No entanto, no Brasil, a infraestrutura e os serviços de transporte e logística têm sido considerados parte secundária das políticas públicas brasileiras há vários anos. O Plano de Transportes e Logística da CNT 201411 visa contribuir para a melhoria do desempenho e integração do sistema de transportes do país.
Transporte Rodoviário
Assim, sob as perspectivas dos transportadores, a CNT aponta os principais gargalos e as principais recomendações para cada um dos modos de transporte e dos terminais, imprescindíveis na integração do sistema. Quadro 1: Projetos de destaque em infraestrutura rodoviária– Brasil/2014 1 Duplicação da BR-116 entre Pacajus (CE) e Pelotas (RS).
Transporte Ferroviário
3 Construção da ferrovia transcontinental entre Vilhena (RO) e Rodrigues Alves (AC). 4 Construção da ferrovia Cuiabá (MT) - Santarém (PA). 7 Construção da linha férrea Pantanal entre Brasilândia (MS) e Porto Murtinho (MS) 8 Construção da ligação ferroviária Paraná - Mato Grosso do Sul entre Cascavel (PR).
Transporte Aquaviário
A disponibilidade de berços e a profundidade dos canais são destacadas por transportadores e embarcadores como questões fundamentais para a adaptação dos portos brasileiros ao atual contexto da navegação global. Infraestrutura: falta de terminais fluviais; limitações de espaço nos terminais e áreas traseiras para armazenamento de produtos e contêineres nos portos; falta de manutenção adequada dos canais de acesso e amarrações (dragagem, demolição, marcação e sinalização); inadequação da superestrutura portuária e acesso inadequado por rodovias, ferrovias e hidrovias; e a falta de eclusas nos principais rios do Brasil. Esses recursos deverão ser divididos em abertura de canais de navegação, adequação de hidrovias e construção de equipamentos de conversão. eclusas), ampliando a profundidade dos canais nos portos, adaptando e construindo acessos terrestres, construindo portos e áreas portuárias.
4 Área portuária do porto de Itaqui (MA): construção de berços, áreas de popa e pátio de armazenamento de carga geral. 7 Ampliação e melhoria da hidrovia do Madeira de Itacoatiara (AM) a Guajará-Mirim (RO) e construção de 3 eclusas. Adequação da hidrovia dos rios Teles Pires-Juruena-Tapajós de Juruena (MT) e Itauba (MT) a Itaituba (PA), abertura de canal para Santarém e construção de 8 eclusas.
9 Adequação da hidrovia Tocantins-Araguaia entre Peixe (TO) e Pontal do Araguaia (MT) a Barcarena (PA), abertura de canais e construção de 5 eclusas. 10 Adaptação da hidrovia Tietê-Paraná de Foz do Iguaçú (PR) a Conchas (SP), construção de 4 eclusas e modernização de 7 eclusas. 11 Adequação da hidrovia do Rio Paranaíba de Ilha Solteira (SP) a Itumbiara (GO), conclusão da eclusa de Ilha Solteira e construção de outras 4 eclusas.
Transporte Aéreo
Simplificar o processo de avaliação de pedidos de financiamento de navios junto de EBNs no âmbito do Fundo da Marinha Mercante. Garantir recursos do FMM dedicados exclusivamente ao financiamento de aquisições, reparos e aumento de capacidade de carga de embarcações para o EBN. Isenção de ICMS, PIS e Cofins para combustíveis utilizados na navegação e cabotagem interior, como é o caso dos bunkers e conforme previsto na lei nº. 9.432/1997.
Devido à expansão da demanda e à dificuldade de gestão financeira e operacional por parte do estado, cinco aeroportos – Brasília (DF), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Rio de Janeiro/Galeão (RJ) e Belo Horizonte /. Apesar dos avanços trazidos pela participação do setor privado na gestão dos aeroportos e do grande volume de recursos advindos dos leilões realizados com o critério de maior valor de premiação, o transporte aéreo ainda enfrenta problemas decorrentes de deficiências na gestão de outros aeroportos nacionais e também em relação aos investimentos na modernização do sistema de controle de tráfego aéreo. O investimento na adaptação e expansão das infraestruturas aeroportuárias é essencial para melhorar o serviço ao crescente número de passageiros e apoiar o mais alto nível de atividade aérea.
Tabela 6: Projetos de Infraestrutura Aeroportuária em Destaque - Brasil/2014 1 Ampliação do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). 3 Ampliação do terminal de cargas domésticas do Aeroporto de Curitiba (PR) 4 Ampliação do Aeroporto de Cuiabá (MT).
Mobilidade Urbana
Tal como os autocarros, os táxis são serviços públicos de transporte de passageiros e devem, portanto, ter acesso a faixas exclusivas. Esta decisão irá agilizar a circulação dos taxistas até aos passageiros e agilizar as viagens, o que pode ser um incentivo eficaz para aumentar a utilização deste modo de transporte, reduzindo o número de veículos de passageiros em trânsito. Existem também 16 sistemas de transporte ferroviário urbano no Brasil, que atenderam aproximadamente 3 bilhões de passageiros no ano passado.
O transporte aquaviário completa os sistemas de transporte público urbano, que são realizados em embarcações convencionais ou de alta velocidade, principalmente nas cidades da Região Norte, que possuem maior malha hidroviária. É também importante promover tarifas razoáveis para os serviços de transporte público nas cidades, isentando a actividade. É imperativo investir numa rede de transportes com elevado nível de serviço e com capacidade e percursos adaptados às necessidades e exigências da população.
3 Renovação da infraestrutura ferroviária de passageiros da Região Metropolitana de Fortaleza (CE): eletrificação da linha oeste do metrô e do VLT Parangaba-Mucuripe. Construção do metrô na região metropolitana de Belo Horizonte (MG): construção de 2 novas linhas, ampliação das linhas 1, 2 e 3 com aquisição de material rodante e renovação da infraestrutura ferroviária da linha 1. Renovação da ferrovia de passageiros infraestrutura na região metropolitana do Rio de Janeiro (RJ): Melhorias nos trens urbanos - linhas Deodoro, Santa Cruz, Saracuruna e Belford Roxo.
Terminais de Carga
Construção de metrô e VLT na região de desenvolvimento integrado do Distrito Federal e entorno: ampliação e modernização da linha 1 do metrô (trechos Samambaia, Ceilândia e Asa Norte e 5 (cinco) novas estações) e construção do VLT entre Luziânia (GO) e Brasília DF). 6 Implantação do BRT na região da capital Curitiba (PR): Inter 2, eixo leste-oeste, prolongamento do eixo sul, 3º anel viário. Os terminais são considerados pontos-chave ao longo de um corredor logístico, pois são responsáveis pela integração modal e pela distribuição contínua de mercadorias.
As suas funções são apoiar o transporte multimodal de mercadorias, minimizando ao mesmo tempo os custos totais de transporte, eliminando o congestionamento e reduzindo a poluição e a degradação ambiental. Ao melhorar a integração e tornar mais eficientes as operações logísticas do país, os terminais reduzem custos relevantes na cadeia de transporte e, como resultado, estimulam a atividade económica, criam empregos e aumentam a competitividade nacional. A CNT defende que o futuro planejamento dos transportes nacionais inclua a construção de terminais de carga com estruturas equipadas com equipamentos de estacionamento, transbordo e armazenamento de carga.
Para otimizar as atividades de transporte e logística, a CNT indica investimento de R$ 25,9 bilhões em 303 intervenções (Tabela 7). Tabela 8: Principais projetos de terminais de carga – Brasil/2014 1 Construção de terminal rodoviário aquaviário de Porto Chuelo em Porto Velho (RO) 2 Construção de terminal rodoviário aquaviário em Miritituba (PA). 3 Construção de terminal rodo-ferro-aquaviário em Estreito (MA) 4 Construção de terminal rodo-aquaviário em Itumbiara (GO) 5 Construção de terminal rodo-aquaviário em Rialma (GO) 6 Construção de terminal rodo-aquaviário em Paulínia (SP).
TRANSPORTE E MEIO AMBIENTE
- Licenciamento Ambiental
- Renovação de Frota
- Cadastro Técnico Federal (CTF) da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA)
- Logística Reversa
A CNT defende a necessidade urgente de desburocratizar e melhorar o processo de licenciamento ambiental para diminuir as manipulações, interferências, distorções e erros que existem no país. Coordenar a manifestação dos órgãos não integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente, bem como dos demais entes federais envolvidos, é um dos maiores desafios do processo de licenciamento. Também é importante estabelecer regras diferenciadas para processos de licenciamento de projetos lineares, infraestrutura e atividades relacionadas a serviços públicos.
Deve ser dada especial atenção à integração do licenciamento para o transporte de mercadorias perigosas e às especificidades do licenciamento para vias navegáveis e portos. Por meio de um processo participativo de consulta à sociedade, desenvolver uma norma federal que consolide e atualize todas as normas sobre o tema e estabeleça diretrizes gerais para a busca da compatibilização e harmonização do processo de licenciamento em todo o território nacional. Promover a informatização integrada de todo o processo de emissão de licenças ambientais entre o órgão licenciador e demais autoridades envolvidas e entre os entes federais, além de agilizar os procedimentos e garantir o sigilo protegido por lei.
A atual aplicação do TCFA também é equivocada ao cobrar múltiplas taxas pelo mesmo espaço físico quando são utilizados múltiplos CNPJ (empresas associadas), o que é inconsistente com seu propósito de controle e fiscalização de atividades potencialmente poluidoras. Promover a revisão da classificação das empresas de transporte no CTF de actividades potencialmente poluidoras e desenvolver mecanismos legais para rever a forma e o procedimento de cobrança do TCFA para corrigir a distorção correspondente às cobranças múltiplas. A Política Nacional de Resíduos Sólidos representa um dos maiores avanços do país no campo da gestão ambiental.
PILARES PARA O DESENVOLVIMENTO DO TRANSPORTE
- Planejamento
- Desburocratização
- Investimento privado em infraestrutura de transporte e logística
- Gestão Eficiente
- Tributação
- Desenvolvimento Profissional
Existem vários estudos e planos que propõem o planejamento do sistema de transportes no país e que têm sido utilizados para desenvolver programas voltados ao setor. No entanto, até à data, nenhum deles conseguiu propor um plano estratégico de transportes integrado e eficaz. No Brasil, o planejamento é particularmente importante devido ao volume reduzido e à má qualidade da infraestrutura de transporte instalada e à falta de recursos disponíveis para todos os investimentos necessários.
O Brasil ainda não possui a definição de uma política única para o setor de transportes que defina metas e objetivos que orientarão a elaboração de planos, programas e projetos. Um dos pontos fundamentais para o planejamento adequado do sistema de transportes é a integração e o alinhamento de expectativas entre as esferas de governo. No setor dos transportes, esta situação pode ser identificada em questões relacionadas com a atividade de transportes e no contexto das infraestruturas de transportes e da sua gestão.
O valor aprovado pela Lei de Dotações Anuais (APA) de 2014 para investimentos do governo federal em infraestrutura de transportes é de R$ 16,2 bilhões. 6 Ampliar as modalidades de licitação para todos os tipos de infraestrutura de transporte com a participação de projetos greenfield. Ainda que a expansão dos recursos aplicados em infra-estruturas permita dinamizar o sistema nacional de transportes e logística, não basta se não houver eficiência na gestão.
Contudo, os efeitos benéficos da redução dos custos fiscais nas operações de transporte e logística não beneficiariam apenas os transportes. A CNT entende que é importante que os agentes privados do sector participem no processo de elaboração de uma Política Nacional de Transportes e Logística que garanta o progresso económico e social do país.