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Os conectivos são palavras que, conforme o próprio nome, conectam estruturas (outros vocábulos, orações, períodos), estabelecendo relações entre elas, as quais contribuem para a coesão e, consequentemente, para a coerência do texto.

O conceito de conectivo baseia-se prioritariamente em um critério sintático, considerado para, a partir dele, se verificar um valor expressivo que pode ultrapassar o valor gramatical, tendo em vista que é a gramática que dá o suporte para analisar a língua, necessária, portanto, em qualquer estudo.

As classes de palavras abordadas são as que compõem a classe dos conectivos: a preposição e a conjunção. Foram escolhidas por fazerem parte da maioria das categorizações de palavras gramaticais e, sobretudo, por serem vocábulos geralmente tomados em sua função sintática, de conexão, de ligação, embora, em sua maioria, acrescentem valor semântico relevante e, em determinados contextos, valor estilístico.

Ribeiro (1998, p. 71) fala sobre o papel relacional dos conectivos, mostrando sua função de conexão. Distingue-os em conectivos subordinativos, os quais tornam um termo determinante de outro, e em conectivos coordenativos, adicionando um termo a outro.

Acrescenta, entretanto, sua importância na exposição de ideias, já que são responsáveis pela coesão entre termos e orações, alertando para o fato de que seu emprego inadequado pode acarretar problemas na comunicação.

Câmara Jr. (1978, p.79) diz que os conectivos são “vocábulos gramaticais que, como morfemas relacionais, estabelecem conexão entre palavras ou partes de uma frase”. Segundo

o autor, há na língua portuguesa três espécies de conectivos: as preposições, o pronome relativo e as conjunções, embora considere que as preposições subordinam apenas palavras ou expressões lexicais, pontuando que as conjunções subordinam orações e coordenam palavras, expressões lexicais ou orações, chamadas, portanto, de subordinativas e coordenativas.

Em Estrutura da língua portuguesa (2011, p.79), Câmara Jr. chama de vocábulos conectivos aqueles que têm por função relacionar nomes, verbos e pronomes com outros e entre si, estabelecendo conexão. Também divide os conectivos em subordinativos, cuja função é de tornar um termo determinante de outro, e em coordenativos, cuja função é de adicionar termos. Diz que os conectivos subordinativos incluem as preposições e as conjunções, cabendo à primeira subordinar vocábulos e à segunda uma sentença a outra.

Reitera que os conectivos são a priori morfemas gramaticais por não se referirem ao universo biossocial.

A classificação de Câmara Jr. (2011, p. 79) traz algum problema, pois as preposições podem subordinar sentenças, como acontece com as orações subordinadas reduzidas e as conjunções podem ligar palavras.

Azeredo (1990, p. 39) em Iniciação à sintaxe do português ressalta a equivalência funcional entre preposições e conjunções subordinativas: a de indicar que a estrutura integrada por elas se subordina a uma construção de nível mais alto, mas marca sua diferença:

“as preposições introduzem construções sem conteúdo modo-temporal explícito” (p. 40). As conjunções coordenativas, por sua vez, conectam construções ou constituintes nivelados na frase do ponto de vista funcional.

Azeredo (1990, p. 40) ainda menciona as conjunções subordinativas que introduzem os sintagmas nominais integrados por oração – que e se – chamadas de nominalizadores.

Cristina Schneider (1974, p. 65), em artigo que tenta classificar os vocábulos segundo um critério morfológico, agrupa preposições e conjunções na classe dos conectivos mediante uma primeira segmentação, em que ambas entram no grupo de vocábulos sem flexão, do qual também fazem parte os advérbios. Depois, recorrendo a outro critério morfológico, diferencia os advérbios das preposições e conjunções, pois somente os primeiros realizam derivação, ou seja, podem apresentar sufixo derivacional.

Dessa maneira, do ponto de vista morfológico, preposições e conjunções não apresentam diferenças; portanto, constituem um grupo: o dos conectivos. Classificação antes caracterizada como sintática, também se revela morfológica.

Alguns autores, não concordando com a visão tradicional de que as preposições são conectivos que ligam palavras, e as conjunções, orações, apontam para uma não distinção

entre preposições e conjunções. Melo (1971), por exemplo, reforça a ideia de que ambas são conectivos e que a divisão possível de se fazer é entre conectivos coordenantes e subordinantes; os primeiros estabelecendo paralelismo, isto é, igualdade de funções sintáticas e os segundos exprimindo dependência entre as funções. Os conectivos coordenantes seriam tradicionalmente as conjunções coordenativas. Os subordinantes incluiriam as preposições, as conjunções subordinativas e o pronome relativo, os dois últimos utilizados em orações com verbo finito, ou seja, em orações analíticas; os primeiros usados em orações não analíticas, com verbo no infinito.

Melo (1971, p. 209) inclui na classe dos conectivos, além dos coordenantes e dos subordinantes, os correlativos, sobre os quais não se tratará nesta dissertação.

Como a inserção dos pronomes relativos não é consensual entre os autores, não serão analisados, não havendo, pois, intenção de discuti-los. Os conectivos constituem, assim, uma classe com valor relacional, com base em critérios morfológicos e sintáticos, cuja função prioritária é a de conectar estruturas. Essa classe inclui a preposição e a conjunção que apresentam como diferença as orações que ligam; a primeira, orações reduzidas e a segunda, orações desenvolvidas. Ambas as classes conectam palavras.

Othon Moacyr Garcia (2010, p. 291-292) relata que, em certas situações simples da língua oral ou escrita, as relações entre ideias podem dispensar o uso dos conectivos, casos em que a conexão se dá implicitamente, como nas orações justapostas. Observa que, em situações complexas, a presença de conectivos e de locuções de transição é fundamental para estabelecer entrosamento das orações, períodos e parágrafos, cujos sentidos muitas vezes dependem diretamente dos elementos mencionados. Ilustra essa afirmação com duas orações independentes: “Joaquim Carapuça costuma vir ao Rio” e “Ganha muito dinheiro em São Paulo”, mostrando que é a escolha do conectivo para entrelaçá-las que determinará o sentido do período; conforme se use “quando”, “enquanto”, “porque”, “se” ou “embora”, a significação vai-se alterando.

Analisar-se-ão as classes separadamente, levando em consideração seu comportamento sintático, sua forma e principalmente os valores semânticos que podem assumir em determinados contextos. A finalidade da análise é verificar como são abordadas as preposições e as conjunções nas gramáticas tradicionais e nos estudos linguísticos mais recentes para, em seguida, observar como funcionam em textos publicitários, enfatizando seu uso expressivo.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 33-36)

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