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Academic year: 2023

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Tabela 16 Sistematização das relações discursivas e seus respectivos pontos 156 Tabela 17 Sistematização das categorias para análise da forma de organização. Analisar, com base na forma de organização relacional, a articulação das estratégias de indelicadeza com outras informações que constituem a intervenção indelicada;

As contribuições de Ervin Goffman para os estudos da im/polidez

Este trabalho realizado pelos interacionistas refere-se a outro conceito fundamental dos postulados de Goffman, que é a noção de trabalho facial. Portanto, Goffman (1971, pp. 29 - 41) especifica oito tipos de reservas relacionadas à noção de territorialidade (egocêntrica e situacional): a) espaço pessoal (qualquer espaço ao redor do indivíduo que, ao ser adentrado, faz com que o indivíduo se sinta ocupado ); b) partição (espaço bem definido que o indivíduo reivindica temporariamente); c) utilização de um território (espaço reivindicado para uso instrumental); d) diferença (ordem pela qual o indivíduo recebe uma mercadoria de uma espécie em relação a outros reclamantes na mesma situação); e) túnica (vestuário, cobertura corporal); f) o território de posse (a totalidade dos objetos que podem ser identificados consigo mesmo e dispostos em torno do corpo onde quer que ele esteja); g) a reserva de informação (a totalidade dos fatos sobre si mesmo aos quais um indivíduo espera controlar o acesso à medida que o faz). está na presença de outras pessoas); h) reserva de conversação (direito de um indivíduo exercer algum controle sobre quem pode chamá-lo para falar e quando pode ser chamado).

A teoria das implicaturas de Paul Grice

Ao vincular o princípio da cooperação, as máximas conversacionais e as implicaturas, os postulados de Grice enfatizam sua preocupação em ser cooperativo e informativo ao mesmo tempo. Neste jogo de sentidos produzido pelo locutor encontramos um aspecto importante da teoria de Grice que deu origem a teorias de indelicadeza como a de Lakoff.

As abordagens da chamada “primeira onda” dos estudos da polidez

  • As contribuições de Robin Lakoff
  • A abordagem de im/polidez de Geoffrey Leech
  • A teoria da polidez de Penelope Brown e Stephen Levinson
  • Considerações sobre as abordagens tradicionais de im/polidez

Ele define o princípio da polidez de Leech (1983, p. 81) como uma forma de minimizar a expressão de crenças indelicadas23 e maximizar a expressão de crenças educadas. Tabela 2 - Máximas de polidez de Leech Máximas (expressas na forma imperativa) Par de máximas.

As abordagens da chamada “segunda onda” dos estudos da im/polidez

A abordagem discursiva de Richard Watts e Miriam Locher para o estudo da im/polidez

Dessa forma, a noção de trabalho relacional fornece um conceito útil para ajudar a explorar a luta discursiva sobre a incivilidade (LOCHER; WATTS, 2005). Tal como a grande maioria das pesquisas que ligam a polidez e a comunicação humana, o conceito de trabalho relacional também evoca o conceito de rosto.

Figura 2 – O comportamento polido de acordo com o trabalho relacional
Figura 2 – O comportamento polido de acordo com o trabalho relacional

A abordagem de Jonathan Culpeper para o estudo da impolidez

Na medida em que as teorias têm poder preditivo, o modelo de grosseria que desenvolvi ainda não é uma teoria” (CULPEPER, 2005, p. 41). Para Culpeper e Hardaker (2017), “é bastante claro que a intencionalidade não é uma condição necessária para a grosseria” (CULPEPER; HARDAKER, 2017, p. 203).

Considerações sobre a abordagem de impolidez de Culpeper

Além disso, parece faltar um recurso capaz de relacionar (aspecto relacional) as estratégias de impolidez com outros aspectos da composição dos discursos para abordá-los de forma mais abrangente, o que contribui significativamente, para a nossa percepção, para as “intenções” de indivíduos na execução de eventos indelicados. Pretendemos, portanto, posicionar a nossa investigação de duas formas distintas: na complementaridade destes estudos, contribuir para a promoção de investigações cuja importância reside na incivilidade feita nos comentários em sites de notícias, e também na explicação de uma possibilidade de análise em o que se refere ao estudo da impolidez a partir de uma abordagem discursivo-interacionista que traz como “nova” a perspectiva do tratamento da impolidez a partir de sua constituição linguística, situacional e textual.

Os comentários como expressão de opinião

Cunha (2013) também situa o gênero comentário na negociação de significados sobre diferentes visões. É no jogo discursivo em que se produzem “movimentos”, “mudanças” que se estabelecem diferenças, pois os comentários como formas de expressão de atitudes geram disputas não apenas de atitudes e valores, mas também entre grupos que tentam impor ideias que expressem seus "enquadramento" para eventos mundiais.

Os comentários como modalidade de discurso polêmico: as marcas de impolidez

Ao elencar os comentários online como objetos de pesquisa, nós os admitimos como tal. O ponto de vista apresentado é completamente ignorado ou ridicularizado, ou seja, é objeto de um ataque que pretende ignorar o outro e tirá-lo do jogo; Definido a seguir o gênero comentário, passamos a apresentar a pesquisa que o utilizou como objeto de pesquisa para o estudo da incivilidade.

Panorama dos estudos da impolidez nos comentários em sites de notícias

Em todos os comentários analisados ​​também foram identificadas as estratégias de indelicadeza utilizadas pelos participantes, com base em Culpeper (1996) e Bousfield (2008). O autor menciona que os comentários dos leitores podem ser focados no conteúdo e/ou no relacionamento. Os autores argumentam que os comentários estudados configuram-se como discurso polêmico por serem caracterizados por estratégias de distanciamento do outro (ataques à face positiva e negativa, direta ou indiretamente), pela alta repetição de violência verbal (insultos, insultos, xingamentos, desqualificação ). do outro).

Considerações sobre as pesquisas de impolidez sobre os comentários em sites de notícias

Articulada com outras abordagens61 (Bousfield, 2008; . Locher e Bousfield, 2008 e outros) e ao referir-se a conceitos difundidos nas pesquisas sobre impolidez, como o termo face, a abordagem de Culpeper tem se configurado como ponto de partida para pesquisadores que desejam para investigar o fenômeno da indelicadeza. Dessa forma, diversos estudos avançam no campo específico dos estudos da impolidez a partir do trabalho inicial de Culpeper e reafirmam a relevância e solidez teórica de sua abordagem. De acordo com a nossa hipótese de pesquisa, acreditamos que o modelo modular de análise do discurso, que será apresentado no próximo capítulo, articulado com abordagens de indelicadeza, especialmente a de Culpeper, pode representar uma abordagem muito satisfatória e promissora para a condução de um estudo como este. .

O MODELO DE ANÁLISE MODULAR DO DISCURSO (MAM): UMA PROPOSTA PARA O ESTUDO DA IMPOLIDEZ

Apresentação do Modelo de Análise Modular do Discurso (MAM)

O modelo modular de análise do discurso63 (MAM) é uma abordagem teórico-metodológica que se insere num quadro cognitivo-interacionista que surge do cruzamento de diferentes perspectivas teóricas: da linguística (BAKHTIN, KERBRAT-ORECCHIONI, BENVENISTE, DUCROT) da sociologia ( GOFFMAN). , SCHEGLOFF), filosofia (HABERMAS, RICOEUR) e psicologia (VYGOTSKY, BRONCKART), etc. 65 Considera-se que a abordagem do modelo modular de análise do discurso se configurou em duas fases distintas. Nesse sentido, Roulet é; Filliettaz; Grobet (2001, p. 33) afirma que um dos objetivos do modelo modular é a integração de contribuições de pesquisas passadas, presentes e futuras sobre a organização do discurso, a articulação de hipóteses sobre os vários componentes linguísticos, textuais e situacionais do discurso. discurso e suas relações mútuas, o que permite compreender a complexidade e a heterogeneidade dos discursos (MARINHO, 2004).

Os módulos e as formas de organização na abordagem modular: descrição do sistema modular

Roleta; Filliettaz e Grobet (2001, p. 43), a arquitetura do modelo é heterárquica porque permite a união de todos os módulos e formas de organização. Estratégico: combina informações referenciais (especialmente o quadro de ação) com informações de módulos e outras formas elementares e complexas de organização, a fim de descrever a forma como os interagentes coordenam as relações de rostos, lugares e territórios no discurso. Para isso, recorremos à dimensão situacional (os módulos referenciais e interativos), à dimensão hierárquica (o módulo textual) e às formas de organização relacional, enuncativa, polifônica e estratégica.

O estudo da dimensão situacional: os aspectos contextuais do discurso

  • O módulo referencial: os aspectos contextuais da interação
    • O quadro acional: o engajamento mútuo dos interactantes
    • O componente conceitual: representação e estrutura
  • O módulo interacional: elementos para descrever a materialidade da interação

FILLIETTAZ; GROBET, 2001, pág. 100) que participam da estruturação das produções discursivas e que influenciam efetivamente a forma como os interagentes participam de uma interação. Assim, o quadro de ação “visa explicar algumas das propriedades referenciais de uma interação verbal eficaz, capturadas do ponto de vista da configuração das ações envolvidas” (ROULET; FILLIETTAZ; GROBET, 2001, p. 112). Ao definir o conceito de quadro de interação, Burger (1997, p. 18) o define em termos de uma configuração geral da relação entre interagentes em relação à materialidade da troca.

Figura 4: Constituintes e função da dimensão situacional
Figura 4: Constituintes e função da dimensão situacional

O módulo hierárquico: descrição dos constituintes da estrutura textual

Filliettaz e Grobet (2001, p. 57-58) argumentam que o desenvolvimento do processo de negociação está sujeito a dois tipos de limitações: a completude monológica e a completude dialógica77. O duplo acordo que se estabelece entre os interlocutores faz parte da completude dialógica e determina não só o processo de fechamento da interação, mas todas as fases da interação, ou seja, determina como os interlocutores administram o encontro global (início, meio e final), permitindo que a interação evolua desde a fase inicial até o seu encerramento. Para estudar esse processo de negociação ou a forma como se dá uma determinada interação do ponto de vista textual, o módulo hierárquico propõe uma importante ferramenta de análise: a estrutura hierárquica.

A forma de organização relacional: as relações ilocucionárias e interativas

Nesse sentido, Cunha (2014, p. 45) especifica que uma relação de contra-argumento interativo pode ser marcada por conectores (mas, entretanto, porém, etc.) e da mesma forma uma relação de iniciativa de solicitação ilocucionária pode ser marcada. por uma construção imperativa ou por verbos performativos, por exemplo. A relação específica é determinada por um cálculo inferencial que permite explicar a natureza de uma relação genérica. Nesse sentido, os conectores são indicadores de um relacionamento específico na medida em que facilitam ou ativam a via inferencial na qual o relacionamento se baseia (ROSSARI, 1999).

As formas de organização enunciativa e polifônica: a representação de vozes no discurso

A tabela a seguir resume os recursos oferecidos pelo MAM para a primeira etapa do estudo da forma de organização declarativa. Portanto, para abordar a forma como as imagens são negociadas e engajadas na interação, apresentaremos a seguir uma forma de organização estratégica. Dada a complexidade que constitui, a forma organizacional estratégica é provavelmente “a forma organizacional complexa que mais resiste à descrição sistemática” (ROULET; FILLIETTAZ;.

Considerações sobre o MAM para o estudo dos comentários

Destaca-se ainda a informação de natureza hierárquica que permite especificar os segmentos de discurso mais representativos de cada intervenção e assim inferir as intenções expressas nos comentários. Neste capítulo apresentamos os procedimentos utilizados para seleção e coleta do corpus e o caminho de análise construído com base nos recursos metodológicos do modelo modular. O capítulo está organizado da seguinte forma: descrição dos procedimentos de seleção e coleta do corpus (4.1) e descrição do caminho de análise configurado na perspectiva modular para o estudo de discursos indelicados (4.2).

Seleção e coleta de corpus

  • Critério para a seleção do site de notícia: a representatividade
  • Critérios para a seleção de notícias: a temática política
  • Critério para a seleção da notícia e sua respectiva cadeia de comentários
  • Critério para a seleção dos comentários: as marcas de impolidez

A seguir apresentaremos os critérios adotados para a seleção das notícias do site acima e suas respectivas cadeias de comentários. O resultado dessa seleção inicial está compilado na tabela 10 abaixo, que mostra todas as notícias sobre o contexto político publicadas no site do G1 em 29 de janeiro de 2019, e o número final de comentários para cada uma delas, levando em consideração os 48- período de horas, presente. Com base nesta tabela, que apresenta as notícias publicadas em 29 de janeiro de 2019 e a quantidade de comentários registrados sobre cada uma delas, foram selecionadas quatro notícias e suas respectivas séries de comentários, totalizando 1.063 comentários, conforme resumido no gráfico abaixo.

Como  se  pode  observar,  o  G1  figura  na  primeira  posição  dos  sites  de  notícias  mais  acessados  no  Brasil
Como se pode observar, o G1 figura na primeira posição dos sites de notícias mais acessados no Brasil

Percurso de análise: descrição dos módulos e formas de organização para o estudo dos comentários

  • O estudo da dimensão situacional: os aspectos referenciais e interacionais dos comentários
  • O estudo do módulo interacional: o quadro interacional
  • O módulo referencial: o quadro acional e a estrutura conceitual
    • O quadro acional: considerações sobre as ações dos comentadores
    • A estrutura conceitual: considerações sobre os conceitos mobilizados nos comentários
  • O estudo do módulo hierárquico: a hierarquia das informações
  • A forma de organização relacional: o estudo das relações discursivas
  • O estudo das formas de organização enunciativa e polifônica
  • O estudo da forma de organização estratégica

Na próxima etapa, adicionamos informações sobre a forma organizacional relacional às informações extraídas da estrutura hierárquica. A seguir, apresentamos o estudo da forma de organização enunciativa e polifônica que constitui mais uma etapa do caminho proposto para a análise do nosso corpus. A seguir apresentamos a última fase do nosso percurso de análise com o estudo da forma de organização estratégica.

Figura 9 – A estrutura conceitual do comentário 57
Figura 9 – A estrutura conceitual do comentário 57

Análise do comentário 56: as estratégias de nomeação depreciativa/xingamento

  • O emprego de nomes depreciativos/xingamentos: a representação conceitual
  • A apropriação de outras vozes: as informações enunciativas e polifônicas
  • A acoplagem das informações hierárquica, relacional, referencial e enunciativa
  • A forma de organização estratégica: a gestão das faces

Ao analisar os comentários acima, verifica-se que as nomeações depreciativas são feitas em função do projeto comunicativo maior do comentarista, que é responsabilizar o PT pelo reajuste ridículo do salário mínimo e Bolsonaro da responsabilidade em relação a esse fato “absolver” . . Além disso, esta ação observada a partir da análise enunciativa não pode representar apenas esse fortalecimento argumentativo do comentador em relação ao conteúdo expresso no seu. No Ap (1) JMB e sua equipe SIMPLESMENTE SEGUIRAM A LEI CRIADA POR DILMENTIRA, o comentarista apresenta informações que, segundo ele, justificam as ações de Bolsonaro em relação ao reajuste do salário mínimo.

Figura 13 – Descrição da ação do comentador no comentário 56
Figura 13 – Descrição da ação do comentador no comentário 56

Análise do comentário 5: a estratégia de acusação/suspeita

  • O enquadre interacional: considerações sobre a materialidade da interação
  • Análise da forma de organização enunciativa e polifônica: apropriação e função de outras vozes no discurso
  • A acoplagem das informações hierárquica, relacional e enunciativa
  • A organização estratégica: considerações sobre as faces

Essas informações serão utilizadas no exame da forma de organização declarativa, pois ajudam a definir a forma de atuação do comentarista em relação à apropriação de outras vozes. O que aparece no discurso de Bolsonaro como “compromisso com esse desejo de mudança” se transforma no comentário do comentarista como “um governo de mudança”. É o que se percebe nas alterações feitas pelo comentarista no trecho do discurso130 referido, por exemplo a informação que aparece no discurso de Bolsonaro como “me comprometo com esse desejo de mudança” é transformada no comentário do comentarista como “ governo da mudança".

Figura 20 - Descrição da análise enunciativa do comentário 5
Figura 20 - Descrição da análise enunciativa do comentário 5

Análise do comentário 225: a crítica

  • A informação enunciativa e polifônica: a apropriação do discurso alheio
  • A acoplagem das informações hierárquica, relacional, enunciativa e polifônica
  • A forma de organização estratégica: estudo da gestão de faces no comentário 225

Neste comentário, o comentarista critica a forma de pensar de seu interlocutor (1) Seu raciocínio é infeliz e marca especificamente seu endereço (2) Nick133. As informações sobre a forma de organização enunciativa permitem especificar a maneira como se dá a apropriação do discurso alheio pelo comentador. Para isso, a informação do quadro de interação é essencial, pois define o nível e a posição do comentador em relação aos seus interlocutores diretos e em relação àqueles que invoca no seu discurso em forma de representação.

Figura 23 - Descrição da ação do comentador no comentário 225
Figura 23 - Descrição da ação do comentador no comentário 225

Análise do comentário 131: a estratégia de provocação

É isso que indica sua ação de chamar a voz do eleitor, fazendo-o “dizer” um ponto de vista que o próprio comentarista pretende defender, como mostra o estudo da forma de organização da enunciação. Linguisticamente, o advérbio “geralmente” no início de As (6) Geralmente, devido ao efeito manada, que o país afunda, indica outra possível estratégia de salvação empreendida pelo comentador. Por outro lado, observa-se também o investimento do comentador na proteção da sua face, mobilizando informações de caráter linguístico (adverbial), pronunciativo, hierárquico e relacional.

Imagem

Figura 2 – O comportamento polido de acordo com o trabalho relacional
Figura 4: Constituintes e função da dimensão situacional
Figura 5 – Esquema do processo de negociação
Como  se  pode  observar,  o  G1  figura  na  primeira  posição  dos  sites  de  notícias  mais  acessados  no  Brasil
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Referências

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