Aos meus tios, principalmente a Thaís e o Alex, que estão muito envolvidos nas minhas coisas, participam das minhas lutas e torcem muito quando eu ganho. Este é o propósito do trabalho: comprovar que as palavras gramaticais, especialmente as conjunções, se comportam de forma expressiva em uma frase quando são interessantes para o gênero em que estão inseridas, neste caso o publicitário. Discute também seu impacto na vida das pessoas, os recursos e estratégias que utiliza para atingir seu público-alvo, incluindo a criatividade e a expressividade, os motivos pelos quais se torna um material interessante para o ensino de português.
Estilo e estilística
Alguns a considerarão uma disciplina que estuda o sistema expressivo da linguagem; outras, como disciplina que privilegia a individualidade do autor, expressão do seu estado de espírito, dos desvios encontrados numa obra. A primeira corrente analisa os aspectos afetivos da linguagem falada, que apresenta um sistema expressivo descrito pela estilística. A perspectiva de Bally não trata de fatos individuais, ou seja, não foca no discurso, mas no sistema expressivo da linguagem como um todo.
A relevância da expressividade na abordagem do texto
A professora diagnosticou o problema como falta de abordagem estilística: os alunos não tinham consciência do valor desta construção, ignoravam o seu significado estilístico. Dessa forma, os alunos poderão compreender a diferença entre as construções e fazer escolhas com base no que desejam expressar em suas próprias produções escritas, inclusive entendendo por que fazer exercícios de substituição. Para ensinar os alunos a usar a linguagem de forma criativa, uma abordagem estilística deve ser trazida para a sala de aula.
O conceito de palavras gramaticais
Monteiro (2002, p. 12) chama as palavras gramaticais de instrumentos gramaticais porque não traduzem ideias, apenas têm uma função (a aplicação da forma na língua a partir do seu valor gramatical): a de relacionar palavras, também no grupo de preposições, conjunções e artigos. Menciona também a classificação de Pottier (apud MONTEIRO, 2002, p. 18), que denomina os instrumentos gramaticais de gramemas e as palavras (segundo a classificação de Monteiro) de lexemas. A partir daí, Bechara classifica as palavras em lexemáticas (substantivo, adjetivo, verbo e advérbio), categóricas (pronome e numeral) e morfêmicas (artigo, preposição e conjunção).
Os conectivos
Existem, no entanto, classes que aparecem em quase todas as discussões, exceto na de Luft (1967) (que apenas menciona pronomes como palavras gramaticais); em outros, preposições e conjunções estão sempre presentes. 2011, pág. 79) causa alguns problemas porque as preposições podem subordinar verbos, como acontece com orações subordinadas reduzidas, e as conjunções podem conectar palavras. As conjunções coordenativas, por outro lado, conectam funcionalmente construções ou componentes equilibrados em uma frase.
As preposições
A preposição “a”: a) o termo de um movimento, uma extensão ou passagem de tempo; b) o momento em que algo acontece; A preposição “em”: a) lugar onde, situação (no sentido próprio ou figurado); b) estado ou estado novo de algo que transforma; c) tempo, duração, d) limitação; e) preço, valor; f) maneira, meio; g) forma, semelhança, significado de um gesto ou ação; h) finalidade, destino; i) qualidade ou aspecto sob o qual algo aparece; j) estado, hipótese; k) tempo; l) causa, razão; m) local para onde é direcionado um movimento, sequência (no sentido próprio ou figurado). A preposição 'com' ainda pode ter o valor de causa e de maneira; O que o torna expressivo é reunir diferentes significados de forma sintética.
As conjunções
Os conformativos introduzem uma frase que expressa um fato de acordo com outro na oração principal, incluindo "como", "de acordo com", "de acordo com", "de acordo com". A partir daí, analisam-se as conjunções “e” e “mas”, que, segundo o autor, são importantes para a Estilística, pela correspondente variedade de usos. O interesse, em alguns casos, não é marcar claramente uma ideia, como seria o caso se “e” fosse substituído por uma conjunção com um valor mais específico, como “portanto”, expressando conclusão, ou “quando”, indicando tempo. .
A conjunção “mas” muitas vezes oferece um uso que vai além do caráter negativo do contraste, ou seja, antes do ponto final, indicando uma forte oposição de tom. Nos exemplos, Neves cita “Mas não aguento mais!” (p. 257), em que a conjunção não conecta estruturas com valor de oposição, mas indica uma rebelião; Se for retirada, a ideia intelectual da frase permanecerá, mas perderá sua força oposicionista e será menos expressiva. Lapa (1998, p. 257) também aponta para a possibilidade de marcar “mas” uma agradável surpresa, como no exemplo “mas que quadro lindo!”, e discute a motivação para tal utilização, de forma que levanta duas hipóteses : ou a ideia de surpresa agradável surge da de surpresa desagradável, por analogia, ou se reconhece que o conceito de surpresa implica um “mas”, pois uma situação ou fato é esperado e outro (inesperado), agradável ou desagradável ocorre um.
A segunda opção parece coerente, devido ao grande número de frases, com o uso da conjunção “mas” para marcar surpresa ou humor. A partícula “mas” entrelaça assim, como “e”, diversas noções, das quais se destaca o valor acessório de causa. Em muitos contextos, “mas” marca uma mudança de sujeito, como explicado anteriormente, uma mudança de orientação, que Lapa (1998, p. 259) traduz de forma simples e interessante: “o morfema é como um signo, um encolher de ombros o ombro para mudar de assunto e olhar para o outro lado.” Ele acrescenta ainda que a partícula não deixa a atenção relaxar, ela a prende, mantém o leitor imóvel no assunto, mas pronto para seguir novos rumos.
Neves (2011, pp. 254-5) faz observações convergentes com Lapas a respeito da conjunção “mas” e destaca seu papel especial na organização textual: aponta para o caminhar de novos caminhos que se marcam de certa forma como díspares; É através da conjunção que se insinuam diferentes temas, focos, lugares, tempos, conduzindo o texto em “direções muito diferentes”.
O gênero e suas implicações
O termo “propaganda” vem do nome de uma congregação fundada em Roma em 1622: “Congregatio de propaganda fide”, cujo objetivo era difundir a fé. Via de regra, a publicidade recorta uma parte da realidade que pretende abordar, ocultando assim a percepção do todo, pois destaca momentos e omite situações que poderiam ameaçar a aura positiva do anúncio. Como o interesse do gênero é atrair a atenção do destinatário e conseguir mantê-la, ele deve usar a criatividade e manipular a linguagem para torná-la expressiva, por isso a estilística é adotada como perspectiva.
Após seu surgimento no século XX, passou a participar das regras de conduta, exercendo certo controle social e determinando o estilo de vida: o que vestir, o que comer, o que possuir, como se comportar. Nelly Carvalho (2014, p. 17) afirma que o sistema de valores do gênero é fundamentalmente etnocêntrico, pois se concentra em um tipo específico de público, expressando suas aspirações, insatisfações e preferências. Isso muitas vezes leva os potenciais consumidores a acreditarem que merecem determinado produto ou serviço, mesmo sem precisar ou poder comprá-lo, caso em que não cabe no seu orçamento.
A publicidade também pode causar a “obsessão pelo melhor” mencionada por Leila Ferreira (2012 apud Carvalho 2014, p. 30), em que o indivíduo quer ser diferente, precisa se sentir mais valioso, por isso quer comprar o melhor celular . , o melhor carro, a melhor casa e por isso vive em estado de constante insatisfação, inquieto, sempre correndo atrás do que é considerado o melhor no momento. É importante perceber que a publicidade não vende apenas produtos ou serviços, mas ideias, sentimentos, comportamentos. Carvalho (2014, p. 26) faz uma afirmação acertada sobre como um produto: um significante em um texto publicitário é entendido como um significado, pois configura um estilo de vida, valores, e os dois estão conectados de tal forma que o desejo de uma determinada vida ou identidade é transferida como desejo após a compra do produto.
O ensino da língua materna pressupõe, na verdade, este objetivo: dotar as pessoas de instrumentos que lhes permitam compreender os textos que circulam na sociedade, para que possam agir de forma consciente e intervir no ambiente em que vivem.
A criatividade e a expressividade: recursos linguístico-expressivos
Para Carvalho (2014, p. 47), tais recursos contribuem para o objetivo de conquistar o público, o que ocorre de três formas: “comandar (fazer agir)”, “convencer (fazer acreditar)” ou “seduzir (buscar prazer)". Péninou (1972) apud Carvalho, 2014, p. 49) diz que a mensagem publicitária é organizada em três fases: nomenclatura-atribuição de identidade através do nome; qualificar-. A intensificação também ocorre por meio de simples repetições, adições e subtrações, exclamações e uso do hífen.
A função pragmática da publicidade, de 'estimular a compra', ocorre através da nomeação, qualificação e glorificação de um produto, marca ou serviço. Um ponto importante a ser analisado nos textos publicitários é o conceito de ethos, fenômeno em que, por meio do enunciado, se revela a personalidade do enunciador por trás do texto (MAINGUENEAU, 2013, p. 107). A marca tem status de nome próprio que remete a uma empresa, a um agente coletivo, mas presente.
É por meio da marca que o fabricante se responsabiliza pelo que anuncia, se posiciona em sua propaganda e garante sua autenticidade, o que o autor (2013, p. 272) chama de “função testemunhal”. O nome da categoria é um nome comum que se refere a classes de produtos. Podem ser dados determinantes como 'este', 'um', como aparece nas propagandas: 'esta televisão vai mudar a sua percepção da imagem', 'outro refrigerador dos outros', etc. está diretamente ligada a um conjunto variável de representações que se uniram ao longo do tempo para criar uma imagem da marca, sendo esta imagem secundária aos discursos feitos sobre ela, principalmente através da publicidade, através da qual podem confirmar o nome da marca. a imagem criada ou sua modificação, o que exige do exclamador um esforço para manter uma boa representação da marca através dos discursos que faz, formando assim uma identidade.
Já os nomes evocativos são aqueles baseados nas propriedades dos produtos, conforme apresentados; podem ser nomes novos ou nomes que já circulam, mas que recebem novos significados.
Um gênero atrativo e instigante
O slogan, aliado ao nome da marca, confirma a identidade da empresa, que está associada à paixão e destaca o ethos para conquistar o leitor. A mesma preposição “com”, na frase “com claramente”, expressa duas ideias que se complementam e lhe conferem status expressivo. A opção “com” soa expressiva, justamente porque enfatiza algo que você tem, a atenção do leitor é direcionada para a presença (expressa por “com”) e não para a ausência, como aconteceria com a preposição “sem”, mesmo que algo negativo como um tesouro.
O consumidor chama a atenção para o que é acrescentado, pelo “com” e valoriza ainda mais a ausência da taxa, devido ao número zero. Existem duas estratégias argumentativas na publicidade: uma é supor que o potencial consumidor gostou do preço do veículo, o que é feito pela conjunção “como”;. Também é possível perceber uma sensação de intensidade, caracterizada principalmente pelo advérbio “já”, que cria uma expectativa de que você achará o carro ainda melhor no momento em que dirigi-lo.
As escolhas, porém, vão além da gramática e criam um contexto mais afetivo, o que se confirma pelo fato de o anúncio se dirigir ao leitor com um pronome. Ao não explicar a primeira parte da série, as informações da primeira frase não são apagadas para destacar a segunda, mas ambas as partes são enfatizadas adequadamente. Vale ressaltar que o valor das preposições, por exemplo, só aparece no contexto, pois uma mesma palavra pode transmitir significados diferentes dependendo do enunciado em que está inserida.
O segundo autor corroborou a pesquisa, pois as conjunções em que foi encontrada expressividade foram em sua maioria “e” e “mas”, sendo que a primeira ocorreu em nove casos, além de uma aparecer junto com “niti” e outros quatro, bem como um com "também". Nos textos publicitários, a expressividade desempenha um papel fundamental, assim como a criatividade, pois são importantes meios de atrair potenciais consumidores com declarações, o que é o desafio deste género num mundo de superabundância de ofertas. Outras fontes como som e imagens também são utilizadas dependendo do meio em que são transmitidas.
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