CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL LATERÍTICO DOS DEPÓSITOS DA PROVÍNCIA BAUXITÍFERA DE PARAGOMINAS EM RONDON DO PARÁ, NORDESTE. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Geologia da Primeira Universidade Federal do Sul e Sudeste - UNIFESSPA, de acordo com os requisitos para obtenção do título de Bacharel em Geologia. caracterização do perfil laterítico dos depósitos da província bauxítica de Paragominas em Rondon do Pará, bloco sul do Projeto Alumina Rondon/ Stephanie Regina Costa Almeida; supervisor, Antônio Emídio de Araújo dos Santos Junior.
Este trabalho de conclusão de curso tem como objeto de estudo um perfil laterítico localizado a nordeste do bloco sul da província bauxitífera de Paragominas, localizada no município de Rondom do Pará. Palavras-chave: Província bauxítica de Paragominas, bloco sul, Rondon do Pará, perfil laterítico, bauxita, aspectos petrográficos. O objetivo deste trabalho de conclusão de curso é estudar um perfil laterítico localizado a nordeste do bloco sul da província bauxítica de Paragominas, no município de Rondon do Pará.
Portanto, este trabalho teve como objetivo estudar parte desta jazida no bloco sul, aplicando os métodos de petrografia ótica e difração de raios X, a fim de contribuir para o entendimento genético das jazidas de bauxita da região de Rondon do Pará e, assim, auxiliar na extração pelo método do minério de alumínio.
Área de estudo
A bauxita é uma rocha comumente encontrada perto do equador, contém 15-25% de alumínio e atualmente é o único minério usado para extração comercial de alumínio. As reservas mundiais de bauxita somam 29 bilhões de toneladas, sendo o Brasil a terceira maior reserva, com 3,6 bilhões de toneladas de bauxita metalúrgica. A Província Bauxítica de Paragomina corresponde a um extenso depósito de bauxita, possui uma área de aproximadamente 50.000 km², com reservas estimadas em cerca de 2000 Mt (KOTSCHOUBEY & TRUCKENBRODT, 1981).
As jazidas de bauxita têm sido alvo de inúmeros trabalhos de pesquisa e exploração desde a década de 1960, com destaque para a Mineração Vera Cruz (subsidiária da multinacional Rio Tinto Zinc) e a Vale do Rio Doce (atual Vale). A região de Rondon do Pará, localizada na parte sul do PBP, foco deste estudo, é uma área ainda pouco explorada na caracterização de perfis de frente de mina (BAPTSTELLA, 2012).
Justificativa
Objetivo
Materiais e métodos
Etapa preliminar
Etapa de campo
Etapa de escritório
- Análise em DRX
As análises de difração de raios X foram, portanto, de grande relevância para uma melhor caracterização do conteúdo mineralógico dessas rochas. Para análises de difração de raios X, uma pequena parte das amostras (Figura 05 A e B) foram aprox. 20 gramas em pó com qualidade de ágata, posteriormente o pó foi colocado em uma lâmina (Figura 05 C) e submetido à leitura em difratômetro de raios X Rigaku, modelo MiniFlex TM II (Figura 05 D e E), com funcionamento 40 kV/ 15mA, velocidade de varredura de 10 graus/minuto e intervalo de varredura de 5-90 graus (2 theta). As análises foram interpretadas por meio do software de processamento de dados PDXL Basic (Figura 05 F). desenvolvido no Laboratório de Caracterização Estrutural da Faculdade de Engenharia de Materiais da UNIFESSPA, sob orientação do professor Emídio Santor Jr. Figura 05: Etapas da análise de difração de raios X C) Amostra pulverizada pressionada contra uma lâmina.
A Província Bauxítica de Paragominas está localizada no leste do estado do Pará e abrange uma área de aproximadamente 50.000 km² (CPRM, 2008). Esta província está inserida principalmente na Bacia do Grajaú, onde é limitada a noroeste pela Bacia do Marajó/Linha do Arco do Tocantins, ao sul pela Bacia do Parnaíba e pela Antéclise Xambioá-Parnaíba, e a leste pela Linha do Rio Parnaíba. A Bacia do Grajaú, com área aproximada de 130.000 km² e espessura média de 800-900 metros, contém sedimentos aptianos das Formações Grajaú e Codó, depósitos estuarino-lagunares do Grupo Itapecuru e sedimentos.
O preenchimento da bacia desenvolveu-se no Cretáceo com as Formações Grajaú e Codó (Aptiano) e a Formação Itapecuru (Albiano-Senoniano) (GÓES, 1981).
Unidades regionais
- Formação Grajaú
- Formação Codó
- Grupo Itapecurú
- Formação Ipixuna
- Plataforma Brangantina
- Formação Pirabas
- Formação Barreiras
- Argila de Belterra
- Cobertura Laterítica Residual
O Grupo Itapecuru foi inicialmente considerado uma formação (CAMPBELL 1949), mas após estudo de Anaissa Jr. 1999) foi denominado depósito de Itapecuru. O Grupo Itapecuru é caracterizado por arenitos arcósicos de estratificação cruzada cinza a amarelada e vermelho chocolate subordinados a pelitos avermelhados intercalados com arenitos atribuídos a um ambiente de canal fluvial (GÓES, 1981). Caracteriza-se por sedimentos argilo-arenosos finos e bem selecionados com intercalações de siltitos e argilitos vermelhos, estratificação cruzada, ocorrência de brechas intraformacionais, que são atribuídas ao ambiente fluvial-estuarino.
A Plataforma Bragantina está localizada a noroeste da Bacia do Grajaú e é recoberta pelas formações: Pirabas, Barreiras e sedimentos Argilosos de Belterra. A Formação Pirabas ocorre na base e é intercalada lateralmente com a Formação Barreiras; é uma unidade carbonática do Mioceno desenvolvida em um ambiente de plataforma de águas quentes, rasas e turbulentas contendo lagoas e manguezais (GÓES et al., 1990). Os sedimentos argilosos de Belterra são sedimentos argilo-arenosos, de cor amarelada e granulação fina a grossa, não apresentando estruturas sedimentares detectáveis.
Na Bacia do Grajaú ocorrem duas coberturas lateríticas, denominadas lateritas maduras e imaturas, com características distintas quanto à origem e composição (COSTA 1991). GÓES (1995) diz que os processos de formação dos horizontes começaram no Paleógeno devido à ausência de sedimentação na bacia do Grajaú onde já estavam depositadas as formações Itapecuru e Ipixuna, resultando assim uma cobertura laterítica/bauxítica em toda a região do atual província bauxita de Paragominas. Truckenbrodt et al 2005 definiu um zoneamento regional que divide a província em cinco zonas, a área de estudo deste trabalho está localizada na Zona 2.
O bloco sul do PBP está localizado na região de Rondon do Pará, onde as unidades estratigráficas aflorantes da área de estudo correspondem a duas unidades: Cobertura Matura Laterítica e Argila Belterra (Figura 06 A). A primeira base litoestratigráfica corresponde à Cobertura Laterítica Matural (CLM), tem cerca de 5 metros de altura, corresponde a um perfil laterítico sobreposto por Argila Belterra (CAP). A segunda unidade corresponde ao Capeamento Argiloso (CAP), que na literatura é denominado Argila de Belterra (ABT).
Horizonte Argilo-Arenoso (HAA)
Horizonte Bauxita Inferior (HBI)
Horizonte Bauxita Ferruginosa (HBF)
Horizonte Laterita Alumino Ferruginosa (LAF)
Horizonte Bauxita Superior (HBS)
Capeamento Argiloso (CAP)
4 CARACTERIZAÇÃO PETROGRÁFICA E ANÁLISE POR DIFRAÇÃO DE RAIOS X O estudo petrográfico das rochas do perfil laterítico bauxítico da Vila Santa Lúcia, Rondon do Pará, consistiu na caracterização textural e mineralógica das amostras coletadas, possibilitando o detalhamento do ferrohorizonte do área estudada. Além disso, análises de difração de raios X foram realizadas para caracterizar e confirmar os constituintes mineralógicos essenciais incluídos em cada horizonte. É caracterizada por uma textura porosa pseudobrecóide, mineralogicamente composta por gibbsita (𝐴𝑙(𝑂𝐻)3), hematita (𝐹2𝑂3), caulinita (Al2Si2O5(OH)4), goethita (Fe3O e minerais (OHS)) não observada apenas na seção delgada na difração de raios X.
Na base do HAA (Figura 08 A), a caulinita ocorre como uma massa arenosa argilosa que compõe a matriz deste horizonte. A hematita geralmente é deformada e ocorre como cimento impregnado na matriz argilosa, às vezes são observados cristais subédricos de hematita. O topo do horizonte (Figura 08 C) difere principalmente no aspecto textural, onde se observa a textura esponjosa característica da lixiviação de minerais como o quartzo, que é pontuada na base do horizonte.
No padrão difratométrico da base do horizonte AA (Figura 08 B), a berlinita apresenta picos bem definidos na posição próxima a 10 graus, indicando assim sua alta cristalinidade, no padrão difratométrico do topo do horizonte (Figura 08 D ) berlinita e quartzo estão ausentes . A gibbsita, tanto na base quanto no topo, possui picos estreitos e bem desenvolvidos próximos a 20 graus, evidenciando sua alta cristalinidade. A hematita possui picos pequenos e largos, indicando sua baixa cristalinidade na base do horizonte e picos estreitos parcialmente desenvolvidos no topo do horizonte.
A goethita tem um grau de cristalinidade muito baixo, como evidenciado pelos picos curtos e largos no topo do horizonte. A Gibbsita possui picos estreitos e bem desenvolvidos próximos a 20 graus em ambos os padrões difratométricos, comprovando sua alta cristalinidade.
Horizonte Bauxita Inferior (HBI)
Horizonte Bauxita Ferruginosa (HBF)
Horizonte Lateríta Alumino Ferruginosa (LAF)
Horizonte Bauxita Superior (HBS)
Horizonte Argila de Belterra
O estudo do perfil laterítico localizado no bloco sul da província bauxítica de Paragominas, Rondon do Pará, nos permitiu algumas considerações sobre a evolução da cobertura bauxítica laterítica estudada. O desenvolvimento do presente perfil confirma o que foi proposto por Costa (1984) e Kotschoubey et al. 1997) que afirmam que os horizontes de alumínio-ferro no sudoeste da Bacia do Grajaú, província bauxítica de Paragominas. Souza (2017) (Fig. 10 C) e Kostchoubey (2005) (Fig. 10 B) descreveram o perfil laterítico em diferentes áreas da Zona 4, Município de Paragominas.
O horizonte superior de bauxita é semelhante em ambas as zonas, apresentando a bauxita na forma de 'pipoca', termo usado informalmente. A caracterização mineralógica, petrográfica e textural do perfil laterítico no nordeste do bloco sul da província bauxitífera de Paragominas subsidiou considerações sobre a origem e evolução das rochas da área de estudo, permitindo individualizar duas unidades que se subdividem em seis horizontes, a saber: Horizonte Argiloso Arenoso (AA), Horizonte Bauxiet Inferior (BI), Horizonte Bauxiet Ferruginoso (BF), Horizonte Ferruginoso Alumina Laterítico (LAF), Horizonte Bauxiet Superior (BS) e Horizonte Argilo Capeamento (CAP). Nos resultados analíticos do difratômetro de raios X, a gibbsita foi o único mineral presente, a mineralogia da Bauxita Horizonte Inferior como predominância de gibbsita, e subordinadas hematita e goethita onde foram determinadas apenas na análise macroscópica.
A gibbsita ocorre como grãos e é, portanto, o principal material de minério no bloco sul da província bauxítica de Paragominas. O topo da superfície madura corresponde ao horizonte de bauxita amorfa, formando um conjunto mineralógico constituído por gibbsita e hematita além de goethita cimentando uma matriz caulinita-argilosa. O capitel argiloso, que corresponde ao último horizonte do perfil laterítico, é essencialmente caracterizado por material arenoso argiloso e difere dos demais horizontes do perfil por apresentar a presença de anatase.
O horizonte que caracteriza o minério do bloco sul da Província Bauxítica de Paragominas corresponde ao Horizonte Inferior da Bauxita (HBI), pois é o horizonte que apresenta gibbsita e doileita em maior quantidade. 2012 Caracterização geológica do perfil laterítico no município de Rondon do Pará-Pa, bloco sul do projeto Alumina Rodon. Caracterização e gênese de depósitos de bauxita na província bauxítica de Paragominas, noroeste da Bacia do Grajaú, nordeste do estado do Pará/Oeste do Maranhão.
Evolução geológica da parte sul da Província Bauxítica de Paragominas durante o Neógeno/Pleistoceno (noroeste da Bacia do Grajaú, nordeste do Pará e extremo oeste do Maranhão). Dissertação (Exame em Geologia), Instituto de Geociências e Engenharia, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará GÓES, A.M. Estudo sedimentológico dos sedimentos de Barreiras, Ipixuna e Itapecuru. no nordeste do estado do Pará e noroeste do Maranhão.