Como funciona a iniciativa de coordenação do Conselho Regulador Cordeiro Herval Premium na cadeia produtiva de ovinos no estado do Rio Grande do Sul Analisar como funciona a iniciativa de coordenação do Conselho Regulador Cordeiro Herval Premium na cadeia produtiva de ovinos no Rio Grande do Sul.
Cadeias Produtivas
Segundo Arbage (2004), a abordagem da cadeia de suprimentos tem sido amplamente utilizada na tentativa de coordenar as ações organizacionais em uma determinada cadeia produtiva, que está associada a uma área geográfica específica. A abordagem da cadeia de suprimentos inicia-se com a percepção do processo no qual a empresa está inserida, o que possibilita ações gerenciais, pois consiste em um sistema de agentes interligados.
Cadeia de Suprimentos
Essa abordagem também foi nomeada como Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (SCM). O modelo de gestão da cadeia de suprimentos recomendado pelos autores pode ser melhor compreendido a partir da Figura 1.
Canais de Distribuição
No entanto, a chegada do produto ao ponto de entrega também requer uma gestão eficaz do canal de distribuição. Semelhante à lógica da cadeia de suprimentos, o resultado no canal de distribuição é melhor para todos os envolvidos quando o foco está na solução conjunta de problemas.
Coordenação
Segundo Machado e Zylbersztajn (2004), um sistema de coordenação é um conjunto de estruturas gerenciais que conectam diferentes segmentos de uma cadeia. Analisando os mecanismos de coordenação utilizados nas cadeias de suprimentos, Arbage (2004) encontrou resultados semelhantes aos publicados por Ferreira (2002).
Alianças Estratégicas
Em pesquisa sobre alianças estratégicas na cadeia da carne bovina, Ferreira e Barcellos (2004) apresentam as principais vantagens apontadas pelos agentes. Para Ward (2004b), as alianças buscam reduzir as tensões adversárias entre os diferentes agentes, aumentando o entendimento e a cooperação na indústria da carne. No entanto, o mesmo autor aponta que o maior obstáculo para a verticalização na indústria de carne bovina é a dificuldade de controle de qualidade e consistência.
Fechamento Teórico
Entende-se que essas duas abordagens devem ser consideradas em conjunto ao se estabelecer uma estratégia de coordenação na cadeia produtiva. A abordagem das alianças estratégicas é utilizada para explicar a forma de coordenação do Conselho Regulador Herval Premium na cadeia. Essa proposta teórica para investigar como funciona a iniciativa de coordenação na cadeia produtiva de carne ovina pode ser vista na Figura 5.
Caracterização do estudo e seleção do caso
O Conselho nasceu da iniciativa de um grupo de produtores da região sul do Rio Grande do Sul, mais precisamente da região da Serra do Sudeste. Participam do programa produtores da área de atuação do Conselho, colocando os ovinos à disposição do Conselho para classificação e agendamento de embarques posteriores. Após o abate, as carcaças são entregues, sob a supervisão dos membros do Conselho, a dois distribuidores diferentes que participam da aliança com o Conselho.
Proposições do estudo
Para Yin (2005, p.62-63), o estudo de caso único é pautado quando se trata de um caso raro ou revelador, ou seja, quando “[..] o pesquisador tem a oportunidade de observar e analisar um fenômeno previamente inacessíveis à investigação científica. Atualmente, o Conselho mantém aliança com dois distribuidores e um programa de abate de cordeiros visando a obtenção de carne de qualidade diferenciada e procedência garantida, agregando valor ao produto. São essas proposições que levaram à revisão bibliográfica, seleção das variáveis relacionadas, coleta e análise dos dados da pesquisa.
Procedimentos de Pesquisa
Coleta de dados
Análise dos dados
Limitações metodológicas da pesquisa
A seguir, são apresentadas algumas informações sobre a situação da atividade no Brasil, com especial destaque para o caso do Rio Grande do Sul, especialmente na cadeia produtiva da carne ovina. Finalmente, será relatado o caso específico da cadeia produtiva da carne ovina no Uruguai. Região que possui grandes semelhanças climáticas e culturais com o Rio Grande do Sul e características de coordenação da cadeia produtiva ovina, que constituem parte importante do referencial bibliográfico desta pesquisa.
Panorama Mundial
O mesmo autor aponta que o rebanho mundial diminuiu 11,2% desde 1990, enquanto a produção de carne ovina aumentou 6,2%. Apesar dos altos valores de comercialização e da crescente demanda por carne ovina em diversos países, esse é um conceito relativamente novo na ovinocultura. Isso significa que devido à conjuntura econômica internacional desfavorável para a comercialização da lã, surgiu um cenário alternativo de produção de carne ovina de alta qualidade.
As mudanças da ovinocultura no Rio Grande do Sul e no Brasil
Isso também provocou mudanças no cenário econômico da ovinocultura no Rio Grande do Sul, levando a uma diminuição significativa do rebanho. Dentre as mudanças ocorridas na cadeia produtiva da ovinocultura nos últimos anos, destaca-se a diminuição do total de animais do rebanho nacional, principalmente na região Sul, e o aumento do rebanho ovino nas demais regiões do país. Considerando a evolução do rebanho ovino nos estados mais representativos, o rebanho ovino da Bahia aumentou 19%, enquanto o do Rio Grande do Sul diminuiu 20% no mesmo período (ANUALPEC, 2004).
A carne ovina no Brasil e no Rio Grande do Sul
O mercado de carne ovina tem grande potencial em todo o país, pois a produção nacional ainda não atende a demanda, o que tem determinado o aumento das importações. Para Couto (2001), apesar desse potencial, não há informações precisas sobre o tamanho total do mercado de carne ovina no Brasil, nem um número preciso de abates nacionais. No entanto, o consumo de carne ovina ainda é considerado incipiente no Brasil quando comparado a outros países consumidores como Uruguai e Argentina.
A cadeia produtiva da ovinocultura de corte no Estado do Rio Grande do Sul
- Setor de Produção
- Industria Frigorífica
- Distribuição e Comercialização
- Ambiente Institucional e organizacional
Um dos maiores gargalos que impede o desenvolvimento da cadeia produtiva da carne ovina, juntamente com o abigeato, é justamente a falta de fiscalização no abate. Na cadeia da ovinocultura gaúcha, o ambiente institucional contempla uma cultura e tradição que exercem forte influência no desempenho da cadeia. De certa forma, o governo estimulou a reestruturação da cadeia da ovinocultura por meio de ações no âmbito institucional e organizacional, com limites muito estreitos entre eles.
O Caso de Coordenação na Cadeia Produtiva de Ovinocultura do Uruguai
- O contexto atual da cadeia de ovinocultura de corte do Uruguai
- Ambiente Institucional da cadeia uruguaia
- A iniciativa de coordenação do “Operativo Cordero Pesado SUL”
- Considerações Sobre a Iniciativa de Coordenação do “Operativo Cordero
Existe um guia de manejo, nutrição e normas sanitárias do "Cordero Pesado" para orientar o produtor. O desenvolvimento da marca internacionalmente seria muito caro, pois toda a carne "Cordero Pesado" é exportada. Para Salgado (2004, informação oral)3 o próprio mercado deve confirmar esta situação, os efeitos de coordenação, diferenciação e valorização dos produtos, isto está acontecendo atualmente no caso do “Cordero Pesado” no mercado de carne ovina no Uruguai.
Estrutura Organizacional
Os elos da cadeia produtiva que participam do Conselho Regulador da Herval Premium são: produtores e distribuidores, que formam aliança de marketing, com industrialização terceirizada. Entre os objetivos do Conselho estão a regularidade do abate e a sustentabilidade de carcaças de qualidade, obtidas de animais selecionados em propriedades localizadas na região da Serra do Sudeste que participam do programa. Técnicos: técnicos são credenciados para avaliar animais nos diversos municípios onde o Conselho atua.
Região de atuação
O Conselho possui uma diretoria e dois funcionários que auxiliam na operacionalização do programa, também fazem parte do Conselho os técnicos cadastrados no programa que fazem a seleção dos animais a campo. Produtores: os produtores da área de atuação do Conselho participam por adesão voluntária, não há restrições quanto ao número de cordeiros entregues e não há obrigatoriedade de entrega mensal; Diretoria: a diretoria é composta pelo presidente, vice-presidente, tesoureiros, secretários, conselho fiscal e diretores são completados por produtores eleitos para representar outros, a diretoria centraliza as decisões do Conselho;
Preceitos da formação
Programa de seleção de cordeiros
- Produção
- Parâmetros de seleção
- Abate e avaliação das carcaças
- Retorno de informações
- Remuneração
Quando o produtor tem interesse em ter seus cordeiros avaliados, ele entra em contato com o Conselho, que envia um técnico à propriedade para avaliar os animais individualmente, após o que é agendado o embarque dos animais selecionados. O abate dos animais selecionados é realizado em abatedouro de inspeção sanitária estadual no município de Pelotas. O município recebe dos distribuidores o valor referente à remuneração dos técnicos e repassa a eles, esse valor corresponde a 2% do valor total dos animais selecionados e vendidos.
Parcerias de cooperação
Distribuidores
Os ajustes a esse acordo predeterminado são, no entanto, registrados nas atas das reuniões do conselho. No acordo com os distribuidores, cabe à diretoria informar a previsão de abate de cada mês, ou seja, a quantidade de cordeiros que serão selecionados por Em geral, metade do total de carnes com o selo de qualidade do Conselho é destinada a grandes redes varejistas e a outra metade a restaurantes e açougues.
Instituições de apoio
Os resultados dos abates do Conselho refletem a diversidade do perfil do produtor rural participante do programa. Nenhum contrato foi assinado entre os produtores, nem o Conselho com eles ou com os distribuidores. A coordenação da cadeia produtiva ocorre por meio do programa de seleção de cordeiros e planejamento do abate nos diversos municípios da região de atuação do município.
A aliança do Conselho com os distribuidores garante a estabilidade de um canal de distribuição contínuo para o escoamento da produção. Coordenação na cadeia produtiva da ovinocultura como instrumento de desenvolvimento regional: o caso da iniciativa local Conselho Herval Premium.
Resultados do Programa de acordo com dados do Conselho Regulador Herval
Motivação para iniciativa de coordenação e formação do Conselho
O objetivo do Conselho é atuar especificamente com o mercado, com foco na comercialização da carne ovina. Porém, a estrutura organizacional do Conselho impede transações comerciais, por isso a diretoria composta decidiu fazer uma aliança com distribuidores para colocar no mercado o produto com o selo Cordeiro Herval Premium. A formação do Conselho e a coordenação que exerce, com o auxílio de parcerias desenvolvidas, evidenciam a importância das instituições na formação e atuação dessa nova estrutura da cadeia.
Caracterização da iniciativa de coordenação quanto a sua forma de atuação na
Desempenho da iniciativa de coordenação
Porém, estão insatisfeitos com reuniões limitadas à diretoria e produtores com disponibilidade para viajar até Pelotas, sede do conselho. Nesse sentido, o Conselho preocupou-se constantemente em manter a qualidade dos produtos e adequar-se às exigências do mercado consumidor. A questão cultural também é apontada como um dos fatores responsáveis pelo baixo rendimento da pecuária na região onde o município atua.
A atuação da Diretoria está alinhada aos princípios de gestão da cadeia de suprimentos e dos canais de distribuição, garantindo a eficiência do fluxo de produtos e também o fluxo de receitas ao longo da cadeia. Os distribuidores de cordeiros Herval Premium garantem o fornecimento de um produto com padrão de qualidade e número de carcaças programado, que é estabelecido em reuniões mensais com o Conselho de Administração.
Principais entraves e fatores inibidores da coordenação do caso do Conselho