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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Adolescentes em acolhimento institucional: vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis (IST) / Raquel Fonseca Rodrigues. Analisar as dimensões da vulnerabilidade às IST entre adolescentes em acolhimento institucional, levando em consideração o comportamento sexual;

A institucionalização de adolescentes no Brasil

Contexto histórico da institucionalização

Além disso, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e o Fórum Nacional de Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA)53 foram criados em 1991. Além disso, desempenha papel fundamental na denúncia de omissões e violações dos direitos de crianças e adolescentes.

Acolhimento Institucional na atualidade

Contudo, o município do Rio de Janeiro constatou que as unidades de acolhimento não eram uniformes na implementação das diretrizes e medidas recomendadas pelo ECA. Trata-se do cadastro on-line dos dados da unidade de acolhimento e das crianças e adolescentes que estão internados nessas unidades e tem o seguinte princípio: possibilitar o diagnóstico das unidades de acolhimento e das crianças e adolescentes que estão internados no estado do Rio no mês de janeiro .

O contexto das IST na saúde sexual das adolescentes em situação de

Panorama das IST

Contudo, esta classificação de grupo de risco não contribuiu para a redução dos casos de infecção pelo VIH, apenas levou à estigmatização e a atitudes preconceituosas por parte da sociedade. Na década de 1980, havia uma proporção de 40 novos casos de homens para 1 novo caso de mulheres infectadas pelo VIH.

As IST na saúde sexual das adolescentes em situação de acolhimento

Portanto, considera-se que os adolescentes em acolhimento institucional constituem um grupo populacional muito vulnerável. Nesse contexto, há adolescentes em acolhimento institucional que, quanto à sua vulnerabilidade às IST, identificam que conhecem métodos de proteção e prevenção, mas não têm controle sobre eles31. As meninas em acolhimento institucional também apresentam o romantismo presente no exercício de sua sexualidade, sentindo-se geralmente atraídas por meninos mais velhos.

Os adolescentes em acolhimento institucional enfrentam obstáculos no acesso a medidas de promoção da saúde e prevenção de doenças, incluindo a relutância dos profissionais de saúde em aceitar e fornecer orientações sobre saúde sexual e reprodutiva31.

A Teoria Social dos Roteiros Sexuais de Gagnon e Simon

Os roteiros sexuais delineiam um cenário de sexualidade possível, flexível e mutável, com base em uma resposta a uma nova circunstância. Portanto, os roteiros sexuais são divididos em três níveis: cenário cultural; escrita interpessoal; e escrita intrapsíquica. Portanto, os roteiros sexuais permitem a identificação, interpretação e estabilização dos componentes sexuais que estruturam o imaginário sexual coletivo.

Portanto, acreditamos que ao conhecer o comportamento sexual dos adolescentes em acolhimento institucional e os contextos em que constroem e vivenciam sua sexualidade, é possível compreender seus cenários sexuais e consequentemente identificar as dimensões de vulnerabilidade às DST pelas quais esses adolescentes estão . são expostos.

Figura 1 – Esquema da interrelação dos três níveis que compõem os roteiros sexuais.
Figura 1 – Esquema da interrelação dos três níveis que compõem os roteiros sexuais.

Dimensões conceituais de vulnerabilidade em saúde – José Ricardo Ayres 52

Em 1996, o conceito e a compreensão dos direitos humanos foram acrescentados a esta compreensão da vulnerabilidade de um indivíduo, grupo e/ou população à infecção pelo VIH. Com base no conceito de vulnerabilidade de Jonathan Mann, Daniel Tarantola e Thomas Netter, no Brasil, José Ricardo Ayres e colaboradores reconstroem a trajetória do conceito de risco de vulnerabilidade, bem como suas implicações para a saúde pública. Contudo, a maior contribuição para o debate e ação sobre a distinção entre o conceito de risco e vulnerabilidade é o esforço para mudar o conceito de risco individual para uma nova concepção de vulnerabilidade social.

Os fatores que podem expor os adolescentes a uma situação vulnerável são aqueles relacionados às características pessoais e sociorrelacionais que os colocam em posição vulnerável e frágil no processo de desenvolvimento.

Caracterização do Estudo

Diante deste fato, a pesquisa exploratória possibilitou investigar as dimensões desse fenômeno, a forma como ele se manifestou e os demais fatores com os quais estava relacionado170.

O método Narrativa de Vida

A história de vida emerge de uma entrevista narrativa, onde o pesquisador solicita ao sujeito que narre sua experiência de vida, apresentando sua própria realidade e o contexto social em que está inserido. Conectar diferentes testemunhos sobre a experiência de vida dos participantes de uma mesma situação social permite superar as suas singularidades e promove a concretização gradual de uma “representação sociológica dos componentes sociais (coletivos) da situação”172. O interesse pela história de vida deveu-se, portanto, ao facto de permitir uma melhor compreensão dos significados que os adolescentes em acolhimento institucional atribuem às situações que vivenciam ou viveram, aproximando-os do seu contexto e compreendendo melhor as suas próprias perspetivas.

A narrativa de vida proporciona acesso não apenas à regularidade das relações, mas também às singularidades, subjetividades e significados que os adolescentes expressam em relação à sua vulnerabilidade às DST.

A perspectiva etnossociológica e aspectos éticos da pesquisa

Para a realização das pesquisas nas unidades de acolhimento foram atendidos e levados em consideração os aspectos éticos necessários para pesquisas envolvendo pessoas e principalmente adolescentes. Neste sentido, pretende-se assegurar os princípios da autonomia, inocuidade, beneficência e justiça a todas as partes envolvidas, e assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos participantes na investigação e ao Estado178. Esta pesquisa, parte de uma pesquisa financiada pelo CNPq intitulada Saúde Reprodutiva e Sexual de Adolescentes em Situação de Vulnerabilidade Psicossocial, utilizou o mesmo protocolo aprovado pelo Comitê de Ética da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, nº. 127/13 (APÊNDICE) .

Neste termo foram explicados os principais objetivos do estudo, bem como a garantia do anonimato, a possibilidade de recusar-se a participar do estudo a qualquer momento ou de responder qualquer pergunta que pudesse causar qualquer constrangimento, sem qualquer punição ou dano ao pesquisar. pessoais ou relações com a unidade anfitriã.

Cenário

Toda a unidade de acolhimento conta com uma equipe de: educadores sociais, assistentes sociais, pedagogos, nutricionistas, psicólogos, secretárias e faxineiras, porteiros e auxiliares de segurança. Essa unidade de acolhimento conta com duas assistentes sociais, uma psicóloga, uma cozinheira, um motorista e oito educadores sociais. A escolha por tais cenários se deu pela participação da pesquisadora em atividades de ensino, pesquisa e extensão nessas unidades, proporcionando assim familiaridade com o ambiente físico, com as equipes que ali atuam e principalmente com a dinâmica dos adolescentes em situação de acolhimento institucional. .

A unidade de acolhimento assume responsabilidade temporária pelos jovens e garante que estes adquiram o sentido de cidadania e a oportunidade de (re)integração na família e na sociedade.

Participantes do Estudo

Apresentando as características sociais dos jovens participantes (Tabela 1), estes tinham entre 13 e 18 anos, cinco deles cursavam o ensino fundamental (A1, A4, A6, A7 e A10), dois cursavam o ensino médio (A3 e A8) . ) e três não estudaram (A2, A5 e A9). No que diz respeito ao perfil de acolhimento institucional dos jovens (Tabela 2), o medo de sofrer violência foi o motivo mais frequente para o afastamento de casa, tal como foi referido por cinco jovens (A2, A3, A4, A7 e A8). Traçando um breve perfil da saúde sexual dos jovens participantes (Tabela 3), a idade média de início das atividades sexuais foi de 13 anos, sendo que dois perderam a virgindade por violência sexual – um perpetrado pelos irmãos (A7) e a outra pelo avô (A10).

Uma das adolescentes destacou que embora só tenha feito sexo com três rapazes, no último fez sexo com dois ao mesmo tempo.

Produção de Dados: coleta das narrativas

Após a identificação dos principais sujeitos do estudo, iniciamos a coleta de dados propriamente dita e realizamos perguntas de caracterização dos jovens para fornecer as características sociais, perfil de atendimento institucional e saúde sexual dos participantes. Vale ressaltar que, para construir um diálogo sobre confiança e respeito às circunstâncias particulares dos jovens participantes, as entrevistas não ocorreram imediatamente após a chegada à unidade de acolhimento. Portanto, os objetivos originais foram: Descrever a vivência da sexualidade em jovens em acolhimento institucional; Caracterizar a vulnerabilidade dos jovens em acolhimento institucional às IST; Discutir a vulnerabilidade dos jovens em cuidados institucionais às doenças sexualmente transmissíveis.

Após a referida reestruturação, foram redesenhados os objetivos: Descrever o comportamento sexual de jovens em acolhimento institucional; Analisar as dimensões da vulnerabilidade às IST em jovens em acolhimento institucional, considerando o seu comportamento sexual; Discutir medidas de prevenção e enfrentamento de doenças sexualmente transmissíveis entre jovens em acolhimento institucional de acordo com as dimensões de vulnerabilidade.

Análise das Narrativas

Esse confronto pode ocorrer por meio de diversas fontes, mas neste estudo o confronto ocorreu a partir de comparações de narrativas coletadas de adolescentes em acolhimento institucional. Em seguida, foram realizadas mais releituras das narrativas para identificar duplicidade, semelhança ou ausência de unidades temáticas e chegar ao número final de 12 unidades temáticas. Categoria Analítica: Roteiros sexuais e vulnerabilidade às IST de adolescentes em acolhimento institucional; Subcategorias: Sexualidade de adolescentes em acolhimento institucional; Saúde sexual de adolescentes em acolhimento institucional.

A6 Adolescente de 14 anos, cursando o 7º ano do ensino fundamental e fazendo estágio na prefeitura do Rio de Janeiro.

Figura 2 – Fluxograma da construção da categoria analítica
Figura 2 – Fluxograma da construção da categoria analítica

Sexualidade das adolescentes em situação de acolhimento institucional

Relatar os adolescentes em acolhimento institucional participantes do estudo, o contexto familiar e/ou unidade de acolhimento e as relações interpessoais estabelecidas nesses centros. Diante do exposto, pode-se concluir que os adolescentes participantes do estudo seguiram minimamente roteiros sexuais nos quais questões relacionadas ao seu núcleo familiar e social banalizaram ou normalizaram a violência. A dependência de outros e a dificuldade em identificar estratégias de credibilidade e empoderamento retratam o contexto de subjugação, subjugação e privação em que se encontram os adolescentes em acolhimento institucional, ou seja, refletem os cenários culturais em que estão incluídos137,138.

Este contexto inóspito coloca, portanto, os adolescentes numa situação vulnerável, individual, social e programática.

Saúde sexual de adolescentes em situação de acolhimento institucional

Os jovens foram atendidos por profissionais de saúde que se dirigem às unidades de acolhimento (trabalho de extensão) e por profissionais de saúde dos correios. Os jovens em acolhimento institucional que participam desta pesquisa não têm a família como referência. Apresentam recursos que influenciam diretamente os adolescentes quanto ao comportamento sexual e formas de prevenção das DST.

Contudo, a educação em saúde para adolescentes na atenção primária à saúde permanece limitada ao planejamento familiar274. Diante de todo o exposto, foi possível constatar que os adolescentes em acolhimento institucional que participaram deste estudo estão expostos a inúmeras vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas às DST e cabe a todos, e não apenas a eles, adequar-se a isso. contexto. . Além disso, a minimização da vulnerabilidade às DST não se limita às ações que visam direta e exclusivamente os adolescentes em acolhimento institucional.

Imagem

Figura 1 – Esquema da interrelação dos três níveis que compõem os roteiros sexuais.
Figura 2 – Fluxograma da construção da categoria analítica

Referências

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