A cidade transversal: a semantização do espaço urbano em Campos dos Goytacazes/RJ / Paolla Clayr de Arruda Silveira – Campos dos Goytacazes, RJ, 2017. 1984) na estrutura da Organização dos Eixos de Sentido no espaço arquitetônico, contribuem à semantização do espaço urbano da Praça São Salvador e Jardim do Liceu.
CONTEXTUALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DA CIDADE
Praças, ruas e avenidas tornam-se os principais elementos das reformas e intervenções urbanas, como na Figura 6. As praças atuam como elementos compositivos essenciais para o arranjo da paisagem urbana (CALDEIRA, 2007). A praça contemporânea, a partir destas estratégias de intervenção, reafirma a sua vocação como espaço coletivo e retoma o seu papel como espaço principal da cidade.
CONTEXTUALIZAÇÃO DAS PRAÇAS NA ATUAL IMAGEM DA CIDADE
Este processo de legibilidade da cidade consiste em três componentes: identidade, estrutura e significado, que, segundo o autor, é útil imaginar num nível abstrato. Nessa síntese, há uma clara tipicidade nas obras que abordam determinadas literaturas como referências para as mais diversas análises do espaço urbano.
PRAÇA SÃO SALVADOR
Sousa (2014, p. 23) descreve ainda que a Praça São Salvador possuía “uma avenida formada por palmeiras imperiais, (..), ali plantadas, cujos exemplares foram fornecidos pela Plat & Reid, do Rio de Janeiro”, propôs por um vereador. Com isso, muitos visitantes ilustres foram recebidos nos jardins da Praça São Salvador, inclusive D. Para a construção desta praça, a Praça São Salvador foi demolida, sendo a Praça das Quatro Jornadas o local do prédio do presídio e batizada em homenagem. . a quatro momentos históricos da cidade que foram decididos na hora (FARIA, 2006).
A Figura 14, registrada em 1910, mostra o Chafariz instalado e as densas árvores e grades da Praça São Salvador, ao fundo. Coube ao prefeito Salo Brand concretizar uma das aspirações mais antigas do campista, nomeadamente a remodelação da Praça São Salvador. Localizada no centro da cidade de Campos dos Goytacazes, a Praça São Salvador está localizada em um bairro com aproximadamente dez mil moradores, cinco mil residências e quatro mil empreendimentos comerciais, segundo o Perfil do Bairro 2014, divulgado pela CIDAC.
JARDIM DO LICEU
Originalmente, Praça do Outeiro, por estar localizada em um morro, Praça do Pinheiro, em relação ao Barão, Porciúncula, do Liceu e, por fim, Praça Barão do Rio Branco, seu nome oficial hoje (TAVARES, 2009, p. 48) . Nas figuras 23 e 24 pode-se observar a imponência do Palácio Barão da Lagoa Dourada e os traços da futura Praça Barão do Rio Branco, anterior a 1914. Neste jardim voltado para o Liceu de Humanidades ergue-se a herma artística do grande brasileiro. Barão do Rio Branco (SOUSA, 2014, p. 171).
No centro permaneceram o busto do Barão do Rio Branco, o chafariz e a paleta principal, tombados pelo INEPAC em 1985. A Praça Barão do Rio Branco, aqui chamada de Jardim do Liceu, está localizada no bairro do Jardim Maria de Queiroz em uma bairro com cerca de mil e seiscentos habitantes, mil residências e quase trezentos estabelecimentos comerciais, segundo perfil do bairro de 2014 publicado pela CIDAC. Campos dos Goytacazes, no norte do estado do Rio de Janeiro, foi palco de grandes acontecimentos históricos em nível nacional, incluindo ser a primeira cidade da América do Sul a receber energia elétrica no século XIX; que no século XIX era considerado o maior produtor de açúcar do país, recebido por.
A TRASVERSALIDADE URBANA: UM PROCESSO DE PALIMPSESTO
Portanto, a semiótica nesta pesquisa, conforme definida por Santaella (2005), atuará como “um mapa lógico que traça as linhas dos diferentes aspectos por meio dos quais a análise pode ser realizada”, mas não traz consigo conhecimentos específicos. história, teoria e prática de um determinado processo de signos, como o espaço urbano, objeto deste projeto. Um arquiteto será um urbanista, mesmo que não implemente projetos urbanísticos, mas implemente projetos arquitetônicos para os elementos que compõem o espaço, um espaço imerso nos significados de tudo que o compõe: edifícios, espaços, pessoas, etc. . Do ponto de vista de Coelho Netto (1984), como ainda não existe uma espinha dorsal do espaço arquitetônico claramente definida que direcione a obra e delimite o campo de ação, a proposta é, portanto, encontrar expressões essenciais eficazes na linguagem do espaço arquitetônico.
Assim, determinará pares de opostos que formarão os chamados eixos organizadores do sentido do espaço. A composição dos espaços pode conferir caráter de uso privado ou compartilhado para integrar ou separar pessoas ou classes sociais e demonstra o espaço arquitetônico como reeducador de comportamentos por meio de uma infraestrutura espacial. O eixo seguinte, o do espaço artificial x espaço natural, dilui a ideia de que o natural é simplesmente a forma original da natureza, sem modificações humanas.
PERCEPÇÃO E TOPOFILIA NA SEMANTIZAÇÃO DO ESPAÇO
Holl (1994, p. 49) observa que uma cidade é percebida através do movimento do corpo e de uma série de perspectivas sobrepostas. Para Lynch (1999, p.3) esse caráter textual do espaço é tratado com legibilidade, pois não é a única característica importante de uma cidade e nos lembra que “[..] devemos levar em consideração não apenas a cidade como algo em si, mas a cidade tal como os seus habitantes a percebem”. Para isso, segundo o autor, é necessária a eleição de uma dominante, que pode recair sobre qualquer característica indicial, ambiciosa e estratégica, como som, luz, textura e cor.
A eleição de um dominante chama a atenção para o ambiente espacial, para o texto que nos rodeia, mas é estratégica e metodologicamente ambiciosa. Conhecer propositalmente a história de um determinado ambiente, através de seus costumes e fatos, contribui para a produção profunda de uma analogia do presente. A contextualização, a alienação, a eleição de um dominante, a atenção, a ênfase, a observação, a comparação e a analogia, enfim, as constantes estratégicas já vistas são condições de leitura não-verbal, mas este produto apenas se manifesta, apenas torna sua atuação explicitamente através o verbal, porque sua consistência, sua convicção se baseia em uma lógica argumentativa própria e característica da linguagem verbal.
ETNOGRAFIA URBANA E ARQUITETURA: ETNOTOPOGRAFIA
MAPEAMENTO DAS MANIFESTAÇÕES
A ferramenta “Mapeamento de Manifestações” consiste em colocar em uma planta uma manifestação de afeto, relacionamento interpessoal ou qualquer outro acontecimento social que ocorra no campo. O mapeamento de manifestação consiste no mapeamento convencional de relações, movimentos, manifestações e estímulos e outros dados capturados em campo. Esta ferramenta, embora inicialmente pareça semelhante à anterior, possui um desenho conceitual diferente, onde o pesquisador parte de um desenho elaborado do espaço e destaca as interações comportamentais do indivíduo com o ambiente ali existente (DUARTE, 2010).
Essa ferramenta foi utilizada como exemplo na pesquisa de Duarte, onde foram mapeadas as manifestações de favor ou descontentamento dos vizinhos nas quadras de um conjunto habitacional. Da mesma forma, Brasileiro (2007), tendo como pano de fundo uma planta espacial, mapeou as relações interpessoais em sobreposição às relações hierárquicas no funcionamento de uma empresa. Para a elaboração dos Mapas de Manifestação, foram realizadas visitas aos mercados em diferentes turnos, com registros fotográficos com elementos capazes de apresentar a experiência urbana de acordo com a real vitalidade do espaço.
CROQUIS DE CAMPO
ENTREVISTAS INFORMAIS SEMIESTRUTURADAS
É neste pressuposto da imagem fotográfica, de permitir observar partes fixas da realidade, da percepção habitual dos factos, que atribuímos à fotografia a honra de ser um instrumento que facilita o estudo da percepção do ambiente. Os autores do ‘Jogo da Percepção’ explicam: a atividade de análise perceptiva é realizada com uma série de imagens previamente escolhidas sobre um determinado assunto ou objeto de estudo, para estimular e enfatizar a percepção do participante do jogo sobre o assunto. Caso uma ou mais imagens não sejam observadas no local da pesquisa, você poderá solicitar que elas sejam separadas.
Neste ponto do jogo, após organizar os grupos de imagens, o participante primeiro pergunta sobre um lado do contraste que está sendo investigado. Aqui é importante que os diálogos sejam gravados para posterior gravação e análise). Anote o número no verso das fotos e pergunte: o que o grupo quer dizer, o que retratam, por que isso ocorre, se essas imagens retratam situações visíveis no local da investigação, quem são os responsáveis, etc. A partir das palavras-chave, as fotografias registradas nas visitas foram selecionadas, numeradas e encadernadas em álbum para serem levadas a campo.Neste trabalho, o modelo de entrevista semiestruturada (Anexo A) está vinculado a um álbum fotográfico (Anexo B ) ) com os registros obtidos durante as visitas de Mapeamento de Manifestações.
ANÁLISES E ELABORAÇÕES SOBRE O PERCEBIDO
PRAÇA SÃO SALVADOR
É verdade que o seu aspecto seco à noite promove a sensação de segurança se estiver dentro da praça, pois nas ruas circundantes, perpendiculares à sua malha, a sensação de perigo e risco é perceptível todos os dias da semana. As altas palmeiras não obstruem a iluminação artificial dos postes de iluminação, proporcionando um ambiente claro e com plena visão dos acontecimentos próximos. Nas noites de sábado e domingo, os bares circundantes proporcionam uma atmosfera de música vocal e guitarra ao vivo.
O único som que marca o cotidiano é o toque dos sinos da Matriz São Salvador (ver Figuras 29 e 30). Em termos de sensações olfativas, o aspecto desagradável deste item esteve presente quase todos os dias e turnos, com predominância do forte cheiro de urina e esterco. As relações afetivas – aqui tratadas como interações e relações sociais em ambiente urbano – não são observadas durante toda a semana na Praça São Salvador, mas nas tardes de sábado e domingo há indícios de afeto entre famílias e casais, bem como no final da missa , quando as pessoas se cumprimentam e acenam para outras pessoas.
JARDIM DO LICEU
Com base nas figuras e 38, em primeiro lugar, em termos de circulação de pessoas, pouco se percebe às pessoas que atravessam a praça, pois é contável o número de transeuntes no local, a maioria deles está ali presente por causa de os prédios institucionais do entorno, como a escola estadual Liceu de Humanidades de Campos, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Câmara Legislativa Municipal, além de clínicas médicas, cartórios e escritórios diversos. Durante a semana, não é notável que as pessoas permaneçam no local para contemplação, nem sequer atravessam a praça, preferindo caminhar pelas calçadas do quarteirão em grupos de três ou quatro uniformizados com a marca. Nas áreas urbanas, esses locais são desejados por planejadores e gestores municipais pela qualidade que pode ser alcançada nesses espaços.
No Jardim do Liceu o microclima local é um fator diferenciador, já que o conforto térmico se destaca pela sombra abundante. Porém, a iluminação artificial à noite é ineficaz, causando manchas escuras, criando zonas de perigo e risco que podem afastar a presença de pessoas no local durante a noite. Além das questões térmicas e de iluminação, as sensações olfativas são desagradáveis em todos os deslocamentos observados, com cheiro de urina.
RESULTADOS DA ENTREVISTA INFORMAL SEMIESTRUTURADA
Esta análise trata primeiro da Praça São Salvador e depois do Jardim do Liceu, para dar continuidade ao raciocínio estabelecido na Síntese. Cerca de 4,8% dos entrevistados caracterizaram algumas imagens da Praça São Salvador neste gênero de organização espacial. A diferença entre os espaços urbanos das praças São Salvador e Jardim do Liceu está no Eixo III – Construído e Não Construído, aquele que é fechado por dentro ou aquele que é aberto.
Para iniciar/encerrar a conversa, a autora não se referiu a essas praças pelo nome oficial, mas pela nomenclatura que ela mesma aprendeu com seus colegas de universidade quando começou a frequentar e depois morar nesta cidade, como EG isto: Praça São Salvador e Jardim do Liceu. Esta dissertação teve como objetivo geral conhecer quais significados provocados pelo espaço arquitetônico são capazes de fazer das praças urbanas um ponto de referência no tecido da cidade, no caso, as Praças São Salvador e Jardim do Liceu em Campos dos Goytacazes, norte de estado do Rio em janeiro. A intensa transversalidade urbana permite inúmeras análises e conclusões, dependendo da perspectiva do pesquisador. Neste caso, com foco na produção de sentido no espaço arquitetônico, quisemos analisar as praças de São Salvador e Jardim do Liceu na perspectiva . da arquitetura e os efeitos dos seus índices, como isolamento, conforto térmico e sonoro, revestimentos e acabamentos, paisagem, texturas e cores, nas pessoas e no seu entorno imediato durante o processo semântico espacial.
Esta pesquisa nos permitiu olhar a Praça São Salvador sob perspectivas diferentes da visão habitual de um observador rotineiro, demonstrando uma transversalidade que só se torna visível quando paramos de caminhar, quando nossa atenção sai da direção e se concentra em seus detalhes. Mudanças no espaço urbano e a transformação gradual das referências físicas da memória da cidade: Praça São Salvador em Campos dos Goytacazes.