A oralidade é fonte estilística nas crônicas de Joaquim Ferreira dos Santos / Viviane Godoi da Costa. O corpus utilizado para este trabalho teórico foi compilado a partir das crônicas de Joaquim Ferreira dos Santos.
Do relato histórico à configuração pós-moderna
Dentro desse panorama, oferecemos um trecho da crônica “Rio encontra São Paulo e juntos fazem um país melhor”, que tem viés político. Para Joaquim Ferreira dos Santos (2007, p. 21), a permeabilidade da crônica é “uma de suas graças, [pois] dialoga sem preconceitos com tudo o que a rodeia”.
Um gênero híbrido
Os jornalistas veem os acontecimentos como “histórias” e as notícias são construídas como “histórias”, como narrativas que não estão isoladas de “histórias” e narrativas passadas. Poderíamos dizer que os jornalistas são os modernos “contadores de histórias” da sociedade moderna, parte de uma tradição mais longa do que a de contar “histórias”.
Um gênero brasileiro
No contexto internacional, Portugal é o país onde o cenário da crónica mais se aproxima do nosso cenário brasileiro. Não se pode dizer que seja um gênero exclusivamente brasileiro, mas tem o nosso sotaque e encontrou aqui o seu habitat ideal, nos nossos leitores e jornais.
Estilística: teorias diversas, contradições e possibilidades
O estudioso procurou descrever os aspectos expressivos da linguagem em sua totalidade, afastando-se da fala escrita e do estilo individual. Esta visão é muito semelhante à de Bally no que este autor chama de face afetiva da linguagem e dos efeitos expressivos.
Estilo: um estudo à luz da visão bakhtiniana
Nas palavras de Bakhtin (2010), “cada campo de uso da linguagem elabora seus tipos de enunciado relativamente estáveis” (p. 262), os gêneros do discurso que têm em comum um caráter verbal (linguístico). Segundo a teoria bakhtiniana, o estilo - meio linguístico de materialização do enunciado - é o último a participar da escala de sua formulação, o que acontece da seguinte forma: ao construir um enunciado, o interagente busca defini-lo de forma ativa, busca promova-o para o seu destinatário.
Marca de oralidade na escrita: um recurso
Marcas fonéticas
Os signos fonéticos, em sua maioria, buscam reproduzir graficamente os elementos suprassegmentais da fala, especialmente as variadas nuances de entonação, mas evidenciam a incapacidade do cronista de transpor toda a dinâmica conversacional para o seu texto (PRETI, 2003). Eu tinha visto Vera Fischer pela primeira vez naquela noite no momento em que ela passava por um travesti vestido com todas as bobagens que a Coty colocava à venda, e cara, depois de colocar a mão na boca em um carinho de leque, colocando as vogais que ele encontrei ao longo do caminho e gritou uma saudação suave “eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, queee-riiiiiiiiiiiii-daaaa, tiiii aaaaauiii-aaaaa, oooooooooor!!!!!”. Mais do que representar a pronúncia de forma hesitante, os cortes silábicos feitos por Joaquim são a materialização da “moda oral” feminina, o que ele chama de linguagem da frase ou linguagem do pasto.
A utilização deste recurso serve para representar a forma como as mulheres lidam diariamente com a linguagem, a forma como criam bordões que influenciam a forma como falam, bem como influenciam a fala daqueles que as rodeiam, incluindo os homens, mas de uma forma muito grande. escala, menos. Pela primeira vez, é um repertório que se moderniza exclusivamente para um único gênero. Dentre os diferentes tipos de metaplasmas, dois ganham destaque nos textos de Joaquim: a aférese (supressão de um fonema ou sílaba no início das palavras, como em "tá", em vez de "está") e a síncope (omissão de um ou mais fonemas em no meio da palavra, como em "pra", em vez de "para").
Todo mundo está tentando esconder alguma coisa, esconder alguma coisa e como a polícia descobriu todos os esconderijos, esconde as coisas embaixo das palavras (Apêndice A, p. 116, grifo nosso). A linguagem anda de um lado para o outro, e assim como a frieza voltou a servir de elogio nos tempos modernos, pode ser que os jornais em breve, na legenda de uma foto de Daniela Cicarelli, voltem a fazê-lo como fizeram no frente. de Adalgisa Colombo no passado. , e diz que tem, que é linda, uma chuchu.
Marcas morfossintáticas
No trecho a seguir, essa fonte fica evidente, pois a frase que teria como sujeito “Uma mulher feliz” não se desenvolveu, mas começaria outra (“uma mulher feliz com seus hormônios”). Uma mulher feliz, e semanas atrás, quando viajava com quatro deles, contei, uma mulher em estado de completo êxtase com seus hormônios, suas sensibilidades em total paz, tal mulher, independente de seu nível cultural, é distribuída iniciar. Somente o ato de respirar apresenta valores mais elevados quando os hábitos são avaliados nas estatísticas diárias das mulheres (Apêndice A, p. 145, grifo nosso).
Quando muito presente na escrita, esse tipo de estrutura oracional – reduzida em tamanho e predominantemente coordenada assindeticamente – afeta o ritmo do texto, conferindo-lhe mais velocidade e aproximando-o da cadência da fala cotidiana. Deve ter sido por isso, saudade e medo, só pode ter sido porque me lembrei de uma época em que o medo da minha infância não era o medo dos ladrões na esquina, mas sim de morrer de correntes de ar, uma ameaça espreitando na esquina famílias [..] (Apêndice A, p. 159, grifo nosso). Um cronista de segunda categoria não é a pessoa mais indicada para frequentar os cultos e juntar a caneta às críticas ao livro do MEC que dá permissão às crianças para chutarem a gramática com o bico, com as mãos, por mais que a bola role de Camões cabe neles... melhor no pé, ou seja, na língua (Apêndice A, p. 175, grifo nosso).
Deve ter vindo dele a expressão “cheio mas”, ou seja, uma pessoa plena “não é nada disso”, um chato que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, se decepciona (Apêndice A, p. 174, grifo nosso). Não haverá nada mais irritante do que pessoas que iniciam uma frase, respiram fundo na conversa e substituem as vírgulas pelo infame “então”. É uma das pragas da palavra moderna, uma sucessora legítima de “no nível de”, “como pessoa” e “eu lhe enviarei” de décadas passadas.
Marcas léxico-semânticas
Levando em conta essa cautela teórica, destacam-se as seguintes unidades lexicais, que resolvem a naturalidade das conversas informais: gírias, provérbios populares, expressões idiomáticas e formas aumentativas e diminutas. a) Gíria: Este é basicamente um vocabulário oral. São ideias selvagens, estúpidas e escalafóbicas que surgem subitamente, como se chegassem ao defensor, no colo da nação (Apêndice A, p. 152, grifo nosso). Caracterizam-se por sua origem na sabedoria popular e pela ampla circulação social por meio de práticas orais que remetem a verdades gerais e atemporais dentro de afirmações gerais como “As aparências enganam” ou “Nem tudo que reluz é ouro” (LAPA, 1998; MACEDO, 1991; URBANO, 2002).
Assim, o falante opta por usar “diga-me”, em vez de “diga-me”, como forma de aproximar o provérbio da linguagem coloquial cotidiana. Podemos perceber também que as escolhas e procedimentos adotados pelo autor revelam a adesão, rejeição ou mesmo criação de um novo significado em relação ao provérbio. Na crónica “O que as mulheres procuram na bolsa” (Anexo A, pp. 113-5), Joaquim Ferreira dos Santos inverte o provérbio “A curiosidade matou o gato” para criar um.
Por mais que o telefone preto, a geladeira branca e a gordura para esfregar na pele da bola número 5, essas palavras fossem consideradas as meninas feias da época - maws. Lula com a boca cheia de “olhe com atenção”, “siga meu raciocínio” e “estou convencido”, é o presidente do momento. É importante notar como palavras aumentativas (como “carrão”, “mulherão”) e diminutivas (como “cervejinha”, “livreco”), quando presentes na escrita, desfazem tentativas de ocultar a subjetividade de quem fala. .
Marcas interacionais
Coloco-o no bolso bem escondido do paletó e, antes de sair, verifico - leio o jornal, assisto a "TV RJ" - se não tem ninguém esperto sobre a fraude por aí. Deixis também inclui formas verbais que indicam pessoas na fala ("eu", "você", "nós"). Saindo um pouco da esfera feminina, a autora também relata o uso de expressões unissex, como: “com certeza!”, “sério!”, “só rindo!”, “não acredito!” e "ninguém merece!".
E bem humorado finaliza seu pensamento sobre o lançamento da crônica dizendo: “Vi, em 1996, na minha frente, Carlos Heitor Cony escrevendo uma crônica de tamanho médio, de alta qualidade, em não mais que 15 minutos. . Seu minúsculo pé esquerdo pode ser acessado em dezenas de sites de fãs online, e como nenhum deles oferece qualquer explicação para o mistério, cheguei à conclusão de que aquela bandeira japonesa tatuada onde começa o calcanhar parece estar tentando dizer "Eu adoro jornalistas de óculos. Estou perdido, estou perdido", pude ver essa declaração de fracasso brilhando na minha testa como um cartaz de jornal na Times Square.
Está sempre associado ao futuro presente com um gerúndio: "Eu te ligo de volta". Só porque ela tinha me substituído pelo cara desgrenhado falando de loja barata, ela lançava expressões como "você sabia disso, garotão?!", "Bom, vai lamber o sabonete", eu respondia imediatamente, com todo a agressividade da época, "pare de trollar sua atrevida." Coloco-o num bolso bem escondido do paletó e, antes de sair, verifico - leio o jornal, assisto a "TV RJ" - se não há ninguém esperto sobre o golpe.
Qualquer tribunal que primeiro pergunte quanto tempo cada pessoa tem disponível para se divertir, restaurar seu QI, buscar prazer da maneira que achar melhor, seja escrevendo essas palavras difíceis, jogando gamão, fazendo sexo ou simplesmente indo lá para obter seu o traseiro molhado do dedo no mar de Ipanema só para dizer para a mulher que o acompanha: "Estou louco se esse aquecimento do planeta deixa a água cada vez mais fria" - e os dois, de um jeito bobo , desatava a rir. Meu texto estava finalizado, não havia nenhum ponto teatral que me estragasse a cola – e apoiei a armação dos óculos dela. A barriga grávida da esposa amada, redonda, espiada por pessoas que não tenho ideia, mas espero que gostem, comentem, compartilhem e depois cantem comigo a velha canção do Roberto, aquela do “Eu existo, eu existo”.
JFS – Peço que todas as palavras sejam incorporadas à crônica, inclusive as antigas que foram descartadas por serem muito utilizadas e caracterizadas pelo passado.