A privatização dos serviços de abastecimento de água e esgoto no município de Itapema foi realizada em 2004, ou seja, antes da entrada em vigor do atual marco legislativo. Dentro da problemática socioambiental urbana brasileira, destaca-se o déficit nos serviços de saneamento básico, especialmente coleta e tratamento de esgoto.
- SISTEMA URBANO, SANEAMENTO E SUSTENTABILIDADE
- ESGOTAMENTO SANITÁRIO
- SANEAMENTO AMBIENTAL NO BRASIL – PLANASA
- REGULAÇÃO DO SETOR DE SANEAMENTO E INTERFACE COM
A concessionária celebrou contrato de prestação de serviços e associação de usuários de abastecimento de água e esgotamento sanitário de Itapema. Em termos de técnicas, relativamente ao sistema de abastecimento de água, cobertura do sistema de abastecimento de água (CBA), índice de continuidade do abastecimento de água (ICA), índice de qualidade da água (IQA), perdas no sistema de distribuição (IPD). Participação do sector privado na prestação de serviços de água e saneamento: algumas conclusões da investigação.
Concessão dos Serviços Públicos de Água e Esgoto para o Município de Itapema/SC.
PARADIGMAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
O modelo de administração pública patrimonial prevaleceu entre os séculos XVIII e XIX, quando uma oligarquia agrária manteve o poder do Estado. Por isso, o carácter autoritário da modernização impediu que a administração pública actuasse numa perspectiva de gestão, onde a res publica fosse o mote da sua acção. (TENÓRIO; SARAIVA, 2007). Uma característica marcante da nova administração pública, também conhecida como “Nova Gestão Pública” (NGP), é a orientação para o cidadão-consumidor, que era então considerado um cliente.
TABELA 1 – PARADIGMAS DE GESTÃO PÚBLICA E ABORDAGENS DE GESTÃO Fonte: Oliveira (2007) adaptado de Paes de Paula (2005).
SERVIÇOS PÚBLICOS
- Concessão de serviços públicos
Ao final das investigações, será decidido se o revendedor continuará ou não a prestar os serviços. A desapropriação deve ser seguida da devolução dos bens necessários à prestação do serviço e que passam dos imóveis da concessionária para a administração pública, garantindo a plena continuidade dos serviços. O Estado delega apenas uma fase da sua implementação ao indivíduo, nomeadamente a prestação concreta de serviços.
No que diz respeito aos utilizadores dos serviços públicos prestados, no regime monopolista dos contratos de concessão não têm liberdade de escolha na sua prestação, pois a sua participação ocorre por necessidade.
AGÊNCIAS REGULADORAS
A função reguladora, fundamental neste novo modelo, deve ser exercida de forma a garantir o equilíbrio entre os interesses parcialmente conflitantes dos usuários e dos empresários (NEDER, 2002), garantindo a eficiência e a eficácia dos serviços públicos. A regulação dos serviços públicos funciona em torno da função de equilibrar os interesses das entidades privadas e do poder público, com o objetivo de garantir o bem-estar social dos usuários e, assim, benefícios na qualidade de vida da população. Para alcançar simetria entre a qualidade dos serviços oferecidos à população e benefícios satisfatórios para os investidores, são necessários marcos regulatórios eficientes e legítimos na sociedade (GOLDENSTEIN; . SALVADOR, 2005).
O acesso aos serviços públicos e sua universalização representam direitos civis que ainda não foram consolidados no Brasil.
PRIVATIZAÇÃO E CONFLITOS EM TORNO DA ÁGUA
A atual estrutura de prestação de serviços de água e esgoto surgiu na década de 1970, no âmbito do Plano Nacional de Saneamento (Planasa), e uma de suas principais características era a ausência de regulação e controle social. Com a privatização dos serviços de abastecimento de água e esgoto, o município de Itapema deixou de contar com os serviços regionais prestados pela concessionária estadual CASAN, passando a contar com os serviços locais prestados pela empresa Águas de Itapema. A concessão dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotos em 2004 a um novo agente surgiu como a oportunidade de reverter a difícil situação de falta de serviços de água e esgoto no município.
O SMRC elaborará também relatórios de recomendações à Câmara Municipal sempre que detectar anomalias na gestão e funcionamento dos sistemas de abastecimento de água e esgotos.
PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA
Peci (2004, p. 09) apresenta o conceito de controle social como “o conjunto de recursos materiais e simbólicos de uma sociedade para garantir que o comportamento de seus líderes respeite regras e princípios previamente estabelecidos”. Também é feita uma distinção entre o tecido social dos Estados Unidos e da Inglaterra, países onde a regulação e o controle social foram consolidados e onde a participação de grupos sociais organizados foi institucionalizada no processo político, em contraste com o caso brasileiro. O autor indica que para o fortalecimento do marco regulatório, o fortalecimento do controle social é condição sine qua non, que, embora desejável, é difícil de alcançar devido às limitações da participação da sociedade civil brasileira, mas ao mesmo tempo ressalta o autor ressalta que expressões de sucesso na participação e no controle social começam a proliferar no contexto brasileiro.
Como forma de reverter esta situação, os mecanismos de participação e controle social são garantidos pela Constituição, que permitem à sociedade civil assumir o papel de protagonista nas políticas públicas, o de sujeito e não apenas de seu objeto.
MECANISMOS DE PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL
- Conselhos Gestores
- Audiências Públicas
- Ouvidoria
No Brasil, os cidadãos continuam convivendo com uma série de deficiências na infraestrutura do serviço público. Como forma de reverter a situação precária do saneamento público básico no Brasil e de cumprir o disposto no novo marco regulatório, a criação de conselhos gestores sanitários facilitará a formação de áreas de “deliberação sobre ações de interesse comum e o desenvolvimento do potencial de mobilização dos espaços públicos não estatais. O conjunto de reclamações e reclamações dos utilizadores serve como principal ferramenta de avaliação do nível de eficiência na prestação de serviços públicos.
Um dos mecanismos eficazes para o exercício do controle social são as ouvidorias das autoridades reguladoras.
CONTROLE SOCIAL E MARCO REGULATÓRIO DO SANEAMENTO
A Câmara Municipal, pelo decreto n. A Portaria 048/2003 instituiu o Sistema Municipal de Regulação e Controle do Abastecimento Público de Água e Esgoto de Itapema (SMRC), que atua como órgão regulador. Porque sempre houve receitas, não só na política de abastecimento de água, mas também no esgotamento sanitário. Itapema não possui conselho sanitário municipal, no qual representantes da população possam se reunir para analisar a situação, fazer reivindicações e influenciar a gestão do sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Entende-se que a regulação dos serviços, fator novo na concessão de serviços em Itapema, tem potencial para afetar a configuração e a eficiência dos sistemas urbanos de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
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CONTEXTUALIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE ITAPEMA
O município de Itapema está localizado no litoral centro/norte do estado de Santa Catarina (Figura 1) e foi criado pela resolução 1/62 da Câmara Municipal de Porto Belo. Por outro lado, o geoecossistema Sul, que também se estende por toda a área do município de Porto Belo, tem extensão aproximada de 26 km² e abriga o principal rio do município, o Perequê, bem como seus afluentes . O Rio Perequê serviu como fonte de abastecimento de água durante os anos em que a CASAN funcionou no município de Itapema, pois em suas margens está localizada uma estação de coleta e tratamento no território do município de Porto Belo.
Após a rescisão contratual, esta estação passou a fornecer água purificada apenas aos municípios de Porto Belo e Bombinhas.
URBANIZAÇÃO, USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
No período de atuação da CASAN no município, os serviços de saneamento básico, principalmente esgotamento sanitário, não acompanharam o crescimento urbano e, em 2003, a rede coletora era insignificante e não havia tratamento de esgoto. O lançamento de esgoto bruto poluiu as águas doces da bacia local e a água do mar, o que afetou a capacidade balnear das praias do litoral de Itapema, que representam o principal atrativo turístico do município. A concessionária Companhia de Águas e Saneamento do Estado de Santa Catarina, CASAN, nunca realizou nenhum projeto de coleta e tratamento de esgoto sanitário, embora tivesse tal responsabilidade contratual.
Os problemas relacionados com a insuficiente prestação de serviços, como as interrupções do actual abastecimento de água nas épocas de verão e a falta de infra-estruturas de esgotos, facto que cria vários pontos de poluição que prejudicam a capacidade balnear das praias, têm incentivado a mobilização de segmentos da sociedade civil e do poder público para mudanças no setor municipal do município.
TURISMO, ECONOMIA E MEIO AMBIENTE
As dificuldades de sustentabilidade urbana presentes no município de Itapema são semelhantes às de outras cidades litorâneas brasileiras com potencial turístico, que devem enfrentar o desafio da sazonalidade. O município de Itapema tem recebido um número cada vez maior de novos moradores, num movimento migratório que destaca a chegada de pessoas vindas da região oeste de Santa Catarina. O ritmo acelerado de crescimento do município de Itapema torna-se um desafio para os gestores públicos e prestadores de serviços, responsáveis por atender às justas demandas da população e promover a qualidade de vida na cidade.
O processo de crescimento urbano em Itapema impôs impactos negativos ao ambiente natural e construído, relacionados à falta de saneamento básico, fator que reduziu a qualidade de vida local, situação que foi considerada para a privatização dos serviços públicos.
DA REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS
O sistema municipal de regulação e controlo é composto por um órgão técnico, um órgão de coordenação, uma comissão arbitral e uma comissão de acompanhamento. As funções de órgão técnico são desempenhadas pela secretaria municipal de saúde e saneamento que tem como principal atribuição o acompanhamento permanente da atuação da concessionária na prestação dos serviços de abastecimento e esgotamento sanitário, podendo aplicar sanções em caso de descumprimento do contrato. A concessionária deverá elaborar relatórios trimestrais sobre o cumprimento dos serviços contratados e a evolução dos indicadores previstos nas especificações adequadas dos serviços.
A prática do SMRC tem sido incipiente devido à falta de estruturação que uma verdadeira agência reguladora exigiria, razão pela qual o controle social sobre a gestão privada dos serviços públicos de saneamento no município de Itapema é limitado.
QUADRO ATUAL E PERCEPÇÃO DE ALGUNS STAKEHOLDERS
Este papel torna-se ainda mais relevante porque o abastecimento de água e as águas residuais são serviços públicos vitais. O sistema municipal de regulação e controle dos serviços públicos de água e esgoto de Itapema não prevê sanções administrativas para irregularidades na prestação, o que por si só mostra sua fragilidade como órgão de controle. A temporada de verão de 2008 terminou mais cedo, fazendo com que o número de visitantes da cidade caísse drasticamente a partir de fevereiro, resultando na diminuição do uso da rede de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município.
A mudança na gestão desses serviços, que passou a ser assumida por uma concessionária privada, a Companhia Águas de Itapema, trouxe uma nova dinâmica de gestão caracterizada principalmente por maciços investimentos financeiros utilizados na reparação do sistema de abastecimento de água e na implantação da estrutura para o funcionamento do sistema de esgoto. sistema, composto por uma rede coletora e uma estação de tratamento. A existência de interfaces inerentes aos sistemas de abastecimento e drenagem, relacionadas aos recursos hídricos, à saúde pública e ao desenvolvimento urbano, indica que o órgão fiscalizador deve ir além e até criar indicadores específicos que auxiliem na gestão do sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município de Itapema e garante sua sustentabilidade. A conservação dos recursos hídricos do município é fator fundamental para a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, o que exige controle e regulação do crescimento urbano.