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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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As tribunas como projeto: movimentos de torcedores e suas mediações na nova economia do futebol Hugo Macedo de Araújo. Para levar a cabo esta empreitada, escolhi dois atores coletivos relacionados com o universo dos movimentos torcedores: a Associação Nacional de Torcidas Organizadas (ANATORG) e a Torcida Guerreiros do Almirante (GDA).

A NOVA ECONOMIA DO FUTEBOL: GERENCIAMENTO CAPITALISTA E

O nascedouro do esporte bretão: significados sociais da prática

Associado ao controle do esporte pelas elites, o amadorismo proibia qualquer pagamento nas competições oficiais de futebol. Porém, mais do que a mera celebração das virtudes cívicas cultivadas pelas elites, já no próprio desporto amador, crescia um sentimento de competição entre os seus praticantes, o que contraria a própria ideia, presente nesta mesma ideologia, do prazer como componente fundamental. de esportes.

Os primórdios de um público esportivo no Brasil

Trata-se da constituição de um público esportivo que transforma o futebol numa atividade de entretenimento típica da modernidade urbana. Diante disso, podemos dizer que essas experiências de lazer do século XIX foram as precursoras da formação de um público esportivo ávido por alguma forma de entretenimento em que pudesse se engajar.

O jogo das multidões: o futebol e a contrução de um imaginário

Na década de 1920, a construção da modernidade capitalista representou uma fissura na estrutura oligárquica e arcaica do futebol brasileiro. Como essa economia do sentimento se relaciona com a emergência de uma sociedade de massa no Brasil?

O jogo dos cifrões: a conquista do futebol pelo mundo dos

Se a gestão (dos clubes) mudar de momento a momento, a maioria deles irá fechar. Essa é uma mentalidade muito comum de quem quer ser dirigente de clube hoje: tirar o máximo proveito, mesmo que às custas da satisfação do cliente.

A arquitetura do consumo: “novas arenas” e a reinvenção do estádio

Torcidas organizadas como problema social: leis e políticas de segurança pública no futebol Segurança pública no futebol. É uma associação que busca criar novas mediações político-culturais capazes de salvar a legitimidade desgastada das torcidas organizadas aos olhos da opinião pública. Em 2008, na cidade do Rio de Janeiro, surgiu a Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (FTORJ), unindo as principais torcidas organizadas da cidade num contexto de crescentes confrontos entre torcidas organizadas e de intensificação das ações do Ministério Público. Delegacia do Rio de Janeiro e GEPE69 (Grupo Especializado de Polícia Estadual da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro).

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil na Arena Pública: Desafios de um Movimento Coletivo.

MOVIMENTOS DE TORCIDA E A VIOLÊNCIA NO FUTEBOL

Dos estudos ingleses às explicações “pós-modernas”: abordagens

Por outras palavras, as cadeias de interdependência de uma sociedade consistem em redes de relações sociais que demonstram o nível de integração dos indivíduos e dos estratos sociais em instituições sociais mais amplas. Ao tratar deste fenômeno, Dunning (1992) tentou explicá-lo como expressão de uma determinada configuração social que está mais constantemente presente em determinados setores da classe trabalhadora inglesa. Em suma, para ele é necessário pensar as Torcidas Organizadas e todo o seu universo dentro de uma discussão teórica sobre a pós-modernidade e seus mecanismos de desmantelamento da vida social.

Ambos observam como a partir deste contexto houve uma mudança da violência espontânea entre adeptos de futebol para uma situação de violência mais organizada, onde os conflitos têm uma dimensão mais militarizada e premeditada.

Entre o lúdico e o violento: torcidas organizadas e associativismo

  • As torcidas carnavalescas: entre a festa e a disciplina
  • Cismas juvenis: o surgimento das torcidas jovens
  • A torcida como estilo de vida

Quanto ao perfil social dos integrantes da torcida jovem em seus primórdios, verifica-se uma situação diferente da heterogeneidade que se observa atualmente. Os padrões de sociabilidade presentes nas torcidas organizadas são semelhantes aos existentes na dança, principalmente no contexto da década de 1990. As autoridades e a imprensa esportiva passaram a noticiar cada vez mais episódios de brigas generalizadas entre torcedores, construindo uma narrativa humilhante para os torcedores organizados. fãs.

A abordagem do Estado a estes grupos passou a assumir um tom cada vez mais repressivo e punitivo, de modo que uma imagem de torcida organizada foi associada única e exclusivamente à criminalidade, ignorando a importância social e cultural destas instituições, não só para os seus membros, como também para os seus membros. como a experiência do futebol em geral.

Figura 1 - Força Jovem do Vasco.                             Figura 2 – Mancha Verde do Palmeiras
Figura 1 - Força Jovem do Vasco. Figura 2 – Mancha Verde do Palmeiras

As torcidas organizadas enquanto problema social: leis e políticas

No Rio de Janeiro, uma iniciativa que gerou polêmica foi a proposta de segregar torcedores organizados em um setor específico do estádio. A intenção do Ministério Público era permitir a entrada apenas de membros cadastrados em torcidas organizadas. Diante do que foi exposto aqui, vimos que, no Brasil, o combate à violência dos torcedores tornou-se sinônimo de combate às torcidas organizadas.

Nesse contexto, vimos surgir algumas iniciativas que tentam resistir a esse processo de limitação de torcidas organizadas.

DA PISTA À ARQUIBANCADA?: A ANATORG E AS MEDIAÇÕES COM

A origem da ANATORG

Nesse cenário, os primeiros contatos entre o Ministério do Esporte e as associações de torcedores foram marcados pelos tons imponentes do governo, que demonstrava resistência em estabelecer um diálogo minimamente horizontal com os torcedores. Porque naquela época havia a intenção de extinguir a torcida antes da Copa do Mundo. Portanto, houve certa resistência do governo nas negociações com os torcedores sobre a realização desses simpósios.

Vendo as líderes de torcida como “pessoas com inteligência emocional para interagir com o governo”, Helvécio sinaliza uma mudança no trato do Ministério do Esporte com as torcidas organizadas, diferenciando-se da abordagem “proibir e punir” aceita pelo Ministério Público.

Entre a pista e a arquibancada

Os torcedores precisam passar por esse processo de conscientização, focar nas arquibancadas e não no “campo”. O reconhecimento do papel que desempenham nas bolsas populares do futebol deu início a uma nova relação entre o poder público e os torcedores no estado. Garantir que a torcida consiga influenciar efetivamente sua base para ter um rumo que seja seguido por todos.

Quanto mais brigas, mais inconsciência, mais alienação a torcida tiver, melhor para a galera.

Os conflitos internos e os desafios de uma construção unitária

"Ter uma visão mais ampla" está em desacordo com "pensar apenas na situação do futebol", já que a mobilização para um protesto no contexto de torcedores organizados é muitas vezes determinada pelas oscilações no desempenho esportivo do time. As críticas de Juruna apontam para a necessidade de superação torcedores organizados inclinações muito delicadas em favor de ampliar seus horizontes de atuação e assim possibilitar a construção de um projeto coletivo que melhor oriente a mobilização e o protesto dos torcedores, pois desta forma a vez do público afetaria uma virada no ANATORG, traria o conflito interno dos fãs, por exemplo.

Portanto, o conceito a ser lapidado deve ser acompanhado por um conjunto fixo de dirigentes, além dos torcedores-líderes.

A ANATORG e a construção de uma agenda pública

Dito isso, a ANATORG conseguiria reverter a equação da CONATORG: não o conjunto difuso de torcedores que orienta a agremiação, mas a agremiação que orienta o conjunto de torcedores organizados no país para uma construção unificada. Este processo influenciou muito a vida associativa das torcidas organizadas na virada do século, quando houve uma redução gradual - senão suspensão total - da distribuição de ingressos às agremiações. Embora parte significativa dos ingressos distribuídos às torcidas organizadas também pudesse ser destinada ao “câmbio”, também é verdade que elas realizavam uma espécie de “política social” entre seus associados, dando direito aos torcedores das classes populares ao lazer na cidade através de ingressos gratuitos ou subsidiados.

Ao conectar automaticamente torcedores organizados e trocas, foi possível proibir qualquer relação entre o clube e suas organizações, pois seriam sempre rotuladas como falsas, imorais, quando não ilegais.

Dessa forma, indicam uma intenção de constituir os movimentos de torcedores como um sujeito político coletivo que intervém no campo de força do futebol. Portanto, para que um projeto coletivo popular formulado por diversos movimentos de torcida seja viável, não pode prescindir da interação com outras aspirações inscritas neste vasto campo de possibilidades que é a sociedade. É nessa direção que o ANATORG atua: como mediador entre o projeto dos movimentos de torcedores e um projeto mais amplo.

GUERREIROS DA ALMIRAÇÃO E O CRESCIMENTO DE UM NOVO MODELO DE TORCIDOS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.

OS GUERREIROS DO ALMIRANTE E A ASCENSÃO DE UM NOVO

O ideal “barra brava” e as marcas distintivas da GDA

Essa novidade surgida no Rio Grande do Sul atraiu a atenção de torcedores de outras regiões do país, e teve grande influência na ascensão do GDA e de outros torcedores cariocas nascidos nesse período. O trecho acima demonstra como o surgimento do GDA se deu dentro de marcos simbólicos de diferenciação em relação aos jovens adeptos. O princípio do apoio incondicional à equipe durante as partidas também aparece como uma característica do GDA em relação às demais torcidas do clube.

Nesse contexto, é comum ver nos materiais do GDA e nas artes veiculadas nas redes sociais do movimento símbolos que falam do ideal do futebol, em contraposição ao chamado “moderno” altamente espetacularizado. futebol.

Figura 6 – A GDA no Estádio de São Januário.
Figura 6 – A GDA no Estádio de São Januário.

Torcida de “playboy”?

O crescimento de torcedores em localidades mais periféricas da região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro é o dado mais citado quando os entrevistados falam sobre a mudança no perfil dos visitantes do GDA. Quando eu entrei era uma galera mais trabalhadora, um perfil bem diferente da galera dos outros bairros, todo mundo sempre era trabalhador, era um perfil completamente diferente, digamos, da galera do GDA Tijuca, sabe. Além do processo natural de crescimento da torcida, que se destacou das formas de torcida já consagradas, vale apontar outro fator que pode ter contribuído para a “popularização” do GDA.

Diante dessa situação, podemos ativar a ideia de “pós-torcedor” proposta por Giulianotti (1999, p.188) para provocar um debate sobre o tipo de vínculo que os membros do GDA estabelecem com o futebol e as culturas de torcedores.

As mulheres na GDA

A categoria “futebol contemporâneo” nomeia a percepção de um processo transformacional que busca interferir nas práticas que incluem o esporte no campo da cultura popular. A construção do futebol como forte base cultural da nacionalidade brasileira foi resultado de apropriações e usos populares de toda ordem, que moldaram padrões de sociabilidade que o consolidaram como portador privilegiado do imaginário nacional-popular. Os discursos da “consciência”, da superação do “trilho” e do foco nas “arquibancadas” apontam para um projeto coletivo popular que não está mais ancorado no universo autorreferencial dos grupos, no desejo de respeito e medo, mas na produção de uma vontade colectiva que expresse o seu antagonismo aos ditames da nova economia do futebol.

O segundo aspecto diz respeito à sua subalternidade em relação ao projecto dominante da nova economia do futebol.

Figura 12 – Símbolo do coletivo “Vascaínas  contra o assédio”.
Figura 12 – Símbolo do coletivo “Vascaínas contra o assédio”.

Imagem

Figura 1 - Força Jovem do Vasco.                             Figura 2 – Mancha Verde do Palmeiras
Figura 5 - Torcida Tricolor Independente.
Figura 7 – Trapos e bandeiras da GDA.
Figura 6 – A GDA no Estádio de São Januário.
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Referências

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Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ Doutor em Direito pela Universidade