Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020.
O desafio da qualidade e da universalização nos últimos 30 anos da escola
A terceira meta do plano é: “universalizar a frequência escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos até 2016 e aumentar a frequência escolar até o final da vigência deste PNE. matrícula líquida4 no ensino secundário para 85%” (BRASIL, Lei). Portanto, atualmente um dos maiores problemas do nosso cenário educacional é a universalização do ensino médio.
Democratizar a escola e suas implicações
Relativamente a esta heterogeneidade do público, a literatura sobre “juventude” aponta sistematicamente a necessidade de ver esta categoria de uma forma pluralista. É por isso que o autor entende que “ser jovem” é antes de tudo uma condição social, condição que é permeada por inúmeras representações.
Estudos brasileiros sobre trajetória escolar em camadas populares
Por outras palavras, deve ser aceite e compreendido, para fazer análises sociológicas frutuosas, que os “muros escolares” ruíram. Estes são entendidos como indivíduos portadores de conhecimentos e práticas que precisam ser valorizados e ouvidos para que suas trajetórias sejam compreendidas.
As contribuições da sociologia francesa ao debate
Dessa forma, a interpretação que seguirá os caminhos dos jovens estudiosos compreenderá que a relação com o conhecimento é sempre uma relação social com o conhecimento. Uma delas é o foco nas trajetórias individuais dos indivíduos para compreender a “relação com o conhecimento” que se estabelece.
O quê pesquiso?
Inicialmente, considera-se que nestas escolas privadas existe um conjunto de experiências e hábitos significativamente diferentes daqueles a que os jovens estariam habituados nas suas escolas anteriores, bem como dentro das suas casas. Dessa forma, como “hipóteses nulas” da pesquisa, assumi que o ingresso desses bolsistas nas escolas privadas ocorreu de forma muito tranquila e sem atrasos.
Como pesquiso?
Por fim, assumi que os jovens escolares não eram alvo de violência material e/ou simbólica por parte de outros atores que compõem a instituição escolar. Portanto, a “história de vida” dos bolsistas assume-se como um poderoso instrumento analítico que pode explicar os significados que esses bolsistas atribuem à experiência bolsista.
O campo
Por meio do eixo qualificado como “ser bolsista”, foram abordadas questões relacionadas aos significados que esses jovens atribuíam à experiência da própria bolsa. Contudo, estas realidades não emergiram nas entrevistas – tanto com os jovens como com os seus responsáveis.
Escola A
Procurou sempre apresentar de forma transparente aos pais e alunos o papel que desempenhava através da entrevista: era o pesquisador, o “aluno da UERJ”, e não mais o “professor de sala”. Porém, como lidar com a relação que já foi estabelecida com esses alunos ao longo dos anos – dada a minha condição de professora na escola – e a necessidade de uma abordagem científica do tema.
Escola B
Se a minha amiga foi fundamental para a entrada no espaço escolar, a primeira jovem entrevistada também foi fundamental. Aliás, como meu amigo disse que trabalha na escola e que tem muitos alunos bolsistas, ele me recomendou a Paula para uma entrevista.
Eduarda – 16 anos – 2° ano do Ensino Médio
Organização familiar
A rotina de Eduarda é praticamente preenchida pela escola, sem cursos ou atividades físicas. A mãe de Eduarda trabalha atualmente em uma creche próxima de onde mora, e o padrasto trabalha em uma “casa de família” que oferece diversos serviços.
Meio a meio
A movimentação entre esses dois espaços (asfalto e favela) também esteve presente na vida de Eduarda no que diz respeito à sua escolaridade. O fato interessante para este estudo é que Eduarda não se vê no lugar que antes valorizava a partir de sua própria experiência na escola pública: o do indivíduo que mora na favela e tem contato com alguém de quem não faz parte. não vivo, posso.
Agarrando oportunidades
Especificamente neste caso, é imprescindível ressaltar que esse amigo não bolsista de Eduarda que mora no asfalto é branco, enquanto todos os amigos que Eduarda mencionou são moradores de favela. Essa “rede sustentável de relações” pode acontecer na vida de Eduarda justamente quando ela ingressa em uma escola particular.
Carlos- 16 anos- 1º ano do Ensino Médio
Organização familiar
Carlos conta que seu dia começa com o café da manhã na casa da tia. Toda a análise de Carlos sobre sua rotina fora da escola está na rua onde mora.
A escolarização dos pais e a trajetória de Carlos
Ele afirma que lá tinha vários amigos que jogavam futebol, mas na escola particular “ninguém joga futebol”. Além disso, segundo ele, as aulas da escola pública abordariam o conteúdo de forma “mais fácil”.
Vivendo entre dois mundos
Seus pais também compartilham a perspectiva de que o aprendizado social dessa experiência é um destaque na carreira escolar particular de Carlos. Juçara acredita que a experiência de Carlos em uma escola particular é muito positiva porque a partir de agora ele terá “uma visão diferente”.
Paulo- 17 anos – 3º ano do Ensino Médio
Organização familiar
No caso de Maria, isso não foi um obstáculo, pois a mãe pôde ficar com o filho enquanto ela fazia faculdade, continuava os estudos e o “sonho” da avó de Paulo de ver o filho se formar. No caso de Paulo, porém, essa 'esperança objetiva de sucesso acadêmico' não decorre tanto de sua 'classe social', mas da trajetória excepcional de sua mãe, que já está no segundo ano, o que cria a expectativa de que seu filho tenham sucesso semelhante ou maior. , Para o seu.
Estar no lugar certo, na hora certa
Nesse aspecto, é importante ressaltar a relação que Paulo desenvolve com uma importante instituição estatal constantemente presente na vida dos moradores da favela: a polícia. Este é apenas um ponto que Paulo percebe e aponta como diferente entre os “dois universos”.
O desencaixado
Esse ponto já estava presente na vida do jovem antes mesmo de ele ingressar na instituição, e o próprio Paulo deixou claro que seu motivo para ingressar na escola foi a constatação de que as pessoas de lá “falam” como ele. Porém, a maior coisa que Paulo aprendeu durante os sete anos que passou na escola particular foi o fato de que ele “sabe lidar” com pessoas de uma classe social diferente da sua.
Paula- 17 anos- 2º ano do Ensino Médio
- Organização familiar
- A mãe de Paula
- A socialização de Paula e a trajetória escolar
- Ser bolsista
O trecho acima revela a presença de um “colégio” no horizonte de desejos de Paula. Olhando para a trajetória escolar de Paula, pode-se dizer que ela pretende estudar em escola particular.
Luan- 18 anos – 3ª série do Ensino Médio
Organização familiar
Ao relembrar momentos marcantes da infância e do atual tempo livre, Luani não hesita: o futebol é a resposta. Assim como muitos jovens, Luani também manteve durante algum tempo de sua vida a esperança de que essa atividade pudesse trazer maiores conquistas.
Sair da caverna
Para entender o cenário que Luan se encontrava em seu último ano do ensino fundamental, é fundamental compreender os esforços que o jovem fez para conseguir a bolsa. Além da escola atual, Luan relata que já fez provas em outras duas escolas particulares da região da Grande Tijuca.
Desigualdades universais
Esta passagem deve ser analisada com cuidado, pois oferece alternativas para avaliar a atitude de Leo em relação à escola privada. Outro ponto a ser destacado na fala de Leo é o exemplo que ele dá de “coisas das quais não se pode falar”.
Vanessa- 17 anos- 3º ano do Ensino Médio
Organização familiar
O argumento pode ser refutado dizendo que é “só um olhar inocente” e que é tudo fruto da “cabeça do Luan”. Este “estar próximo” pode refletir-se numa característica do processo de socialização de Vanessa.
Escola pública e escola privada
Vanessa diz que tem essas “grandes ambições” – que ela ilustra com o fato de ter “certeza” de que entrará na universidade, a vontade de sair de casa e viajar para conhecer o Brasil e o mundo – graças à sua experiência em uma universidade. escola particular. Além disso, ela também diz que a avaliam de forma pejorativa e dizem que ela está “confusa” por estudar em escola particular.
Quebrando ciclos
Vanessa diz que em relação a essas questões que apontam para a desigualdade existente, “é algo que só se combate através do estudo, é algo que você guarda no tempo, a raiva é boa porque te ajuda a aprender mais, isso é algo que só os estudos podem dar”. você." . Foi a porta da nossa casa de novos horizontes.” Desta forma, as estratégias da jovem, aliadas à avaliação positiva da família, mantêm-se num processo que visa “novos horizontes” e “novos ciclos”.
Que jovens são esses?
Trabalho x lazer
A estratégia bem pensada de Vanessa para proporcionar ao irmão mais novo “excursões culturais”, como ela as descreve, também é digna de nota. É como se Vanessa estendesse ao irmão o conjunto de expectativas que ela mesma tem com seu desempenho no ambiente escolar.
As responsáveis
Numa sociedade como a nossa, estruturada através de profundas relações sexistas que hierarquizam as relações sociais, é sintomático que as mulheres sejam colocadas neste lugar de “cuidado” e acompanhamento dos estudos, mesmo que não estejam dotadas de grande capital educativo para ajudar os seus filhos. Por muitos momentos também participei da entrevista do Carlos – o que se mostrou um desafio para mim administrar o momento.
A escola pública
Neste sentido, o seu ingresso numa escola privada, conseguido porque a sua mãe lá trabalhava, foi valorizado não só porque abandonou a antiga escola, mas porque ingressou numa escola muito específica onde reconheceu um ethos mais próximo do seu. Nas entrevistas, a atitude em relação aos alunos também foi destacada, principalmente pela possível zombaria de jovens bolsistas por estudarem em escola particular.
Qual o sentido da experiência de estudar em escolas privadas para os jovens
Aparentemente, estas barreiras são muitas vezes produzidas de forma dinâmica, refletindo uma configuração muito mais ampla que se estende para além do mundo escolar. Por isso, Paulo dirá que a maior lição que aprendeu durante sua passagem pela escola particular foi saber interagir com pessoas de uma classe social diferente da sua.
A favela na vida dos jovens
Embora ele diga que consegue se imaginar na faculdade e viajando, essas realidades são muito distantes para seus colegas das favelas e das escolas públicas. Tanto Eduarda quanto Vanessa relataram situações em que colegas de escola pública e moradores de favelas zombavam delas por estudarem em escola particular.
Inteligência institucional e Identificação escolar
Para os amigos da favela ou que também vinham de classes populares, o fato de estudarem em escola particular lhes garantia o status de ‘playboy’ ou ‘preppy’. Para os colegas da escola particular, porém, os jovens nada mais eram do que “residentes da comunidade”, e assim permaneceram.