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universidade federal de minas gerais

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Academic year: 2023

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Não se trata de polarizar artificialmente uma relação em que múltiplos interesses se sobrepõem, apagando as suas nuances ou colorindo a existência de divergências entre partes alinhadas. Ao mesmo tempo, é oportuno falar de uma história cis-atlântica, pois é uma parte específica deste mundo conectado que se tornará o centro desta intersecção de histórias e personagens: a região mineira.

O discurso dos governantes sobre a rebeldia escrava: dois caminhos que se cruzam nas

O palco: de sertão a capitania principal

É neste contexto que, como sublinha Francisco Andrade, devem ser entendidos os tratados sobre as descobertas de metais e pedras preciosas27. Este caráter único, segundo Carla Anastasia, pode ser explicado pela natureza do produto extraído.

Os personagens em confronto

  • Escravizados e traficados rumo ao hinterland mineiro
  • Os capitães-generais, dos campos de batalha para o governo da América . 48

A presença portuguesa em Angola tinha-se fortalecido desde antes da unificação das coroas, com a criação, em 1576, da cidade de São Paulo de Luanda, que se tornaria uma importante base para o crescimento do comércio internacional de escravos72. O primeiro regimento a referir-se especificamente ao cargo de governador e capitão-general está registrado muito mais tarde no mesmo livro. Além disso, famílias situadas à margem da primeira nobreza começaram a adoptar estratégias consuetudinárias que Nuno G.

Como vimos, portanto, o significado comum dos diferentes significados dos termos quilombo e mocambo é a existência generalizada de escravos fugitivos formando comunidades mais ou menos móveis que foram criadas como ameaças à ordem pública191. Porém, como mencionado acima, o que aconteceu foi exatamente o contrário: foi a noção de quilombo que derivou da noção de quilombola, como local de refúgio destes. Não apenas são impostas punições distintas e mais pesadas, mas o peso de uma categoria é colocado sobre aquele indivíduo, que passa a moldar a percepção social de seu lugar político.

Mapa 1 - Quilombos suburbanos no entorno de Vila Rica
Mapa 1 - Quilombos suburbanos no entorno de Vila Rica

Rebeldia escrava e resistência quilombola

Ainda seguindo essa tendência interpretativa, dentre as produções historiográficas do final do século XX, vale destacar A negação da ordem escravista: quilombos em Minas Gerais no século XVIII, dissertação de mestrado apresentada por Carlos Magno Guimarães no Departamento de Ciência Política na UFMG no ano de 1983, que posteriormente foi publicado em livro em 1988 pela Editora Ícone. Na tentativa de se opor à visão do quilombo como forma de resistência, Donald Ramos publica o artigo “O quilombo e o sistema escravista em Minas Gerais no século XVIII” na coleção Liberdade por um fio205. Seu primeiro argumento é que os quilombos em Minas Gerais não existiam por si só, porque “os escravos geralmente não fugiam para longe das comunidades mineiras urbanizadas”206.

O quilombo em Minas Gerais não só não representava uma ameaça à sociedade luso-brasileira, mas na maioria das vezes colaborava com ela.

O escravo rebelde: de componente da família a inimigo da República

A resistência quilombola pode ser entendida como uma série de ações sociais realizadas por escravos com o objetivo de finalmente sair do controle de seus senhores. A Vida Familiar Escrava na São Paulo do Século XVIII: O Caso de Santana de Parnaíba. No contexto do paternalismo escravista, a manutenção da ordem ocorria principalmente ao nível da unidade de produção/família e nas relações pessoais entre senhores e cativos.

Um aspecto importante desse esforço de manutenção da ordem referia-se, como aponta Andréa Lisly, ao maior ou menor grau de rebeldia no comportamento da população escravizada: “entre a observância das normas e o exercício diário da vontade de poder houve uma série de mediações determinadas não apenas pela discricionariedade do proprietário, mas também pela maior ou menor resistência oferecida pelos escravos à dominação”241.

A montagem do aparato antiquilombola

Além dos regulamentos acima analisados, que fornecem termos gerais para os crimes cometidos por escravos e da jurisprudência existente nesses casos, três tópicos principais ocupam a discussão e montagem do aparelho no período anterior à seção estudada nesta dissertação, especificamente: o regulamento . de armas em poder dos escravos, controle sobre o quadro-negro e controle sobre a mobilidade espacial dos escravos. Como sujeitos ativos da história, neste processo de mediação acabaram também por transformar a forma de governar em função das ordens que tinham e das circunstâncias em que viviam. Uma discussão interessante é a razão das repetidas proibições dos jogos de quadro-negro.

Segundo a autora, as meninas do quadro-negro podem atuar como importantes agentes de informação no seu cotidiano de trabalho, veiculando notícias sobre expedições em organização ou outras medidas repressivas publicadas para a região.

Os Regimentos dos Capitães-do-mato

Embora haja concordância entre a nomenclatura desses postos e os títulos militares, os bosquímanos não faziam parte das tropas remuneradas mantidas pela Coroa. O Regimento também previa que nas expedições de descoberta e destruição de quilombos os mateiros pudessem ser acompanhados por integrantes da tropa remunerada. Vejamos os dados apresentados por Carlos Magno Guimarães sobre a concessão de patentes aos homens selvagens ao longo do século XVIII em Minas Gerais.

Lourenço de Almeida, 31 refere-se a 1722, ano em que foi publicada a versão definitiva do Regimento dos Capitães-das-Matas.

Gráfico 1 - Número de patentes de homens-do-mato concedidas em  Minas no século XVIII
Gráfico 1 - Número de patentes de homens-do-mato concedidas em Minas no século XVIII

Os capitães-generais, a resistência quilombola e a construção de um discurso anti-rebelião

O uso de correspondências como fontes históricas e a escrita na Alta Idade Moderna

Para já é necessário compreender, ainda que brevemente, os percursos da narrativa escrita e o seu papel social a partir dos tempos modernos, e em particular alguns elementos da construção de uma cultura epistolar, que, associados a uma cultura imperial, caracterizam o pano de fundo deste trabalho292. Bouza Álvarez tenta desvendar as linhas gerais do processo de construção de uma civilização escrita durante a chamada Alta Modernidade Europeia. A partir deste contexto, a história política deixa de ser vista como uma história tradicional e conservadora, mas abrange, numa perspectiva mais interdisciplinar, novos temas, novas fontes e novas abordagens.

Como nos lembra Ângela de Castro Gomes, não são apenas os literatos que escrevem, sobretudo quando se trata de uma forma, como as cartas, de escrita autorreferencial, ou de autoescrita304.

A produção epistolar no contexto do Império português na Idade Moderna

No caso da escrita de cartas, existiam diversas publicações que a partir do século XVI eram coletâneas de textos contemporâneos, pertencentes a diversos autores, ou que se destinavam expressamente a servir de apoio às atividades de uma determinada clientela. A segunda em cartas de notícias, de recomendação, de agradecimento, de reclamação, de desculpas e de misericórdia. Nesse sentido é possível sugerir que apesar da correspondência trocada entre o governador e a Coroa ter um caráter aparentemente privado e uma circulação inicialmente limitada, o seu conteúdo narrativo passou a servir como forma de consolidar uma escrita de si e uma memória de si mesmo. e a Câmara, como salienta Filipe do Carmo Francisco327, além de redigir o outro, introduz um lado de uma disputa pela representação.

Bouza afirma, por fim, que a escrita permitiu superar o esquecimento, agregando confiabilidade pelo seu valor probatório e duradouro à memória de seu relato: “permitiu-nos deixar menção para tempos futuros de uma situação específica e da intenção ou inteligência do, que escreveu; isso fez dela uma entrada para a lei e a sabedoria"328.

A nobreza de serviço brigantina e a guerra

Um desses elementos é a construção de uma cultura militarista como tradição inventada na nobreza de serviço brigantina, “uma nobreza em busca de autoestima”, segundo Laura de Mello e Souza334. Este processo está ancorado na consolidação da dinastia de Bragança sob pelo menos dois pontos de vista: (1) a pacificação interna e externa, ou a falta de conflitos para travar após 1713, tornando a vida na corte uma grande estagnação, e (2) a enfraquecimento da nobreza, que se torna “alienígena” ou de serviço, o que, pelo menos este último, que é o objetivo do presente trabalho, exige um fortalecimento da identidade ou a construção de uma autorrepresentação cujo valor aumentaria diante do "crepúsculo"335. É uma lista, organizada cronologicamente, da participação de tropas, forças armadas, serviço em fortes, tomada de praças, campanhas militares e encontros com inimigos, ocorridos entre os anos de 1640 e 1658.

A presença de listas desta natureza juntamente com os papéis da família tem contribuído para a constatação de que, quando são solicitados favores, são mobilizados os serviços da linhagem como um todo, permitindo-nos observar esta tentativa de criação de um edifício memória da Casa. que, ao mesmo tempo, extrapola e reforça as autoapresentações dos indivíduos que a ela pertencem.

Armar os índios contra os quilombolas

À luz do exposto, ou seja, do facto de os religiosos, apesar de repetidas proibições em contrário, terem feito uso privado da mão-de-obra indígena e ao mesmo tempo recusarem-se a disponibilizá-la para serviços relacionados com o bem público, D. Pedro de Almeida, em 13 de julho de 1718, que se sabe que a proposta de aldeia não foi concretizada: “a aldeia pretendida ficou sem povoamento, porque não havia outros índios que pudessem habitá-la, a ideia foi frustrada [in ]tenção de meu antecessor e, portanto, os danos causados ​​pelos quilombolas não podem ser reparados”353. Para evitar a aliança com outras criaturas temíveis (os quilombolas que também se aprofundavam na floresta), os poderes estabelecidos tentaram desde cedo (as primeiras referências datam de 1714) enviar esquadrões de índios para segui-los na perseguição dos negros fugitivos. .

Na época de Bobadela, foi decidido que 50 casais de Tapuia deveriam ser transferidos de São Paulo para cada um dos bairros de Minas Gerais, 'para sair de lá e destruir os quilombos dos negros, que muitas vezes roubam e matam viajantes, pois isso significa que eles estão tentando. evitar esses insultos tem sido ineficaz.

Dom Pedro de Almeida, o bom capitão e a ordem da República

As datas por ele mencionadas na peça, 13 e 15 de julho de 1718, correspondem a um intervalo em que se encontra uma prolífica produção de cartas: entre as páginas 523 e 557 do Códice 4 da Seção Colonial360 uma sequência de onze cartas emitidas abrangendo diversas questões relativas ao governo da região. No aviso de 13 17 de julho de 18366 não só está presente o elemento do palmarismo, mas também vemos uma noção central para a reflexão empreendida neste trabalho, a saber, a dificuldade da questão da resistência quilombola, aliada à noção de um papel estratégico para a região , para o império como um todo, terá implicações importantes para o quadro que procuramos construir. Para além das semelhanças culturais e relacionais que se verificam entre as casas estudadas por Curto e Francisco, é de salientar que as categorias da guerra são uma forte referência na constituição desta imagem que se pretende perpetuar como memória.

O termo calambola, quando se constitui como uma palavra carregada de sentido, adquire um aspecto pré-intencional: diz mais do que se pretende, investe demais no sentido dos usuários.

Considerações finais

De acordo com o discurso do governo e a letra da lei, o peso da categoria é incorporado ao ti quilombola/calambola, que passa a moldar a percepção social dela e do seu lugar político. Se é possível falar de uma cultura epistolar entre autoridades responsáveis ​​por diferentes níveis de governo, ela é necessariamente inseparável da cultura imperial e do resultante desenvolvimento de políticas e aparelhos. Pode-se supor que, embora a correspondência trocada entre o Governador e a Coroa fosse claramente de natureza privada e inicialmente de circulação limitada, o seu conteúdo narrativo serviu como forma de consolidar a escrita de si e a memória de si e do casa, como se viu nos casos de Assumar/Alorna e Albuquerque Coelho, além de redigirem o outro, configurando um dos lados da disputa pela representação.

No primeiro caso, é possível abordar uma narrativa quase biográfica, que nos seduz a sermos percebidos como lineares e dotados de significado interior.

  • Bases de dados
  • Fontes impressas
  • Fontes manuscritas
  • Bibliografia

Artes de Fabricação e Artesanatos Banais: Controle dos Artesanatos Mecânicos pelas Câmaras de Lisboa e Vilas de Minas Gerais. Em busca da organicidade: um estudo do fundo da Secretaria de Governo da Capitania de Minas Gerais. Ouvidorias distritais em Minas Gerais: origem do grupo, remuneração por serviços judiciários e oportunidades de mobilidade e ascensão social.

Imagem

Mapa 1 - Quilombos suburbanos no entorno de Vila Rica
Mapa 2 - Principais localidades mineiras afetadas pelo fenômeno quilombola ao longo do  século XVIII
Gráfico 1 - Número de patentes de homens-do-mato concedidas em  Minas no século XVIII
Gráfico 1 - Número de patentes de homens-do-mato concedidas em  Minas no século XVIII (continuação)

Referências

Documentos relacionados

Com o objetivo de propor melhorias na rotina de trabalho da Secretaria do Programa de Pós- Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, mediante a padronização dos