sexuais atuais, do relacionamento com o parceiro, sua percepção sobre o corpo e os cuidados com sua saúde sexual. Diante desse encaminhamento, readequaram-se os objetivos do estudo.
Tal prática é fundamentada pelo método Narrativa de Vida, quando aponta que o objeto social pode transformar-se, oportunizando à pesquisadora conhecer e entender como o objeto de estudo escolhido funciona e se modifica diante de suas relações sociais, sistemas e processos de ação172.
Destarte, os objetivos iniciais eram: Descrever a vivência da sexualidade de adolescentes em situação de acolhimento institucional; Caracterizar a vulnerabilidade de adolescentes em situação de acolhimento institucional às IST; Discutir a vulnerabilidade de adolescentes em situação de acolhimento institucional às IST.
Após a readequação supracitada, os objetivos foram redesenhados: Descrever as condutas sexuais das adolescentes em situação de acolhimento institucional; Analisar as dimensões de vulnerabilidade às IST em adolescentes em situação de acolhimento institucional, considerando suas condutas sexuais; Discutir ações de prevenção e enfrentamento para IST de adolescentes em situação de acolhimento institucional, segundo as dimensões de vulnerabilidade.
exploratória permite a construção e desconstrução dos conhecimentos que a levam questionar alguns dos seus pressupostos.
Dando continuidade à análise tem-se a fase analítica. Esta fase caracteriza-se pela formação de uma representação mental dos processos de funcionamento do objeto de estudo, porém ainda de forma precoce e imperfeita172,185. Com a análise das narrativas transcritas começam, de forma progressiva, revelar suas riquezas, mistérios e desafios. Nos casos de narrativas espontâneas, as participantes caminham por diferentes assuntos, indo e voltando, levando a pesquisadora a desenvolver técnicas capazes de captar e registrar a estrutura diacrônica de uma narrativa de vida172.
Após essa fase exploratória e analítica inicial, a pesquisadora encontra-se mais instrumentalizado para iniciar a análise profunda das narrativas, iniciando, com isso, a análise comparativa.
Na perspectiva etnossociológica, o essencial numa análise comparativa é a confrontação dos dados recolhidos das narrativas. Essa confrontação pode acontecer através de diversas fontes, contudo neste estudo a confrontação deu-se a partir das comparações das narrativas colhidas das adolescentes em situação de acolhimento institucional. Destaca-se aqui que, na pesquisa etnossológica, a análise inicia desde a coleta das primeiras entrevistas, onde a pesquisadora realiza escutas repetidas das entrevistas, transcreve os relatos e, posteriormente, lê e relê as entrevistas, a fim de desvendar os contextos que estão envolvidos com o objeto social da pesquisa172.
Com isso, é através da comparação das narrativas de vida que se destacam as recorrências, ou seja, traços comuns. Contudo, mediante as comparações das narrativas que, numa pesquisa etnossociológica, se caminha também para os tipos diferentes172.
De posse das entrevistas, foram realizadas leituras flutuantes e sucessivas que favoreceram a impregnação pela pesquisadora dos discursos das adolescentes participantes da pesquisa. Posteriormente, os assuntos emergentes foram agrupados por aproximação/similaridade e tiveram destaque através da marcação por números correspondentes. Essa codificação inicial produziu 59 unidades temáticas. Posteriormente foram realizadas mais releituras das narrativas a fim de identificar duplicidades, similaridade ou ausência de unidades temáticas, chegando a número final de 12 unidades temáticas.
UNIDADES TEMÁTICAS
1 – Características das atividades sexuais
2 - Características dos relacionamentos interpessoais 3 - Uso de métodos contraceptivos
4 - Vivência de violência sexual
5 - Percepções quanto a perda da virgindade 6 - Vivência de prostituição
7 - Experiência homoafetiva
8 - Conhecimentos adquiridos quanto as IST e métodos contraceptivos 9 - Sinais e/ou sintomas de IST
10 - Influência na escolha dos métodos contraceptivos 11 - Percepção do corpo
12 - Sentimentos relacionados ao risco de contrair IST
Essas unidades temáticas foram divididas em quatro agrupamentos, onde foi feita marcação por cores para demarcar as unidades semelhantes186, onde a cor roxa refere-se ao grupo das Atividades Sexuais; a cor rosa a Sexualidade; a cor verde refere-se às IST e a cor laranja aos Cuidados com a Saúde Sexual.
Quadro 4 – Agrupamento das Unidades Temáticas
UNIDADES TEMÁTICAS
Atividades Sexuais Sexualidade
Características das atividades sexuais Características dos relacionamentos interpessoais
Uso de métodos contraceptivos Experiência homoafetiva
Vivencia de violência sexual Percepções quanto a perda da virgindade Vivência da prostituição Percepção do corpo
Infecções Sexualmente Transmissíveis Cuidados com a Saúde Sexual Sinais e/ou sintomas de IST Influências na escolha dos métodos
contraceptivos Sentimentos relacionados ao risco de
contrair IST
Conhecimentos adquiridos quanto as IST e métodos contraceptivos
Fonte: A autora, 2015
Dando continuidade, foi realizado mais uma leitura das narrativas e baseado nos quatro agrupamentos realizados, emergiu uma categoria analítica com duas subcategorias:
Categoria Analítica: Roteiros sexuais e a vulnerabilidade às IST de adolescentes em situação de acolhimento institucional; Subcategorias: Sexualidade das adolescentes em situação de acolhimento institucional; Saúde sexual de adolescentes em situação de acolhimento institucional.
Figura 2 – Fluxograma da construção da categoria analítica
Fonte: A autora, 2015
CATEGORIA ANALÍTICA
ROTEIROS SEXUAIS E A VULNERABILIDADE ÀS IST DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
1. - Sexualidade das adolescentes em situação de acolhimento institucional;
2. - Saúde sexual de adolescentes em situação de acolhimento institucional.
5 AGRUPAMENTOS 15 UNIDADES TEMÁTICAS 59 UNIDADES TEMÁTICAS
CODIFICAÇÃO
RE-CODIFICAÇÃO
4 ROTEIROS SEXUAIS E A VULNERABILIDADE ÀS IST DE ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
No intuito de promover uma melhor compreensão do aprofundamento realizado na análise das narrativas, consideramos relevante apresentar o historiograma das adolescentes entrevistadas, o qual destaca sumariamente características das participantes.
Quadro 5 – Historiograma das Adolescentes. (continua) Historiograma
A1
Adolescente de 18 anos, cursando o 8º ano do ensino fundamental. Mãe falecida e pai desconhecido. Possui 9 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas. Tem vivência de rua. Acolhida pela primeira vez com 9 anos. Estava acolhida há 9 meses. Primeira atividade sexual com 12 anos. Utilizava como método contraceptivo ACI. Referiu presença e tratamento de corrimento vaginal.
A2 Adolescente de 17 anos, parou os estudos no 5º ano do ensino fundamental. Mãe viva e pai desconhecido. Possui 3 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas. Tem vivência de rua. Nunca foi acolhida anteriormente. Estava acolhida há 3 semanas.
Primeira atividade sexual com 14 anos. Vivência de prostituição. No momento não estava usando nenhum método contraceptivo, pois estava grávida.
A3 Adolescente de 16 anos, cursando o 1º ano do ensino médio. Pai e mãe falecidos.
Possui 6 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas. Sem vivencia de rua. Nunca foi acolhida anteriormente. Estava acolhida há 1 ano. Primeira atividade sexual com 15 anos. Utilizava como método contraceptivo ACI. Referiu presença e tratamento de corrimento vaginal.
A4 Adolescente de 14 anos, cursando o 7º ano do ensino fundamental. Mãe viva e pai desconhecido. Possui 9 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas. Tem vivência de rua. Acolhida pela primeira vez com 9 anos. Estava acolhida há 2 meses.
Primeira atividade sexual com 14 anos. No momento não estava usando nenhum método contraceptivo, pois estava grávida. Referiu presença e tratamento de corrimento vaginal.
A5 Adolescente de 13 anos, parou os estudos no 6º ano do ensino fundamental.
Conhece o pai, porém sua mãe é falecida. Possui 8 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas - cigarro. Tem vivência de rua. Foi acolhida pela primeira vez já com 13 anos. Estava acolhida há 5 dias. Primeira atividade sexual com 12 anos. Não utilizava nenhum método contraceptivo por estar no puerpério. Referiu presença e tratamento de corrimento vaginal.
A6 Adolescente de 14 anos, cursando o 7º ano do ensino fundamental e estagiando na prefeitura do Rio de Janeiro. Mãe viva e pai falecido. Possui 7 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas - bebida e cigarro. Não tem vivência de rua. Foi acolhida pela primeira vez com 7 anos de idade. Estava acolhida há 2 anos. Primeira atividade sexual com 14 anos. Utilizava como método contraceptivo ACO. Referiu já ter realizado tratamento de lesão vulvar.
Quadro 5 – Historiograma das Adolescentes. (conclusão)
A7 Adolescente de 13 anos, parou os estudos no 6º ano do ensino fundamental. Pai conhecido, porém sua mãe é falecida. Possui 3 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas. Não tem vivência de rua. Foi acolhida pela primeira vez com 12 anos.
Estava acolhida há 1 semana. Primeira atividade sexual com 9 anos, devido à violência sexual vivida. Não utilizava nenhum método contraceptivo. Referiu nunca ter apresentado e/ou tratado alguma infecção ginecológica.
A8 Adolescente de 17 anos, cursando o 2º ano do ensino médio. Mãe falecida e pai desconhecido. Possui 5 irmãos. Fez uso de droga licita - bebida e cigarro. Não tem vivencia de rua. Acolhida pela primeira vez com 13 anos. Estava acolhida há 2 semanas. Primeira atividade sexual com 14 anos. Utilizava como método contraceptivo ACO. Referiu nunca ter apresentado e/ou tratado alguma infecção ginecológica.
A9 Adolescente de 17 anos. Parou os estudos no 6º ano do ensino fundamental. Mãe falecida e pai desconhecido. Possui 2 irmãos. Já fez uso de drogas lícitas e ilícitas.
Não tem vivência de rua. Acolhida pela primeira vez com 11 anos. Vivência de prostituição. Estava acolhida há 3 meses. Primeira atividade sexual com 13 anos.
Não utilizava nenhum método contraceptivo. Referiu nunca ter apresentado e/ou tratado alguma infecção ginecológica.
A10 Adolescente de 14 anos, cursando o 8º ano do ensino fundamental. Mãe conhecida, porém pai desconhecido. Possui 3 irmãos. Fez uso de drogas lícitas - bebida e cigarro. Não tem vivência de rua. Acolhida pela primeira vez com 12 anos.
Estava acolhida há 1 semana. Primeira atividade sexual com 12 anos, devido a violência sexual vivida. Não utilizava nenhum método contraceptivo. Referiu nunca ter apresentado e/ou tratado alguma infecção ginecológica.
Fonte: A autora, 2015.