Dissertation (Professional Master's Degree in Teaching in Basic Education) – Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, State University of Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022. UERJ State University of Rio de Janeiro UFRJ Federal University of Rio de Janeiro.
APRESENTAÇÃO
No Rio, fui matriculado em uma escola na zona norte, localizada em um bairro residencial com lindas casas e prédios. A princípio, pretendi desenvolver minha pesquisa sobre o cotidiano do ensino fundamental I na escola municipal onde minha mãe estudou na infância, no Rio de Janeiro.
INTRODUÇÃO
Nesse sentido, percebemos “a escola, a didática, a prática pedagógica como o lugar preferencial para (re)pensar e (re)designar as identidades que se constituem ainda na sala de aula” (BAIÃO; BARREIROS, 2012, p. 82). Acredita-se que os espaços mais importantes para trabalhar a prevenção e redução do bullying são a escola e a família.
Em nossa pesquisa, lemos e ouvimos histórias de alunos e ex-alunos sobre os efeitos do bullying na escola, que já mencionamos. Freire (2011) diz que a identidade cultural centra-se no “respeito à língua do outro, à cor do outro, ao sexo do outro, à classe do outro, à orientação sexual do outro, à capacidade intelectual do outro” (FREIRE, 2001, p. 60). Nessas condições, as perspectivas inter/multiculturais possibilitam a construção de novas práticas pedagógicas que possam representar uma nova cultura escolar e que sejam capazes de transformar diferenças em conhecimentos e valores.
METODOLOGIA E PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
Trazemos aqui também histórias condensadas que foram contadas por alunos/ex-alunos do ensino fundamental nos questionários ou nas entrevistas gravadas para este estudo. Acredita-se que a reprodução dessas cenas abrirá caminho para levantar questões que ajudarão a separar o bullying de outras práticas violentas, não menos importantes, no cotidiano escolar. Para dar maior visibilidade ao produto, utilizaremos plataformas de vídeos disponíveis ao público para compartilhar nossos.
BULLYING
Concepções sobre bullying
Não devemos esquecer que existem muitas diferenças presentes na escola e que podem estar relacionadas a diferentes culturas que se manifestam através de raça, etnia, classe, religião, etc. Com base em uma pesquisa realizada em 2009 pela organização não governamental Plan International Brasil9 em um ano letivo em escolas públicas e privadas de cinco regiões do Brasil, Fante (2015) afirma que os alunos do ensino fundamental II que participaram da pesquisa coordenada por , sempre descrevem os alvos do bullying como pessoas que representam algum tipo de diferença em relação à maioria do grupo. Como o bullying ocorre entre pares, a escola acaba se tornando um local propício para esse tipo de prática, mas não cabe generalizar toda a violência que ocorre no ambiente escolar como bullying.
O bullying e suas tipologias
Nota-se que o bullying é muito característico do ambiente escolar, pois a escola é o local onde as crianças se estruturam de acordo com a sua idade. No primeiro tipo são mais prováveis comportamentos como bater, chutar, empurrar, roubar e até usar armas, no segundo tipo as atitudes mais comuns são o deboche e o insulto.
Participantes das práticas de bullying
- Praticante
- Alvo
- Espectador
Geralmente, uma pessoa torna-se alvo de bullying porque ‘fuge’ de uma norma estabelecida, e passa a ser vista como ‘diferente’ por não apresentar características em comum com o grupo ao qual pertence.Lopes Neto ( 2011) define os alvos do bullying, como bullying. Nota-se que “a atitude adotada pelas testemunhas de bullying é determinada por diversos fatores pessoais e circunstanciais” (LOPES NETO, 2011, p. 54).
A legislação brasileira sobre o bullying
Leis de caráter preventivo – retratam ações de intervenção e prevenção que estimulam a reflexão sobre o bullying, permitindo que os envolvidos nesta forma de violência trabalhem valores pessoais. 12 da Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência e a promoção de uma cultura de paz entre as atribuições das instituições de ensino (LEI Nº 13.663, DE 14 DE MAIO DE 2018).
POLÍTICAS PÚBLICAS
A forma de participação mais comum são os conselhos gestores de políticas públicas nas áreas de assistência social, saúde e educação, que atuam em estados e municípios. Como instrumento de ação governamental, a lei a ser formulada inclui decisões que vão além do conteúdo da política governamental.
CULTURA ESCOLAR/CULTURAS NAS ESCOLAS
Moreira e Candau (2003) enfatizam a necessidade de uma orientação multicultural no currículo escolar que se adapte às dinâmicas tensas entre políticas de igualdade e políticas de diferença. Candau e Sacavino (2013) enfatizam a importância dos processos educativos na construção de uma cultura de direitos humanos em nossa sociedade.
CULTURA DE PAZ NAS ESCOLAS: CAMINHOS E DESAFIOS
Diante das inúmeras situações presentes no cotidiano escolar, percebe-se uma cultura de violência que rege as relações dos alunos entre si. Nesta perspectiva, a cultura da paz tenta resolver os problemas através do diálogo e da mediação.
NARRATIVAS DE MEMÓRIAS
Embora nosso estudo tenda a interpretar criteriosamente as narrativas das memórias dos participantes/protagonistas da pesquisa, temos consciência de que esta é uma interpretação possível, de certa forma construída, feita sobre o tema do estudo. Em outras palavras, é o resultado da nossa busca por uma interpretação antropológica, uma possível “leitura” da experiência em questão (GEERTZ, 1978, p.13 apud CANDAU; KOFF, 2015, p.333).
A PESQUISA BASEADA EM QUESTIONÁRIOS E ENTREVISTAS
Questionário e entrevista: relatos e sentimentos compartilhados
Portanto, para que este estudo tenha sentido na vida dos atores sociais da comunidade escolar, é necessário estabelecer uma relação com os sujeitos participantes da pesquisa. Em nosso estudo, reforça-se a ideia de que “aqueles que, de fato, vivem esse cotidiano são também autores dos discursos produzidos nas pesquisas sobre o cotidiano” (FERRAÇO, 2003, p. 168).
Narrativa 1: A importância do espectador
No relatório analisado, a direção da escola, ao saber que um aluno estava sofrendo bullying, optou por dialogar com o alvo e depois com os agressores. Lopes Neto (2011) considera as punições para crianças e adolescentes que praticam bullying como medidas graves, pois devem ser apoiados tanto quanto seus colegas que sofrem com suas agressões.
Narrativa 2: Bullying ou racismo?
Se minha mãe não tivesse as características fenotípicas de uma pessoa negra, ela ainda seria condenada ao ostracismo pelos colegas de escola. Portanto, nesta fase da pesquisa, desmascaro a hipótese inicialmente criada e afirmo que “o nome do sofrimento da minha mãe era racismo”.
Narrativa 3: “Coisas de crianças”
Nas respostas de Vinicius Bueno ao questionário, ele relata que foi alvo de bullying na educação infantil, ensino fundamental I e ensino fundamental II. Durante a entrevista, Vinicius Bueno explicou que as advertências eram dadas da seguinte forma: verbais (pelo professor, diretor, etc.) e escritas (o que criava um processo de “ocorrência”).
Narrativa 4: Brigas são inaceitáveis
Vivemos numa sociedade seletiva, que se organiza em torno da competição e a escola acaba por reproduzir isso nas suas práticas curriculares. A determinado momento da “entrevista”, o “Respondente A” relembra a cerimónia que decorreu no auditório da escola para premiar os três desenhos mais votados.
Narrativa 5: Bullying e assédio moral
Pela relação hierárquica entre professores e alunos, tudo nos leva a crer que pode ter havido assédio moral vertical entre Cristiane de Almeida e sua professora. O assédio moral é definido como qualquer tipo de comportamento ofensivo, manifestado como condutas, palavras, ações, gestos ou escritos que possam prejudicar a personalidade, a dignidade ou a integridade física e mental de uma pessoa (TST, 2019). Esse aspecto da nossa formação educacional faz com que as denúncias das crianças/adolescentes sejam ignoradas e, consequentemente, dificulta a identificação de provável assédio moral descendente.
Narrativa 6: A função socialda escola
O Respondente B' ao falar sobre a falta de apoio pedagógico em relação aos seus problemas. Devido às agressões que sofreu desde a educação pré-escolar, à falta de apoio e à falta de estratégias de enfrentamento escolar, o “Entrevistado B” traduz em sua narrativa toda a ansiedade que vivenciou durante a infância e adolescência.
Narrativa 7: Punição e diálogo
É preciso deixar que os alunos desenvolvam sua percepção de mundo por meio do diálogo, do questionamento, do respeito ao próximo, etc. Segundo eles, a punição é uma forma superficial de 'resolver' os conflitos e é feita de forma contraditória, pois os diálogos que foram anteriormente realizadas entre professores e alunos devem servir para a reconciliação. Tal procedimento (punição) é incompatível com as normas da instituição escolar. proposta de condução de diálogos voltados para uma cultura de não-violência.
Narrativa 8: Bullying, uma prática recorrente
Sabemos que os apelidos estabelecem uma nova identidade para as pessoas, destacando uma característica que normalmente é interpretada como uma deficiência, uma diferença desvantajosa ou desonrosa. Sendo a forma indireta uma manifestação mais discreta e menos explícita que a forma direta do bullying (Chalita, 2008), o ex-aluno afirma que insultos e apelidos maliciosos, talvez por não serem tão facilmente identificados, têm se tornado frequentes no ambiente escolar .
Narrativa 9: Vigilância
Ao perguntar na ‘entrevista’ se Rodrigo Silva em algum momento percebeu desconforto em quem foi ‘provocado’, ele explica que não se lembra de um único caso de agressão grave ou bullying. No questionário, Rodrigo Silva diz, como já mencionamos, que as “provocações” na sua escola não foram agressivas.
Narrativa 10: Revidar a agressão
Com deficiência na perna direita, Jacqueline Mira era vista por algumas pessoas, nas dependências da escola, como “diferente”. Embora Jacqueline Mira não tenha assumido a postura de bullying nas dependências da escola, ela lembra que foi punida por agredir fisicamente os agressores.
Narrativa 11: Crescimento pessoal
Vivemos uma época em que esse tema tem recebido muita atenção da mídia e da sociedade, com leis antibullying em vigor nas esferas federal, estadual e municipal. Mesmo assim, a então aluna diz que não percebeu nenhuma estratégia na escola particular onde estudava para conscientizar e prevenir ou combater o bullying.
Narrativa 12: Apoio familiar
O caso relatado ocorreu entre 2001 e 2020, quando Daniele Prudêncio cursava o Ensino Fundamental I e o Ensino Fundamental II em escolas particulares do Rio de Janeiro. Isto pode ser um indicador de que as escolas precisam de tomar medidas mais diretas contra os espectadores do bullying, uma vez que os ataques tendem a acontecer em segredo e os adultos não o fazem.
Narrativa 13: A contribuição do esporte
Na “entrevista”, obtivemos a informação de que o então namorado de Luana Ribeiro a agrediu fisicamente apenas uma vez. Durante a “entrevista”, Luana Ribeiro lembra que os elogios que recebeu dos professores por ser uma boa aluna causaram ressentimentos entre os colegas, que a agrediram e tentaram humilhá-la.
Narrativa 14: Problemas extraescolares
Juliana Moura diz que os incidentes que a sua mãe assinou foram devido ao bullying que por vezes praticava e por vezes sofria. No ensino médio e também no ensino fundamental I, o ex-aluno foi alvo de todas as formas de bullying, exceto bullying sexual. Além de punir os autores, dialogar com os alunos e reunir conversar com os responsáveis pelos objetivos e com quem pratica. bullying, Juliana Moura explica que sua escola até abordou a questão da violência, mas não da violência escolar.
Narrativa 15: “Encarnação”
Tratava-se de violência na sociedade em geral. Embora admita que as escolas que visitou escolheram estratégias diferentes para combater o bullying, Juliana Moura afirma que as atitudes não foram suficientes para estancar os conflitos. Além disso, Fabiana Madeira comenta que as medidas tomadas se limitaram apenas aos envolvidos nos conflitos, ou seja, não houve nenhum trabalho naquela instituição de ensino voltado para a prevenção da violência escolar, as medidas foram apenas corretivas.
Narrativa 16: Deboches e preconceitos
Na sua memória, os profissionais escolares que mais intervieram foram os professores e inspetores. Quando Fabricia Figueira relatou em sua reportagem que estudantes do Nordeste eram alvo de bullying por causa de sua cultura e idioma, pela forma como se expressavam de maneira feia, engraçada ou errada, percebemos que o que estava em jogo não era o idioma. mas sim a pessoa que falava aquela língua e a região geográfica de onde a pessoa veio (BAGNO, 1999).
Narrativa 17: Persistência na gozação
Narrativa 18: Bullying a distância
Aliás, a ONU tem manifestado preocupação com os casos de bullying virtual e alertado professores, alunos e seus responsáveis para estarem vigilantes neste momento de pandemia, em que crianças/adolescentes estão cada vez mais inseridas no ambiente online. Os ataques perversos do cyberbullying vão muito além dos muros das escolas. e alguns verdadeiros entroncamentos onde os estudantes se reúnem em território extracurricular” (SILVA, 2010, p. 126), portanto seu efeito pode ser mais destrutivo do que o bullying realizado pelos meios tradicionais. Os autores do bullying virtual, entre muitas outras ações, “criam perfis falsos, invadem a privacidade, postam mensagens ofensivas nas redes sociais que se multiplicam na velocidade do mundo virtual” (Fante, 2010, p. 17).
Narrativa 19: Responsáveis ausentes na escola
A seguir, analisaremos o relato do “Respondente D”, ex-aluno que não quis revelar seu nome na pesquisa. Os episódios de bullying relembrados pelo “Respondente D” ocorreram em uma escola pública da Baixada Fluminense entre 1975 e 1979.
Narrativa 20: Expulsão do aluno praticante de bullying
Apesar de também conhecer a família do aluno que cometeu o ataque, a equipe educativa percebeu que as irmãs continuavam sendo agredidas pelo menino. Seria interessante que as escolas nas suas ações antiviolência educassem os alunos para que estes fossem capacitados para resolver os seus próprios problemas com base no respeito, na cooperação e na solidariedade.
Narrativa 21: O bullying e suas consequências
Na adolescência, o “Respondente E” foi alvo de bullying verbal, moral, social, psicológico, físico e material. Sobre os efeitos desta prática na sua vida adulta, o “Entrevistado E” afirma que as agressões que recebeu durante os anos escolares ainda hoje têm consequências.
Narrativa 22: Bullying com os mais novos
Com isso, tentou (e ainda tenta) lidar com as consequências do bullying por meio da psicoterapia (18). Conclui-se que este tipo de violência provoca problemas emocionais, com consequências que perduram por toda a vida. Segundo a história analisada, os alunos mais velhos daquela escola intimidavam os alunos mais novos.
Narrativa 23: Alvo ou praticante?
Para que os praticantes possam mudar o seu comportamento, é fundamental que a escola desenvolva um trabalho de sensibilização para que todos os alunos percebam que o bullying provoca graves consequências para todas as partes envolvidas. Apesar de admitir sua culpa pelas situações violentas em que se envolveu com aquele grupo, ele não concorda que essas atitudes o tenham transformado em agressor.
DADOS DA PESQUISA
Na “outra” alternativa, também foram mencionados “pais/responsáveis de alunos, porteiros e membros da equipe de limpeza da escola” como forma de combate ao bullying. Contudo, a percepção dos alunos e ex-alunos sobre as estratégias escolares não garante que as ações foram eficazes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A questão que nos preocupa neste momento é “A violência perpetrada contra participantes pardos e negros é realmente bullying?” Mais uma vez temos que levar em conta. Lembre-se que quando a agressão está relacionada às características, cabelo, histórico ou cor da pele de alguém, não se trata de bullying, mas sim de racismo. R.; GRZYBOVSKI, D. Análise de conteúdo como técnica de análise de dados qualitativos em administração: potencialidades e desafios.