A universalidade da hermenêutica filosófica: a contribuição de Hans-George Gadamer à questão/ Robson de Oliveira Silva. O objetivo desta tese é, em primeiro lugar, determinar se é possível defender a universalidade de uma hermenêutica filosófica. Esta parte da tese abordará a questão: qual palavra pode sustentar a universalidade da hermenêutica filosófica.
UNIVERSALIDADE DO FILOSÓFICO
Universalidade da verdade hermenêutica
Nesse sentido, a reflexão de Dannhauer, determinada justamente pela distinção entre verdade objetiva e verdade hermenêutica, é muito mais do que uma contribuição secundária ao problema da metodologia da ciência do espírito e à questão principal da compreensão da universalidade da filosofia filosófica. hermenêutica. Em relação ao texto citado, é importante ressaltar que a universalidade da hermenêutica se consubstancia na universalidade do filosófico, uma vez que o discurso hermenêutico é algo sobre o qual a ciência filosófica tem algo a dizer. Esta é a universalidade da hermenêutica a que se refere Dannhauer e que representa uma inovação notável no século XVII.
À luz dos conceitos propostos por Dannhauer, a universalidade da hermenêutica apresenta, portanto, certas características especiais. Qualquer reflexão que pretenda compreender a universalidade da hermenêutica não pode ignorar a contribuição de Dannhauer para o aprofundamento do problema hermenêutico. Contudo, a reflexão sobre a proposta de Dannhauer, que é na verdade uma demonstração clássica, e a tarefa de investigar se a universalidade hermenêutica pode ser reduzida à universalidade da filosofia, levanta uma questão: a universalidade da verdade hermenêutica, proposta pelo nosso autor, pode sustentar a declaração. da universalidade da hermenêutica.
No entanto, parece-nos que a simples distinção entre uma verdade objectiva e uma hermenêutica introduz quase imperceptivelmente uma diversidade que dificilmente pode garantir uma verdadeira universalidade da reflexão hermenêutica. Como podemos de facto manter a reivindicação da universalidade da hermenêutica, baseando-a na universalidade de uma verdade hermenêutica, quando ela própria produz outra verdade, a verdade objectiva.
Universalidade do sinal
Este é o primeiro passo a dar antes de analisar o candidato para apoiar a universalidade da hermenêutica. Como procuramos salientar nas páginas anteriores, parece indefensável apoiar a universalidade da hermenêutica através da proposta de Dannhauer. E a razão é simples: a universalidade da hermenêutica baseada na universalidade da verdade hermenêutica nada mais conseguirá do que notar a natureza parcial ou mesmo regional da reflexão hermenêutica.
Contudo, isso não exclui o fato de que ambos possam conter características comuns e seriam responsáveis por justificar a universalidade da hermenêutica. Na verdade, a nova perspectiva sugerida por Meier é a de que a principal tarefa da hermenêutica é mediar (aquela cujo arquétipo é Hermes) entre todos os signos, e não apenas signos formais, lógicos, como pretende a universalidade da hermenêutica de Dannhauer. Para não esquecer a noção que procuramos, voltemos à questão: em que sentido a universalidade da hermenêutica se identifica com a filosofia.
Nesse sentido, a universalização do signo de Meier configura o aspecto filosófico que sustentará a universalidade da hermenêutica se se afirmar que ela pertence prioritariamente ao título universal. Na verdade, o nosso argumento deixou claro que a universalização da hermenêutica se baseia na universalização do que é signo.
Universalidade do mal-entendido
Além disso: qual é o propósito da universalidade da hermenêutica, se a qualquer momento o engano pode assumir o controle. Contudo, a certeza de que as noções destes autores não são suficientes para comprovar a universalidade da hermenêutica não garante que seja a tese de Schleiermacher que possa alcançá-lo. A tarefa agora é analisar a competência da sugestão de Friedrick Schleiermacher para apoiar a universalidade da hermenêutica filosófica.
É verdade que a hermenêutica gramatical, dado o seu conteúdo linguístico pronunciado, não tem a tarefa de unir a universalidade da hermenêutica. Esta distinção entre as noções de interpretação gramatical e de interpretação psicológica lembra-nos a frase de Hans-Georg Gadamer sobre a universalidade da linguagem. Deve haver uma linguagem interior, onde a universalidade da hermenêutica se revele em toda a sua plenitude.
Na verdade, a universalidade da hermenêutica está muito bem justificada com a tese da universalidade do mal-entendido. Não nos resta, portanto, outra opção senão procurar outro candidato mais adequado à posição de fundamento ou princípio da universalidade da hermenêutica.
UNIVERSALIDADE DO HISTÓRICO
Universalidade do scopus
A reforma proposta pelos rebeldes religiosos agostinianos alemães, no campo teórico, especialmente contra uma certa teoria de interpretação que privilegiava tipos e alegorias99 na interpretação da Sagrada Escritura. Somente quando não se pode simplesmente ler as Sagradas Escrituras sem vislumbrar uma inconsistência (e todos concordam que a inconsistência é um sinal de erro) é que uma teoria explícita de interpretação das Sagradas Escrituras se torna necessária para a continuidade do movimento reformista. A proposta de Flácio para superar o impasse das passagens obscuras da Sagrada Escritura é aplicar uma redução radical do problema hermenêutico ao nível gramatical, a fim de resolver a incerteza deixada por Lutero ao rejeitar as teorias interpretativas vigentes.
Vlačić sabe que a história exigirá uma chave interpretativa para os obstáculos apresentados por passagens obscuras da Bíblia. Mas, retruca o atento interlocutor, Gramma for Vlaček não é a única forma de esclarecer “a principal fonte dos problemas da Bíblia”103. Colocar a universalidade da hermenêutica filosófica principalmente na universalidade da letra pressupõe a desqualificação da questão hermenêutica principal.
Se seguíssemos fielmente ao pé da letra e até ao fim a proposta de Flácio, não haveria sequer uma passagem obscura nas Sagradas Escrituras e, portanto, não haveria mais paradoxos a serem esclarecidos. A universalidade da hermenêutica filosófica pode ser alimentada pelo aspecto histórico oferecido pela noção de Scopus.
Universalidade dos conhecimentos de fundo
Se não podemos afirmar que a universalidade da hermenêutica filosófica será construída sobre a universalidade de Gramma, não podemos negar a possibilidade de que ela será construída sobre a universalidade de Scopus. Porém, para que a pesquisa tenha maior valor, buscaremos um novo candidato que apoie a reflexão sobre a universalidade da hermenêutica filosófica no aspecto histórico, uma vez que a tese da universalidade de Gramma não atingiu o objetivo que deveria ter. Flácio não terá, portanto, a tarefa de apoiar a universalidade da hermenêutica filosófica se isso significar que ela deve basear-se na universalidade da letra exterior.
Diante da questão norteadora da hermenêutica, como interpretar passagens ambíguas, Chladenius não se limita a declarar que a gramática é a chave para explicar esses paradoxos. Para Chladenius, o problema da hermenêutica não surge quando o texto está corrompido e a sua compreensão fica comprometida. Embora seja compreensível a intenção de Chladenius de mudar o foco da hermenêutica, nada alcançaremos se não definirmos o que é esse conhecimento básico.
A nossa reflexão apresenta-nos então um novo candidato para fundamentar a universalidade da hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer. Mas mesmo que a ideia proposta por Chladenius seja bastante convincente, não exploramos suficientemente o seu conceito para justificar a universalidade da hermenêutica filosófica nos seus fundamentos.
Universalidade do princípio da fenomenalidade
Precisamos nos aprofundar um pouco mais nos conceitos que representam o aspecto histórico como fundamento da hermenêutica de Gadamer. O objetivo desta parte da dissertação é encontrar um conceito que melhor incorpore a universalidade do histórico na constituição da hermenêutica filosófica. Dilthey não se preocupa com a intenção ou presciência que o autor teve, pois acredita que a universalidade da hermenêutica não está localizada nos aspectos externos, mas sim nos internos.
Com isso, Dilthey universaliza absolutamente os fundamentos das Ciências Espirituais, preparando o caminho para a universalidade da hermenêutica filosófica. Na reflexão que pretendia demonstrar que a universalidade da hermenêutica filosófica estaria apoiada na universalidade da história, descobriu-se que existe um nível interior onde os discursos encontram a sua totalidade, o seu significado. Se ainda há esperança de provar a universalidade da hermenêutica filosófica, como pretende Hans-Georg Gadamer, devemos compreender em que sentido a palavra interior prevalece sobre a palavra exterior.
Estamos cientes de que nem a tese de Gramma sobre a universalidade, nem a proposta sobre a universalidade do conhecimento básico, muito menos a generalidade do princípio da fenomenalidade, podem ser justificadas como uma base segura para a universalidade da hermenêutica filosófica. Se alguma palavra merece ser experimentada como um casamento da universalidade da hermenêutica, não é, sem dúvida, uma palavra externa, mas uma palavra interna.
UNIVERSALIDADE DO LINGUÍSTICO
Lógos Profórikos e Lógos Endiáthetos
Esta intenção revela a distinção estóica entre o lógos profórikos (logos proforikos – a palavra exterior) e o lógos endiathetos (logos endiaqetos – a palavra interior). O logos eterno, cuja característica é ser interno e imaterial, é o Lógos Endiáthetos; o logos histórico, cujo fator determinante é externo e material, é o Lógos Proforikós. Ou o lógos endiathetos não é extremamente semelhante à intenção do autor, aquela que traz luz à sua obra escrita.
Por fim, a distinção estóica entre lógos in lógos profórikos e lógos endiáthetos permeou, ainda que de forma oculta, todos os momentos deste tratado. Quando procurávamos a verdade hermenêutica de Dannhauer, era o lógos endiathetos que procurávamos; Quando examinamos a universalidade do signo em Meier, foi o significado, o logos endiathetos, que nos animou; Em nossa opinião, a característica mais marcante do lógos endiáthetos e do lógos proforikós é a dependência do significado existente do segundo em relação ao primeiro.
Portanto, a tarefa de universalizar a linguagem caberá ao lógos endiathetos, que será o alicerce sobre o qual Gadamer apoiará sua teoria de que a linguagem é o que há de mais universal, em contraposição à já citada crítica de Habermas. Na verdade, o conceito de lógos endiáthetos e lógos profórikos inspirou outra reflexão, agora no século IV-V.
Verbum exterius e Verbum interius
E Heidegger tem Agostinho em grande estima por causa de seu retorno à questão da palavra interior e exterior. A teoria de Stóa tem implicações para a reflexão teológica e encontra entusiasmo pelas suas teorias em Agostinho de Hipona, mais especificamente na tarefa de esclarecer conceitualmente como o Verbo Eterno poderia entrar no tempo. A reflexão de Agostinho sobre a natureza da Trindade, e especialmente sobre a ideia de encarnação, toma emprestada dos estóicos a distinção entre a palavra interior e a palavra exterior.
O mistério da Encarnação atinge o seu nível mais abrangente na analogia entre os termos utilizados por Stóa e os novos conceitos introduzidos pela Patrística e por Agostinho. Mas embora Agostinho indique uma dupla orientação na reflexão sobre o logos, a desvalorização da palavra externa que Agostinho promove fica evidente nos textos: Não afirmamos como é, mas como pode ser vista e ouvida pelo corpo128. Esta perspectiva da palavra externa gera em Agostinho uma grande resistência a qualquer sinal de linguagem externa, concreta.
A intenção é explicar como o Verbo Eterno pôde passar no tempo sem se desvincular do seu caráter divino. Para compreender o que este autor tem a nos dizer, veremos agora como ele herdou as noções de palavras externas e internas que já existiam em Agostinho e nos estóicos.
Actus signatus e Actus exercitus
A linguagem a que Gadamer se referiu ao propor a universalidade da hermenêutica filosófica foi o logos endiathetos, a linguagem interior. A universalidade da hermenêutica pode ser sentida na universalidade da teoria do lógos endiathetos, na generalidade do Verbum Interius e do Actus Signatus. Contudo, uma vez que a universalidade da hermenêutica filosófica não está estabelecida e não é um tema não abordado no mundo acadêmico, nos propusemos a provar qual conceito melhor apoiaria essa universalidade.
Por esta razão, a universalidade da hermenêutica filosófica não encontrará apoio suficiente nos escritores que defenderam tais posições para manter a universalidade pretendida. Este impasse levou-nos a declarar o conceito incapaz de sustentar a universalidade da hermenêutica filosófica, mas colocou-nos face a face com a palavra, que é uma base segura para uma hermenêutica filosófica. Não demorou muito para percebermos que a universalidade da hermenêutica filosófica só poderia basear-se na palavra interior (verbum interius).
Na verdade, a reivindicação da universalidade da hermenêutica filosófica é justificada se o fundamento da universalidade for a palavra interior. Na verdade, é no logos interno, na palavra interiorizada, que se pode fundar uma universalidade da hermenêutica filosófica.
CONCLUSÃO