Para tanto, fizemos algumas reflexões sobre o ensino da língua portuguesa, sobre a variação linguística, sobre o livro didático e a importância da formação linguística na formação de professores. Neste capítulo abordaremos um pouco sobre o ensino de LP, seus objetivos, a história da língua, o ensino metalinguístico e os PCN de língua portuguesa.
Objetivos do ensino de Língua Portuguesa
Dessa forma, concordamos com Crisóstomo (2013) ao considerar o primeiro objetivo, referente ao ensino de LP, partindo da premissa de que o ensino da língua nativa deve aumentar a competência comunicativa do indivíduo, ou seja, deve prepará-lo para usando a linguagem. nas mais diversas situações de comunicação. Contudo, podemos concluir que o ensino da língua materna muitas vezes não tem esse objetivo e acaba por proporcionar ao aluno uma educação normativa, com questões fragmentadas, descontextualizadas e sem uma orientação adequada para a oralidade.
A linguagem e sua história
Concepções de linguagem
A linguagem é entendida como um sistema de signos utilizado como meio de comunicação entre elementos de um grupo social ou comunidade linguística (MARTELOTTA, 2008). A linguagem é uma ferramenta de comunicação: esta visão está ligada à teoria da comunicação e considera a linguagem como um código (um conjunto de signos que se combinam segundo regras) capaz de transmitir uma determinada mensagem ao receptor.
Ensino da norma: metalinguístico
Dessa forma, a escola dedica as horas LP à gramática e à assimilação da nomenclatura gramatical e à análise sintática, e o resultado é que as próprias regras gramaticais passam a ser o conteúdo a ser aprendido. O ensino puramente metalinguístico promovido pela escola não permite ao aluno aprender o que, segundo os PCN, é o objetivo da aprendizagem de LP para o Ensino Fundamental.
PCN de Língua Portuguesa
Até então, a tarefa de preparar aulas e exercícios cabia ao professor, mas essa função foi transferida para o autor do livro didático. Porém, o despreparo dos professores para lidar com a nova clientela e a língua que chegava à escola era diferente da língua ensinada, criando “uma discrepância entre o que a escola ensinava e o que os alunos (não) aprendiam”.
As concepções de gramática e norma
- Gramática Normativa
- Gramática Descritiva
- Gramática Internalizada
- Normas linguísticas e regras
Na verdade, quando falamos de gramática, poderíamos falar de: .. a) as regras que definem a função de uma determinada língua, como em: “gramática portuguesa”; Nesse sentido, a gramática .. corresponde ao conhecimento intuitivo que cada falante possui de sua própria língua, o que tem sido chamado de “gramática internalizada”; O mesmo se aplica quando se comparam normas padrão e normas urbanas de prestígio, sendo estas últimas uma referência a modelos de uso da linguagem por um determinado grupo social, que são apresentados como prestigiosos.
O tratamento da variação na legislação educacional
O ensino da LP praticado até então nas escolas não incluía a valorização do caráter social e heterogêneo da língua. No ensino primário e secundário será dada especial ênfase ao estudo da língua nacional, como instrumento de comunicação e como expressão da cultura brasileira”. Segundo Cyranka (2011, p. 23), “esta visão de conceber a língua de forma interativa é um movimento inovador, ainda que apresente contradições e equívocos, pois põe em causa as tendências tradicionais no ensino da língua portuguesa”. ".
As concepções de variação e mudança
Variação Linguística
Sendo a língua variável, instável e em constante processo de construção e reconstrução, isso porque é uma atividade social que envolve a cooperação de todos os seus falantes quando interagem por meio da linguagem falada ou escrita, pode-se dizer que a variação linguística é sua condição natural. Além disso, uma língua só existe na sociedade, e como a sociedade é heterogênea, diversa e variada em sua essência, o uso da língua também se torna diverso (ANTUNES, 2007). Aparentemente caótica e aleatória, a face heterogênea imanente da linguagem é regular, sistemática e previsível porque os usos são governados por variáveis estruturais e sociais.
Mudança Linguística
E quando um formulário é escolhido e usado por um grande número de usuários do idioma, as outras variantes ficam em segundo plano. Desta forma, podemos dizer que a mudança linguística está intimamente relacionada com o processo de mudança social, cultural e política do seu povo. Isso porque as variações linguísticas “fazem com que processos de mudança, que acontecem naturalmente, passem por um período de transição, que acontece gradativamente, para que ocorra um processo completo de mudança” (DETOGNE, 2013, p. 51).
A oralidade e a escrita
Apesar deste documento ter sido publicado há muito tempo, as práticas de ensino de LP nas escolas ainda não se baseiam no que o aluno consegue dominar. Dessa forma, a responsabilidade passa do professor e passa para o LD, que passa a ter papel de destaque no processo de ensino a partir do apoio pedagógico. Assim, com o passar dos anos, o uso e o manuseio da EaD passaram a ser cada vez mais enfatizados, mas em uma posição que não era tão desejável, pois se esperava que fosse mais um instrumento no processo de ensino-aprendizagem do aluno e não como o único e recurso exclusivo.
Percurso do Livro Didático: como viemos parar aqui?
Como resultado, foi criado um órgão específico para criar políticas de LD, o Instituto Nacional do Livro (INL). 9 – é criada a Comissão Nacional do Livro Didático (KNLD), inicialmente formada por sete pessoas, com formação pedagógica e valores morais, nomeadas pelo Presidente da República. O Instituto Nacional do Livro (INL) iniciou o desenvolvimento do Programa do Livro Didático para o Ensino Básico (PLIDEF), assumindo as responsabilidades administrativas e de gestão dos recursos financeiros.
O Programa Nacional do Livro Didático
PNLD e a variação linguística
A necessidade de articular o conhecimento gramatical com o uso da língua não é algo novo nas discussões sobre o ensino do português. Dessa forma, os LDs selecionados pelo programa deverão trabalhar com conhecimentos linguísticos, a fim de estimular o aluno a refletir sobre aspectos da linguagem importantes para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita e para a capacidade de refletir sobre fatos que envolvem a linguagem.linguagem. . Na formação dos futuros profissionais do curso de Letras, discute-se a formação de professores de LP, que inclui tanto questões gerais da docência, como profissão, quanto a área específica relacionada à compreensão de fenômenos e perspectivas específicas da língua. do seu ensino da língua portuguesa.
A educação linguística na formação docente
Desde a abertura da escola para turmas desacreditadas, diante da crise que se instalou no sistema educacional, até hoje foram realizadas pesquisas, publicados livros, realizados conferências e eventos, cursos de formação e aperfeiçoamento oferecidos aos professores de LP, assim que eles têm um . Assim, pensar que uma transformação no ensino da língua materna só pode ocorrer no ensino primário e secundário sem a necessidade de reconstruir, modificar e inovar os cursos de literatura no que diz respeito aos seus objetivos, práticas e metodologias. No entanto, poucos atribuem parte da responsabilidade pelo insucesso aos cursos de literatura, atribuindo a maioria a culpa pelo insucesso apenas a questões extracurriculares (socioeconómicas, culturais e históricas) ou a professores e alunos destes níveis. RIBEIRO, 2004, pág. 123).
A importância da educação linguística para o ensino
É exatamente isso que o ensino de línguas propõe: preparar os indivíduos para atuarem linguisticamente de forma adequada em qualquer situação comunicativa, utilizando recursos específicos para uma determinada situação, possibilitando o desenvolvimento da competência comunicativa, objetivo principal do ensino de LP nos anos finais do Ensino Fundamental, trazido por Linguística. Travaglia (2003) alerta que o ensino de línguas não pode ser visto apenas como um ensino de metalinguagem e teorias linguísticas. Assim, segundo o autor, o objetivo do ensino de línguas é “discutir como cada tipo de recurso linguístico e como cada recurso particular pode significar dentro de um texto” (2003, p. 28).
Por uma perspectiva Sociolinguística no ensino de Língua Portuguesa
Os professores devem, portanto, manter-se atentos à produção linguística de seus alunos em sala de aula e fazer os ajustes necessários, sempre com muito respeito, em relação a uma pedagogia culturalmente sensível (BORTONI-RICARDO, 2014, p. 159). A escola não pode ignorar o facto de existirem diferenças sociolinguísticas na sociedade, devendo por isso ter consciência de que existe mais do que uma forma de dizer a mesma coisa. Por isso, Bagno (2013a) a chama de reeducação sociolinguística, pois não está relacionada ao “certo” ou “errado”, mas a uma nova educação que parte daquilo que o indivíduo já sabe: quem fala bem a sua língua materna.
Caracterização da amostra
Neste capítulo apresentamos a descrição dos procedimentos metodológicos utilizados para a condução deste estudo e as análises do material coletado. Primeiramente caracterizamos a amostra, discutimos a escolha do tipo de pesquisa e em seguida apresentamos a descrição do corpus, os LDs, os questionários e por fim as análises.
Metodologia
Com esse objetivo em mente, preparamos um guia de análise (Anexo A) para observar o que as coleções representam; se o manual do professor contém conceitos-chave da teoria para auxiliar o professor; se a proposta de cobrança é eficaz; e como o manual aborda a questão da variação linguística. Estes questionários pretendem compreender o que os professores entendem por variação linguística; quando trabalham o assunto em sala de aula; se utilizam livros didáticos em sua prática pedagógica e como; se o LD aborda o tema; e tendem a valorizar apenas as normas de prestígio urbano na sala de aula. Para este estudo, optamos por uma análise predominantemente qualitativa dos dados, com o objetivo de evidenciar como a variação linguística é editada pelos professores e como o LD aborda o assunto.
Manual do professor
Manual do professor: orientações para utilização
Contudo, apesar da proposta, todas as coleções optaram por priorizar as competências linguísticas associadas a padrões urbanos de prestígio, por considerarem esta variante de maior importância social, além de ser um dos requisitos para aprovação no PNLD/2014. A linguagem predominante são as normas de prestígio urbano, mas não há trabalhos adequados sobre o tema como conceito. Há unanimidade em todas as coleções pesquisadas em apresentar normas urbanas de prestígio como perspectiva dominante, apesar de destacar alguns exemplos de outras variantes.
A variação linguística nos livros didáticos
- Coleção Português: uma língua brasileira
- Coleção A aventura da linguagem
- Coleção Universos: Língua Portuguesa
- Coleção Português: linguagens
- Coleção Jornadas.port
As atividades de compreensão e interpretação não solicitam ao aluno que correlacione a forma linguística com o contexto comunicativo de uso, pelo contrário, solicitam ao aluno que a reescreva para que se adapte à norma padrão (6º ano, p.84). No tema normas padronizadas e normas municipais de prestígio, constatamos que os autores não fazem distinção entre as duas (6ª série, p. 83), fazendo com que os usuários de LD confundam as normas, como pode ser visto no exemplo. em quem as regras de escrita chamam as normas da cidade de prestígio. No que diz respeito à questão conceptual entre normas padrão e normas urbanas de prestígio, a Coleção tenta distinguir entre as normas, alertando que “ninguém fala português padrão em todos os momentos” (Vol. 6, p. 38).
Análise dos questionários: afinal, o que pensa o professor?
Na Tabela 5, os professores P27 e P09 foram classificados como parcialmente adequados por considerarem a gramática um dos objetivos específicos do ensino de português. Se ainda olharmos o gráfico, vemos que 40% dos professores acreditam que ensinar gramática é essencial para que os indivíduos consigam se comunicar e escrever corretamente. Ou seja, a maioria dos professores que responderam que trabalham com as mais variadas formas expressivas não souberam responder aos objetivos da sua profissão e também acreditam que ensinar gramática dá ao aluno todas as condições para uma escrita e leitura corretas. .
Por outro lado, 20% dos professores inquiridos afirmaram valorizar apenas os padrões prestigiados da cidade, pois consideram que isso é correcto no caso do ensino do português. Esses informantes P05 e P10 acreditam que o ensino da variação linguística está ligado apenas ao regionalismo e à variação social.