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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Embora os participantes da pesquisa vivenciem experiências sexuais divergentes, o estudo aponta que esses usuários do Grindr também promulgam e defendem normas reguladoras de gênero/sexo para reforçar a masculinidade que desqualifica certas formas de ser homem. No contexto específico dos estudos de género e queer, cisgénero refere-se a pessoas cuja identidade de género corresponde ao seu sexo biológico, ao contrário de uma pessoa transgénero. Através das conversas, incentiva-se o resgate de memórias e a articulação de experiências, de forma a promover a compreensão de como as normas reguladoras de género permeiam, mas também são desafiadas, no nosso quotidiano.

Escrever sobre a minha experiência escolar no primeiro capítulo não foi importante apenas como exercício de recordação/análise de acontecimentos passados, mas também como forma de apresentar o meu papel como investigadora educacional em relação ao campo dos estudos de género e sexualidade. . Entre as primeiras coisas que aprenderam estavam os papéis de género que os rapazes e as raparigas deveriam desempenhar. O esporte na escola é apenas um exemplo de como o marcador de gênero permeia o cotidiano escolar (GARCIA; BRITO, 2018).

Miskolci (2005) enfatiza que as escolas têm forte influência na educação dos meninos, baseada no fortalecimento da masculinidade de acordo com as normas e padrões de gênero. Aos poucos, deixei de querer me conformar às expectativas sociais e tentei questionar as normas de gênero. Perante isto, vale também a pena analisar como as normas reguladoras de género permeiam as nossas experiências sociais e muitas vezes obrigam-nos a “entrar no armário”.

As pesquisas em diálogo com o campo dos estudos de gênero e sexualidade devem estar alinhadas a uma perspectiva de formação que transcenda os limites físicos do espaço escolar, para que possamos compreender que o campo da educação é amplo e inclui disciplinas e processos de formação para além do professor- relacionamento estudantil. .

Figura 1 - Ninguém solta a mão de ninguém
Figura 1 - Ninguém solta a mão de ninguém

Atualizando o cenário da pesquisa: implicações da pandemia da Covid-19 para o estudo

A rede digital configura-se como um espaço onde se trocam informações/opiniões para formar redes de interação que abrem possibilidades praticamente ilimitadas de circulação e produção de novos conhecimentos (AMARO, 2016; COUTO JUNIOR, 2013; LEMOS; LÉVY, 2010; BOŽIČEK, 2010 ). Como essas pessoas se articulam com seus pares na criação de espaços de sociabilidade mediados digitalmente. Esse espaço de sociabilidade cria áreas de interesse comum, pois toda informação é produzida, movimentada e consumida pelos próprios agentes.

As relações criadas através das redes digitais não são pequenas nem desprovidas de verdade ou autenticidade; pelo contrário, são interações sociais legítimas que promovem a socialização entre pessoas geograficamente dispersas. Como sujeito conectado a outros usuários geograficamente dispersos, vivencio certa inconsistência ao tentar desqualificar as interações mediadas pelas redes digitais, pois quem produz e compartilha informações para a rede são pessoas de carne e osso (COUTO JUNIOR; OSWALD, 2014). Além disso, não podemos negar que a investigação no âmbito das dinâmicas ciberculturais melhora a forma como produzimos conhecimento com outras pessoas, pois os processos de comunicação digital em rede permitem que ideias sejam 'discutidas, confrontadas, tecidas e melhoradas, com vista a (...) , disponibilizando, discutindo e compartilhando sua autoria online” (SANTOS; CARVALHO, 2018, p. 34).

As redes são, portanto, construções típicas da interligação dos conhecimentos e experiências humanas; portanto, não devem ser confundidos com novas tecnologias de informação, como conectar computadores a uma rede (SANTAELLA; . LEMOS, 2010). Porém, como os espaços físicos e os ambientes mediados pelo digital em rede são indissociáveis ​​(COUTO JUNIOR; OSWALD, 2014), ou seja, “o digital está imerso na contemporaneidade” (BRUNO; COUTO, 2019, p. 107), não poderia Não posso deixar de mencionar minha preocupação sobre a forma como os aplicativos de namoro/"encontro" também têm sido usados ​​mais recentemente por pessoas que se identificam como gays, embora muitas vezes esse não seja o caso.

Masculinidades e heteronormatividade

Pesquisar a performatização das masculinidades dissidentes significa, portanto, perceber que não existe uma forma única de ser homem e que a constituição da masculinidade enfatiza a fragilidade do regime heterocêntrico (SILVA JUNIOR; BRITO, 2018), uma vez que o gênero em si não pode ser apresentado com fronteiras imutáveis . A segunda metade da década de 1990 assistiu ao aprofundamento do tema da masculinidade com uma série de publicações importantes, como o Handbook of Studies on Men and Masculinities publicado em 2005, escrito por Robert (agora Rayween) Connell, Jeff Hearn e Michael Kimmel. Segundo Medrad e Lyra (2008, p. 810), este trabalho destaca quatro diferentes análises que o campo dos estudos de masculinidade enfoca: 1) a forma como as masculinidades são organizadas socialmente; 2) a forma como os homens compreendem e expressam as “identidades de género”; 3) interações entre homens e entre homens e mulheres; e 4) a construção da masculinidade nas/através das relações institucionais.

Meu interesse acadêmico em trabalhar na área de estudos de gênero e sexualidade, com ênfase no exame das masculinidades, reside na necessidade de problematizar até que ponto nossos corpos e gêneros são bombardeados por expectativas sociais que aprendemos desde a infância. Essas são algumas das questões fundamentais que nortearam meu olhar durante o trabalho de campo, na tentativa de criar reflexões poderosas com o objetivo de expor os limites e as contingências das normas reguladoras na constituição da masculinidade que ‘escapam’ do que é socialmente esperado. Dito isto, como investigadora na área dos estudos de género e sexualidade, proponho questionar a transgressão das normas reguladoras na constituição da masculinidade e, ao mesmo tempo, desafiar discursos que desqualificam formas dissidentes de experiências de masculinidade.

Como ensina Parker (2000), o reducionismo a um mundo dividido por uma linha de gênero limita um tipo de masculinidade em oposição ao feminino, impedindo e inibindo a propagação das singularidades humanas. No caso da masculinidade, ela só pode ser definida nas relações de gênero e sexualidade, e nunca será uma definição cristalizada, pois é resultado de tensões, disputas e interesses culturais e sua existência é caracterizada por essas disputas de sentido.

Performatividade

A interação que procurei estabelecer com os sujeitos da pesquisa baseia-se em “princípios de reciprocidade, participação e partilha” (BARBOSA; SANTOS; RIBEIRO, 2018, p. 122). Essa foi minha entrada na área, para explorar as possibilidades da aplicação e pensar em como fazer o primeiro contato com os assuntos. Vale destacar que alguns termos e tribos serão posteriormente abordados e trabalhados em conjunto com os sujeitos participantes da pesquisa e articulam conceitos como pertencimento, identidade e performatividade.

Desde o início da criação da proposta de pesquisa, estive aberto a escolher outras redes para interagir com os sujeitos. As masculinidades dissidentes lideram as linhas de frente que delineiam esta pesquisa, e é no encontro com os sujeitos da pesquisa que praticam essas masculinidades que crio os relevos e nuances para a construção deste mapa. Valorizei, portanto, a construção relacional da diferença com os sujeitos participantes da pesquisa para mapear os significados das masculinidades dissidentes.

Diante do exposto, o processo de pesquisa foi desenvolvido inicialmente conversando com os sujeitos sobre suas experiências com o uso do Grindr e posteriormente acessando suas próprias preocupações. Neste contexto, a conversa pareceu-me adequada e coerente com a forma como procurei realizar a pesquisa de campo em colaboração com os sujeitos. Talvez a maior luta dos heteroterroristas seja lembrar que existem gêneros e sexualidades além de menina/menino e homo/heterossexualidade, aspectos que, como pesquisadores de estudos de gênero e sexualidade, precisam destacar/problematizar com os sujeitos durante o trabalho de campo.

Minha aposta metodológica é (re)criar mais possibilidades de pesquisa que me permitam criar conhecimentos em pesquisas em educação para considerar outros espaços-tempos em interação com os sujeitos, que nesta pesquisa são dinâmicas comunicativas mediadas por uma rede digital. Apoio-me na conversação como procedimento metodológico porque entendo que através de uma atitude dialógica e diferente sou convidado a trocar ideias, preocupações, sentimentos e memórias com os participantes da pesquisa. Na minha jornada cartográfica, o espaço de troca online/online com os sujeitos também foi alimentado pelas minhas experiências pessoais.

Assim, dentre as conversas presentes neste trabalho, esta não foi resultado de interação nem com os sujeitos nem com o uso do aplicativo. Através do diálogo com os participantes desta pesquisa, procurei também falar sobre como as práticas de namoro/“conectar” foram transformadas na era das telas sensíveis ao toque38. As casas noturnas, mais citadas nas conversas com os sujeitos, representam uma espacialidade dispersa pelo território urbano da cidade.

Uma das lembranças compartilhadas nas entrevistas com os sujeitos sobre casas noturnas mencionou a experiência de estar em uma boate, o que fez da rua um local de sociabilidade para esse grupo de gays. Há evidências de que as casas noturnas não são mais atraentes para a socialização, descobriram os pesquisadores. Não posso negar que a conversa com os sujeitos ofereceu problematizações relevantes quando o cenário pandêmico atravessou seu cotidiano.

O processo de interpretação dos dados produzidos com os sujeitos durante o trabalho de campo resultou de preocupações levantadas em parceria com os participantes da pesquisa.

Tabela 1: Dissertações selecionadas – Primeira busca
Tabela 1: Dissertações selecionadas – Primeira busca

Escrita Cibercultural

Sou versátil, pênis de 18 cm, procuro sexo sem camisinha, estilo geek, com casa e carro, e não fumo. Procuro homens talentosos ativos ou versáteis que queiram fazer sexo sem camisinha, gosto de homens sociáveis, jovens e geeks. Aceita fazer sexo com camisinha, ser passivo apenas e relacionamentos (ou em casal) Não aceita perfis falsos, atrasos (possivelmente para encontros presenciais), drogas, sexo sem penetração, sujeira (possivelmente relacionada à higiene íntima) , homens, que falam português, inglês, espanhol e japonês.

Imagem

Figura 1 - Ninguém solta a mão de ninguém
Figura 2 - Um beijo para curar sua homofobia: #CorreAquiCrivella
Tabela 1: Dissertações selecionadas – Primeira busca
Tabela 2: Dissertações encontradas com a palavra-chave Grindr
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Referências

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Formiga*1,3PQ 1 Instituto de Química, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 20550-900 2 Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 20551-030 3