgiu no Curso Normal o programa ao vivo sobre Paulo Freire e as Fake news.
Tem gente que nada sabe sobre Paulo Freire e mesmo assim espalha notícias falsas sobre ele. À medida que a conversa prosseguia, os normalistas introduziram o conceito de notícias falsas e convidaram os participantes a refletir. Na era da Internet, em que a difusão de imagens nas redes sociais é imensa e a dimensão das notícias falsas aumentou, a reflexão sobre esta questão é urgente.
E na live vamos desconstruindo alguns discursos sem noção
Isso facilita a manipulação, mas não somos marionetes e não caímos em fake news (Maria Eduarda, Curso Normal). Envolvidas pela escrita de Paulo Freire e em conexão com os memes, apropriam-se da rede de jovens na perspectiva da produção e não apenas do consumo. Nesse contexto, a aquisição da cultura digital torna-se fundamental, pois já por si indica um processo crescente de reorganização das relações sociais mediadas pelas tecnologias digitais que afetam em maior ou menor grau todos os aspectos da ação humana (PRETTO; ASSIS, 2008, pág. 78).
Utilizo com entusiasmo o meme a seguir, compartilhado pela jovem Amanda, para discutir questões metodológicas do Curso Normal.