Perspectivas educacionais: estratégias para enfrentar a negação da ditadura militar em sala de aula / Ana Carolina da Silva Andrade Deyvison dos Santos Oliveira. É por isso que discursos negacionistas relacionados à ditadura militar e pedidos de intervenção militar são tão comuns hoje.
O processo político
Outro fator fundamental para a compreensão da ditadura civil-militar brasileira, bem como para a compreensão do processo de renascimento das narrativas negacionistas sobre ela, é a criação por lei da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A partir do momento em que a CNV foi elaborada, a ruptura social em torno da questão da ditadura civil-militar no Brasil tornou-se mais proeminente.
O papel da internet
Como mencionado, a Internet e as redes sociais têm se apresentado como meios extremamente férteis de difusão indiscriminada de teorias da conspiração, histórias negacionistas e notícias falsas. Esta grande concentração nas redes sociais fez com que algumas pessoas sentissem que já não havia fronteiras, um sentimento irregular e perigoso para a comunidade.
Olavo de carvalho e olavismo
De modo geral, Olavo de Carvalho não trouxe novos conceitos ao discurso negacionista e conspiratório existente. Além da replicação de informações, alguns autores consideram que a posição de Olavo de Carvalho e também de seus seguidores está mais próxima de uma espécie de “devoção dogmática” do que de um conjunto de princípios filosóficos ou mesmo de uma corrente de pensamento em si.
Revisionismo e negacionismo
Uma análise das políticas de memória e reparações implementadas no Brasil em relação à ditadura militar. Indo além, vale reafirmar que a próxima seção se concentrará em detalhar a negação da ditadura militar brasileira e na análise de algumas dessas obras.
Negacionismo e espaço escolar
A preocupação por parte dos professores fica evidente ao focarem no desenvolvimento de estratégias que os auxiliem no processo de ensino-aprendizagem, com o objetivo de estancar os efeitos nocivos da negação em relação à ditadura militar no ambiente escolar51. Para tanto, no próximo capítulo tentaremos compreender os mecanismos que articulam e difundem a retórica negacionista da ditadura militar brasileira em nossa sociedade.
Guerra cultural e retórica do ódio
Modus operandi do olavismo
A presença dessas expressões muitas vezes é aleatória dentro da comunicação negativa, independente de essas construções serem orais ou textuais, elas por vezes dão uma sensação de desorganização a quem não faz parte do público-alvo desse tipo de conteúdo, afinal, é muitas vezes não é possível estabelecer uma ligação lógica entre estes e vários tópicos discutidos. Se por um lado essa estrutura textual pode parecer sem sentido para quem não se orienta pela cosmologia de Olavi, esses termos-chave dialogam diretamente com os anseios de quem segue os postulados do autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho (ROCHA, 2021). Como já mencionamos, os discursos baseados nos olavismos não procuram estabelecer uma estrutura interna coerente ou mesmo apresentar um caráter explicativo a respeito de todas as nuances apresentadas em seu conteúdo, pelo contrário, tais expressões cumprem o propósito de enfatizar que a figura enfatizada , o tema discutido ou a situação ali descrita devem ser considerados como um inimigo comum 75.
Nos grupos negacionistas ou olavistas, a associação com tais termos corresponde a ser apontado como alguém a ser desumanizado e demonizado, conforme descrito na subsecção anterior, e de forma geral e arbitrária à presença destes termos. Outra característica relevante do olavismo (presente em alguns dos relatos negacionistas que serão aqui considerados) é a extrema simplificação das questões abordadas.
Sobre o Brasil Paralelo
O negacionismo do Brasil Paralelo
Observe-se nas obras da produtora Brasil Paralelo (2018 e 2019) a clara tentativa de responsabilizar os adversários do regime ditatorial militar brasileiro, justificando assim as ações violentas de agentes das forças estatais naquele período. As obras analisadas procuram incutir no público um sentimento de medo e ódio em relação aos opositores do regime ditatorial militar. O vídeo de mais de duas horas explica que durante os mais de vinte anos de implementação e aplicação do regime ditatorial brasileiro iniciado em 1964, segundo os realizadores do documentário, em nenhum momento os militares estiveram no poder. O chefe do regime quer ou pelo menos tem a intenção de chegar e/ou permanecer no poder.
A ação dos militares, descrita no livro Mitos e Verdades: Uma História do Regime Militar (2018), adota a mesma abordagem destacada acima. Qualquer forma de violência física quando atribuída a “comunistas” assume grande importância e é explorada pelos idealizadores da produção como algo amplamente censurável, mas quando praticada por colaboradores do regime ditatorial militar e outras entidades a ele associadas. regime, simplesmente desaparece e é sistematicamente ignorado.
Sobre Brilhante Ustra
O negacionismo de Ustra
Outro ponto relevante, que distancia os textos de Ustra das produções de Brasil Paralelo (2018 e 2019), é que ele não se coíbe de falar abertamente sobre sua admiração e ligação com os militares (não que Brasil Paralelo não inclua esses aspectos prezados, mas pelo menos pelo menos ao mesmo tempo não os mostram abertamente, numa tentativa de parecerem neutros). A obra de Ustra (1987), em termos de sua dinâmica, possui uma estrutura narrativa que difere do negacionismo olavista e das obras de Brasil Paralelo, pois não apresenta uma visão unilateral da ditadura civil-militar, pois, mesmo que seletiva, ele cita algumas vozes que discordam das suas. O primeiro deles seria o site dedicado à divulgação do livro de Ustra, apresentando assim o mesmo problema que este.
O ataque Ustra à casa de Paulo Evaristo Arns também remonta às forças da Igreja Católica que se opunham à ditadura civil-militar e fica muito mais evidente neste livro. Estas mudanças de abordagem sugerem uma possível troca ou mesmo associação de Ustra com algumas redes negacionistas da época.
O inimigo comum
Indefinição do sujeito
Contudo, estes não são aspectos bem consolidados nem restritivos em relação a quem se tornaria comunista, e podem ser adaptados para que outros sujeitos com atitudes dissonantes do discurso negacionista passem a fazer parte da figura do inimigo comum. Ainda sobre os aspectos que podemos verificar, mesmo diante da indefinição do que seria o inimigo comum na perspectiva das narrativas negacionistas, à luz de algumas constatações recorrentes e óbvias, podemos. 122 Podemos observar como esta volatilidade do inimigo comum é fecunda para alguns grupos, na mudança de orientação das narrativas negacionistas/olavistas, por exemplo, quando a luta contra o comunismo com meios armados perdeu viabilidade no discurso negacionista, e começou . defender a tese de um “perigo comunista” configurado numa guerra cultural.
No caso da negação, em geral, observamos que as pessoas que personificam a figura do inimigo comum são sempre aquelas que contradizem, criticam ou questionam os ditames dessa perspectiva cosmológica. O conceito de inimigo comum indefinido, difundido nos discursos negacionistas do regime ditatorial militar brasileiro, reduz todos aqueles que se opuseram à ditadura civil-militar a "guerrilheiros/terroristas/comunistas", o que já se provou ser uma visão maniqueísta do período (MENESES, 2021).
Superdimensionamento do sujeito
Essa distorção e superestimação do inimigo comum pode ser observada de forma curiosa quando se comparam os registros de Ustra (1987 e 2007). O primeiro livro do ex-coronel (1987) traz uma abordagem que identifica a figura do inimigo comum, o comunismo, nos anos que antecederam o golpe de 1964. Não é por acaso que os discursos negacionistas buscam ampliar suas projeções do inimigo comum também no futuro.
Embora existam outros partidos de esquerda com ligações diretas ao comunismo (por exemplo, o caso do PSOL, PSTU e PCdoB), a direita conservadora no Brasil tende a associar mais frequentemente o comunismo a um partido específico, o PT – Partido af Arbejdere – atualizando o figura do inimigo comum, superdimensiona anacronicamente a esfera de ação do comunismo até hoje. Se Brasil Paralelo evita apresentar dados que permitam ao seu público comparar a resistência armada brasileira com as forças oficiais que a combateram, Ustra segue um caminho diferente em sua primeira obra (1987).
Perspectiva etnocêntrica
Uma guerra em que os militantes eram na verdade terroristas, e não jovens universitários idealistas que foram “espancados pela polícia porque discordavam da ditadura”. Brasileiro”, para mascarar seus laços com a filial brasileira de um partido comunista estrangeiro, o Partido Comunista da União Soviética. As abordagens deste produtor (2018 e 2019) negam a participação da empresa e dos EUA no golpe de 1964 e na manutenção da ditadura civil-militar.
Esse binário, conforme descrito por Maia (2013, p.187), traz consigo a defesa de uma civilidade submissa que esteve presente no Brasil em momentos anteriores, mas também se notabilizou ao longo da ditadura civil-militar, pois na época "uma a cultura, a nacional, foi considerada fundamental para a formação de cidadãos conscientes tanto do seu papel de devoção à pátria como da necessidade de solidariedade social". No caso da ditadura militar, podemos citar, por exemplo, grupos empresariais que apoiaram o regime ditatorial sob o pretexto de “cumprir o seu papel junto à nação”, mas que na realidade beneficiaram da estrutura coercitiva do regime.
Propostas para aulas
Desconstruindo a imagem do inimigo desumanizado
Uma possibilidade que a ficção oferece aos professores e que pode ser explorada em sala de aula é expor aspectos da realidade em uma escala inusitada, enfatizando determinadas características e aumentando a troca de ideias. 146 Esta passagem e outras podem ser usadas para destacar a exploração da desumanização do inimigo comum no presente. Esta parte pode vir acompanhada de trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e/ou da Constituição Brasileira de 1988, com trechos destacando a proteção da vida e da integridade dos indivíduos.
A seguir, destacamos alguns trechos das obras de negação analisadas que podem ser utilizados nesta abordagem. Ao implementar essa abordagem, também é possível investigar alguns discursos de sujeitos influenciados pelo olavismo.
O mito de que a ditadura só atingia bandidos
Assim como as duas perguntas acima, outras podem ser feitas, e estas são práticas para expor as contradições presentes nas narrativas negacionistas, que sustentam esse suposto apoio popular ao golpe de 1964 e as ações dos presidentes de todo o Brasil em defesa da ditadura civil-militar. Este estudo revelou mais detalhes sobre as torturas cometidas durante a ditadura militar. Locais comemorativos da ditadura civil-militar na cidade do Rio de Janeiro, onde são ministradas história e educação em direitos humanos.
O objetivo central desta atividade é dar aos alunos uma perspetiva diferente sobre a ditadura civil-militar, desmistificando a construção da figura do inimigo comum, o adversário do regime ditatorial, os “comunistas”, como sendo um ser desumanizado e descartável. . assunto. O professor deverá distribuir entre os alunos documentos que destaquem a desumanização dos inimigos da ditadura civil-militar em discursos negacionistas, disponíveis no link: https://tinyurl.com/2s445d4j. Por fim, o professor deve perguntar aos alunos se o argumento de que a ditadura civil-militar apenas interrogou bandidos/terroristas é válido ou não.
Desmistificar o suposto apoio incondicional da população brasileira a todos os atos cometidos por civis e militares após o golpe de Estado de 1964 e a ditadura que o seguiu;