Este trabalho apresenta uma análise da política econômica que se desenvolveu no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O objetivo deste trabalho é analisar a política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, ocorrido entre 1995 e 2002.
O Plano Real como fator decisivo nas eleições de 1994
Não foi apenas no programa Silvio Santos que FHC emergiu como principal responsável pela tentativa de estabilização representada pelo Plano Real. Os diretores do instituto publicaram um artigo em dezembro de 1994 relacionando a implementação do plano real às intenções de voto para o presidente.
A formação da equipe econômica
Portanto, a solução da formação da equipa económica será fundamental para que esta possa colocar em prática o que pretendia fazer. Contudo, esta possibilidade só foi cogitada num cenário de dificuldade de nomeação de um ministro que efetivamente integrasse a equipe do Plano Real.
Os economistas da Era FHC
O Departamento de Economia da PUC/RJ
Para André Lar Resende, o Departamento de Economia da PUC-RJ era mais do que uma instituição exclusivamente acadêmica, mas um “think tank sobre questões nacionais”. A participação de John Williamson8 no Departamento de Economia da PUC-RJ pode ser bastante ilustrativa para compreender o poder do pensamento econômico ortodoxo na instituição.
Conflitos
Vindo de um homem tão destacado na composição do governo e bastante proativo como Serra, a tensão tornou-se ainda maior. Contudo, seria errado pensar que os conflitos decorrentes da realidade política derrubaram o pensamento económico ortodoxo na era FHC.
O setor financeiro
Dessa forma, a ligação entre os economistas do governo FHC e o setor financeiro acabou facilitando o processo que Stiglitz descreve. Nesse contexto, é importante citar outros economistas do governo FHC que se dedicaram ao setor financeiro além dos casos já citados.
O pensamento econômico de Pedro Malan na década de 1990
Ele entende que seria mais importante ver os privilégios de que gozam determinados setores da classe média em áreas como seguridade social e educação, embora não tenha detalhado quais seriam esses privilégios para que o Estado pudesse efetivamente investir em programas que atendam os mais pobres (MALAN, 1999, p.31-32). Portanto, sua biografia e principalmente suas ideias são importantes para compreender a lógica que existia entre os economistas da era FHC.
Ortodoxia e Consenso de Washington
FHC está se afastando da ideia de que seu governo se baseava no Consenso de Washington. Embora FHC efetivamente não tenha lido as recomendações de Williamson e tenha tentado descartar as críticas de que estaria seguindo qualquer prescrição neoliberal, a história econômica não afasta seu governo do Consenso de Washington da forma categórica como o presidente o apresenta.
FHC e a burocracia
Embora os economistas não comandassem governos isolados, a busca por uma administração racional confiou a esses conceituados profissionais um espaço muito importante. A ascensão ao poder dos burocratas associados à ortodoxia no Brasil não começou durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
O arranjo político
Porém, Fernando Henrique acredita que mesmo com a derrota, aquela votação demonstrou que o governo teve força no Congresso: “307, mesmo que não seja 308, numa questão espinhosa como a idade mínima de aposentadoria, mostra que temos poder”. . O arranjo político liderado por Fernando Henrique em nome da governabilidade significou um reposicionamento do PSDB no espectro político brasileiro.
O projeto político de Fernando Henrique Cardoso
FHC contra Vargas
A rigor, o que queriam superar era a chamada política de desenvolvimento nacional realizada a partir da década de 1930, mas é preciso ressaltar que o modelo de Estado surgido a partir da década de 1930 ganhou importância em áreas antes negligenciadas. .
Reestruturação da social democracia
Segundo ele, a social-democracia deve ser estabelecida distanciando-nos do socialismo em crise, mas também do neoliberalismo, que estava em ascensão. O que a social-democracia deveria apresentar neste sentido seria uma proposta equilibrada, que proporcionasse ganhos sociais sem comprometer a eficiência da economia. A modernização da social-democracia de FHC deveria passar pela superação de velhas bandeiras comuns ao campo progressista latino-americano, como o nacionalismo, o protecionismo e a aceitação irracional das reivindicações populares sem a devida reflexão sobre as consequências económicas.
Diretrizes da política econômica
Considerando as limitações impostas por um estudo de mestrado, não será possível fazer uma análise detalhada dos diversos aspectos que fizeram parte da política econômica da era FHC. Os critérios utilizados para essas escolhas foram dois: a centralidade do tema na política econômica da era FHC e a importância do tema no desenvolvimento histórico do capitalismo brasileiro. O que pretendemos neste capítulo é tratar fundamentalmente do significado da política económica do governo, quando esta é implementada através de alguns dos seus projectos.
Plano Real
Caracterização
A proposta “Larida”, como ficou conhecida, foi elaborada na década de 1980 e baseava-se numa reforma monetária com indexação total da economia. De qualquer forma, graças à política de altas taxas de juros do Banco Central e ao grande volume de reservas cambiais que existiam na época da introdução da moeda, o governo conseguiu manter o Real valorizado, resultando na deflação de bens e serviços. serviços relacionados ao dólar. Theotônio dos Santos (2004) resume o Plano Real como uma política econômica baseada em três âncoras: a taxa de câmbio, baseada em uma paridade com o dólar que poderia ser mais ou menos rígida; monetário, com restrição de crédito; e orçamental, que visava alcançar um orçamento equilibrado.
A implementação do real
Na sua perspectiva, os defensores do plano real operavam dentro da racionalidade e assim distinguiam-se dos seus críticos. Com esse diagnóstico, Fernando Henrique elevou o Plano Real à condição de carro-chefe de sua política econômica. Contudo, a implementação do Plano Real envolveu não apenas confrontos, mas também apoios, como reconhece Fernando Henrique.
A crise do Plano Real
Sobre a possibilidade de desvalorização cambial no início do governo, FHC comenta que há uma divisão significativa entre sua equipe. Não há necessidade de entrar na nebulosidade da contra-história para criticar este modelo. Isso permitiu que Gustavo Franco dirigisse o barco por muito tempo, mesmo enquanto navegava nas águas turbulentas da crise monetária.
Inserção do Brasil na economia internacional
Globalização
Fernando Henrique reclamou da falta de poder que os governos tinham diante desses fluxos de capital financeiro. De certa forma, Fernando Henrique não parecia surpreso com o que acontecia no cenário internacional. Nesse sentido, Fernando Henrique se orgulha da atuação de seu governo na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Abertura econômica
Durante a entrevista, ele disse que removeria os entraves burocráticos que impedem a entrada das fábricas japonesas, argumentou que as empresas mais eficientes deveriam se destacar no mercado sem recorrer a privilégios e se posicionou “contra qualquer discussão de mercado no Brasil” (Jornal do Brasil p.2). Diante dessa situação, o governo FHC recuou em 1995 da abertura implementada no Brasil. Contudo, não se deve superestimar a importância de tais ações: o desejo de manter uma economia aberta no Brasil continuou.
Mercosul e Alca
Em relação à ALCA – que, com base numa reunião entre os países em 1994, deveria ocorrer em 2005 – o FHC fica muitas vezes desconfiado e por vezes confuso sobre qual posição tomar. Talvez por isso a posição de FHC expressa nos diários oscilasse tanto entre declarações de oposição e endosso à ALCA – o presidente era notoriamente ambivalente sobre o assunto. Na verdade, o Brasil não acelerou as negociações da ALCA – pelo contrário, rejeitou a proposta, defendida pelos Estados Unidos com o apoio do Chile, de acelerar a implementação da área de livre comércio até 2003.
Liberalização financeira
Quanto ao sistema financeiro que foi criado, caberia ao Banco Central defendê-lo, porque o contrário, nas suas palavras, seria ainda pior. Vamos dar alguns exemplos: assim que as taxas de juros subirem significativamente (aumentaram até 50% no Brasil durante o mais forte ataque especulativo em 1998) para impedir a saída de capitais e até mesmo tentar revertê-la, o efeito imediato desta aumento da vontade Torna o crédito extremamente caro, aumenta o serviço da dívida interna do Estado e, portanto, torna mais difícil a prometida redução do seu défice orçamental e, em última análise, desencadeia rapidamente (ou piora, caso esta já tenha começado) uma recessão no sector produtivo. Cabe destacar que a arquitetura do Plano Real foi decisiva para estabelecer a dependência do país da necessidade de atrair capitais do exterior.
Política social e desigualdade
O objectivo era pressionar o Estado para resolver os problemas sociais de um país particularmente desigual. Outras mobilizações devem ser registadas para reforçar a ideia de que houve pressão para que a política económica abordasse questões sociais num país caracterizado pela desigualdade. Foram implementadas medidas de rendimento mínimo para combater a pobreza, o que aconteceu um pouco tarde e sem envolver valores ambiciosos.
FHC disputa a memória de seu governo
São registros que tratam do cotidiano do governo e são feitos com o propósito de influenciar a perspectiva que se formará sobre a história do país. Assim, à sua maneira, FHC, aproveitando a posição que sua condição de ex-presidente oferece, tenta intervir na construção do passado do qual foi protagonista, destacando sua visão sobre as questões de sua gestão e defendendo se contra as críticas que sofreu - o que, aliás, não só é legítimo, mas também de grande valor, para que tenhamos diversos instrumentos para pensar o Brasil no final do século XX e início do século XXI. Por legado, o autor entende não apenas o aspecto da “herança social e política legada às gerações futuras”, mas também do “investimento social pelo qual a memória de um determinado indivíduo se torna exemplar ou a justificação de um projeto político, social, ideológico, etc. ., que desde então foi abstraído do seu próprio.
O modernizador
Por outro lado, na TV o que importa é a linguagem corporal - não é o que você diz, mas como você diz. Nas entrelinhas dessa manifestação, FHC disse que Serra não conseguiria dominar a arte da política como ele. Isso foi importante na construção da imagem de um estadista progressista de sua época, que buscava superar os diversos atrasos que impediriam o desenvolvimento do Brasil.
O arcaísmo segundo FHC
Em novembro de 2000, o presidente chegou a fazer a seguinte comparação: “A Folha é uma espécie de Tribuna da Imprensa sem militares”, em referência ao jornal de Carlos Lacerda, que era seriamente contra Getúlio (CARDOSO, 2017, p. 745). No comércio internacional, nas negociações com os EUA, no âmbito da ALCA e com a UE, FHC reforçou a ideia de que Lula seria. Ele não achava que tais ideias tivessem validade – em seu trabalho de memória, o que prevalece é a tentativa de marcá-las como ultrapassadas e rotular seus apoiadores como oponentes da modernização brasileira.
Os sentidos da modernização de FHC
Mas como os próprios autores mencionam de forma menos proeminente, durante a era FHC havia preocupação com o que aconteceria no longo prazo. O seu argumento baseia-se na ideia de que este realinhamento do capitalismo seria a melhor solução para a sociedade como um todo, rejeitando as críticas de que se tratava de um projeto conservador. Os serviços públicos encontrariam finalmente os recursos e a gestão que correspondessem às expectativas num país com cidadania consolidada.
A racionalidade
No entanto, o governo continuou a insistir: “O que pode ser feito?” disse Fernando Henrique, na sua resignação permanente face aos problemas do capitalismo internacional, que sempre reconheceu mas pouco sabia como combater. Num sistema verdadeiramente democrático, a racionalidade deve centrar-se em encontrar formas de promover a democracia. Porque há uma novidade importante: o nosso Estado está falido, não corresponde em nada ao que se exige actualmente de um Estado.
O neoliberalismo