Dissertação apresentada, como requisito parcial para obtenção do título de mestre, ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Instituto de Ciências Humanas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
O “mito” de origem e sua persistência (1900 – 1920)
A elite intelectual da capital federal leu a obra de Euclides da Cunha, e a imagem da festa de Canudos foi transferida para as áreas ocupadas pela população pobre da cidade. A ideia da favela como território da “distância” foi articulada em diferentes frentes: assim como a de Canudo, as favelas estão geograficamente distantes dos principais centros da cidade; também existe "distância".
A Favela como questão da cidade (1930)
Um importante documento do período, a Lei da Construção de 1937, passou a tratar a questão das favelas como uma questão urbana (PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL, 1937). Esses dois eventos, o Código de 1937 e o populismo de Vargas, contribuirão cada um à sua maneira para a representação das favelas.
A Favela como estatística e a Igreja Católica (1940 - 1950)
Com esses estudos, consolida-se o interesse em apoiar o conhecimento dos territórios das favelas através de estudos científicos. Além disso, a entrada da Igreja Católica neste cenário será de grande importância, uma vez que Lebret influenciará uma série de pesquisadores que se dedicarão a estudar a realidade destes territórios de pobreza.
Ampliação do debate e o retrocesso: Formação de pesquisadores
A principal questão defendida com alguma ênfase diz respeito à heterogeneidade das favelas do Rio e de seus habitantes. Dessa forma, o mito do Estado ausente nas favelas do Rio é desconstruído por Machado da Silva (1967), demonstrando o importante papel da 'dupla mediação' no controle das áreas de favelas.
Tráfico internacional de drogas, “metáfora da guerra” e
Após a renúncia de Brizola durante seu segundo mandato, Nilo Batista assumiu o governo nacional em 1994 e 1995, período em que houve tentativa de implantação do policiamento comunitário na zona sul do Rio de Janeiro. Assim, a “pacificação” parece ser uma forma de resposta às críticas ao tipo de política de segurança implementada no Rio de Janeiro. Esses números mostram uma queda significativa entre 2009 e 2010, quando o estado do Rio de Janeiro entra em um período que pode ser chamado de “pico”.
A representação da sociedade é tarefa de uma “comunidade interpretativa”, que se divide em produtores e usuários dessas imagens da realidade. Na grande maioria dos casos, é necessário construir uma reputação para ser notado. Na parte seguinte serão tratadas outras teorias e perspectivas sobre as representações sociais, enriquecendo e aprofundando as questões até agora levantadas.
As mudanças nas frequências ocorridas anteriormente (Tabelas 4, 5 e 6) são uma indicação de que há algum tipo de mudança na lógica relacionada. No trecho acima, é interessante que se fala do “povo caipira” de forma impessoal, como uma massa de gente sem individualidade. Nos casos analisados, o movimento é diferente daquele relacionado aos projetos sociais.
Ativação do repertório simbólico, que através do processo de “intertextualidade” ilumina a realidade constituída pelos signos da violência. É mais fácil assimilar representações que fazem parte do âmbito em que estamos imersos, e os discursos são importantes no processo de reconhecimento da legitimidade de tal discurso.
Os anos Cabral: da “fábrica de marginais” à “pacificação” (2007 –
Representações e Discurso: contribuições conceituais
As contribuições de Moscovici para a teoria da Representação Social
Segundo Moscovici (2007), as representações sociais são uma forma especial de conhecimento que se origina na sociedade e nela é reproduzida. As representações poderiam ser entendidas apenas como um produto social; este seria um conceito mais superficial. Nesse sentido, as representações sociais moldam a realidade cotidiana dos indivíduos, porque são o principal paradigma de orientação do mundo.
Por serem produtos de uma realidade coletiva que só pode se reproduzir coletivamente, as representações sociais constituem uma realidade social sui generis (MOSCOVICI, 2007, p. 41). Ao estudarmos as representações sociais veiculadas pela mídia, ficamos à mercê de comprovar algo que já é conhecido socialmente. Segundo Moscovici (2007), as representações sociais têm dois fatores constitutivos: são como uma “atmosfera” que envolve os indivíduos e mantém as especificações desta determinada sociedade.
Em outras palavras, as representações sociais são formas de conhecimento que envolvem os indivíduos, orientando sua vivência nesse contexto.
A hipótese do Agenda-Setting: de objetos a problemas
A hipótese da definição da agenda é interessante porque tenta fornecer uma lista de questões que serão discutidas dentro de uma determinada área. Nesse sentido, dentro da longa trajetória dos estudos de mídia de massa, recupera-se a abordagem do agenda-setting para compreender a forma como a construção do discurso jornalístico contribui para a construção de visões de mundo que circularão socialmente, referindo-se às relações dos indivíduos. e instituições com sentimentos de insegurança e risco. Esses estudos proporcionaram as primeiras reflexões focadas no que posteriormente foi sistematizado como agenda setting.
A camada chamada “agenda-setting intermedia” refere-se às relações entre os meios de comunicação, como agências de notícias e editores. A teoria do agendamento surgiu no campo da Comunicação, mas foi facilmente assimilada pela ciência política. A investigação sobre a definição da agenda centrou-se em três aspectos muito distintos: em primeiro lugar, análises em torno da agenda mediática, estudos sobre a agenda pública e, finalmente, investigação sobre a agenda política do governo.
Os conceitos discutidos anteriormente somam-se ao corpo de conhecimento em relação à teoria das representações sociais e à hipótese de agenda-setting.
Por dentro das redações: estudos de mídia e suas “ferramentas”
Como será visto, diversas técnicas são utilizadas para criar um discurso que se enquadre no plano de referência do editor. Quando esses casos forem interessantes para fazer uma articulação nacional, para colaborar com a construção de uma ideia de uma fé a ser massificada (BORGES, 2011), essas notícias serão comprimidas como se houvesse uma conexão entre elas na realidade (mais -comunicando). Segue-se daí que o valor das notícias não muda de um dia para o outro, uma vez que os sistemas de valores e normas que estruturam e controlam as ações dos meios de comunicação são cristalizados e resistentes à mudança.
Focar nas características especiais do acontecimento e na sua generalização cria um sentimento de pânico geral, o que cria um desvio que incentiva a estereotipagem de certas camadas da sociedade, ligando-as diretamente ao crime. Após a Segunda Guerra Mundial, as notícias, principalmente na Europa, incentivaram a compaixão e a ajuda aos infratores, promovendo um discurso que uniu os indivíduos através da simpatia e da compaixão, com a esperança de sua reabilitação social (REINER, 2001). Esses valores e instrumentos de construção de uma narrativa midiática, orientada por um sistema de valores e códigos morais, proporcionarão à população uma visão de mundo que necessariamente representa divergências sobre os valores e interesses de determinados setores sociais e políticos. .
Por isso, os meios de comunicação podem ser vistos como produtores de representações eficazes, na medida em que se enquadram numa determinada estrutura social e respondem às questões levantadas pelo “novo” ou “diferente”.
A pauta da Segurança Pública no Brasil
O que parece sustentar esta lógica é a ligação direta entre segurança pública e violência, como se o principal objeto de análise quando o assunto é segurança pública fossem eventos estritamente violentos que contribuem para a sobreposição de “números de crimes” com “conversas da cidade”. ". São os indesejados, os invisíveis da cidade que, se não são criminosos, são no mínimo vigaristas. 29 "Guerra do Rio" era o nome de uma série especial de reportagens de O Globo, que se dedicava a cobrir vários atos violentos de tráfico de drogas na cidade, que terminaram.
35 A análise da nuvem de palavras dedica-se à construção de um diagrama que exibe as palavras usadas com mais frequência em um texto. O caso controle é importante na análise para que se possa verificar se a implementação da UPP contribui para a mudança dos temas programados pela mídia, ou se as explicações para essas mudanças podem ser efeito de outros fatores. Isso significa que a amostra respeita as proporções em que as páginas foram apresentadas na população, evitando sub ou superrepresentação dos casos.
É verdade que num mesmo artigo podem ser mobilizadas questões relativas a diversas agendas, o que resulta na codificação de todas as agendas às quais o jornal propõe as suas questões.
Ferramentas da análise: Nuvens de Palavras e Diagramas de
Favela, Morro ou Comunidade? Estigmas e o “Politicamente correto
No Rio, existe uma ligação entre os termos “favela” e “morro” desde o início do século XX, quando surgiram as primeiras favelas. Em suma, os artigos do período anterior à UPP que utilizam as categorias “morro” e “favela” para definir o território, apresentam como foco principal a ação da polícia para coibir o tráfico de drogas. Admite-se que simbolicamente o discurso do jornal divide moralmente o território entre o “mal”, onde se combinariam as categorias “favela”, “morro”.
No período entre as incursões táticas do BOPE e o final do processo de seis meses para implementação de uma unidade de polícia de paz, o arranjo muda completamente, desconectando as categorias “morro” e “favela” e reorganizando as conexões. Na figura 18, o par de categorias com maior semelhança é “morro” e “trânsito”, seguido de “favela” e “comunidade”. Podem-se então identificar dois eixos: o primeiro reunindo as categorias relacionadas à violência que atinge os “morros” e seus “morros” e o segundo reunindo “favela” e “comunidade”.
Em relação ao período posterior à “pacificação” da área, há um novo rearranjo e as categorias “morro” e “favela” novamente apresentam semelhança, enquanto “comunidade” está vinculada a “polícia” com maior índice de Jaccard nesta análise.
Diferentes agendas em relação às favelas: quem é responsável pelo
É nítido o envolvimento e o destaque que o secretário recebe dentro da agenda política do Rio de Janeiro. A política de segurança é, em certo sentido, uma das questões mais importantes na esfera política do Rio de Janeiro. Os discursos dos atores policiais institucionais começaram a perder espaço com a implantação das UPPs nas favelas do Rio de Janeiro.
Apesar disso, a análise focará apenas nos atores da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O estudo aqui concluído buscou abordar o papel do jornal O Globo como formulador de representações e agendas sociais sobre áreas de favelas no Rio de Janeiro durante o período de “pacificação” das áreas. Medo do crime na cidade do Rio de Janeiro: uma análise sob a perspectiva das crenças de perigo.
Dos Parques Proletários ao Favela-Bairro: Políticas Públicas nas Favelas do Rio de Janeiro. De uma “metáfora de guerra” a um projeto de “pacificação”: as favelas e a política de segurança pública no Rio de Janeiro. Sistema integrado de objetivos e monitoramento de resultados da Secretaria de Segurança Nacional do Rio de Janeiro.