Agricultura camponesa, sustentabilidade e estabilização territorial em Santo Antônio do Tauá-PA/ Antônio Arthur Cruz do Nascimento; Conselheiro Carlos Valério Aguiar Gomes. A base empírica para essas reflexões baseia-se na realidade da zona rural do município de Santo Antônio do Tauá, nordeste do Pará.
APORTE CONCEITUAL
Portanto, o caráter “empírico” e “arcaico” (PENTEADO, 1967, p. 470) da agricultura familiar nas frentes de fronteira lhe daria o ônus de dizimar as hortas do território e, posteriormente, possibilitaria a implantação de recursos agrícolas tecnológica e economicamente capazes. empresas a desenvolverem a região em áreas “abandonadas” (áreas já derrubadas) por agricultores familiares. Outra perspectiva nos leva a compreender a realidade socioprodutiva da agricultura camponesa de Tauá dentro das teses de autores como Costa et al. 2000a) defende a "estabilização relativa através da complexificação", mostrando que em áreas de colonização anterior (como no Nordeste do Pará), a agricultura camponesa, através da combinação da agricultura perene e temporária e da pecuária de pequeno porte, promoveu uma diversificação de sua produção. sistemas produtivos, o que resulta na superação da agricultura itinerante e, portanto, reduz significativamente a pressão sobre as áreas florestais primárias e/ou secundárias.
PROCEDIMENTOS DE CAMPO
Dentro de um percurso metodológico que privilegia a abordagem qualitativa, entrevistas semiestruturadas com agricultores de ambas as comunidades questionaram sobre o tempo de propriedade e a forma de acesso à terra, além da titulação do estabelecimento. Estas questões remontam a um fator fundamental defendido por Hurtienne. e Costa e é vista neste trabalho como fundamental para a estabilidade da agricultura familiar agricultora devido à complexidade do agrossistema: a segurança fundiária. Para completar a dimensão econômica da análise das empresas familiares, foram feitas perguntas sobre o acesso ao financiamento público para o segmento, com foco no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) 1.
ESTRUTURA DO TRABALHO
Assim, o contexto de I) o crescente debate internacional em torno de questões ambientais na década de 1980, como o desmatamento e o aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, e II) a visão da Amazônia como o pulmão do mundo, uma floresta com baixa a resiliência e a ideia de solos pobres2 “levaram organizações internacionais como o Banco Mundial e programas nacionais de desenvolvimento em países industrializados a mudarem abruptamente a sua percepção sobre a Amazônia”. A atribuição dos danos ambientais e socioeconómicos na região é atribuída à 'agricultura nómada' das explorações agrícolas, com base na ideia de que funciona territorialmente de forma cíclica, expandindo as fronteiras agrícolas e suprimindo a cobertura florestal.
AS VISÕES DO CICLO DE FRONTEIRA E A ESTABILIZAÇÃO POR MEIO DA
Os padrões historicamente diversos de uso da terra na Amazônia desacreditam a natureza empírica das abordagens homogeneizadoras, um fator clássico atribuído à suposta capacidade teórica da tese do ciclo de fronteira para explicar uniformemente a contribuição da agricultura familiar para a sustentabilidade. Assim, no que diz respeito às abordagens que verificam a viabilidade socioecológica da agricultura familiar, segundo Hurtienne (199, p. 80-82), existem dois pressupostos básicos construídos sobre a tese do ‘ciclo limite’ e da ‘estabilização relativa’. . através da complexidade”. As análises de Costa apontaram uma tendência contrária à linearidade do ciclo fronteiriço que condicionou a pequena produção a um quadro de contínua sujeição produtiva e econômica ao capital que avançava constantemente no campo, ao mostrar que os elementos associativos com a racionalidade do ciclo fronteiriço eram realizado com mais rigor em áreas com fronteiras mais recentes, enquanto em áreas com colonização e ocupação mais recentes, como no nordeste do Pará (onde o ciclo deveria, em teoria, ter cedido territórios já conhecidos ao grande capital e proletarizado a força de trabalho). conhecido).
Algumas condições externas consideradas essenciais para a manutenção do dinamismo nômade atribuído à agricultura camponesa, por exemplo no Nordeste do Pará, como o encurtamento do ciclo do vômito devido à crescente integração nos mercados da Grande Belém e à pressão demográfica, ao empobrecimento fundiário , a diminuição do rendimento/estabelecimento e a incapacidade de investir na correção nutricional, confirmando o empobrecimento económico das empresas, eram tendências na dinâmica do ciclo que tinham validade limitada. Para compreender a formação socioespacial tanto da zona urbana quanto da rural do município de Santo Antônio do Tauá, remetemos ao padrão de ocupação funcionalizado pela colonização portuguesa na Amazônia, além das sucessivas estratégias coloniais até o século XX. O antigo caminho era interligado pela então "estrada da Vigia", que era utilizada pela população dos núcleos coloniais ali estabelecidos. Dessa ligação surgiu um pequeno assentamento rural - o povoado de Santo Antônio do Tauá, que mais tarde se tornaria sede da o município com o mesmo nome.
Nesse contexto, no final do século XIX, a ocupação das áreas hoje atravessadas pela PA 140, nordeste do Pará, no início do século XX foi realizada por esses imigrantes que se estabeleceram, por exemplo, no atual- município de Santo Antônio do Tauá e que após algumas comunidades se formarem às margens da ligação (posteriormente transformada em rodovia nacional) que o município de Vigia tinha com a ferrovia Belém Bragança, a colonização agrícola da área com a abertura de estradas vicinais foram fundamentais nesse processo. Assim, o território agrícola do km 23 ao 29 do município de Santo Antônio do Tauá foi historicamente estabelecido por famílias imigrantes do Nordeste do país, que habitavam o município desde a época em que este ainda era distrito do município de Vigia ( período anterior a 1961).
AGRONEGÓCIO DO DENDÊ NO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO TAUÁ
Combinar diferentes orientações agrícolas, portanto, diferentes modelos de desenvolvimento rural e de utilização dos recursos naturais no município representa uma intervenção direta do poder público no mosaico sócio-espacial agro-empresarial através de políticas públicas segmentadas em determinadas produções agrícolas. . O agronegócio em Santo Antônio do Tauá, nas condições discutidas, funcionaliza os casos agrícolas e industriais promovidos pela política estadual de fomento à monocultura de dendê na década de cinquenta do século passado e passou a adquirir territórios no município em meados da década de setenta (NASCIMENTO & ALBUQUERQUE, 2015). . As famílias japonesas que se estabeleceram no município de Santo Antônio do Tauá estão intimamente ligadas à colônia japonesa no município de Santa Izabel do Pará e territorializaram-se espontaneamente no município em relação às colônias japonesas como as do município de Tomé Açu, por exemplo.
Assim, apesar dos discursos desenvolvimentistas que abordavam o cultivo da oleaginosa como uma possibilidade ambiental, social e economicamente sustentável para a Amazônia, especialmente nos primeiros surtos de inserção na década de 1970, o comportamento dos mais importantes produtores de óleo de palma do município contesta a própria estratégia que legitima. É possível que essa dissociação seja justificada pelo fato de a produção no município ser destinada à indústria alimentícia e não à produção de biocombustíveis, segmento que atribui a admissibilidade do pequeno agricultor como ponto fundamental. O total de quase 300 empregos diretamente associados à produção de óleo de palma no município exige detalhes fundamentais, primeiro, os empregos diretamente ligados às refinarias utilizam quase na totalidade mão de obra da sede urbana do município e 10% de outras como Santa Isabel, Castanhal , Colares e São Caetano (COSTA, 2015), inibindo a hipótese de vetor de desenvolvimento rural.
Da mesma forma, a mão de obra remunerada no meio rural que as empresas absorvem não provém principalmente de Santo Antônio do Tauá, pelo contrário, considerando que os maiores projetos das empresas estão localizados no município de Castanhal e estão ligados aos dois refinarias da PA 242, que empregam principalmente trabalhadores das aldeias agrícolas deste município, Santa Terezinha e Iracema, conforme observado em Nascimento & Albuquerque (2015). AGRICULTURA CAMPO NO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO TAUÁ Referente à difusão de conceitos sobre o arcabouço teórico e institucional.
AGRICULTURA CAMPONESA NO MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DO
Pelo contrário, a forma salarial ocorre na produção camponesa dependendo do ciclo de vida da família. Contudo, oferecem semelhanças fundamentais no modelo econômico domiciliar de priorizar as condições básicas de reprodução socioeconômica familiar como resultado da otimização do trabalho dos membros da família, além de estabilizar a área utilizada em detrimento de promover a cobertura vegetal de forma linear, como visto historicamente na agricultura camponesa, foi enquadrado. Na comunidade, o limite de idade para plantio de culturas permanentes na mesma área chega a 15 anos, e idade indefinida nas situações de incorporação de áreas de outros plantios (hortas ou jardins), substituição realizada em função da variação do lucro econômico.
Observou-se que embora o cultivo da mandioca tenha tido importância económica histórica, sofreu um declínio significativo nas últimas décadas, tanto pela concorrência com outros mercados que também abastecem Vigia de Nazaré como também pelo aumento da área plantada nos segmentos mencionados. acima. . Outra nuance interessante que orientou as respostas a esta questão incluiu a insuficiência de mão-de-obra familiar para gerir novas áreas de cultivo: os desafios enfrentados com uma necessidade económica crescente foram superados pela diversificação do sistema agrícola baseado em culturas com valor de mercado atrativo. Aqui, a atenção crescente é dada às culturas do açaí, por exemplo. A sutil variação da modelagem agrícola em torno da variabilidade das culturas está, neste trabalho, hipoteticamente associada à possibilidade de maior ou menor emprego de mão de obra por empreendimento, quando há mais familiares dispostos a trabalhar há uma tendência de aumento das culturas nas áreas plantadas. mudar. território.
Ao comparar esses objetos com outros de propriedade e área plantada iguais ou semelhantes, mas manejados por famílias menores, observou-se que o tempo destinado ao pousio foi maior devido à concentração do trabalho nas áreas de ativos do agrossistema (entre dois e três anos), o mesmo em instituições com orçamentos limitados e oportunidades mais limitadas para a inclusão de mão-de-obra externa. A mudança de idade das plantações em uma mesma área apresenta variações extremamente diversas, o teto chega a 40 anos para o empreendimento, levando em consideração uma rotação da superfície neste intervalo, essa mudança ocorre dependendo da extensão total da área. O possível encurtamento do ciclo da cultura ou a inclusão de novas áreas para plantio dentro de empresas familiares, em João Coelho, representa uma mudança, mas não levou à insegurança nos agrossistemas devido à crescente integração do mercado e ao crescimento populacional, o que levará, em teoria , à inclusão destas áreas pelos setores da pecuária ou da agricultura mecanizada.
Numa perspectiva semelhante, observou-se que a geração de renda vinculada à força de trabalho familiar é um componente fundamental do orçamento familiar em Taperinha.