Pretende-se, como objetivo geral, compreender como a língua portuguesa é abordada na seção Linguagens, códigos e suas tecnologias no ENEM e, mais especificamente, traçar uma linha histórica analítica para reduzir o percentual de questões sobre a língua portuguesa específica. . sob o viés gramatical e sob o viés sociolinguístico. A partir disso, após categorizar as questões e determinar o eixo de coleta predominante, bem como as respectivas abordagens por disciplina, a atenção da proposta recaiu sobre o seguinte problema: como é sistematizado o conhecimento da língua portuguesa no ENEM. Para isso, o objetivo geral foi compreender como a língua portuguesa é abordada na seção Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias no ENEM;.
A TRAJETÓRIA DA EVOLUÇÃO DOS ESTUDOS LINGUÍSTICOS
Os estudos linguísticos ocidentais até o início do século XX
Com base nesta visão mais antiga, segundo Koch (op. cit., p. 7), “o homem representa o mundo para si mesmo através da linguagem e, portanto, a função da linguagem é representar (=refletir) o seu mundo de pensamento e conhecimento” . FIORIN, op. . cit.), o que possibilita não apenas necessidades puramente comunicativas, mas também necessidades interacionais. 3 A mutação linguística é entendida por Weedwood (op. cit.) num sentido amplo que inclui mudanças fonéticas, sintáticas e semânticas.
Os estudos linguísticos ocidentais a partir do século XX
O termo parole, que pode ser traduzido como 'comportamento linguístico', denota expressões genuínas (WEEDWOOD, op. cit., p. 127). Acontece também que as contribuições de Saussure (op. cit.) não se limitaram à dicotomia língua/liberdade condicional. 6 Segundo Calvet (op. cit.), vários seguidores do marxismo estavam preocupados com a abordagem social da linguagem.
A EMERGÊNCIA DA SOCIOLINGUÍSTICA VARIACIONISTA E A
Alkmim (2001) resume o objeto da Sociolinguística como o estudo da língua falada em relação ao contexto social, a partir da comunidade linguística, entendida como o conjunto de indivíduos que, além de interagir verbalmente, também compartilham um conjunto de normas a respeito. usar. Neste ponto, fica claro que a intenção de Labov não se limitava a quantificar dados sem uma finalidade definida, mas visava revelar fatores sociais em relação ao processo linguístico, uma vez que "não se pode compreender o desenvolvimento de uma mudança linguística sem levar em conta o social". vida na sociedade em que ocorre” (LABOV, op. cit., p. 21). Após transcrever os dados originais, Labov organizou sistematicamente, com base em diversas variáveis (como sexo e idade), o ambiente linguístico da comunidade de fala e concluiu que “a variedade conservadora, não-.
As variantes inovadoras, por outro lado, são quase sempre atípicas e estigmatizadas pelos membros da comunidade." A tendência para exagerar a forma conservadora é ainda mais pronunciada entre os jovens da comunidade que após um período de residência no continente, regressou e fixou-se na ilha. Segundo Mendes (op. cit., os padrões de uso numa comunidade de falantes podem ser deduzidos pelo sociolinguista através da distribuição de variantes, analisadas quantitativamente".
Para compreender esta coerência mencionada por Monteiro (op. p.), é necessário explicar pelo menos brevemente a investigação variacionista. Sobre esse tema, Tarallo (1999) sugere como primeira alternativa que o pesquisador não participe diretamente da situação comunicativa, mas como na sociolinguística “sua participação direta na interação com os membros da comunidade [...] é uma necessidade imposta pelo orientação teórica" (p. 20), o pesquisador deve coletar dados, registrá-los em uma situação natural de comunicação linguística e coletar grande quantidade de material que tenha boa qualidade sonora, tentando neutralizar ao máximo sua própria presença e o som do gravador. Uma boa opção para conseguir tal neutralização é que o pesquisador esteja interessado em conhecer os problemas e peculiaridades da comunidade de fala.
Além disso, é necessário tornar representativa a amostra da comunidade de fala, dividindo os dados em células de acordo com as variáveis selecionadas, como sexo, classe social, idade, etc., para que, quando for realizado o tratamento estatístico, o as ocorrências são categorizadas de forma a permitir uma interpretação cuidadosa dos resultados e a confirmação ou não da hipótese, possibilitando ao sociolinguista descrever e explicar os “significados sociais associados a determinados usos linguísticos” (VIOTTI, 2013, p. 113).
ALGUNS CONTRAPONTOS ENTRE O DISCURSO NORMATIVO E O
A noção do que é ciência [...] baseia-se numa forte rejeição da subjetividade na medida em que luta pela objetividade científica, o que em princípio garante que as conclusões de uma teoria ou investigação possam ser verificadas por qualquer outro membro competente da comunidade científica . Para ser objetiva e precisa, a ciência precisava, portanto, de uma linguagem rigorosa, de uma metalinguagem específica, a partir da qual definisse não apenas conceitos, mas também princípios de análise (p. 20). 23 Fiorin (2007, p. 29) entende que a ideologia é “uma ‘visão de mundo’, isto é, o ponto de vista de uma classe social sobre a realidade, a forma como uma classe organiza, justifica e explica a ordem social”.
Apesar da distinção proposta pelo gramático, o conceito de tradição acompanha suas explicações, o que, a rigor, pode ser esperado de uma gramática normativa. A conceituação apresentada pelo autor considera que o exemplar é reservado para circunstâncias especiais, o que de fato o é, o que significa um bom indício para considerar questões relacionadas à situacionalidade do uso de determinada variedade. Esta posição não é aceita pela gramática, uma vez que “a concepção prescritiva da linguagem já não permite uma forma correta, nem aceita a possibilidade de escolher que uma forma seja mais adequada para um uso do que para outro” (PETTER, op. cit. . , página 21), dependendo da situação de comunicação.
Essa noção de verdade absoluta, segundo Camacho (1981, p. 20), pode ser explicada pela institucionalização de regras e instruções para controlar o uso de uma língua em gramáticas e dicionários, “fato que lhes confere o status de verdadeiros”. lei". ". Quanto à afirmação de Hanks, fica claro que a extinção da variedade não padronizada é semelhante ao que aconteceu no passado com os povos dominados, que tiveram sua língua suprimida pela imposição de uma nova língua que passou a ocupar o padrão. "status" através da dominação, o estabelecimento forçado de uma nova língua acaba por enfraquecer a cultura dos derrotados. Neste contexto, a Sociolinguística emerge considerando que "a norma padrão é uma construção sociocultural, portadora-perseguidora de uma ideologia linguística, muito mais do que uma norma normativa". guia para 'corretar' a fala e a escrita".
Nesse sentido, Bagno (2007a) propõe uma pedagogia da variação linguística, a partir da qual é possível, sem descartar a funcionalidade da variação padrão, pensar em lidar com a variação por meio da reeducação linguística24, ou seja, a partir de estratégias de abordagem o tema em sala de aula, com ênfase nas variedades estigmatizadas.
O ENEM: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE IMPORTÂNCIA
Porém, se o ensino médio é o objetivo do nível de ensino para as reformas pretendidas, a educação voltada ao ENEM deve estar presente neste ciclo de ensino, pois o sistema de ensino, ao preparar o aluno para o exame, possibilita para o futuro, os resultados relativos à qualidade geral da educação dos jovens são positivos e crescentes. Desta forma, servindo como medida da qualidade do ensino secundário, o ENEM surge como um instrumento através do qual podem ser concebidas novas metas para a formação dos alunos na escola, incluindo "a missão de promover a reforma do ensino secundário" (Franco e Bonamino ), 2001, pág. 20). Dessa forma, a mudança que o ENEM aproveita funcionará a favor do ensino médio e a favor dele mesmo.
Portanto, é provável que sejam necessários ajustes significativos durante a avaliação e reforma do ensino secundário, com consequências que poderão ter implicações no desenvolvimento do próprio ENEM. É óbvio que os aspectos reducionistas não podem resolver a questão da avaliação da qualidade geral do ensino secundário. 4.2.- Exame estadual: considerações sobre a importância da avaliação para matrícula em instituições de ensino superior.
A utilização do ENEM como meio de acesso a cursos oferecidos por instituições de ensino superior é uma prática bastante recente e, além de tal exame ter como objetivo avaliar a qualidade geral do ensino médio, representa uma tentativa de reforma educacional baseada em os resultados da avaliação deste ciclo de ensino, o que mostra que o ENEM é muito mais do que apenas uma avaliação institucional. Parece que a questão da utilização do ENEM como acesso ao ensino superior “trouxe à tona temas importantes para a renovação e redefinição do ensino secundário, especialmente aqueles relacionados com a tentativa de superação da insularidade do secundário para superar o ensino”. disciplinas escolares” (FRANCO e BONAMINO, 2001, p. 20), especialmente após a reformulação do exame, ocorrida em 2009. Apesar das críticas de Franco e Bonamino (2001), Andriola (2011) defende a utilização do novo O ENEM como forma de seleção uniforme decorrente da democratização das possibilidades de acesso às vagas e da possibilidade de provocar uma reestruturação dos currículos do ensino médio, citando doze razões favoráveis à introdução do ENEM.
Por fim, é necessário ressaltar que existem diferentes pontos de vista tanto no que diz respeito à utilização do ENEM para avaliar a qualidade geral do ensino médio quanto para o ingresso em instituições de ensino superior.
A PESQUISA DOCUMENTAL
Além disso, o aumento do número total de questões deve ser tido em conta devido à clara diluição dos conteúdos programáticos a partir de 2009. No caso dos exames de 2009, devido ao número fixo de questões por secção é possível verificar que não houve provas de português. questões de idioma em qualquer um dos anos que representassem um percentual inferior a 55% do total de 45. O gráfico acima mostra que há uma tendência clara para que o percentual de questões de língua portuguesa fique em torno de 15% do total de questões da prova, com exceção de 2007, quando a taxa subiu para 22,22%.
Após determinar o percentual de questões de língua portuguesa da prova, passamos a verificar como esse percentual estava distribuído em relação a cada eixo. Inicialmente, o gráfico 2 mostra a predominância de questões relacionadas ao eixo conhecimento textual em relação aos demais eixos, com exceção de 2006, quando o número de questões de literatura foi considerável. Contudo, é necessário ressaltar que, apesar de os anos e 2008 terem sido anteriores ao ano da reformulação do ENEM (2009), neste bloco, apenas em 2006 houve discrepância percentual, quando o número de questões textuais coincide com o número de questões de conhecimento gramatical/linguístico.
A partir de 2010, o número de questões relacionadas com o conhecimento textual dominou, sempre com uma percentagem igual ou superior a 50% do total de questões de português. Ao analisar a tabela 3, através da qual se pode aprofundar a compreensão do gráfico 2, que representa a distribuição percentual das questões de língua portuguesa por eixo de conhecimento, nota-se que nos anos e 2008, embora o número total de questões de língua portuguesa seja significativamente inferior do que no ano seguinte, ou seja, em 2014, estes valores absolutos estão percentualmente próximos dos conhecimentos do eixo 1 e 3, ou seja, gramatical/linguístico e literário respetivamente, com predominância percentual de questões relativas ao eixo 2, conhecimento textual . Na verdade, só em 2006 houve paridade entre os conhecimentos dos eixos 1 e 2, quando do total de 8 questões sobre a língua portuguesa surgiram 2 questões para cada uma delas, que excepcionalmente nesse ano dominaram o conhecimento literário, com 4 quatro. questões.
Nesse sentido, percebe-se que, em 2006 e 2007, ambos antes da reformulação do ENEM, a totalidade das questões de língua portuguesa relacionadas ao eixo 1 abrangiam temas relacionados à gramática padrão/variedade. Em geral, há uma clara diferença em termos do número de casos recolhidos durante os anos analisados. Além disso, são apresentados: os principais problemas enfrentados e formas de solucioná-los, o método adotado, o número total de questões da prova analisadas, a divisão das questões em eixos e subcategorias (ambas devidamente explicadas), a análise das questões de língua portuguesa . , etc.