As imagens fazem parte do cotidiano das escolas e dessa forma atuam nas redes que ali são tecidas, também nas redes de saberes e significados sobre as diferenças e “o diferente” que ali são gerados. Nesta pesquisa, buscamos refletir sobre as imagens da diferença que são compartilhadas, apropriadas, comentadas e ressignificadas pelos alunos, a fim de problematizar as redes de significados tecidas e associadas ao regime das imagens. Neste trabalho, a partir de imagens compartilhadas, comentários online e debates em sala de aula, buscamos refletir sobre as imagens de diferença tecidas pelos alunos e as redes de sentido produzidas.
No terceiro capítulo, “Encontrando imagens comuns da diversidade”, conversamos com as imagens que os alunos suportaram na discussão ao seu redor e as diferentes perspectivas sobre a diversidade que operam especialmente nos estudos no/da/com a vida cotidiana. Debate com imagens”, destacamos a discussão sobre a imagem, que gerou mais polêmica e maior tempo de debate entre os alunos.
Pesquisar na diferença nos/dos/com os cotidianos
Entendida desta forma, defendemos que a investigação das/com as diferenças na/com a vida quotidiana implica considerar a multiplicidade, a singularidade e as redes de significados e subjetividades que compõem o espaço-tempo que habitamos e no qual nos constituímos. Essas são algumas das relações que se relacionam com/com os movimentos de pesquisa na/da/com a vida cotidiana. As pesquisas sobre/no/com o cotidiano que desenvolvemos no campo da educação no Brasil não representam um bloco homogêneo, pelo contrário, abrangem diversas possibilidades de combinações, apropriações, traduções e negociações com/entre diferentes autores, atores sociais. representações, conceitos e práticas.
Conforme sugerido (ALVES, 2008a), existem cinco movimentos de pesquisa propostos para estudos na/da/com a vida cotidiana. Nesse movimento nos interessa trabalhar porque "o que é realmente interessante na pesquisa na/da/com a vida cotidiana são as pessoas, os praticantes, como Certeau (1994) os chama, porque ele os vê em ação, o tempo todo" ( ALVES , 2008b, pág. 46).
Uma pesquisa com imagens no seio da cultura digital em rede
As imagens técnicas escondem e obscurecem a computação (e consequentemente a codificação) que ocorreu dentro dos dispositivos que as produziram. Se não conseguirmos essa decifração, as imagens técnicas tornar-se-ão opacas e darão origem a uma nova idolatria, uma idolatria mais próxima do que as imagens tradicionais antes da invenção das Escrituras. As imagens técnicas produzem conceitos com as mais diversas mídias encontradas na sociedade atual.
Se analisarmos as imagens sintéticas, vemos que nada mais são do que produtos de uma tendência perceptível em todas as imagens técnicas anteriores. Todas as imagens técnicas – fotos, filmes, TV, vídeo – são imagens sintéticas primitivas, e imagens sintéticas são fotografias tiradas até o fim.
Pensando em fotografias
As câmeras definem a realidade de duas maneiras que são essenciais para o funcionamento de uma sociedade industrial avançada: como espetáculo (para as massas) e como objetos de vigilância (para aqueles que estão no poder). Restringir a livre escolha política para libertar o consumo económico requer a produção e o consumo ilimitados de imagens. Nessa relação, hoje podemos observar um aumento no consumo de imagens, principalmente fotografias, como dissemos acima.
Consumimos imagens em um ritmo cada vez mais rápido e, assim como Balzac supôs que as câmeras esgotavam as camadas do corpo, as imagens consomem a realidade. O que podemos observar é que, além do conforto que a tecnologia nos proporcionou, hoje também temos as chamadas redes sociais na Internet, como Facebook, Instagram, YouTube, que aumentam a circulação de imagens do nosso dia a dia.
Imagens na era digital: o ato de compartilhar
Numa sociedade midiatizada, as imagens ganham cada vez mais espaço na vida dos indivíduos e dos grupos sociais, constituindo imagens de pensamento e funcionando como vetores de sentido. As imagens são encontradas em todos os lugares, potencializando seus usos de forma híbrida ou não híbrida. Nesse sentido, ao mesmo tempo que pensam as imagens, elas estão num campo controverso, que pode nos dar visibilidade e status, bem como possibilitar a vigilância e até o controle na sociedade contemporânea.
Há também escolas onde há câmeras em sala de aula e a direção observa as aulas e seus professores. Se os dispositivos modernos de visibilidade escavaram uma subjetividade internalizada que, a partir do olhar do outro, estabeleceu a autovigilância, hoje ela parece constituir uma subjetividade externalizada, em que a esfera do cuidado e do controle sobre si se torna pública, ao alcance . da perspectiva, pesquisa ou conhecimento do outro.
As imagens “fantasmas”
Proclamamos assim nesta tese o conceito de ‘sociedade da partilha’ quando entendemos que, na nossa contemporaneidade, o poder que se preocupa cada vez mais com a prática de textos e imagens, com processos de conhecimento e de significação, e assim com a partilha, paulatinamente, do que é visto, produzido, postado, salvo e comentado. Na 'sociedade da partilha', as redes sociais na Internet, como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e WhatsApp, desempenham um papel muito importante nas relações que se entrelaçam na nossa contemporaneidade; imagens, pensamentos, opiniões, as mais diversas que existem, são publicadas, curtidas, comentadas e compartilhadas. Uma história que lida com imagens é antes de tudo uma história do futuro, uma história poética.
Quando pensamos nas relações que as imagens proporcionam, já dissemos que elas ocupam um lugar de destaque na nossa contemporaneidade, mas também nas nossas pesquisas, trazendo para a discussão diferentes formas de apropriação. A ideia de imagens fantasmas, muito utilizada na nossa contemporaneidade, principalmente no que chamamos de ‘sociedade de partilha’, refere-se a imagens de arquivo que são utilizadas, copiadas, partilhadas, etc. graças às novas tecnologias de armazenamento e divulgação de informações via Internet, que facilitam o acesso a diversos conteúdos para a geração de novas mensagens por meio da utilização de imagens de arquivo.
Em nosso estudo, quase todas as imagens postadas pelos alunos podem ser consideradas “imagens fantasmas”. Podemos perceber que a utilização de imagens de arquivo propõe essencialmente refuncionalizá-las. Nessa área de imagens digitais criadas por bits, o desafio do produtor que utiliza arquivos é pensar o que pode ser combinado com o que e como fazer.
Com o advento dos meios digitais e das facilidades possibilitadas pelas conexões em rede, o aumento na produção de imagens aumentou exponencialmente ao extremo. Proponho então um jogo de reaproveitamento de imagens como duplos que estão vivos e mortos ao mesmo tempo. Dessa forma, contextualizamos as “imagens fantasmas” que estão inseridas em nossas pesquisas, na sala de aula, nas redes sociais na Internet, na televisão e em diferentes lugares e tempos.
Juventudes e culturas audiovisuais
No mesmo livro, Mayer (2012) confirma essa relação entre as novas mídias, com o YouTube representando um “banco de dados” que fornece imagens e pode ser utilizado para diversos fins. As transformações sociais dos últimos tempos ressoam nos nossos tempos modernos, em que os jovens ocupam cada vez mais espaço e presença, criando uma estética própria de viver e despertando o interesse da mídia, da indústria da moda e das políticas públicas. O Estado, a família e a escola estão entre as instituições mais interessadas na gestão de práticas e imagens que fazem parte da identidade dos jovens.
Nos tempos modernos, os jovens são os maiores utilizadores das redes sociais na Internet, seja Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp ou YouTube. Trata-se do prazer e do poder de ver e olhar, de contar e fazer ver, de estimular e excitar a visão e o olhar, de captar, dirigir e deslizar a atenção sobre a superfície das imagens. Por outro lado, as subjetividades são cada vez mais externalizadas e investidas em processos de ver e ser, encontrando meios de legitimação, reconhecimento e existência em práticas de visibilidade – redes sociais, reality shows, photologs, blogs e webcams pessoais são expressões e agentes. deste processo.
Entendemos que os diferentes usos das redes sociais pelos jovens possibilitam hoje outras formas de produção de conhecimentos e subjetividades. Esses jovens conectados criam hábitos de moda, tendências, estilos musicais, canais, memes, tutoriais, promovem outras formas de compreender a si mesmos e o mundo e atraem cada vez mais o interesse da mídia e de setores da sociedade em geral. E são esses jovens que estão presentes em nossa pesquisa, no cotidiano das escolas com seus celulares e smartphones, que clicam, compartilham, curtem, criam e co-criam novas formas de ser e novas formas de agir no espaços diferentes. e tempos em que vivem em nossa “comunidade de partes”. com o personagem principal das fotos.
O uso de imagens e redes sociais na Internet constitui uma das principais práticas dos jovens na contemporaneidade. Regimes de verdade sobre os outros e sobre si próprios são cada vez mais produzidos e praticados com imagens que estes jovens gostam e partilham. Passamos agora para o nosso próximo tópico e trazemos algumas imagens que estão na escola pesquisada ou que passaram pela escola durante o ano de 2014, quando realizamos a pesquisa.
Imagens na/da escola
A televisão vai à escola
Para o Aluno 8: “Na minha opinião, eles estão em posições iguais, o que faz a diferença racial”. Para o aluno 3: “Essa foto, na minha opinião, é a que melhor define como podemos conviver e conviver com pessoas diferentes de nós. Para o aluno U: “Aqui notamos que existe uma entre muitas criaturas que diferem pela cor.”
Para a aluna V: “Ela parece ser uma pessoa que se sente sozinha entre tantas pessoas porque é diferente”. Para o aluno S: “Dá para perceber que tem diferença na cor da pele, mas todo mundo é igual”. Para o aluno 13: “Acho que não tem nada a ver com a cor da pele de uma pessoa e tudo a ver com o seu caráter”.
A perspectiva intercultural que defendo visa promover a educação para o reconhecimento do ‘outro’, para o diálogo entre diferentes grupos sociais e culturais. Para o aluno 9: “As pessoas com boas condições financeiras desfrutam muito mais dos bens de consumo do que as pessoas mais pobres.” O aluno D escreveu: “Para mim a diferença é quando você deixa de ser ou de seguir os outros para ser você mesmo. Afinal, somos todos diferentes e às vezes as pessoas não entendem/aceitam isso.
Para o Aluno 9: “Devemos ser maduros e reconhecer o valor que cada pessoa tem, e não nos preocupar com a aparência”. Para o aluno U: “Cada um com seu modo de vida, cada um com seu jeito, cada um com sua aparência. Para o aluno U: “Essa imagem nos faz pensar porque mostra figuras geométricas, com formatos diferentes, correspondendo a cores opostas.
Para o aluno T: “Em um mundo globalizado como o que vivemos atualmente, o que mais vemos são diferenças. Dessa forma, esses grupos dependem da democracia como forma de ter “voz” e “ser ouvidos” para participar de decisões instituídas pela força. Se olharmos os comentários, encontraremos as mesmas ideias de tolerância e respeito mútuo entre as diferentes religiões e seus dogmas, com a noção de que o amor de “deus” é para todos, que vivemos ou precisamos viver em harmonia.
As religiões de base africana são geralmente associadas a valores negativos como “religião dos sujos”, “religião do diabo”, e os seus seguidores são atacados como “filhos do diabo” para denegrir a sua religião.