Meu objetivo neste artigo, cujo escopo investigativo são três poemas de Carlos Drummond de Andrade e duas traduções de cada um desses poemas, é analisar as respectivas traduções de cada um destes poemas: “No meio da estrada”, “Retrato de família ". ” e “Não se mate”. Nesta pesquisa optamos por analisar de forma contrastiva três poemas de Carlos Drummond de Andrade. Além disso, são poucos os registros de pesquisas sobre traduções de Carlos Drummond de Andrade dedicadas à análise de seu alcance, recepção, representatividade e interferência no sistema literário globalizado atingindo leitores de língua inglesa (nativos e estrangeiros).
Nas últimas décadas, o crescente número de antologias de ficção brasileira e latino-americana disponibilizadas ao público de língua inglesa – quer usem o inglês como língua nativa, como língua estrangeira ou como língua franca – aumentou a demanda por traduções de obras literárias. Carlos Drummond de Andrade, o que torna essas traduções um terreno muito produtivo para pesquisas e comparações e, por fim, para situar a produção de Drummond no corpo da literatura mundial. O corpus desta pesquisa é composto por três poemas – “No Meio do Caminho”, “Retrato de Família” e “Não se Mate” – escritos e publicados por Carlos Drummond de Andrade. Além disso, foram selecionados neste trabalho os seguintes tradutores para analisar suas traduções: Elizabeth Bishop, tradutora e poetisa americana conhecida por traduzir muitos poetas brasileiros; John Nist, tradutor, professor, historiador e crítico literário conhecido como excelente tradutor de Carlos Drummond de Andrade; Virginia de Araújo, tradutora brasileira e, por fim, Mark Strand, poeta e tradutor americano.
Escolhi esses tradutores porque foram os tradutores que traduziram os poemas de Carlos Drummond de Andrade nas antologias que formaram o corpus desta pesquisa. Além disso, ao estudar poemas traduzidos de Carlos Drummond de Andrade, acredita-se que seja possível ampliar o conhecimento sobre o alcance do poeta no universo da língua inglesa, contexto rico para estudar a representação da poesia brasileira não apenas na literatura de língua inglesa, bem como na literatura mundial.
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
No caso das traduções de Carlos Drummond de Andrade para o inglês, parece haver um encontro entre o estilo uniforme e simples do poeta e o estilo simples dos tradutores ingleses, o que faz com que este pesquisador se pergunte até que ponto o tradutor teria apagado na tradução ou até que ponto é apenas o texto no léxico que já parece uniforme e simples. Após o alinhamento dos poemas, o passo seguinte foi limitar os corpora, no caso três poemas de Carlos Drummond de Andrade com duas traduções cada. Posso ver que existem algumas razões que podem explicar por que os tradutores tendem a negligenciar a forma em favor do conteúdo.
Ou seja, as tendências para negligenciar a forma são geralmente legitimadas por práticas quotidianas que parecem permitir e perpetuar a trivialidade de apagar a forma em detrimento da superfície do conteúdo. Em primeiro lugar, é importante contextualizar os poemas que aqui analisaremos, bem como o poeta que os escreveu. Carlos Drummond de Andrade fez parte da segunda fase do modernismo, a chamada “fase de consolidação”.
Como mencionado anteriormente, a segunda fase do modernismo foi lançada por Carlos Drummond de Andrade entre outros poetas, como Vinícius de Moraes. Todas essas características são encontradas na poesia de Carlos Drummond de Andrade e são comuns em sua obra.
NO MEIO DO CAMINHO
As acentuações são reduzidas a três em cada uma das traduções, mas o número de sílabas permanece o mesmo em pelo menos uma das traduções, a de John Nist. É difícil manter o número de sílabas porque a língua inglesa e a língua portuguesa contêm sistemas silábicos diferentes. Palavras gramaticais, que atendem apenas a razões gramaticais, possuem o mesmo número de sílabas nas duas línguas, mas ocorrem.
Apesar disso, temos palavras gramaticais, como artigos, que em português possuem o mesmo número de sílabas, mas menor número de letras: o artigo “uma” possui três letras, enquanto, em inglês, o artigo “a” possui apenas um. carta. Entre as duas traduções, a tradução de Elizabeth Bishop, que utilizou mais palavras de origem latina, ficou mais próxima do número de sílabas do original. Se o tradutor tivesse traduzido a palavra, ela teria chegado ainda mais perto do número de sílabas do original, que teria nove sílabas.
Apesar de ter essa característica, acho que seria impossível para qualquer tradutor traduzir esse versículo do No Meio do Caminho e chegar ainda mais perto do número de sílabas presentes no original. Nota-se também que o tamanho das palavras afeta o número de acentos e, portanto, o número de sílabas.
RETRATO DE FAMÍLIA
No original é intitulado "Retrato de Família", que foi traduzido como "Retrato de Família" por Elizabeth Bishop e como "Retrato de Família" por Virgínia de Araújo. No outro caso, Virginia de Araújo usa um sintagma preposicional como modificador pós-nominal. Na tradução de Virgínia de Araújo, “Retrato de Família” parece referir-se a uma família específica, ou.
Comparando possíveis interpretações das traduções com o original, noto que a tradução de Elizabeth Bishop é mais fiel em significado ao original, enquanto a tradução de Virginia de Araújo está mais próxima de uma interpretação. Dessa forma, vejo que Virgínia de Araújo deve ter deixado sua marca na própria interpretação em sua tradução. Por exemplo, no primeiro verso da segunda estrofe, Virginia de Araújo faz uma tradução mais fiel ao original, e Elizabeth Bishop é mais fiel à estrutura da língua inglesa.
Ao mesmo tempo, Virgínia de Araújo traduzia com mais liberdade e chamava os parentes do poeta de "gente sentada esquisita". A tradução de Virginie de Araújo, Retrato de família, apresenta, assim como Elizabeth Bishop, um padrão semelhante ao do original, mas diferentemente deste, não dá tanta atenção à ênfase. Voltando agora à tradução de Virginia de Araújo, vejo que o tradutor conseguiu atingir um padrão mais parecido com o encontrado no original.
Como dito anteriormente, os três primeiros versos da tradução de Virgínia de Araújo possuem o mesmo número de sílabas e o último verso da terceira estrofe é o único que difere dos demais. Voltando à análise em si e atentando para o número de acentos nos versos da tradução de Virginia de Araújo, nota-se que a tradutora mantém um padrão em sua contagem de acentos. Na tradução de Virgínia de Araújo, o primeiro e o terceiro versos têm dois acentos enquanto o segundo e o quarto versos têm três acentos.
Nesse sentido, Virginia de Araújo consegue novamente aproximar-se da estrutura encontrada no original. O tradutor escolhe palavras de origem latina, enquanto Virginia de Araújo busca sinônimos de origem anglo-saxônica e assim se aproxima do número de sílabas e acentos encontrados no original. No início da comparação notei que Elizabeth Bishop parecia mais próxima da forma, enquanto Virginia de Araújo se aproximava mais de uma tradução domesticadora.
Ao mesmo tempo, a tradução de Virginia de Araújo é o oposto: é domesticadora no sentido, mas não na forma. Na tradução de Virgínia de Araújo, o tradutor traduziu de uma forma que parece mais uma interpretação do que uma tradução em si: “o jardim é estranho:”.
NÃO SE MATE
É importante destacar que na tradução deste poema pode-se observar o mesmo padrão das traduções anteriores: o poema na língua-alvo tende a ser menor, em termos de número de sílabas e acentuações, do que o poema na língua-fonte. Desta forma, o tradutor tem que superar as dificuldades contidas no original, problemas que podem ser de diferentes magnitudes, como forma, significado, tom, etc., e ao mesmo tempo deve preservar o poema original, ou seja, a forma, significado, tom, etc., porque isso é tudo o que precisa ser recriado na língua-alvo. O tradutor depara-se, portanto, com vários recursos, caminhos e escolhas para recriar o poema na língua-alvo e foi com o objetivo de analisar esses recursos, caminhos e escolhas que construí esta investigação.
Assim, se um tradutor pretende se aproximar da forma do original, ou seja, pretende recriar na língua-alvo a forma encontrada no texto de origem, deve utilizar o máximo de recursos para criar um espelho disso recriando o texto a partir de um determinado linguagem. para outro. Apesar de pouco utilizado por Carlos Drummond de Andrade, esteve presente em "No Meio do Caminho" e não pôde ser recriado na língua alvo. Embora não tenha tido muito espaço em minha análise para discutir a questão da aliteração, acho importante ressaltar o quanto é difícil para o tradutor recriar essa característica na língua-alvo.
Na minha opinião, não é impossível, mas uma tradução perfeita, ou seja, uma que consiga recriar absolutamente tudo na língua-alvo, é, bem, impossível. Parece-me uma tradução pobre que ignora as ambiguidades específicas do poema original e priva o leitor da língua-alvo para encontrar essas ambiguidades. Apesar disso, as interpretações podem ser enriquecedoras na medida em que apresentam mais possibilidades de leitura ao leitor da língua-alvo.
Outro problema em que o tradutor tem que fazer escolhas é o caso quando um significado que possui um significante na língua de origem tem dois ou mais significantes na língua de chegada. Apesar de ser uma tarefa árdua para o tradutor, é também uma tarefa enriquecedora para o poema porque, como dito anteriormente, oferece novas interpretações para o leitor da língua-alvo. Dessa forma, o tradutor do poema pode escolher o que vai domesticar: se vai adaptar a forma ou o significado à língua-alvo.
O tradutor pode trocar fragmentos, palavras e interjeições por sinais de pontuação que expressem na língua-alvo o significado que o poeta originalmente pretendia expressar. Considero este exercício muito enriquecedor para a tradução, até porque proporciona ao leitor da língua-alvo uma leitura crítica e uma nova interpretação, que por si só restaura e valoriza a tradução anterior, conferindo-lhe um novo significado. Portanto, o tradutor de poemas deve ser ele próprio um pouco poeta e usar a criatividade que o poeta usou na língua de origem para recriar os poemas na língua de chegada.