O presente trabalho tem como objetivo principal compreender os processos de elaboração do roman à clef Chibé, do jornalista e magistrado brasileiro Raimundo Holanda Guimarães, à luz dos estudos sobre o anacronismo e a poética da emulação; e, em caráter secundário, analisar as semelhanças e distanciamentos entre este romance e o romance Les bohémiens (1790) do libelista francês Marquês de Pelleport, destacando os aspectos intratextuais que eles reúnem, bem como os fatores contextuais em que cada um deles existe. é um autor inserido, o que, em nossa opinião, os motivou a escolher o gênero roman à key para a produção de seus respectivos romances. Roman à clef é um gênero de romance em que pessoas reais são retratadas com nomes fictícios para ocultar suas identidades. A apropriação desse gênero românico por Holanda Guimarães se deu, como defendemos, a partir da emulação do também românico à clef Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado.
No que diz respeito ao romance à clef Chibé, pretendemos refletir sobre os processos de apropriação deste género novelesco pelos holandeses Guimarães, contribuindo assim para o aprofundamento dos estudos sobre a “poética da emulação”. Pretendemos compreender a relação entre as circunstâncias biográficas e contextuais em que os dois autores estão inseridos e os motivos que os levaram a escolher o género roman à clef para escrever as respetivas obras. A aquisição deste género românico por Holanda Guimarães s'est faite, with me nous le défendons, a partir de l'émulation de l'égallement roman à clef Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado.
Portanto, a presente pesquisa tem como objetivo principal compreender os processos de elaboração do roman à clef Chibé, do jornalista e magistrado brasileiro Raimundo Holanda Guimarães, à luz dos estudos sobre o anacronismo e a poética da emulação; e, em caráter secundário, analisar as semelhanças e distanciamentos entre este romance e o romance Les bohémiens (1790) do libelista francês Marquês de Pelleport, destacando os aspectos intratextuais que eles reúnem, bem como os fatores contextuais em que cada um deles existe. é um autor inserido, o que, em nossa opinião, os motivou a escolher o gênero roman à key para a produção de seus respectivos romances. O quarto capítulo, intitulado “A atualização anacrônica do roman à clef e a poética da emulação”, será dedicado e discutirá a base teórica que sustentará nossa tese.
ITINERÁRIOS DE UM JORNALISTA: HOLANDA GUIMARÃES
Raimundo Holanda Guimarães nasceu em 22 de janeiro de 1935, na Vila do Apeú6, município de Castanhal, Pará. Hugo Guimarães era reconhecido pela sua cultura e capacidade intelectual, e Holanda Guimarães tinha por ele muito amor e admiração. Apesar da cessação da publicação de A Gazeta de Castanhal, Holanda Guimarães continuou sua carreira como jornalista.
Além de seus escritos na Folha do Norte, Holanda Guimarães passou a publicar suas crônicas na Folha Vespertina, periódico também de Paulo Maranhão, conquistando grande reconhecimento do público leitor. Apesar do prestígio que Holland Guimarães gozava junto a Paulo Maranhão, sua atuação na Folha do Norte foi marcada por alguma inconsistência, visto que o autor. Apesar da crise que atingiu a Folha do Norte, Holanda Guimarães continuou como secretário-geral e também assumiu o mesmo cargo de secretário-geral do jornal O Liberal.
Raimundo Holanda Guimarães despertou seu interesse pela atuação político-partidária ainda muito jovem, na adolescência, num período idêntico àquele em que ingressou no jornalismo. Holanda Guimarães colocou em prática o antigo conselho e prestou vestibular de direito, foi aprovado e se formou na Universidade Federal do Pará.
NAS TRILHAS DE UM ANDARILHO: O MARQUÊS DE PELLEPORT
Segundo Darnton, Brissot afirmou que “Pelleport tinha inteligência suficiente, maneiras corajosas, um gosto desenfreado pelo prazer e um profundo desprezo por todos os tipos de moralidade” (2015, p. 22). Mas tudo o que conseguiu foi um emprego como professor na vizinha Le Locle, e logo se viu sobrecarregado com uma família” (DARNTON, 2015, p. 21). E nossa correspondente também disse em sua carta que o estilo do Sr. Berquin é digno do Marquês de Mascarillo, que se tornou pastor” (PELLEPORT, 2015, p. 238).
De acordo com Robert Darnton, “o principal sucessor de Moranda foi Pelleport, um escritor igualmente inescrupuloso, mas muito mais talentoso” (2015, p. 12). A riqueza estilística, a diversidade de gêneros e os temas inovadores fazem de Les bohémiens uma espécie de “chef-d'oeuvre d'un inconnu” (DARNTON, 2015, p. 15). Aparentemente, “nenhum jornal o mencionou após sua publicação” (DARNTON, 2015, p.18), e apenas seis exemplares do livro sobreviveram, perdidos em bibliotecas de seis países diferentes.
Segundo Paul Lacroix, grande autoridade na literatura francesa do século XVIII, Les bohémiens é considerado “um romance filosófico e satírico, completamente desconhecido, do qual quase todos os exemplares foram destruídos pelo impressor” (LACROIX apud DARNTON, 2015, p. 15). Uma vez que esta obra especial desperta a curiosidade dos amantes de livros, certamente será muito procurada (LACROIX apud DARNTON, 2015, p. 15).
O GÊNERO ROMAN À CLEF
32 O texto na língua estrangeira é: 'roman à clef [roh-mahn a klay], o termo francês ('romance com chave') para um tipo de romance em que o leitor bem informado dificilmente reconhecerá realidades identificáveis. pessoas da vida. disfarçados de personagens fictícios. Retomaremos as discussões em torno dessas questões epistemológicas sobre o roman à clef mais tarde. Assim, os segredos guardados no roman à clef só atrapalhariam a(s) persona(s) do mundo empírico se a chave fosse utilizada durante a leitura da história, caso contrário nada os afetaria.
Nesse contexto, o clima de escândalo público que geralmente envolve a publicação de uma clave romana causa H. Segundo Latham, a crítica de gênero também esbarrou em problemas relacionados às especificidades do romance à clave. 82 O texto em língua estrangeira é: "Tal ambigüidade é, em vez disso, a essência do roman à clef e é, portanto, a qualidade de um gênero amplamente reconhecido, e não o experimento estético único de um autor específico".
95 O texto em língua estrangeira é: "A clave romana satírica gozou de considerável popularidade no século XVII na maioria das literaturas da Europa Ocidental. 110 O texto em língua estrangeira é: "devemos atribuir uma grande parte da influência da clave romana satírica à décima sétima vez. modo século". Brenes explica que "é imperativo manter certos fatos em mente ao ler Lazarillo em chave romana.
117 O texto em língua estrangeira diz: “É essencial ter em mente certos fatos ao ler o Lazarillo em chave romana. Para Darnton, “o perigo representado por Tanastès deriva da sua qualidade como romance à clef p. 113, tradução nossa). 144 O texto em língua estrangeira é: “O perigo representado por Tanastès deriva da sua qualidade de roman à clef”.
175 O texto em língua estrangeira é: ―The novel à clef is indicative of coterie writing in the control of both the scope of its audience and the way in which its meanings are potentially situated and interpreted‖. 177 O texto em língua estrangeiraé é: ―the modernist novel à clef was particularly suitable as a tool to assert and explore an identity that was culturally marginal. 184 O texto em língua estrangeira é: ―the fusion of art and life by readers of the novel à clef‖.
Além dos escritores citados, trabalharam no mesmo segmento de utilização do roman à clef para endereçamento. 191 O texto em língua estrangeira é: “usando as convenções do roman à clef, neste caso a sátira, o texto de Barnes revela e expõe segredos culturais”. 196 O texto em língua estrangeira é: ―[..] o romance Her (1981),2 uma chave romana velada que pertence ao ciclo de quatro romances de Madrigal.
203 O texto em língua estrangeira é: ―Gertrude Stein, Djuna Barnes, Virginia Woolf, Hope Mirrlees, Renée Vivien and H.D., were drawn to the forerunners of the Romans in the salon culture of seventeenth-century Paris‖.