Observou-se que a região atlântica equatorial, mesmo próxima à foz do rio Amazonas, apresenta variação mais expressiva na escala de 10 a 14 meses do que a variação sazonal de 4 a 8 meses. A correlação entre os dados de TSM e Rol (Radiação de Ondas Longas) não foi significativa para o período estudado, porque a correlação entre a TSM e o caudal da estação de Óbidos foi muito baixa, indicando que o caudal não é um factor dominante para a variabilidade da TSM . das águas do norte do Brasil. Pois a correlação entre as anomalias de TSM dos três pontos selecionados e as anomalias de TSM da bacia do Atlântico Norte e Sul mostrou claramente a influência do padrão dipolo na região de estudo, sugerindo que elas estão fortemente conectadas.
Para o Oceano Atlântico, o mecanismo dominante em grande escala na variabilidade da TSM é conhecido como padrão dipolo, caracterizado como a presença simultânea de anomalias de TSM com sinais opostos nas bacias do Atlântico Norte e do Atlântico Sul.
OBJETIVO GERAL
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
EL NIÑO /LA NIÑA
Para a Amazônia, o El Niño pode atingir, pois essas anomalias afetam a posição da ZCIT sobre o Atlântico e afetam a distribuição da precipitação no norte e nordeste da América do Sul. As secas e inundações na Amazônia nem sempre estão associadas aos fenômenos El Niño ou La Niña, mas em alguns anos alguns fatos coincidem.
DIPOLO DO ATLÂNTICO
Em seu trabalho, Souza (1998) mostrou que a influência do padrão dipolo na qualidade do período chuvoso no semiárido nordestino é maior que a influência do Oceano Pacífico nos eventos El Niño e La Niña, o que se deve ao fato de que os padrões oceânico-atmosféricos da bacia do Atlântico influenciam diretamente na ZCIT (responsável pela grande variabilidade de precipitação no norte e nordeste do Brasil).
CORRENTES OCEÂNICAS
Devido ao fluxo contínuo para oeste, a camada mista é mais profunda neste lado do que no lado leste da bacia do Atlântico. A Corrente Norte do Brasil (CNB) é a principal corrente superficial que opera no litoral norte do Brasil, que é influenciada sazonalmente pela vazão do Rio Amazonas, aumentando ou diminuindo a quantidade de material transportado ao longo da costa por esta corrente. A Contracorrente Norte Equatorial é formada pela retroflexão da Corrente Norte do Brasil entre as latitudes 5° e 10° N (Figura 3.3).
A principal característica deste sistema é a sua localização sobre regiões oceânicas com anomalias positivas de TSM e anomalias negativas de pressão na superfície do mar (PES), que são os principais fatores forçantes. Migra sazonalmente (Figura 4.2), em condições normais a sua posição é mais a norte entre agosto e setembro e mais a sul nos meses de março a abril, e a sua posição média é ligeiramente acima do equador (MELO et al, 2009). A posição da ZCIT afeta as chuvas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, e por isso tem sido objeto de muitos estudos para compreender as secas e enchentes que ocorrem nessas regiões.
Melo et al. (2002), Rosário, Nobre e Carneiro (2004) determinam a posição da ZCIT utilizando os valores da Radiação de Ondas Longas (ROL), avaliando seu comportamento ao longo do ano para melhor compreensão e previsão da distribuição e intensidade de precipitação nas regiões nordestinas que são constantemente afetadas por secas ou enchentes. Além da influência atmosférica, a região da plataforma continental amazônica representa um ambiente de alta energia, influenciado pelas marés e correntes de maré, pela Corrente Norte Brasileira e pela descarga de água do Rio Amazonas, que proporciona condições dinâmicas periódicas, dependendo das condições meteorológicas ( SILVA et al., 2001). A descarga hídrica e sólida do rio Amazonas, que, devido à sua grande oferta de água doce e sedimentos, provoca a formação de uma extensa pluma de água de baixa salinidade.
DADOS DE TSM DA ÁREA DE ESTUDO
ANÁLISE DE ONDELETAS
Uma descrição completa da metodologia utilizada na análise wavelet é detalhada no trabalho de Torrence e Comp (1998). Três pontos estratégicos com latitude e longitude diferentes dentro da área de estudo para o mesmo período foram selecionados para analisar os dados e discutir os resultados com transformadas wavelet. O ponto mais ocidental (ponto 1), outro ponto central bem próximo à foz do Rio Amazonas (ponto 2) e o último ponto localizado na parte mais oriental (ponto 3).A Figura 5.2 abaixo mostra a localização desses três pontos em a área de estudo.
DADOS DE ROL, VAZÃO E ATSM DAS BACIAS DO ATLÂNTICO NORTE
Impacto (IC), onde os dados abaixo desta linha não são considerados válidos e estão sujeitos a erro estatístico. Os dados interpolados de ROL e TSM para as bacias do Atlântico Norte e do Atlântico Sul para o nosso período de estudo foram obtidos do NOAA/OAR/ESRL PSD, Boulder, Colorado, EUA, em seu website em http://www.esrl.noaa. gov/psd/. Para todos os dados foi calculada uma média aritmética simples para posteriormente calcular o valor da anomalia.
Observa-se que uma série de águas mais quentes apresentam um deslocamento ao longo do ano no sentido Norte-Sul, demonstrando claramente o ciclo sazonal da nossa região, que é dividido em dois períodos (seco e chuvoso). A partir do mês de maio, seguido dos meses de junho e julho, observa-se um deslocamento dessa massa de água mais quente em direção ao norte e as águas mais frias posicionam-se na região mais próxima da Linha do Equador. Em agosto e setembro, esta faixa de TSM máxima está na sua posição mais ao norte.
A partir de outubro, esta faixa de valores máximos de TSM começa a se deslocar novamente para sul. Para os anos de 1998 e 2005, pode-se observar que em junho a faixa de TSM já está bem mais ao norte do que nos outros anos, com ocorrência de TSM mais frias próximo à costa. Para o ano de 2004, o mês de Dezembro é marcado pelo facto de as águas mais quentes estarem ainda mais a norte do que nos outros anos.
ANÁLISE DE ONDELETAS
Nos meses de janeiro, fevereiro e março, as massas de água concentram-se bem próximas à linha do Equador, na região da foz do rio Amazonas. O gráfico (c) mostra que o ciclo que se destaca é o interanual para os três pontos e o ciclo sazonal apenas nos pontos 2 e 3, o que é mais expressivo no ponto 2. Para o ponto 1, o gráfico (b) mostra que as regiões mais significativas no espectro, ou seja, os mais energéticos, concentram-se entre o período de 10 a 14 meses e através da série temporal de dados de 1998 a 2007, mas o ano de 1998 e o início de 1999, bem como metade de 2006 e o ano todo o ano de 2007 está fora do IC, portanto iremos desconsiderá-los. Dentro desta grande área energética destacamos os anos de 2000 e 2001, que são mais expressivos que os demais anos.
No ponto 2 (gráfico b), observa-se uma elevada variabilidade de frequência de aproximadamente três a quatro meses entre o final de 2008 e o início de 2009; No período de 6 a 8 meses temos regiões significativas em 2002 e no final de 2006 e início de 2007. A mesma região significativa para o período de 10 a 14 meses também aparece no ponto 2, mas com menos força e até final de 2005. O resultado mais interessante observado no espectro da valsa é a diferença de intensidade energética entre os três pontos 1, 2 e 3, que, apesar de estarem próximos, se comportam de maneira diferente.
O ponto 1, localizado na zona mais ocidental, foi o mais importante para períodos entre 10 e 14 meses, ou seja, dentro do ciclo anual. Um fator que pode explicar esse comportamento poderia ser a presença de redemoinhos anticiclônicos na zona de retroflexão do CNB descrita por Silva, Araújo e Bourlès (2005) localizada aproximadamente na latitude 5°N e longitude 50°W (Fig. 3.3). Segundo Xia (1994 apud CORREA, 2009, p. 31) a retroflexão do CNB e o posicionamento da ZCIT favorecem o aumento da TSM. Para o ponto 2, que está localizado bem no centro da área de estudo, próximo à foz do Rio Amazonas, pode-se observar que a variabilidade energética para um período de 6 a 8 meses provavelmente indicou que essas diferenças sazonais foram maiores em 2002 e 2006 e início de 2007 podem estar relacionados à variabilidade interanual, como eventos El Niño, La Niña e Dipolo do Atlântico.
RELAÇÃO ENTRE TSM-FOZ E VAZÃO
RELAÇÃO ENTRE ROL E TSM-FOZ
RELAÇÕES ATSM ATLÂNTICO EQUATORIAL- ATSM ATLÂNTICO
Nas correlações entre as anomalias de TSM para o Atlântico Sul (direita), observa-se situação inversa para o ponto 1, temos uma correlação negativa com coeficiente de correlação de -0,69 e positiva para os pontos 2 e 3 com coeficiente de correlação de 0,47 e 0,75 respectivamente. No ponto 1 temos uma correlação positiva com o Atlântico Norte e negativa com o Atlântico Sul, sugerindo que esta região é mais influenciada pelo Atlântico Norte, possivelmente por ser uma região de retroflexão da Corrente Norte do Brasil. Para os pontos 2 e 3 houve correlações negativas para o Oceano Atlântico Norte e positivas para o Oceano Atlântico Sul (ver tabela 4 e figura 5.6).
Isto sugere que a grande vazão do rio Amazonas isola esta região da influência das águas do Atlântico Norte. Nobre e Shukla (1996) observaram em seu trabalho que nos anos em que anomalias negativas estiveram presentes no Atlântico Norte Tropical e positivas no Atlântico Sul Tropical, conhecido como “Evento Frio”, a ZCIT ao sul de sua posição climatológica, portanto indica que a água mais quente está mais próxima da Plataforma Continental, o que retarda seu deslocamento para Norte, e portanto, quando temos um padrão de anomalias positivas no encontro do Atlântico Sul, águas mais quentes em nosso estudo área, cuja precipitação se torna mais abundante neste período de “Evento de Frio” que também afeta a vazão do Rio Amazonas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Corrente Norte Equatorial, ZCIT, além de influências indiretas significativas que ocorrem devido às mudanças nas circulações atmosféricas e oceânicas ocorridas nas bacias do Atlântico Norte e Sul. O fluxo do Atlântico Equatorial e as anomalias de TSM apresentam correlações positivas baixas para os três pontos mostrados , o que novamente confirma os resultados das wavelets, sugerindo que a variabilidade da TSM depende não apenas do fluxo, mas de outros processos que podem estar relacionados a variações interanuais como El Niño, La Niña e Dipolo do Atlântico. Bomventi et al (2006) mostram em seu estudo que para a região, embora existam altas taxas de precipitação, apresenta baixos níveis de correlação indicando que apesar da TSM ser elevada, os valores negativos de OLR nem sempre indicam atividade de convecção profunda não indica, sugerindo que há influência de outros processos neste local além da variabilidade da TSM.
A correlação negativa entre as anomalias e as bacias do Atlântico tropical para o período estudado foi alta, o que caracteriza a ocorrência de eventos dipolares durante o período estudado. Outra observação importante foi a correlação entre as anomalias nas bacias do Atlântico Norte e Sul com as áreas de estudo, as correlações são opostas, o que mais uma vez sugere a presença do dipolo e suas influências no Atlântico equatorial. Relação entre radiação de ondas longas, precipitação e temperatura da superfície do mar no Atlântico tropical.
Variabilidade oceânica e atmosférica na região tropical atlântica na análise de ondas de dados de redes piratas. Revista Brasileira de Meteorologia, v.20, n. Mudanças sazonais na estrutura das massas de água na plataforma continental amazônica e na área oceânica adjacente. Um estudo observacional do padrão dipolo de anomalias de TSM no Oceano Atlântico tropical.