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UNIVERSIDADE DO PORTO

A N U Á R I O

XV

1961-62

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Campo Mártires da Pátria, I44-A — Porto

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U N I V E R S I D A D E D O P O R T O

A N U Á R I O

COORDENADO POR

A H T Û HI fl 1D S É B G UIR R E L U E S D E B R I T O

Licenciado em Direito e Secretario da Unlvenidade

ANO ESCOLAR DE 1961-62

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Excelência

É grande honra para mim o apresentar a V. Ex.a, com os meus cumprimentos de muito respeito, o agradecimento da Univer- sidade do Porto pelo favor de, acedendo ao seu convite, ter vindo expressamente ao Porto para presidir a esta sessão inaugural do ano lectivo de 1962-63. Toma nela parte pela primeira vez, embora muito reduzido ainda, o corpo docente da Faculdade de Letras, cujo restabelecimento V. Ex.a anunciou nesta mesma sala, vai fazer dois anos. Entre a promessa e a sua efectivação, interpôs-se um dos períodos de maior ansiedade da história recente do nosso país ; o não se ter querido, apesar disso, adiar o seu cumprimento cons- titui exemplo raro de fidelidade à palavra dada, como já disse, mas não é demais repeti-lo.

Peço autorização para cumprimentar respeitosamente S. Ex.a

o Ministro da Educação Nacional, que mais uma vez nos honra com a sua presença; assim como para saudar as Ex.m"

Autoridades civis, militares e eclesiásticas, aqui presentes ou representadas, e o digno Corpo Consular.

Saúdo afectuosamente os Corpos docente e discente da nossa Universidade — elementos distintos, mas complementares, que, integrando-se, a constituem, como o exprime a velha fórmula tradicional : Univcrsitas magistrorum et scholarium —. Aos alunos que a frequentam pela primeira vez apresento calorosas boas vindas.

Ao Orfeão Universitário agradeço o ter vindo, mais uma vez, contribuir com uma nota de Arte para o brilho desta sessão.

As outras referências devidas constam do relatório que vou 1er, como determina o Estatuto Universitário, embora reduzindo-o ao essencial para não alongar a sessão.

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R E L A T Ó R I O (*)

1 — Introdução

No ano escolar de 1961-62, que se iniciou quando mal tinha terminado a fase aguda do terrorismo em Angola, e durante o qual se realizou o vil ataque da União Indiana contra Goa, as preocupações da Universidade do Porto orientaram-se sobretudo, como convinha, para o Ultramar.

Logo depois da agressão indiana, e por iniciativa da Asso- ciação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia, do Orfeão e do Teatro Universitário, os alunos da Universidade foram depor uma coroa de flores junto do monumento ao Infante D. Henrique. Não se fizeram convites para essa manifestação; mas a ela assistiram, espontaneamente, o Sr. Governador Civil do Porto, muitos pro- fessores e o reitor da Universidade.

Também como manifestação de sentimento, e interrom- pendo uma tradição já de bastantes anos, deixou de se realizar a reunião que, ao terminar o ano civil, costuma congregar, em torno do Corpo Docente, os dirigentes das instituições circum-escolares.

Primeiro o Teatro Universitário c depois o Orfeão, corres- pondendo a convites vindos dessas piovíncias, empenharam-se em visitar, respectivamente, Moçambique e Angola. Trabalhando com afinco, conseguiram vencer as dificuldades de vária ordem que se lhes depararam, e as viagens projectadas puderam realizar-se durante as férias de verão. Pelo que vi quando os encontrei nessas

(*) Este relatório, como preceitua o § i.° do artigo 90.0 do Estatuto Universitário, foi lido na sessão solene de inauguração dos trabalhos escolares do ano lectivo de 1962-1963, realizada a 17 de Outubro de 1962.

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províncias, e pelo que lá me foi dado ouvir, posso afirmar que durante as suas viagens dignificaram a Universidade.

Coube à Universidade do Porto a organização do III Curso de Férias em Angola e Moçambique, com a colaboração das res- tantes Universidades portuguesas. Não foi possível dar ao Curso a amplitude que primeiramente se tinha previsto; mas, vencidas as dificuldades que tinham surgido, o Curso realizou-se, de facto, no mês de Setembro; e tudo permite concluir que atingiu plena- mente os seus objectivos.

Finalmente os professores da Universidade do Porto pres- taram — ou estão prestando — toda a colaboração que lhes foi pedida para a instituição dos Estudos Gerais Universitários em Angola e Moçambique. Trabalho de vulto, para o qual não são demais os esforços conjugados de todos os que se dedicam ao ensino universitário, essa instituição tão oportuna — que, diga-se de passagem, vem tornar urgentes algumas reformas, já antes indispensáveis, do regime das nossas Universidades — constituirá sem dúvida uma das preocupações dominantes da Universidade do Porto durante bastantes anos ainda.

Esta coincidência entre o principal centro de interesse da nossa Universidade e o mais grave problema da Nação, durante o ano escolar que passou, é prova de são portuguesismo por parte de todos os que a constituem, e merecia ser posta no devido relevo.

2 _ Faculdades e estabelecimentos anexos 2.1—Faculdade de Ciências

O número de alunos inscritos na Faculdade de Ciências foi de 1616, com um aumento de 151 em relação ao ano anterior;

mas, com os alunos de outras Faculdades que a frequentam, a sua frequência total foi superior a 2 500 alunos. Daí resultaram gravíssimas dificuldades de instalações e de pessoal docente.

A decisão ministerial de permitir que alguns dos serviços da Faculdade passassem para o antigo edifício da Faculdade de Medi- cina, onde, de início, funcionará também a nova Faculdade de Letras, veio resolver por algum tempo os principais problemas

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quanto a instalações. Mas, quanto à falta de pessoal docente, cito o seguinte trecho do relatório do director da Faculdade:

«O problema da falta de pessoal docente assume aspectos mais graves porque, em consequência de erros passados, não se encontra para ele uma solução imediata. Não se improvisam assis- tentes ou professores. Os melhores diplomados pelas Faculdades de Ciências, e poucos são, têm sido infelizmente solicitados para ser- viços do Estado melhor remunerados e menos fatigantes que os serviços docentes. E se as condições não forem modificadas em sentido contrário, chegar-se-à a um ponto em que as Faculdades de Ciências não poderão subsistir.

Ainda será possível evitar essa catástrofe, se a reforma das Faculdades de Ciências, que já cm 1933 se considerava urgente, não demorar mais tempo, embora os próximos anos se apresentem ainda muito sombrios, pois o pessoal docente não se improvisa de um momento para outro.

Na representação enviada a Sua Excelência o Ministro da Educação Nacional em 31 de Maio foram sugeridas, porém, algu- mas medidas excepcionais para resolver as dificuldades no próximo ano lectivo. A Faculdade aguarda confiadamente as soluções que forem julgadas mais convenientes».

Visto ser, de longe, a Faculdade de maior frequência, e ministrar ensino fundamental a muitos alunos que pertencem, ou se destinam, a outras Faculdades, não hesito em afirmar que os problemas com que presentemente se debate a Faculdade de Ciên- cias — desactualização dos cursos e falta de pessoal docente — são os mais graves para toda a Universidade.

2.2 — Faculdade de Medicina

A Faculdade de Medicina é a única com um quadro docente actualizado, e, mercê das condições de acesso equilibradas que o seu regulamento prescreve, tem podido preencher em bom ritmo, sem prejuízo do nível necessário, as vagas que a reforma do quadro criou. Mas, conforme o relatório do respectivo director: «Muitas das deficiências apontadas no relatório anterior não tiveram ainda solução no decorrer do ano lectivo ; assim, com manifesto prejuízo para o ensino e aprendizagem dos alunos, continua a não existir o Serviço Hospitalar de Urgência e ainda não abriram os de

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Pneumotisiologia, Psiquiatria, Otorrinolaringologia, Doenças Infecto-Contagiosas e Secção de Lactentes.

São de manter, todavia, fundamentadas esperanças de que alguns ou talvez todos esses Serviços venham a inaugurar-se no início do próximo ano lectivo».

O Laboratório de Radioisótopos da Faculdade encontra-se em risco de ter de fechar, por terminar no fim do ano o subsídio da Junta de Energia Nuclear que tem garantido o seu funciona- mento, se não for incluída no orçamento de 1963 a verba indis- pensável para o manter.

Foi atendida pelo Ministério da Justiça uma proposta, apoiada pela Faculdade, de ampliação das instalações do Insti- tuto de Medicina Legal e actualização da aparelhagem dos seus Laboratórios.

2.3 — Faculdade de Engenharia

O principal problema da Faculdade de Engenharia é o da reforma do seu quadro docente. Cito, a esse respeito, o seguinte trecho do relatório do director: «O quadro do pessoal docente da Faculdade continua a ser o fixado pelos Decretos n.° 18739, de 26 de Julho de 1930, e n.° 24 966, de 23 de Janeiro de 1935, manifestamente insuficiente em face das necessidades que decor- rem dos planos de estudo em vigor aprovados pelo Decreto n.°

40 378, de 14 de Novembro de 1955, visto o quadro existente ter sido previsto para garantir, apenas, 37 regências teóricas e os actuais planos incluírem 60 regências. É, pois, da mais extrema urgência a actualização deste quadro como também importa modificar com brevidade os grupos de disciplinas que constituem os cursos professados na Faculdade que, tal como estão organizados, são de âmbito excessivamente lato, prejudicando a boa especialização dos professores e não permitindo uma organização conveniente das provas de concurso.

O Conselho Escolar, na sua sessão de 27 de Junho, fez o estudo do quadro docente indispensável para as actuais necessi- dades da Faculdade e do agrupamento mais conveniente das disciplinas a reger, tendo sido aprovada por unanimidade uma proposta sobre este assunto que foi enviada ao Ex.mo Reitor pelo

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11 meu ofício de 18 de Julho. A boa resolução deste caso constitui uma das necessidades mais urgentes da Faculdade».

O único efeito imediato da reforma do quadro docente desta Faculdade será o de delimitar melhor a matéria sobre que versarão as provas de concurso a realizar brevemente, visto não haver por agora ninguém em condições de concorrer às vagas suplementares que ela venha a criar. Mas isso basta para que deva, de facto, considerar-se urgente; pois, com os recentes desenvol- vimentos da técnica, as matérias abrangidas pelos actuais grupos de cadeiras são tão vastas que a preparação para essas provas é exaustiva para os candidatos, e feita em pura perda para a Facul- dade, por incidir sobre assunto muito afastado dos que terão de ensinar. Dado que só dentro de alguns anos essa reforma acarretará aumento de despesa, é de esperar que possa fazer-se rapidamente.

Ao terminar o ano lectivo, foi entregue à Faculdade, depois de remodelado, o antigo edifício do Liceu Carolina Michaëlis.

Iniciou-se também a aquisição, pelo respectivo Fundo, do material para reapetrechamento dos seus laboratórios.

2.4 — Faculdade de Farmácia

A Faculdade de Farmácia tem também problemas sérios quanto a edifícios e pessoal docente. Lê-se no relatório do respectivo director: «À medida que se vão desenvolvendo os trabalhos de investigação e se procura melhorar o ensino, certas deficiências de que tenho falado em relatórios anteriores vão-se tornando mais notórias e mais graves.

Em primeiro plano estão as más condições do edifício que dia a dia se tornam mais evidentes e estão a causar sérios embara- ços à vida da Faculdade. Nem as salas de aula, nem os laborató- rios são em númreo suficiente nem têm em geral as condições necessárias para o fim a que se destinam.

Por outro lado o quadro do pessoal docente, assim como dos auxiliares técnicos está longe de corresponder às necessidades dum ensino adequado.

São essas hoje as mais evidentes dificuldades com que esta Faculdade se debate que só poderão ser cabalmente resolvidas, por um lado com a construção do novo edifício na Cidade Univer-

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sitária, como está previsto, por outro com uma reforma adequada do ensino farmacêutico há tantos anos já solicitada».

O relatório acrescenta:

«É dentro dessas dificuldades, que limitam necessariamente as possibilidades dum progresso no ritmo desejado, que se tra- balha na Faculdade e se procura melhorar o seu nível científico.

Devo dizer que apesar de todas as deficiências muito se tem conseguido».

O espaço ocupado pela Cantina que há 23 anos funciona na Faculdade de Farmácia tornou-se necessário para a construção de novos laboratórios ; c o número de refeições servidas durante o último ano lectivo baixou para 37 743 (com uma redução de 26%

em relação ao ano anterior), o que não permite a sua exploração em boas condições. A Faculdade propõe por isso que se feche essa Cantina.

Inaugurou-se, durante o ano lectivo, o novo Laboratório de Bioquímica da Faculdade, criado com o auxílio do Instituto de Alta Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Public Health Service dos Estados Unidos.

2.5 — Faculdade de Economia

A frequência da Faculdade de Economia passou para 753 alunos (com um aumento de 63 em relação ao ano anterior), o que veio agravar ainda mais as dificuldades causadas pela insufi- ciência das instalações provisórias que a Faculdade ocupa no edi- fício da Faculdade de Ciências. O novo edifício, a construir na Asprela, continua em estudo. Mas não está ainda comprado o terreno onde deverá ser construído; e como os terrenos nessa zona se valorizam de dia para dia, é de recear que, quando for necessário adquiri-los, o seu preço seja incomportável — o que pode comprometer todo o plano de localização da Cidade Univer- sitária na Asprela — . Urge que se tome uma decisão quanto à compra dos terrenos para a Cidade Universitária, e se acelere o estudo do edifício para a Faculdade de Economia.

2.6 — Faculdade de Letras

Por causa da data tardia em que foi publicado o diploma que criava a nova Faculdade de Letras do Porto, depressa se reconhe-

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13 ceu que não era possível recrutar o pessoal docente indispensável a tempo de se poderem iniciar as aulas ainda no ano lectivo de 1961-62. Abriram-se os concursos para esse efeito, e é já certo que a Faculdade poderá entrar em funcionamento no ano escolar de 1962-63. Tratou-se também da aquisição do mobiliário indis- pensável, e da instalação provisória da Faculdade no antigo edifí- cio da Faculdade de Medicina, onde também funcionam alguns serviços da Faculdade de Ciências. Mas como esta solução não pode manter-se por muitos anos, o Ministério das Obras Públicas já determinou que se estude a adaptação do edifício, pertencente à Universidade, que fica contíguo ao Jardim Botânico, para nele se instalar, no todo ou em parte, a Faculdade de Letras.

2.7 — Ins titulo Geofísico

Foi adjudicada, pela Direcçào-Gcral dos Edifícios e Monu- mentos Nacionais, a empreitada para a construção das dependên- cias onde deverá alojar-se a estação sismológica que a Academia das Ciências dos Estados Unidos resolveu instalar no Instituto Geofísico ; mas ainda não se iniciaram os respectivos trabalhos.

2.8 — Instituto de Botânica «Dr. Gonçalo Sampaio»

Com a entrega a este Instituto do terreno, pertencente à Universidade, que fica junto do Jardim Botânico, como compen- sação pelas mutilações sofridas por este com a abertura dos acessos a ponte da Arrábida, pôde o Jardim Botânico começar a alargar-se para esse terreno, em execução progressiva dum plano geral.

O Ministério das Obras Públicas cedeu também ao Jardim os taludes das vias de acesso à ponte, na parte que lhe fica contígua, o que permite ornamentá-los de acordo com a distribuição das plantas no Jardim. Já foi estudada a vedação do Jardim, do lado dessas vias, e estabelecida a ligação entre a parte principal do Jardim e a que fica a Oeste da auto-estrada.

Começou-se a construção da nova estufa de exposição.

2.9—Instituto de Antropologia «Dr. Mendes Corrêa»

Transcrevo do relatório do respectivo Director: «Com a criação do Agrupamento de Estudos Ultramarinos, anexo à Facul- * dade de Ciências do Porto, pôde ser atribuída uma pequena verba

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para os estudos de Antropologia de Moçambique, em continuação do aproveitamento do material da Missão Antropológica de Moçambique, da qual fui Chefe desde 1936 a 1958. A Missão foi extinta, ex-abrupto, em Dezembro de 1958, embora ainda faltasse um ano para acabar o período de 5 anos que, por Portaria, lhe tinha sido estabelecido para trabalhos de gabinete, e devia findar em Dezembro de 1959».

O relatório insiste na insuficiência dos meios — recursos e pessoal — à disposição do Instituto.

2.10 — Instituto de Zoologia «Dr. Augusto Nobre»

Concluíram-se as obras de beneficiação do laboratório deste Instituto, assim como as obras da Estação de Zoologia Marítima.

Acerca desta, escreve, no seu relatório, o director do Instituto:

«Entraram ao serviço os gabinetes de investigação recentemente remodelados. Um deles é ocupado, em regime de permanência, pelo director, outro pelo assistente Doutor João Machado Cruz, servindo os restantes a investigadores eventuais. Neles se instala- ram os quatro cientistas do Museu de Leiden a que se fez já referência.

Pode agora a Estação desempenhar uma das suas finalidades mais importantes, mas com certa limitação. Na verdade, falta ainda que os gabinetes de trabalho sejam reapetrechados e falta-lhc um quadro de investigadores.

Para tornar a sua acção mais eficiente e transformar a Esta- ção em verdadeiro centro científico e cultural necessário se torna que, além da criação do quadro de investigadores, se realizem obras de remodelação geral do edifício, ou melhor, se construa um novo edifício».

O director queixa-se da falta de material para investigação e da insuficiência do pessoal, sobretudo da falta dum catalogador, pedido repetidamente há bastantes anos.

2.11 —Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico Durante o ano lectivo de 1961-62, foram mudados os labo- ratórios de Raios X e Análise Térmica Diferencial para as novas dependências obtidas pela colocação dum pavimento de betão armado sobre os museus de Estratigrafia e Paleontologia.

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15 Mudaram-se também as oficinas de preparação de minerais e rochas e a aparelhagem de sedimentologia, para uma pequena dependência do rés-do-chão, depois de beneficiada.

A Companhia de Diamantes de Angola e a Junta de Energia Nuclear ofereceram ao Museu colecções de rochas e de minerais, alguns dos quais radiactivos.

O director queixa-se, no seu relatório, da insuficiência das instalações e do pessoal para o número de alunos que actualmente frequenta o Laboratório.

3 — Pessoal universitário 3-i —Reitoria

Não há nada a assinalar quanto à Reitoria. Agradeço ao Snr.

Vice-Reitor a colaboração leal e dedicada que me tem dado.

3-2 Directores das Faculdades

Também não houve mudança de qualquer dos directores de Faculdade. A todos agradeço a maneira por que se têm desempe- nhado do seu cargo.

3-3 — Novos professores c assistentes

Depois de realizados os respectivos concursos, foram nomea- dos professores catedráticos: da Faculdade de Ciências, o Doutor Manuel Gonçalves Pereira de Barros; da Faculdade de Farmácia, o Doutor Luís Vasco Nogueira Prista.

Também depois de prestarem provas de concurso, foram nomeados professores extraordinários da Faculdade de Medicina os Doutores Albano dos Santos Pereira Ramos, Amândio Gomes Sampaio Tavares, Carlos Sampaio Pinto de Lima, Daniel dos Santos Pinto Serrão, João da Silva Carvalho, José Fernando de Barros Castro Correia e Manuel José Bragança Tender.

Ao abrigo do Decreto n.° 43 931, de 23 de Setembro de 1961, foram novamente contratados como encarregados de curso da Faculdade de Economia os Doutores João Ruiz de Almeida Garrett, José António Sarmento e Mário António Soares Madureira.

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Mediante concurso documental, foram contratados como encarregados de curso da Faculdade de Letras o Doutor José António Ferreira de Almeida e os Lic.os António Augusto Ferreira da Cruz, Carlos Eduardo Bastos de Soveral, Eduardo Silvério Abranches de Soveral, Luís Ribeiro Soares e Sérgio Augusto da Silva Pinto.

Foram contratados como i.os assistentes, do quadro: da Faculdade de Medicina, os Doutores António Carvalho de Almeida Coimbra, Joaquim Germano Pinto Machado Correia da Silva e Manuel da Fonseca Pinheiro Coelho Hargreaves ; da Faculdade de Engenharia, o Doutor Manuel Jazelino Portela Vieira da Costa.

Como 2.os assistentes, do quadro, foram contratados, na Faculdade de Medicina, os Lic.os António Cadete Leite, Armando Augusto Mendes, João Fernando da Rocha Gil da Costa, Joaquim Jorge da Cunha de Sousa Almeida, José Manuel Vasques Osório de Amorim e Vítor Manuel Oliveira Nogueira de Faria; e, no impedimento de outros assistentes que se encontram a prestar serviço militar, os Lic.os António Augusto Lopes Vaz, Diaquino Pinto da Silva, Eduardo Jorge da Cunha Rodrigues Pereira, Paulo Sarmento Cardoso de Carvalho, Rui Gomes da Fonseca Branco c Serafim dos Santos Guimarães.

O Lie.0 José Barbosa Lourenço, que desempenhava as funções de 2.0 assistente, além do quadro, da Faculdade de Ciências, passou a desempenhar idênticas funções na Faculdade de Engenharia.

Foram contratados como 2.05 assistentes, além do quadro:

Na Faculdade de Ciências, os Lie.05 Carlos Maria Martins da Silva Correia e Rolando Faria de Caria; na Faculdade de Engenharia, a Lic.a Conceição de Jesus Gomes Gonzalez e os Lic.os Francisco Manuel Dourado da Cunha e Ah/elos, Luís Jorge de Oliveira Dias e Manuel Sarmento de Carvalho e Cunha ; na Faculdade de Far- mácia, o Lie.0 Alberto Moreira Roque da Silva; na Faculdade de Economia, os Lie.01 Abel António Pinto dos Reis e Pedro Augusto Leão da Silva Cunha; e na Faculdade de Letras, a Lic.a Maria Cândida Gonçalves da Costa Reis Monteiro Pacheco. No impedi- mento doutro assistente que se encontra a prestar serviço militar, foi ainda contratado pela Faculdade de Economia o Lie.0 Manuel Duarte Baganha.

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IV Faço votos por que seja longa c fecunda a actividade docente de todos quantos assim iniciaram a sua colaboração com a Uni- versidade, ou a prosseguem em novo cargo de maior responsabi- lidade.

3.4 — Falecimentos e saídas

No decurso do ano lectivo, faleceu o professor jubilado c antigo director da Faculdade de Medicina, Doutor António de Almeida Garrett. Recordo com profunda saudade a simpatia irra- diante, a personalidade inconfundível e as raras qualidades deste Mestre a quem a Universidade tanto ficou a dever.

Já depois de encerradas as actividades escolares, foi atingido pelo limite de idade o professor e antigo director da Faculdade de Ciências, Doutor Augusto Hermenegildo Ribeiro Peixoto de Queirós, o qual, contudo, ainda aceitou fazer parte do I IF Curso de Férias no Ultramar, onde proferiu lições que, pela sua beleza e profundidade, não serão esquecidas por quem, como eu, as pôde ouvir. Durante o ano lectivo, foi também jubilado o professor ex- traordinário da Faculdade de Engenharia, ling." Manuel Moreira do Amaral, a quem, como antigo aluno seu, cumprimente) afectuo- samente. Estou certo de que continuarão a prestar à Universidade a colaboração no campo científico que a dispensa de obrigações docentes lhes permitirá intensificar.

Por terem pedido a rescisão dos seus contratos, deixaram o serviço: da Faculdade de Medicina, o 2.0 assistente, do quadro, Lic.° José Alvarenga de Andrade; da Faculdade de Engenharia, o 2.0 assistente, além do quadro, Lie.0 José Miguel Leal da Silva.

Por ter terminado a validade do seu contrato, deixou também o ser- viço da Faculdade de Engenharia o 2.0 assistente, além do quadro, Lie.0 Aristides Guedes Coelho. A todos agradeço os sen iços que prestaram; e faço votos por que o seu afastamento seja apenas temporário.

Tiveram de deixar temporariamente o serviço da Faculdade de Medicina, por motivo de serviço militar, os 2.0s assistentes, do quadro, Lic.os António Luís Tomé da Rocha Ribeiro, Bernardo Coimbra Bonifácio, Camilo Baptista de Sousa, Emílio Fernando Alves Peres, Luís António da Mota Prego da Cunha Soares de Moura Pereira Leite, e Valdemar Miguel Botelho dos Santos

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Cardoso; e o da Faculdade de Economia, pelo mesmo motivo, o 2.° assistente, além do quadro, Lie.0 Hernâni Olímpio Carqueja.

A perda destes colaboradores, se bem que temporária, cons- titue grande sacrifício para a Universidade do Porto, e em particu- lar para a Faculdade de Medicina a que quase todos pertencem.

A Universidade tem no devido apreço o serviço que foram prestar à Nação; mas não deixa de lamentar que não possa limi- tar-se o sacrifício aos casos em que não seria possível substituí-los, nesse serviço, por quem não fizesse falta ao ensino, tão embaraçado já pela escassez de pessoal docente, e de importância tão primordial para o futuro da mesma Nação.

3.5 — Doutoramentos e agregações

No decurso do ano escolar doutoraram-sc : cm Medicina, os Lic.os António Carvalho de Almeida Coimbra, Joaquim Germano Pinto Machado Correia da Silva e Manuel da Fonseca Pinheiro Coelho Hargreaves; em Engenharia Electrotécnica, o Lie.0 Manuel Jazelino Portela Vieira da Costa; em Farmácia, a Lic.a Judite da Silva Gonçalves; e em Economia o Lie.0 José António Sarmento.

Adquiriram o grau de professor agregado da Faculdade de Engenharia, depois de prestarem as respectivas provas, os Doutores Armando de Araújo Martins Campos e Matos, Diogo de Paiva e Proença Leite Brandão e Francisco Correia Velez Grilo.

A todos felicito vivamente.

3.6 — Actividades do corpo docente

Constam de mapas aparte, por serem muito numerosas, as actividades do pessoal docente em intercâmbio universitário ou cultural, participação em organismos consultivos oficiais ou publi- cação de trabalhos. Envolveram realização de prelecções ou apre- sentação de trabalhos no Ultramar, no estrangeiro ou em reuniões internacionais (exceptuando o XXVI Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, por causa do grande número de trabalhos apresentados), as seguintes:

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Faculdade de Ciências

Prof, jubilado Doutor Augusto Hermenegildo Ribeiro Peixoto de Querós — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 6 lições sobre Matemática, integradas no III Curso de Ferias no Ultramar;

Prof. Doutor Arnaldo Deodato da Fonseca Roseira — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 6 lições sobre Trans- formismo, integrados no III Curso de Férias no Ultramar.

Faculdade de Medicina

Prof. Doutor António de Sousa Pereira — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 5 lições sobre Cirurgia, integrado no III Curso de Férias no Ultramar;

Prof. Doutor Álvaro António Pinheiro Rodrigues — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 5 lições sobre Clínica Cirúr- gica, integradas no III Curso de Férias no Ultramar;

Prof. Doutor António José de Oliveira Ferraz Júnior — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 5 lições sobre Clínica Médica, integradas no III Curso de Férias no Ultramar;

i.° assist. Doutor Manuel da Fonseca Pinheiro Coelho Hargreaves

— Apresentou na V Reunião Hispano-Lusa de Endocri- nologia, em Córdova, o relatório sobre «Hiperfunçào suprar- renal androgénia».

Faculdade de Engenharia

Prof. Doutor Manuel Corrêa de Barros — Realizou, cm Angola e Moçambique, grupos de 4 lições sobre assuntos de Enge- nharia Electrotécnica, integradas no III Curso de Férias no Ultramar;

1 rof. Doutor Francisco Jacinto Sarmento Correia de Araújo — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 5 lições sobre Estruturas, integradas no III Curso de Férias no Ultramar;

Prof. Doutor Armando de Araújo Martins Campos e Matos — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 5 lições sobre

^ Estruturas, integradas no III Curso de Férias no Ultramar;

Prof. extr. Lie.0 António Barbosa de Abreu — Realizou uma con- ferência no Instituto de Estudos Sociais de Haia;

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i.° assist. Doutor Joaquim da Conceição Sampaio — Apresentou na reunião do «Comité Européen du Béton», no Luxem- burgo, os resultados dos ensaios de vigas de betão armado realizados na Faculdade.

Faculdade de Farmácia

i.° assist. Doutor Joaquim António de Barros Polónia — Realizou, em Angola e Moçambique, ciclos de 6 lições sobre Química Farmacêutica, integradas no III Curso de Férias no Ultra- mar;

2.° assist. Lic.° Francisco José Amorim de Carvalho Guerra — Realizou, em Angola c Moçambique, ciclos de 6 lições sobre Bioquímica, integradas no III Curso de Férias no Ultramar.

Faculdade de Economia

Ene.0 de curso Doutor João Ruiz de Almçida Garrett — Realizou, em Angola c Moçambique, ciclos de 5 lições sobre Economia, integradas no III Curso de Férias no Ultramar.

3.7 — Distinções e homenagens

Foram agraciados com a gran-cruz da Ordem do Infante D. Henrique os professores da Faculdade de Medicina Doutores Amândio Joaquim Tavares, Luís José de Pina Guimarães c Fer- nando Domingues Magano Júnior.

O Prof. Doutor José Afonso Dias Guimarães, da mesma Faculdade, foi convidado pelo decano da Faculdade de Medicina de Paris para fazer parte do Comissão Científica do «Journal de Physiologie».

Ao Prof. Doutor Carlos Ribeiro da Silva Lopes, também da Faculdade de Medicina, foi concedido o título de membro de honra da «Associación Espanola de Médicos Forenses».

O professor extraordinário Doutor José Ruiz de Almeida Garrett e os 1.05 assist. Doutores Walter Friedrich Alfred Osswald e Manuel Gonçalves Moreira, da mesma Faculdade, receberam o 2.0 Prémio Pfeizzer pelo seu trabalho «Mecanismo das acções cardiovasculares das hcptalnelaminas».

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21 4 — Instituições circum-escolares

4.1—Lares Universitários e Cantina

Para melhor organização dos serviços, e sem redução do número total de alunos alojados, foram transferidos para outros Lares os poucos alunos que até então residiam no edifício contíguo à sede do Centro Universitário do Porto, que ficou reservado para fins de interesse geral. Reduziu-sc com isso a 5 o número de Lares masculinos da Universidade, entregues a esse Centro, a que acresce mais um Lar pertencente à Juventude Universitária Cató- lica. A sua capacidade total é de uns 150 alunos.

Mantém-se em 6 o de Lares Universitários Femininos, com capacidade total para cerca de 200 alunas, c todos pertencentes a entidades particulares.

A Universidade subsidia todos esses Lares. Além disso, o Lar de Afonso de Albuquerque, masculino, é subsidiado pelo Ministério do Ultramar através da Mocidade Portuguesa, com o fim de facilitar alojamento a estudantes procedentes do Ultramar;

deve recordar-se que, afim de evitar qualquer descriminação, boa parte desses estudantes são repartidos por outros Lares, admitindo-se neste, como compensação, igual número de estu- dantes da Metrópole.

Com o aumento de frequência da Universidade, vai-se reduzindo, em valor relativo, o benefício resultante da existência destes Lares, que já só alojam um sexto dos estudantes masculinos que não habitam em casa de família, e dois terços das alunas nas mesmas condições. Está-se, cm particular, a tornar agudo o pro- blema do alojamento das alunas da Faculdade de Medicina, por causa da grande distância a que esta fica de qualquer dos Lares existentes. Verifica-se que poucas alunas entradas de novo para a Faculdade procuram residência nos Lares, ficando muitas delas, certamente, alojadas cm condições precárias ; urge por isso que se inicie, por um Lar feminino, a construção dos Lares previstos para a zona da Asprela, mantendo a orientação, recomendada pela experiência, de o entregar a instituição idónea que nele crie ambiente familiar c cristão.

A Cantina — entregue ao Centro Universitário, como os 5 Lares da Universidade — continuou durante todo o ano instalada

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no Lar do Infante D. Henrique, tendo servido 56 129 refeições (contra 48 211 no ano anterior). Ao terminar o ano escolar, estava praticamente concluída a nova instalação da Cantina no antigo edifício da Faculdade de Medicina.

Inaugurou-se um bufete no Instituto Botânico, o que, com os do Centro Universitário, Faculdade de Engenharia e Estádio Universitário, eleva 3 4 0 número total de bufetes dependentes do Centro; além disso, este mantém um snack-bar na Faculdade de Medicina.

Na Faculdade de Farmácia, existe também um bufete dependente da Associação dos Estudantes dessa Faculdade.

4.2 — Centro Universitário do Porto

O Centro Universitário continua a desempenhar exemplar- mente as suas funções, quer no que respeita aos Lares e à Cantina que lhe estão confiados — para o que designou expressamente dois directores-adjuntos, o Prof. Doutor Abel José Sampaio da Costa Tavares e o Doutor Fernando Octávio dos Santos Pinto Serrão, respectivamente —, quer no que se refere às suas restantes actividades: o serviço médico que presta assistência a todos os alunos da Universidade, e organiza entre eles o rádio-rastreio da tuberculose, em colaboração com a entidade competente; o ser- viço de assistência social universitária; as Secções Cultural e do Ultramar; o Rádio-Centro; o serviço de procuradoria instalado, para serviço dos estudantes, junta da Secretaria da Universidade;

e o serviço de publicação de textos didácticos.

Recomeçou a sua publicação em 1961-62, depois de alguns anos de interrupção, o jornal «Centro».

A Delegação da Faculdade de Ciências desenvolveu uma acção rasgadamente jovem e descontraída, mas ao mesmo tempo sensata e respeitadora, que lhe valeu um merecido louvor do director do Centro.

À boa orientação, já tradicional, do Centro, e à actividade desta delegação, se deve em grande parte o bom ambiente em que decorreu, no Porto, o ano escolar de 1961-62.

Junto do Centro continuou a funcionar, com o brio c o entusiasmo tradicionais, o Centro Desportivo Universitário do Porto.

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4-3 — Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia Também foi decididamente benéfica a orientação que esta Associação continuou a manter, na melhor harmonia com o director da Faculdade c com todas as outras instituições circum-escolares.

Em colaboração com a J. U. C , a Associação promoveu o VIII Convivium, com o mesmo carácter de elevação e cultura dos anteriores.

A Associação continua a manter um serviço de assistência médica aos seus filiados, com a colaboração desinteressada de alguns membros do Corpo Docente da Faculdade e de alguns laboratórios de produtos farmacêuticos, c o bufete na Faculdade de Farmácia, inaugurado no ano anterior.

A biblioteca da Associação foi enriquecida com um núcleo de livros didácticos, para consulta, oferecidos pela Fundação Calouste Gulbenkian.

4.4—Juventude Universitária Católica

Com a sua feição própria como organismo da Acção Católica, de que é justificadamente ciosa, a J. U. C. do Porto continuou a prestar bons serviços à Universidade. Mantém um Lar Univer- sitário, subsidiado pela Reitoria. Promoveu mais uma vez a Benção das Pastas, integrada no programa geral da Queima das Fitas;

e colaborou com a Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia na organização do VIII Convivium. Além disso realizou as várias iniciativas do seu programa próprio, a que o reitor gosto- samente compareceu quando tinham carácter público.

4-5 —Juventude Universitária Católica Feminina

É-lhe também aplicável o que atrás se disse sobre a J. U. C- masculina, com a qual colaborou em muitas das suas iniciativas- Também a J. U. C. F. mantém um Lar Universitário, subsidiado pela Reitoria.

4-6 — Orfeão Universitário do Porto

Continuou a colaborar, com a maior dedicação, com as res- tantes actividades universitárias e circum-escolares, tendo tomado parte na abertura solene das aulas, no programa da Queima das

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fitas, no VIII Convivium promovido pela Associação dos Estu- dantes da Faculdade de Farmácia e pela J. U. C , e noutras inicia- tivas, algumas delas de beneficência.

Com missa por alma dos orfeonistas e tunos falecidos, um Jantar de confraternização e um sarau, comemoraram-sc as «Bodas de Ouro» do Orfeão.

Nas ferias da Páscoa, o Orfeão realizou uma digressão artís- tica à Galiza, visitando Santiago de Compostela, Corunha e Orense.

Durante as férias de verão, deslocou-se a Angola, conforme já foi dito, realizando espectáculos em Benguela, Lobito, Nova Lisboa, (2 espectáculos), Silva Porto, Sá da Bandeira, Moçâmedes (2 espectáculos), e Luanda (3 espectáculos); um dos espectáculos de Moçâmedes foi de beneficência, e um dos de Luanda oferecido às Forças Armadas. De salientar a maneira por que em toda a parte foram recebidos os orfeonistas, muitos dos quais ficaram aleijados em .casas particulares.

Em todas as suas exibições, o Orfeão obteve merecidos aplausos.

Em colaboração com o Teatro Universitário, o Orfeão pro- moveu a visita ao Porto do Coro Misto da Universidade de Sala- manca.

Não puderam concluir-se em 1961-62 as obras de adaptação do antigo edifício da Faculdade de Medicina, pelo que só no pró- ximo ano escolar se poderá mudar o Orfeão para as instalações que lá lhe foram preparadas.

Integrada nas comemorações das «Bodas de Ouro», fez-se no entanto a inauguração simbólica dessas instalações, com o des- cerramento duma lápide de homenagem ao antigo reitor, Prof.

Doutor Amândio Tavares.

4.7 — Teatro Universitário do Porto

Continuou a sua actividade com o entusiasmo de sempre.

Em Abril, foi a Santiago de Compostela, onde deu um espectáculo.

Durante as férias do verão, conforme já foi dito, deslocou-se a Moçambique, tendo realizado espectáculos em Inhambanc, João Belo, Colonato do Limpopo, Lourenço Marques (2 espectáculos),

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25 Gondola, Beira (2 espectáculos), Nampula (2 espectáculos), ilha de Moçambique e Quelimane. Em toda a parte, o Teatro foi recebido da melhor maneira pela população, tendo muitos dos seus componentes ficado alojados em casas particulares. Os seus espec- táculos agradaram muito.

Durante o ano lectivo realizou, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, o seu I Curso de Teatro.

O Teatro colaborou com o Orfeão na preparação da visita ao Porto do Coro Misto da Universidade de Salamanca.

Durante o ano, o Teatro instalou-se no recinto que lhe foi reservado no antigo edifício da Faculdade de Medicina.

4.8 — Associação dos Antigos Alunos da Universidade do Porto Iniciou a sua actividade no dia de abertura das aulas do ano lectivo de 1961-62, com uma missa em sufrágio dos antigos alunos faiecidos, e o descerramento duma lápide de homenagem ao ministro que criou a Universidade do Porto, Dr. António José de Almeida.

Promoveu depois uma romagem à campa do primeiro reitor da Universidade do Porto, Prof. Doutor Gomes Teixeira, e uma sessão comemorativa do centenário da criação, no Porto, da Aula de Náutica.

5 — Colaboração de outras entidades 5.1 —Instituto de Alta Cultura

Passando a referir-me às entidades, estranhas à Universidade e aos serviços de que ela depende, que lhe têm dado valiosa cola- boração, devo começar pelo prestimoso Instituto de Alta Cultura.

Apesar das limitações de vária ordem que dificultam a sua acção, tem continuado, dedicadamente, a auxiliar a Universidade do Porto pela concessão de bolsas de estudo, instituição de Centros de Estudos anexos às Faculdades, intercâmbio de professores a alunos com Universidades estrangeiras, etc..

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Os Centros de Estudos mantidos junto à Universidade são:

Anexos à Faculdade de Ciências

Centro de Estudos de Ciências Naturais Centro de Estudos de Etnologia Peninsular Centro de Estudos de Física Nuclear e Electrónica Centro de Estudos Matemáticos

Anexos à Faculdade de Medicina

Centro de Estudos de Anatomia Patológica e Patologia Geral Centro de Estudos de Medicina Experimental

Anexos à Faculdade de Engenharia

Centro de Estudos de Engenharia Civil, com 2 Secções, uma de Estudos de Estabilidade, e outra de Estudos de Madeira Centro de Estudos de Química Nuclear

Anexo à Faculdade de Farmácia Centro de Estudos Farmacológicos.

Juntamente com a Câmara Municipal do Porto, o Instituto criou c mantém, anexo à Universidade, o Centro de Estudos Hu- manísticos, cujo trabalho continua a ser digno de todo o louvor.

Com a criação da nova Faculdade de Letras, poderá rever-se a posição do Centro dentro da Universidade, para lhe assegurar íntima ligação com essa Faculdade; mas, pelo menos enquanto o âmbito da Faculdade for tão reduzido como agora, não deverá pensar-se que ele seja dispensável.

5.2 — Ministério das Obras Públicas

Merece destaque o interesse com que o Ministério das Obras Públicas se ocupou de todos os assuntos importantes para a Uni- versidade, em particular pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, e sua secção do Porto, a Direcção dos

J

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27 Edifícios Nacionais do Norte. Tiveram grande avanço as obras no edifício da Faculdade de Ciências e no antigo edifício da Fa- culdade de Medicina; concluíram-se as obras no antigo edifício do Liceu Carolina Michaëlis, entregue à Faculdade de Engenharia, e na Estação de Zoologia Marítima; adjudicou-se a empreitada para a construção das dependências onde deverá alojar-se a estação sismológica da Faculdade de Ciências; iniciou-se a construção da estufa de exposição do Jardim Botânico; e foi determinado o início do estudo das obras a realizar no edifício contíguo ao Jardim Botânico, para serviço da Faculdade de Letras.

Também a Comissão Administrativa das Novas Instalações Universitárias continuou a ocupar-se do novo edifício para a Faculdade de Economia, cuja construção é tão urgente; e a Junta Autónoma de Estradas estudou a vedação das vias de acesso à nova ponte da Arrábida, na parte que atravessa o Jardim Botânico, ao qual cedeu, para ajardinamento, os respectivos taludes.

5.3 — Ministério do Ultramar

O Ministério do Ultramar não só concedeu valiosos subsídios ao Teatro e ao Orfeão Universitário para a realização das suas viagens ao Ultramar, c se interessou decisivamente pela efectiva- ção do III Curso de Férias em Angola e Moçambique, como, pela Junta de Investigações, continuou a subsidiar o Agrupamento de Estudos Ultramarinos anexo à Faculdade de Ciências, e o Agrupa- mento Científico da Farmacognosia anexo à de Farmácia. Pela mesma Junta, concedeu subsídios a vários membros do Corpo Docente para trabalhos de investigação.

5.4 — Ministério das Finanças

Concedeu avultados subsídios ao Orfeão e ao Teatro Univer- sitários, para as suas viagens a Angola e Moçambique, respectiva- mente.

5.5 —Junta de Energia Nuclear

Por concessão muito especial, prolongou até ao fim do ano de 1962 o subsídio que, para a sua entrada cm funcionamento,

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tinha concedido ao Laboratório de Radioisótopos da Faculdade de Medicina. Além disso ofereceu, como já foi dito, ao Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências, uma colecção de rochas e minerais radioactivos.

5.6 — Secretariado Nacional da Informação

Autorizou a utilização, para auxiliar a sua digressão à Galiza, de um subsídio já concedido ao Orfeão Universitário ; e concedeu um valioso subsídio ao Teatro Universitário do Porto.

5.7 — Câmara Municipal do Porto

Mantém, com o Instituto de Alta Cultura, o Centro de Estu- dos Humanísticos, que ajudou a criar. Além disso, confere anual- mente um valioso prémio a um aluno de Engenharia.

No ano lectivo de 1961-62, concedeu um subsídio ao Teatro Universitário do Porto.

5.8 — Fundação Calouste Gulbenkian

A Fundação Calouste Gulbenkian, além de conceder bolsas de estudo a vários membros do Corpo Docente e a muitos alunos da Universidade, subsidiou a Laboratório de Bioquímica da Fa- culdade de Farmácia, inaugurado durante o ano de 1961-62, e o Centro de Estudos Humanísticos. Fez ofertas de livros à Asso- ciação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia e à biblioteca do Lar de Gomes Teixeira. Promoveu também um curso de teatro no Teatro Universitário do Porto.

Depois duma conversa com o Presidente do Conselho de Administração da Fundação, na qual tomei conhecimento da orien- tação que esta vai imprimir à sua colaboração com as Universi- dades, foram remetidas à Fundação diversas sugestões relativas aos campos de colaboração que parecem ter, no Porto, maior inte- resse ou maior oportunidade. Atendendo à categoria da Fundação, só se incluiu nessas sugestões o que, pelo seu vulto, excedia os recursos normais, presentes ou previsíveis, da Universidade. As sugestões enviadas estão actualmente em estudo na Fundação;

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20 e espera-se confiadamente que constituirão o início dum período de trabalho, longo e fecundo, integrado na actividade que a Fun- dação está a desenvolver no domínio da investigação.

5.9 — Instituto Francês

Continuou a sua valiosa actuação cm tudo o que diz respeito a intercâmbio cultural com a França. Não foi ainda possível ceder-lhe, em 1961-62, a sala que no antigo edifício da Faculdade de Medicina está destinada à colocação dos livros e revistas que já.

recebeu para esse efeito; mas conta-se que possam lá instalar-se no princípio do ano próximo.

Por intermédio do mesmo Instituto foi oferecida à Faculdade de Farmácia uma valiosa colecção de livros franceses.

5.10 — Instituto de Cultura Alemã

Continua instalado na Faculdade de Engenharia, onde é um exemplo de correcção e colaboração amigável. Presta excelentes serviços no que se refere a intercâmbio cultural com a Alemanha.

Já entregou à Universidade, conforme a escolha por esta feita, os livros cuja oferta tinha anunciado no ano anterior.

5.11—Sala Espanhola

Por iniciativa do Cônsul de Espanha, vai ser colocada numa sala da Faculdade de Letras uma colecção de livros espanhóis com interesse para essa Faculdade.

5.12 — Outras entidades

Devem recordar-se também as associações, empresas ou particulares que, além das entidades já citadas, instituíram ou con- cederam bolsas de estudo a alunos, ou prémios escolares, conforme consta do mapa anexo. Durante o ano escolar de 1961-62, foi anun- ciada pela Ex.mo Snr.a D. Branca Lopes Martins a instituição de um prémio denominado «Prémio Augusto Martins», em memória de seu falecido marido, professor de Matemática no Liceu e antigo aluno da Universidade do Porto, constituído por rendimento de

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Esc. io.oooSoo postos à disposição da Universidade por sua so- brinha, a Ex.ma Snr.a D. Helena Guiomar Pina Manique, e desti- nado ao «aluno mais classificado da cadeira de Análise e dotado de mais qualidades de investigação».

A todos os que, de qualquer forma, auxiliaram ou facilitaram a acção da Universidade se deixa aqui registado o seu vivo agrade- cimento.

6 — Conclusão

Para terminar: Percorrendo de lés a lés, com o III Curso de Férias no Ultramar, as províncias de Angola e Moçambique, encontrei inúmeros antigos alunos da Universidade do Porto, ocupando posições de destaque de maneira a honrar a Universi- dade que os formou, e cheios, para com ela, de respeito e saudade.

E sinto o peso da responsabilidade que temos, perante os actuais alunos da Universidade, de assegurar que também eles possam, amanhã, dar provas idênticas e ter sentimentos iguais. É a cons- ciência dessa responsabilidade que explica a maneira insistente por que me referi às muitas dificuldades que a Universidade en- contra no seu caminho. A certeza de que a minha preocupação a este respeito coincide com a das instâncias superiores permite-me acrescentar uma nota de confiança à relação dessas dificuldades.

Universidade do Porto, 30 de Setembro de 1962.

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Professor Jubilado da Faculdade de Ciências

Minhas Senhoras e Meus Senhores

O Senado Universitário do Porto resolveu comemorar, na sessão de abertura solene do ano lectivo que hoje começa, o cin- quentenário da fundação da Universidade. Incumbido à Faculdade de Ciências o encargo da oração inaugural, teve esta Faculdade a gentileza de se lembrar de que a ela pertenci, convidando-me a tomar sobre mim o desempenho do mandato que lhe fora atribuído.

A abundância de anos de vida, com a natural consequência de enfraquecimento de corpo e de espírito, aconselhava-me impera- tivamente a declinar o convite. Duas razões, porém, me forçaram a aceitá-lo: a circunstância de ser o único sobrevivente do grupo de professores que exerciam o ensino nas escolas superiores do Porto, na data que hoje comemoramos, e o desejo de não opor uma recusa a uma penhorante deferência da Faculdade a que me honro de ter pertencido. Estas razões me servirão de desculpa e me abri- rão, espero, a torrente de benevolência de que preciso da parte de todos os que me vão ouvir.

Desejo em primeiro lugar apresentar as minhas saudações a Sua Ex.a o Ministro da Educação Nacional, alto valor mental da nossa terra, de cuja acção muito há a esperar a favor da instrução em Portugal. Dirijo igualmente os meus cumprimentos a S. Ex.a

Rev.ma o Senhor Governador do Bispado, ao nosso magnífico Reitor,

(*) Oração inaugural dos Trabalhos escolares do ano de 1961-1962.

Eeta cerimónia realizou-se no Salão Nobre da Universidade a 27 de Outubro de 1961.

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figura de que a Universidade justamente se orgulha, ao Sr. Prof.

Amândio Tavares, Reitor cessante, que tão relevantes serviços prestou no seu reitorado, às Ex.mas Autoridades civis e militares, aos prezados Colegas, aos estudantes, à Imprensa diária e a todos os que vieram distinguir-nos com a sua presença.

Minhas Senhoras e meus Senhores.

Poucos meses decorridos sobre a data da fundação da República, foi o Porto surpreendido, ao 1er os jornais da manhã do dia 24 de Março de 1911, com a notícia da publicação dum decreto criando duas novas Universidades, uma em Lisboa, outra no Porto, e anunciando que o Governo publicaria ulteriormente um diploma sobre a Constituição universitária. Esse diploma foi com efeito promulgado em 19 de Abril e surgiu nos jornais do Porto na manhã do dia 22 seguinte.

Nenhum movimento de opinião, nenhuma campanha de imprensa, tinham precedido a publicação destes decretos, que foram de iniciativa expontânea do Governo provisório da República.

O ensino superior, no Porto, exercia-se, nessa data, na Aca- demia Politécnica e na Escola Médico-Cirúrgica. A primeira tivera a sua origem na Aula de Náutica, Desenho e Debuxo, criada em 1762, a que sucedera, em 1803, a Academia Real de Marinha e Comércio, convertida mais tarde, em 1837, na Academia Poli- técnica. Nela eram professados, além dos cursos de engenheiros civis de Obras Públicas, Industriais e de Minas, cursos prepara- tórios para a Escola do Exército, Escola Naval e Escolas Médico- cirúrgicas e cursos de habilitação para o magistério secundário.

Na segunda, sucessora, desde 1836, da Real Escola de Medicina e Cirurgia do Porto, que por sua vez substituíra em 1825 a Aula de Cirurgia da Santa Casa da Misericórdia, eram professados os cursos de Medicina e de Farmácia.

A nova Constituição universitária converteu a segunda numa Faculdade de Medicina e a primeira numa Faculdade de Ciências, com uma secção de engenharia anexa. Incluía ainda a criação duma Faculdade de Comércio.

É curioso recordar que a atitude do público perante facto de tão grande relevo, foi, pelo menos aparentemente, de muito limitado interesse. A notícia foi conhecida pelos telegramas publicados nos

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33 jornais do Porto, dos quais apenas um transcreveu integralmente o decreto de 19 de Abril. Nem agradecimentos, nem louvores ao Governo, se encontram na imprensa, nas semanas que se seguiram ao dia 22, em que a notícia apareceu. Passado algum tempo saiu, em fundo, num dos grandes jornais da manhã, um banal artigo, de meia coluna, sobre as vantagens, num ponto de vista geral, do sistema universitário, sem aplicação directa ao caso do Porto.

O próprio director desse jornal, que ali publicava semanalmente as notas políticas de sua autoria, não incluiu, nas que foram apare- cendo nas semanas seguintes, qualquer referência à fundação da nova Universidade.

Esta indiferença quase total da imprensa tem, até certo ponto, explicação. Estava-se a poucos meses da data da mudança de regime. Na véspera do dia 22, em que chegou a notícia da nova constituição universitária, tinha sido publicada a lei de separação da Igreja e do Estado. No próprio dia 22 veio ao norte o Ministro da Justiça, Dr. Afonso Costa, fazer uma conferência sobre a refe- rida lei. As atenções eram dirigidas, preferentemente, para esse assunto e para os que iam surgindo, todos os dias, de natureza politica e social, designadamente tudo o que dizia respeito à prepa- ração da próxima Assembleia Constituinte. Compreende-se que estes grandes problemas sociais tenham tido, nas atenções gerais, primazia sobre os problemas do ensino.

Entretanto algumas referências começaram a aparecer, mas em termos depreciativos. Em 17 de Maio publicava «O Primeiro de Janeiro» uma entrevista com um académico ex-professor, cm que se dizia que a cidade do Porto tinha sido amesquinhada, pois, de facto, nada se lhe dava. As Faculdades de Ciências e da Medicina eram novas denominações das duas escolas de ensino superior que o Porto já tinha. Vinha a mais uma hipotética Facul- dade de Comércio, mas faltavam duas Faculdades essenciais, Letras e Direito. Em 29 de Junho publicava o mesmo jornal um longo artigo de fundo, com uma crítica mais violenta, sob o título de <A pseudo-Universidade do Porto», em que o autor declarava ter ficado tomado de desânimo e descrença, quando leu a Consti- tuição universitária, pelo que ela tinha de insidioso e iníquo para todo o norte do País e para a cidade do Porto.

O exame sereno dos factos leva-nos porém a reconhecer que o serviço prestado ao Porto e ao norte do país, com a criação da

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Universidade foi, e é, merecedor de elevado apreço. É certo que, naquele momento, o Porto pouco ou nada recebeu materialmente.

Mas não oferece dúvida o interesse que tem a categoria de cidade universitária que lhe foi conferida, assim como muitas das inova- ções incluídas na nova organização. Nem tudo era perfeito nela, mas bastariam as disposições relativas ao alargamento da auto- nomia administrativa e as referentes à alteração do regime de fre- quências e de provas e às bolsas de aperfeiçoamento no estrangeiro, para que deva ser perdurável o agradecimento do Porto ao Ministro que da reforma teve a iniciativa. As reformas anteriores, de 1901 e 1907, satisfaziam, em parte, algumas dessas velhas aspirações, mas não com a amplitude da nova constituição. Aqui presto a minha homenagem à memória do Dr. António José de Almeida.

É justo que se diga que a criação da Universidade se deve considerar como o reconhecimento, por parte do Governo, do alto nível do ensino superior, no Porto, à data da promulgação do decreto da nova Constituição Universitária. Bastará recordar que na Academia Politécnica ensinavam, os professores Gomes Teixeira, Luiz Woodhouse, Duarte Leite, Pedro Teixeira, Alves Bonifácio, Ferreira da Silva, José Arroyo, Aarão de Lacerda, Venceslau de Lima (temporariamente em Lisboa), Francisco de Azeredo, Roberto Alves, Bento Carqueja, Terra Viana, Roberto Mendes, Victorino Laranjeira e Miranda Júnior. Estava ausente, por doença, Amândio Gonçalves. Vivia jubilado Azevedo e Albu- querque. Ali trabalhavam dois notáveis naturalistas, Gonçalo

Sampaio e Augusto Nobre, que mais tarde ingressaram no corpo docente da Universidade. Tinha morrido, pouco antes, outro naturalista de alto mérito, Rocha Peixoto. Junto de Ferreira da Silva trabalhava, como analista, José Salgado, mais tarde pro- fessor e reitor.

Na Escola Médico - cirúrgica ensinavam os professores Almeida Brandão, Cândido de Pinho, Plácido da Costa, Roberto Frias, Maximiano de Lemos, Lopes Martins, Alberto de Aguiar, Carlos Lima, Luiz Viegas, Dias de Almeida, Alfredo de Magalhães, Sousa Júnior, Tiago de Almeida, Joaquim Pires de Lima, João de Meira, Oliveira Lima e Teixeira Bastos. Um curso de especia- lidade era regido por Júlio de Matos que, pouco depois, foi, com Magalhães Lemos, incluído no grupo de catedráticos. Tinha sido transferido para Lisboa o prof. Ricardo Jorge. Tinha morrido,

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3r) há pouco, Ilídio do Vale. Viviam ainda, jubilados, os prof. Andrade Gramaxo, Pedro Dias, Morais Caldas e Azevedo Maia. Tinha morrido, pouco antes, o prof, jubilado Agostinho Souto. Traba- lhavam na Escola, como chefes de clínica, Carlos de Albuquerque e Morais Frias, e como analista Manuel Pinto.

Não pronuncio os nomes dos homens que formam as duas listas que acabo de recordar e que constituiriam legítimo orgulho de qualquer Universidade, sem um vivo sentimento de admiração pelos seus talentos e o amargo duma grande saudade daqueles com quem mais de perto convivi, como colega e como amigo.

Fora das duas escolas atingidas pela nova organização, era também elevado o nível cultural do Porto. Nas Belas Artes ensi- navam e criavam obras primas alguns dos nossos melhores escul- tores, pintores e arquitectos. No professorado do Instituto, dos liceus e das escolas comerciais e industriais havia figuras de relevo.

Estavam vivos D. Carolina Michaèlis, Joaquim de Vasconcelos, Junqueiro, Sampaio Bruno, Basílio Teles, Carlos Ramos, Pedro Vitorino, Júlio Brandão, e quantos mais. Dispersara-se, havia pouco tempo, o grupo da «Portugália». Estava em actividade o grupo da

«Águia» que foi origem da «Renascença Portuguesa». A imprensa diária tinha já o nível elevado que tem sabido manter.

O Porto era digno da dádiva do Governo Provisório.

Pouco depois da publicação do decreto de 19 de Abril foi nomeada uma comissão, de que fiz parte com os professores Gomes Teixeira, Júlio de Matos, Alberto de Aguiar e Sousa J.or, para estudar e propor as condições necessárias para a instalação da Universidade.

Decorridos cerca de três meses sobre aquela data, realizou-se, em 16 de Julho, com grande solenidade na sala da biblioteca da Politécnica, a sessão de inauguração. Presidiu o Ministro do Inte- rior, dr. António José d'Almeida, ladeado pelo Governador civil dr. Nunes da Ponte e pelos professores Gomes Teixeira e Augusto Brandão, com a assistência de outras autoridades, professorado, estudantes, etc. Falou em primeiro lugar o dr. Gomes Teixeira que agradeceu o serviço prestado aos estabelecimentos de ensino superior do Porto e disse considerar a nova organização a mais larga e importante reforma, depois da feita no século XVII por Pombal. Falou depois brilhantemente o Ministro. Discurso vibrante mas moderado na doutrina. Afirmou que o Governo queria dar a

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maior autonomia e independência às Universidades nacionais. Disse que a liberdade não excluía a disciplina. Defendeu o espírito de conciliação que desejava se fizesse sentir desde as mais altas manifestações do pensamento até às mais mesquinhas. Afirmou que, no dia em que, em Portugal, a ciência seja compatível com a reli- gião, se terá dado um grande passo para o levantamento do país, porque só então se compreenderá o valor duma e doutra. Decla- rando-se livre pensador irreductível, reconhecia que era preciso conciliar esses dois campos e sermos do nosso tempo. Disse ser preciso arrancar, com cuidado e solicitude, o que haja de obscura- mente religioso nas almas mas, acrescentou, não as ferindo e deixando-lhes a sua fé, que é para elas um penhor de consolação.

Afirmou que o momento não era para radicalismos. (Ouviram-se então alguns murmúrios de desaprovação na sala). Citou o que se passava na Alemanha, onde se criaram bons institutos religiosos, ao mesmo tempo que se fundavam Universidades para o cultivo da Ciência. Referiu-se, por fim, à projectada criação da Faculdade de Comércio, que considerava uma necessidade inadiável para o Porto.

Passou-se em seguida à eleição do primeiro reitor, em lista tríplice, que serviria de base à escolha do Governo. Os três nomes mais votados foram o de Gomes Teixeira, com 23 votos, António José de Almeida, com 13, e Augusto Brandão com 12. O Governo nomeou, poucos dias depois, o dr. Gomes Teixeira.

No dia 1 de Novembro seguinte teve lugar a primeira abertura solene de ano lectivo, sob a presidência de Sidónio Pais, então Ministro do Fomento. A Universidade entrou nesse dia na sua vida normal.

Na manhã do dia em que ia ter lugar a inauguração da Uni- versidade, publicou o «Comércio do Porto» um artigo em que se manifestava o desejo de que uma Faculdade Técnica e uma Facul- dade de Filosofia e Letras viessem a ser criadas, sem esquecer também uma Escola Normal superior, e se dizia que a nova Universidade devia ser considerada apenas como o núcleo duma criação mais vasta, que se esperava viria a realizar-se cm breve, afirmando que só assim se poderia contribuir para que a cidade do Porto e o norte do País viessem a bendizer a nova organização.

Efectivaram-se, durante os cinquenta anos decorridos, estas e outras aspirações que foram surgindo?

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37 Seria a altura de percorrer as sucessivas alterações que tem sido legisladas para a Universidade do Porto. Não o farei. O tempo de que posso dispor, sem indesculpável abuso, não me permitiria, se o fizesse, abordar outros pontos a que desejo referir-me. Prefiro encarar a Universidade tal como está, falar do que me parece que ela mais urgentemente precisa e considerar alguns problemas das Universidades portuguesas. Devo advertir que não ouvi as auto- ridades académicas sobre os pontos de vista que poderei abordar e que por isso às minhas palavras não fica de qualquer modo preso o modo de ver do claustro universitário.

O nosso país tem presentemente 4 Universidades: uma do tipo geralmente chamado clássico, em Coimbra, uma do mesmo tipo, em Lisboa, uma Universidade Técnica em Lisboa e uma Universidade mista no Porto. Perante esta diversidade, ocorre naturalmente indagar qual o quadro de estudos que uma Univer- sidade deve abranger. Deve uma Universidade incluir os estudos clássicos e os técnicos como no Porto, ou é de aconselhar a sepa- ração em Universidades distintas como em Lisboa? O problema é velho, tem sido posto em todos os países cultos, e por toda a parte se encontram exemplos das duas soluções, cada uma das quais tem as suas vantagens e os seus inconvenientes. Entre nós também a questão tem sido levantada. Recordo que, há cerca de 30 anos, o Governo nomeou uma grande comissão, para elaborar um esquema da organização geral do ensino, em todos os seus graus, o qual serviria de base às reformas a fazer em cada um dos ramos. Dessa comissão faziam parte muitos dos mais ilustres pro- fessores e pedagogos desse tempo. A ela pertenceram, entre outros, Eusébio Tamagnini, Agostinho de Campos, Cabral de Moncada, Celestino da Costa, Aires Kopke, Marques de Carvalho, Oliveira Guimarães, Nobre Guedes, Augusto Pires de Lima e Ferreira do Amaral. Não teve infelizmente continuidade o trabalho dessa comissão, mas nem tudo se perdeu do seu estudo. Restam alguns excelentes relatórios, pouco conhecidos, por terem sido publicados em revista de limitada expansão — o «Boletim oficial do Minis- tério da Instrução Pública» —. Num desses relatórios perguntava o professor Celestino da Costa : Há vantagem em manter a actual Universidade Técnica ou será preferível fundi-la com a outra Universidade lisbonense? Não conviria, com efeito, remodelar o quadro geral das Faculdades universitárias, juntando na mesma

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instituição pedagógica única o direito, a medicina, a farmácia, a engenharia, a veterinária, a agronomia? No mesmo sentido, escrevia o professor Cabral de Moncada : Deverá existir, para um lado, Universidade e, para outro, ensino técnico, quando afinal, hoje em dia, a Universidade já nada mais é do que (com excepção das Faculdades de Letras e Ciências naturais, que são escolas de trânsito e preparatórias), um mero conjunto de escolas de carácter puramente técnico? Haverá mesmo razão para haver uma Univer- sidade Técnica? Não será a atual Universidade, cujo nome já nada exprime, um puro conjunto de escolas técnico-profissionais?

E se assim é, continuava o prof. Moncada, não seria razoável remodelar profundamente o quadro geral das Faculdades universi- tárias, juntando na mesma instituição pedagógica, com esse nome ou com outro, o direito, a medicina, a farmácia, os estudos econó- micos e financeiros, colocados todos no mesmo plano técnico- -profissional? Sugeria depois a formaão duma escola superior de cultura, ao mesmo tempo de habilitação e complemento das outras, com as Faculdades de Letras e Ciências.

Registo ainda algumas palavras do relatório do professor Tamagnini, a propósito da controvérsia sobre a duplicação dos preparatórios de engenharia: «Este facto é ainda repercussão daquela ideia aristotélica que pretende estabelecer uma barreira insuperável entre ensino liberal ou científico e ensino técnico.

Tal posição é indefensável».

Não quero afirmar que a questão seja fundamental. Não há dúvida que os frutos do labor universitário dependem principal- mente das qualidades e esforço de quem o exerce e dos meios de trabalho de que dispõe. Temos entre nós a prova disso no que se dá com a nossa engenharia: quer da Faculdade de Engenharia do Porto, integrada numa Universidade mista, quer do Instituto Superior Técnico de Lisboa, integrado numa Universidade Téc- nica, tem saído um escol de engenheiros que é hoje motivo de legítimo orgulho da Nação. Todavia, não deixo de afirmar que a minha preferência vai abertamente para uma resposta afirmativa às perguntas da comissão de reforma. As vantagens de uma maior aproximação entre professores, melhor conjugação de programas, supressão de cursos afins e mais fácil colaboração nos trabalhos de investigação, superam muito, a meu ver, os inconvenientes que tem sido apontados à junção numa Universidade única. Em muitos

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30 países esta solução é largamente adoptada, havendo alguns, como a Itália, em que a maioria das Universidades é do tipo misto.

Creio pois que podemos estar satisfeitos com o tipo univer- sitário escolhido para o Porto.

Outro tanto não direi quanto às condições em que se é forçado a ensinar na Faculdade de Ciências e quanto ao quadro de estudos incluídos na Universidade.

No que vou dizer não me orientam interesses regionalistas.

Preocupa-me, acima de tudo, o interesse nacional.

Considero da maior urgência modificar as condições insus- tentáveis em que se exerce o ensino na Faculdade de Ciências, em consequência da exagerada acumulação de alunos nos primeiros anos. Ainda fazcndo-se todos os possíveis desdobramentos em turmas, as aulas ficam sempre superlotadas.

No ano passado inscreveram-se, no Porto, no cadeira de Física geral, 444 alunos; na de Matemáticas gerais, 1221 alunos;

Estes números, que há poucos anos seriam inacreditáveis, estão já excedidos na inscrição do ano que hoje começa. Nas outras Universidades o panorama é semelhante. Ocupadas as bancadas pelos mais apressados, há alunos que ficam de pé, outros não conseguem entrar na sala. Todos sabemos que basta a perda dum pequeno número de lições, para inabilitar o aluno, principalmente em matemática, a compreender as matérias ensinadas ulterior- mente. Daí o desinteresse, quando não o desânimo total, de grande parte dos alunos e, como consequência última, o baixo nível médio dos finalistas actuais. Permito-me dizer que isto não pode con- tinuar assim.

Conhecido o mal, encaremo-lo nas suas origens e nos seus aspectos fundamentais. Temos hoje as mesmas 4 Universidades que tínhamos há 50 anos. Digo assim porque a Universidade Téc- nica, que foi criada mais tarde, é afinal um conjunto de escolas já existentes em 1911. Nestes 50 anos a população escolar aumentou enormemente, numa escala muito superior ao crescimento demo- gráfico do país. Criaram-se entretanto numerosos liceus, escolas comerciais e industriais c colégios de ensino secundário. E as Universidades continuam a ser 4. Acresce que o número de pro- fessores, em cada grupo das Faculdades de Ciências, é o mesmo que foi fixado em 1911. Continua a haver, eu sei, professores extraor- dinários e assistentes, mas além de serem em pequeno número,

Referências

Documentos relacionados

A 4a Conferência Nacional sobre a Qualidade do Ambiente organizada pelo Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia