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Varginha, 27 e 28 ... - 1 III SIMGETI – Grupo Educacional Unis

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III SIMGETI – Grupo Educacional Unis – Varginha, 27 e 28 de novembro de 2017 – ISSN: 2447-7303

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Anais do III Simpósio Mineiro de Gestão, Educação, Comunicação e Tecnologia da

Informação - SIMGETI

O Simpósio Mineiro de Gestão, Educação, Comunicação e Tecnologia da Informação - SIMGETI, organizado pelo Grupo Educacional UNIS é um evento científico que oferece a

comunidade acadêmica a oportunidade de publicação de trabalhos nas áreas da Gestão, Educação, Comunicação, Tecnologia da Informação. Além disso, o simpósio tem como objetivo

propiciar o debate e troca de experiências entre pesquisadores de todo Brasil.

ISSN: 2447-7303

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MARKETING DE CONTEÚDO NAS REDES SOCIAIS COMO ESTRATÉGIA DE FIDELIZAÇÃO: um estudo de caso da Netflix

Kelly Miyake Mangiapelo Rafael de Almeida Moreira1

RESUMO

Com o avanço da comunicação nos meios digitais e a busca dos usuários por interatividade e conteúdo, observa-se uma transformação na maneira de se fazer publicidade, fazendo com que o marketing de conteúdo nas redes sociais ganhe destaque. Dessa maneira, entender como os receptores se relacionam com as mensagens de seus emissores, é um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento de campanhas bem-sucedidas, que geram consequentemente o engajamento de uma marca. O artigo desenvolvido traz o estudo de caso da Netflix, que nos últimos anos alterou sua forma de comunicação, se destacando na utilização de redes sociais para se aproximar de seu público, gerando tanto a interação e posicionamento da marca Netflix, quanto dos seus produtos e lançamentos. Através desse artigo, é possível ampliar a percepção no que se refere ao uso das novas plataformas digitais, assim como observar a necessidade da criação de conteúdos que potencializam o alcance de determinado público-alvo, estratégia conhecida como marketing de conteúdo. O principal objetivo do artigo é apresentar algumas campanhas da Netflix nas redes sociais, evidenciando como o marketing de conteúdo influencia na interatividade entre marca e cliente. A presente análise demonstra que a utilização de estratégias com foco no marketing de conteúdo nas redes sociais, funciona como uma maneira eficaz de comunicação entre marca/serviço e público-alvo, ressaltando a importância da discussão acerca de um tema relativamente novo nos processos de comunicação.

Palavras chave: Netflix. Marketing de Conteúdo. Redes Sociais.

1 Curso de Comunicação Social do Grupo Educacional Unis.

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1 INTRODUÇÃO

Dentro das redes sociais emerge a tendência de aproximação entre empresas e seus usuários. A comunicação direta entre marca e consumidor de forma unidirecional ficou obsoleta, diante da possibilidade de interação através das redes sociais. Além de interagir, atualmente as empresas buscam a aproximação de seus clientes, inserindo conteúdos publicitários de maneira inovadora, gerando uma experiência satisfatória. Para isso, uma das estratégias usadas é o marketing de conteúdo, que busca engajar o público através da criação de vídeos, imagens e textos que envolvem e agregam valor, resultando em uma percepção positiva da marca. De maneira resumida, o autor Rafael Rez (2016) refere-se ao marketing de conteúdo como uma ferramenta que busca estabelecer pontos de conexão com o público-alvo, através da criação e desenvolvimento de conteúdos sempre relevantes aos seus consumidores.

No que tange à ideia da interatividade, seja através da resposta aos comentários no Facebook, ou interagindo com os seguidores no Twitter, diversas marcas como a Netflix deixaram de fidelizar seus clientes e passaram à “fãdelizá-los”, ou seja, as marcas estão indo além da entrega de produtos e serviços de qualidade. Muitas empresas estão explorando o recente campo das redes sociais para conquistar a atenção dos consumidores de uma maneira criativa e espontânea, gerando a condição de “fãdelização”. Entretanto, antes de dar uma resposta a seus seguidores, as marcas criam conteúdos que atingem diretamente o público gerando a interação nos meios digitais. Com o objetivo de entender a influência do conteúdo no processo de interação, propõe-se a análise de campanhas da Netflix dentro do Twitter e Youtube. Nesse sentido, durante o artigo serão analisados cases da marca focados na divulgação dos seus produtos, tendo como target o público brasileiro.

O sucesso da rede de streaming (Netflix) no Brasil, ocorre parcialmente, devido às campanhas veiculadas com sátiras ou até mesmo integrando a cultura local. Ou seja, a

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comunicação utiliza de elementos da cultura brasileira, mesclados com os personagens principais de diversas séries de sucesso, para trazer sátiras e ironias com o intuito de aproximar os espectadores brasileiros, consumidores das séries produzidas, na maioria das vezes, nos Estados Unidos e países da Europa. Assim, a marca cria conteúdos que vão de acordo com aquilo que seus espectadores estão habituados como performance de cultura local.

Dessa forma, o artigo busca analisar as campanhas utilizadas pela marca que criaram vínculo com o público brasileiro, principalmente através da divulgação nas redes sociais, fazendo a conexão entre conteúdo produzido e a cultura do país na qual está sendo exibido.

2 A PUBLICIDADE NA ERA DA CONVERGÊNCIA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Entender o que os significados do termo “comunicação” representam dentro do sentido de publicidade talvez seja o primeiro passo para produzir materiais que carreguem em sua essência o ato do compartilhamento de ideias entre um emissor e um receptor. Dessa forma, trabalhar os amplos significados e suas origens torna claro o motivo da ação de comunicar ser algo essencialmente complexo.

1. Fato de comunicar, de estabelecer uma relação com alguém, com alguma coisa ou entre coisas; 2. Transmissão de signos através de um código (natural ou convencional);

3. Capacidade ou processo de troca de pensamentos, sentimentos, idéias (sic) ou informações através da fala, gestos, imagens, seja de forma direta ou através de meios técnicos. (MARTINO, 2002, p. 15)

Tal complexidade passa por mudanças com o advento da internet e da adesão do público às redes sociais. Assim, a forma de comunicar-se com o público atinge novas proporções, gerando até mesmo um significado diferente para a forma como a publicidade lida com essa mudança

Isso porque a comunicação, ao permitir o intercâmbio de mensagens, concretiza uma série de funções, dentre as quais: informar, constituir um consenso de opinião – ou, ao menos, uma sólida maioria – persuadir ou convencer, prevenir acontecimentos, aconselhar quanto atitudes e ações, constituir identidades, e até mesmo divertir.

(HOHLFELDT, 2002, p. 63)

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Ou seja, assim como a linguagem passa por reformulações, a forma de fazer publicidade também está mudando. Os consumidores buscam conteúdos novos e rápidos, em todas as redes sociais nas quais estão conectados e que, de certa maneira, supram a necessidade de estar informado em tempo real. Em seu processo evolutivo, a comunicação deixou de ser apenas uma interação entre dois indivíduos com uma única função. Graças ao seu desenvolvimento e do surgimento de meios de comunicação, o intercâmbio de mensagens passou a ter novas funções, como a informação, o entretenimento ou o consenso de ideias. Surge então o questionamento:

como os publicitários e as marcas devem se adaptar para acompanhar esse crescimento iminente dentro das redes sociais?

Atrair a atenção desse público jovem, multiconectado nas mais diversas redes sociais pode ser um desafio. Atualmente quem posta a informação com a imagem ou a legenda mais adequada para seu público-alvo, tende a ganhar os primeiros acessos, curtidas e compartilhamentos. Se antes a TV apresentava anúncios de 30 segundos dentro do horário nobre com um custo alto para as empresas, na plataforma de stories do Instagram, por exemplo, as marcas possuem apenas 10 segundos da atenção do público. Dentro desses instantes, para que surja algum efeito sobre quem assiste, é necessário que esse conteúdo seja extremamente claro e relevante para o público-alvo. Vale ressaltar que nem sempre o formato de anúncio é bem-vindo por quem acessa as redes sociais, em função da preferência do consumidor em assistir aquilo que lhe interessa de forma natural ou por escolha própria, opção que, não está presente na televisão convencional aberta, por exemplo.

Além disso, a possibilidade de resposta por parte do público foi um dos agentes transformadores da comunicação, visto que antes da utilização da internet, a comunicação seguia uma linha unidirecional, em que os produtores de conteúdo apenas entregavam a informação para sua audiência, sem ter um feedback claro de como o público reagiria às mensagens propostas.

Essa dificuldade pode ser justificada pensando que

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Quando indivíduos codificam ou decodificam mensagens, eles empregam não somente as habilidades e competências requeridas pelo meio técnico, mas também várias formas de conhecimento e suposições de fundo que fazem parte dos recursos culturais que eles trazem para apoiar o processo de intercâmbio simbólico. Estes conhecimentos e pressuposições dão forma às mensagens, à maneira como eles as entendem, se relacionam com elas e as integram em suas vidas. (THOMPSON, 1998, p. 29-30)

Mas a internet, que pode ser entendida como uma “mídia universal e interativa, permitindo a mais ampla obtenção, disponibilização e troca de dados, informações e e-mails digitais, contendo textos, imagens e sons, através de uma variedade de recursos” (SAMPAIO, 1999, p. 297-298), nem sempre proporcionou uma interação de via dupla, principalmente se for levado em consideração o conceito de Web 1.0 como um sistema que utilizava o meio digital, mas não privilegiava a interação. A internet só passa a apresentar características interacionistas, a partir do crescimento, do que Alex Primo denomina como Web 2.0, entendida como a

segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para interação entre os participantes do processo. (PRIMO, 2006, p. 1)

Atualmente, os estudos sobre a nova Web 3.0 são desenvolvidos, a fim de localizar características peculiares da Web Semântica, que é determinada pela busca em apresentar recursos que promovam a interatividade entre usuário e computador através do desenvolvimento de tecnologias que tornem possível a leitura de informações por parte de máquinas, e que entregue uma resposta mais efetiva ao usuário.

Com o intuito de melhorar a recuperação de recursos em ambientes informacionais como a Web, por exemplo, a proposta da Web Semântica é instituir um maior nível semântico na representação dos recursos informacionais, proporcionando assim, uma maior eficiência aos mecanismos de busca que trabalham com processamento automático de recursos na rede. (ALVES, 2005, p. 26)

Diante desse panorama, observa-se a emergência de consumidores cada vez mais ávidos pela busca de conteúdos de qualidade e diálogo direto com o direito de resposta. Nesse sentido é possível afirmar que a comunicação vem passando por uma série de modificações em sua estrutura, para atender seus novos consumidores. É perceptível que os clientes deixaram de se

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importar apenas com os produtos que a empresa oferece, mas também com a imagem e aquilo que defende enquanto organização. Se dentro do marketing 1.0, bastavam produtos com preços razoáveis, seguido pelo marketing 2.0 que incorporou emoção aos produtos, a indústria chega ao marketing 3.0 que apela para o espírito humano e as suas necessidades, tanto em termos de funcionalidade quanto de comunicação com o ser.

Hoje, estamos testemunhando o surgimento do Marketing 3.0, ou a era voltada para os valores. Em vez de tratar as pessoas simplesmente como consumidoras, os profissionais de marketing as tratam como seres humanos plenos: com mente, coração e espírito.

(KOTLER, 2010, p. 4)

Ainda segundo Kotler (2010), atualmente o profissional de marketing tenta trabalhar com as percepções emocionais e racionais do consumidor. Uma vez que os indivíduos passam a utilizar dos meios de comunicação como uma forma de resposta para a mensagem que lhe é veiculada pelas empresas as quais consomem, cria-se uma nova forma de comunicar diferente da conhecida como face a face ou, até mesmo, diferente das tradicionais mídias (outdoor, TV, rádio etc). Sendo assim Thompson reforça que “devemos abandonar a idéia (sic) de que os destinatários dos produtos da mídia são espectadores passivos cujos sentidos foram permanentemente embotados pela contínua recepção de mensagens similares”. (THOMPSON, 1998, p. 31).

E se as marcas e os consumidores estão se adaptando à nova forma de interação, as redes sociais também seguem por esse caminho. Elas abrem seu espaço para que todos possam vender seus produtos e ideias, criando oportunidades para anúncios, disponibilizando resultados e conectando áreas e clientes específicos. Além disso, os resultados e as métricas são mais precisas do que as pesquisas realizadas pelas mídias convencionais.

Nesse sentido, as redes sociais fazem parte das mídias sociais, que podem ser definidas como:

A estruturação de ferramentas digitais, como mensagens instantâneas, mensagens de texto, blogs, vídeos, e sites de redes sociais como o Facebook e o Myspace, que são isentos de custos e fáceis de serem usados. A mídia social

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possibilita que as pessoas criem, manipulem e compartilhem amplamente em todo o mundo as próprias histórias fotos e vídeos a um custo quase zero.

(KANTER; FINE; ZUCKERBERG, 2011, p. 6)

Sendo assim, as mídias sociais se tornaram ferramentas para os consumidores escolherem o conteúdo e a proposta de comunicação que mais lhes interessa e agrega valor em suas respectivas experiências. Se de um lado, dentro da internet, as empresas contam com uma maior segmentação do seu público, de outro, elas lidam diretamente com usuários e indivíduos diferentes, que buscam um processo comunicacional dito como aquele que lhes “enxerga”. A aproximação com o público dentro das redes sociais deve-se ao fato da possibilidade de interação. Quando o consumidor vê a marca que consome de forma personificada ou apresentando indícios de que é “gente como a gente”, cria-se a ideia de proximidade, como uma amiga que aceita suas opiniões e responde suas dúvidas com uma linguagem adequada aos seus interesses. Dessa forma, criar uma comunicação que esteja de acordo com os interesses do público que se pretende atingir e conseguir a atenção, fazendo parte do cotidiano destes indivíduos, se torna um desafio ainda maior dentro do campo da publicidade e da propaganda.

Por exemplo, em muitos casos, quem acompanha determinada personalidade ou marca em seu Instagram ou Twitter, é muito mais que um mero seguidor, é um fã. Afinal, são redes muito mais pessoais, que demonstram a visão da pessoa sobre o tema e torna tangível a aproximação do fã com seu ídolo. Ou seja, para criar uma estratégia e atingir seu público, as marcas devem estar atentas a três fatores: as publicações devem ser pessoais, com dinamismo e atenção às tendências do que acontece no mundo virtual. Certas disso, é importante que as empresas se insiram efetivamente nas redes sociais, oferecendo conteúdo e informação relevante à vida desses “fãs”

que estão conscientes do merchandising realizado de forma direta.

Para as marcas que querem investir na exposição de seus produtos e serviços, é importante deixar de lado as propagandas e anúncios obsoletos para a televisão e outros meios de mídia convencionais. As empresas devem levar ao público a demonstração do processo de produção do produto que anuncia, os colaboradores da empresa, a rotina do produto que

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desenvolve de uma forma leve e feita para mostrar que a marca é tão humana quanto quem a acompanha, reforçando a ideia de aproximação. Nesse sentindo observa-se que esse tipo de produção faz parte da perspectiva do marketing de conteúdo, que é representado pela ideia de que

[...] a estratégia de marketing que usa o conteúdo como ferramenta de descoberta, informações, vendas e relacionamento com o público de uma empresa. Consiste em definir esse público, estabelecer os pontos de conexão, entregar valor e educar o cliente com formas de conteúdo nas mais variadas modalidades, medindo cada etapa do relacionamento para manter esse conteúdo sempre relevante para o consumidor. (REZ, 2016, p.3)

Nesse contexto, o artigo apresentará um breve histórico da Netflix, para posteriormente a analisar o marketing de conteúdo nas redes sociais, com base nas campanhas desenvolvidas pela marca.

3 NETFLIX: REVOLUCIONANDO O MERCADO DE CONTEÚDO AUDIOVISUAL

A Netflix está presente no mercado de locação online de filmes desde 1997, mas apenas em 2010 começou sua expansão para fora dos Estados Unidos, país no qual o mais de 60% dos assinantes de TV paga possuem assinatura em sistemas de streaming, de acordo com dados da Leichmant Research Group.1 Por se tratar de um serviço de streaming, a comunicação da Netflix acontece principalmente no meio online, através da criação de campanhas que promovem seus produtos.

Atualmente, a empresa está presente em mais de 190 países, produzindo centenas de horas de programação original. Simplesmente revolucionou a produção de séries de televisão fazendo o oposto do que fazem os estúdios tradicionais. Não há interferência no conteúdo das séries, que são realmente originais. (REZ, 2016, p.19)

Visando acompanhar as tendências dessa comunicação mais próxima de seu público, a Netflix mudou o direcionamento de suas campanhas. Em uma entrevista dada para o site

1 Cf <http://www.leichtmanresearch.com/press/010215release.html> Acesso em: 20 ago. 2017.

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Udacity,1 Thiago Sato, gerente de marketing da Netflix, explica que de 2011 para 2012 o marketing da empresa mudou. Se antes presavam em resultados de conversão ou performance, com a expansão para outras regiões, as campanhas passaram a buscar pelo ‘brand love’ e engajamento da marca, ou seja, desde 2012 a Netflix busca criar uma comunicação direta com o consumidor, com o intuito de levar o anúncio certo, para a pessoa certa e no momento certo.

Outra estratégia empregada pela empresa em busca de um diferencial no serviço de streaming é a criação de conteúdo original. Dessa forma, atualmente a Netflix produz e disponibiliza séries, filmes e documentários exclusivos para seus clientes, um diferencial no mercado atual, pois a plataforma além de criar o conteúdo, é a única detentora dos direitos de transmissão, além de transmitir conteúdo de terceiros.

De acordo com site oficial da Netflix, o público ama o conteúdo da TV, entretanto não aprecia a experiência linear que a mesma proporciona. Tal fato deve-se em parte ao modo como é apresentado o modelo de programação das emissoras, no qual os programas são exibidos em horários específicos. A possibilidade da escolha do usuário, em função da liberdade oferecida pela TV sob demanda, beneficia o modelo de negócio da Netflix, pois permite a divulgação de seus conteúdos de forma muito mais flexível para seus consumidores, quando comparada aos concorrentes lineares que dependem de atrair um determinado público, para um determinado horário em que será exibido o programa.

Outro fator importante para a depreciação dos dispositivos de TV por parte de seus usuários, decorre da não-portabilidade da tela e dos controles complicados. A Netflix ainda ressalta que o sistema focado na “Internet TV” com transmissão sob demanda, personalizada e disponível em qualquer tela, está tomando o lugar da TV linear. A “Internet TV” está em constante avanço e os principais motivos são: o crescimento do ecossistema, que implica no crescimento rápido e confiável da internet através da sua penetração nas smart TVs e nos

1 Cf <http://agencianoise.com.br/netflix-o-case-de-marketing-digital-que-a-gente-respeita> Acesso em: 20 ago.

2017.

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smartphones, a liberdade e flexibilidade para os consumidores poderem assistir ao conteúdo sobre demanda em qualquer tela e a experiência personalizada para gostos individuais, e por fim, a inovação rápida atualização dos aplicativos da Internet TV e da transmissão de dados, além de ser a principal fonte de conteúdo de vídeo UHD 4K.

Dessa forma, vale ressaltar que, para se manter dentro do mercado de comunicação, as demais emissoras mundiais de TV linear estão oferecendo seus conteúdos através de aplicativos e sites que podem ser acessados em qualquer lugar com conexão à internet. Exemplo disso é a Rede Globo, que atualmente oferece todo conteúdo em seu aplicativo Globo Play, reforçando assim a ideia de que o modelo proposto pela Netflix pode ser considerado um case de sucesso.

4 O MARKETING DE CONTEÚDO PRODUZIDO PELA NETFLIX NAS REDES SOCIAIS

Ao tratar de temas relacionados ao marketing de conteúdo, é importante entender o que ele significa para a empresa. Esse novo segmento dentro do marketing é também um novo formato de comunicação que busca inspirar os usuários e criar a aproximação com a marca.

Conteúdo não é mera tendência, mas uma estratégia efetiva que define uma nova forma de comunicação. Como a internet não é um meio de massa, muito menos um espaço propício à publicidade agressiva (com exceções), as empresas que quiserem se estabelecer no mercado, precisam buscar novas aproximações para atenderem as demandas de seus nichos. (REZ, 2016, p.35)

Com base nesse pressuposto, a Netflix tem apoiado suas campanhas de retorno ou lançamentos de produtos em publicações nas redes sociais. Mas, para o efetivo alcance do público-alvo, a empresa lança conteúdos virais, que não passam despercebidos, principalmente por quem efetivamente acompanha a marca.

Os conteúdos virais, alguns popularmente conhecidos como memes, alcançam números que impressionam. Além disso, é impossível ignorá-los no atual cenário de comunicação online,

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pois estão presentes em praticamente todas as redes sociais, e demonstram gradativamente sua importância na busca de bons resultados.

A respeito da utilização de memes em campanhas online, a Netflix se utiliza de referências dentro da própria série, ícones que foram grandes tendências de suas épocas ou até mesmo, elementos ligados diretamente à cultura do próprio país em que está sendo lançado o conteúdo. No próximo tópico, será abordado algumas das referências escolhidas pelo serviço de streaming para criar seu conteúdo e captar a atenção de seus consumidores.

Quando você cria um conteúdo espetacular, nativo do contexto de uma plataforma, é capaz de fazer uma pessoa sentir; se seu conteúdo é capaz de fazer uma pessoa sentir, ela provavelmente vai compartilhar o conteúdo estendendo seu boca a boca por apenas uma fração do custo da maioria dos outros meios de comunicação. Melhor ainda, você acaba sendo o “dono” não só do conteúdo, mas também do relacionamento com o seu cliente.

(VAYNERCHUK, 2016, p.36)

A repercussão dos conteúdos da empresa tem ganhado destaque em relação ao público brasileiro, principalmente em função da escolha de personagens que já fizeram parte da cultura televisiva nacional. Prova disso, é o vídeo produzido para o lançamento da série Stranger Things em parceria com a apresentadora Xuxa Meneghel, que rendeu ao serviço de streaming, um leão de bronze na categoria Entertainment em Cannes1. Além de Xuxa Meneghel, dentre as campanhas protagonizadas por ícones brasileiros, é possível observar a presença de personalidades como, Gretchen, Rita Cadillac, Solange Frazão, João Kléber, Inês Brasil e Fábio Júnior.

O uso de signos totalmente brasileiros demonstra a capacidade da empresa em adaptar seu conteúdo original para chamar a atenção e se popularizar no Brasil, trazendo elementos marcantes da história e da TV brasileira. Interessante destacar que mesmo ocupando o lugar das TVs lineares no quesito conteúdo, a Netflix ainda se aproveita de ícones em decadência que nasceram como grandes sucessos da televisão, para criar suas campanhas com comicidade se

1Cf. <http://cannes.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/06/21/xuxa-e-netflix-trazem-leao-de-bronze-ao- brasil/> Acesso em: 20 ago. 2017.

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aproximando do público, que já consumia algum tipo de conteúdo desses artistas durante suas respectivas carreiras na televisão.

Em uma entrevista para o portal Comunique-se, a coordenadora de marketing da marca Netflix citou a importância de estar próximo ao conteúdo elaborado de acordo com o país em que a marca está presente. Segundo Renata Vieira1: “Não faz sentido uma empresa de conteúdo não ser próxima do país onde ela está. Para nós, é sempre importante fazer sentido no contexto local.

Conectar o que a gente está tentando dizer com a cultura local para ser o mais próximo do nosso público possível”.

3.1 Cases da Netflix

Por se tratar de um artigo esse tópico se detém na apresentação de alguns cases da Netflix quanto a estratégia da produção do marketing de conteúdo voltado para as redes sociais. Para isso, foram analisadas algumas campanhas do serviço de streaming tanto no Twitter, quanto no canal Youtube da empresa. Amostras que exemplificam com clareza a temática proposta nesse trabalho.

Vale ressaltar que as campanhas desenvolvidas pela empresa no Twitter, acontecem em dois contextos: as que fazem parte do perfil da empresa, interagindo com os usuários como a própria empresa e as demais páginas referentes aos principais produtos da mesma. Assim, como no exemplo desse trabalho, as páginas especificas criadas para as séries originais Netflix, funcionam como uma submarca da Netflix, porém com o gerenciamento da própria empresa. Já em relação ao Youtube, todo o conteúdo faz parte do canal oficial da marca.

3.1.1 Campanha House of Cards: a aproximação por meio da referência local

1 Cf. <http://portal.comunique-se.com.br/diversidade-representatividade-executiva-netflix-fala-sobre- posicionamento-da-marca/> Acesso em: 20 ago. 2017.

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Durante o lançamento de três temporadas da série House of Cards, a Netflix conseguiu se superar na criação de conteúdo direcionado ao público brasileiro. Como? Usando a política local como principal mote de seu conteúdo. A série aborda temas como poder, política e corrupção dentro do governo americano, temas que também compõem o cenário político brasileiro. Quando cada campanha foi lançada no Brasil, a Netflix deu a entender que o próprio personagem da série estava observando o momento da política brasileira que coincidia com as reviravoltas da trama em questão. Dessa forma, a Netflix conseguiu cativar um público através das semelhanças que encontraram entre a série e a atual conjuntura da política brasileira.

Na estreia da terceira temporada da série, o Brasil passava por um processo de disputas políticas conturbadas e a eminência de um impeachment presidencial. Nesse momento, a série fez sua primeira jogada estratégica utilizando como plataforma, o Twitter. O tweet trazia a seguinte frase: “In brazilian portuguese, they don’t say ‘impeachment’, they say ‘se inspirar no Francis Underwood’ and i think that’s beautiful.” A livre tradução da frase é: “No português brasileiro, eles não dizem ‘impeachment’, eles dizem ‘se inspirar no Francis Underwood’ e eu acho isso maravilhoso.” Francis Underwood é o protagonista da série e sempre tem sua imagem atribuída à escândalos políticos. O tweet foi publicado na própria página da série House of Cards com o intuito de atingir o público brasileiro, em função da coincidência entre momento da situação política do país e o enredo da série. Com mais de 7 mil retweets e mais de 5 mil likes, esse foi um dos primeiros virais produzidos com foco nos clientes que já acompanham o serviço de streaming.

Figura 1 - Tweet publicado em 18 de fevereiro de 2015 na página oficial da série House of Cards

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Fonte: https://twitter.com/houseofcards/status/568208323041820672

Já no quarto ano da série, durante o processo de impeachment da ex-presidente do Brasil e o alguns vazamentos de áudios de políticos brasileiros, o perfil atacou novamente com um gif do personagem Frank Underwood e a legenda “Watching today's Brazilian news coverage”, que traduzido significa “Assistindo ao noticiário brasileiro de hoje”, como uma sátira ao contexto político brasileiro. A publicação contou com mais 31 mil retweets e mais de 26 mil curtidas, superando a publicação anterior.

Figura 2 - Tweet publicado em 16 de março de 2016 na página oficial da série House of Cards

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Fonte: https://twitter.com/houseofcards/status/710244596844986368

Na campanha seguinte, a empresa ousou novamente. Em maio de 2017, logo após terem sido publicadas os trechos referentes à delação premiada de Joesley e Wesley Batista, um caso de grande repercussão no Brasil, a página da série que também liderava os trending topics do Twitter lançou o seguinte comentário “Tá difícil competir”. O comentário, escrito em português na página americana da série, foi uma clara mensagem ao público brasileiro interessado em política e que costuma acompanhar a produção. Mais uma clara intenção de produzir conteúdo levando em consideração o contexto local de certo público-alvo, nesse caso o brasileiro. Esse

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tweet chegou a mais de 136 mil retweets e mais de 149 mil curtidas, provando assim, que o marketing de conteúdo da empresa caminha para campanhas de sucesso, principalmente se for observado o crescimento substancial das interações nessa postagem, em relação às anteriores.

Figura 3 - Tweet publicado em 16 de março de 2016 na página oficial da série House of Cards

Fonte: https://twitter.com/houseofcards/status/864992970994368512

3.1.2 Zueiras originais Netflix: A escolha de personagens memes

Além das campanhas divulgadas no Facebook, Twitter e Instagram, a Netflix também mantém um canal no Youtube. Dentro da plataforma, a empresa criou uma única playlist intitulada “Zueiras originais Netflix” que reúne as principais campanhas com teor cômico e o uso de personalidades que já estão em período de decadência dentro da chamada cultura pop. Assim, a Netflix elabora diversos conteúdos relacionados com suas séries contando com a presenças desses personagens memes, ou seja, que tem uma alta capacidade de se tornar viral dentro da rede, visto que relembra o público nos papéis que costumavam interpretar.

Entre as campanhas elaboradas, como citada anteriormente, se destaca “Stranger Things – Xuxa e o baixinho que sumiu”. A peça rememora os anos 1980, no qual a apresentadora estava

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em evidência na televisão e faz um elo com o período em que se passa a série. Unindo estes elementos, cria-se um ambiente nostálgico na memória de seu público, ainda que apele para a comicidade do tema. É importante ressaltar que toda a temática da série remonta esse sentimento de nostalgia dos filmes lançado na época, com ícones pop e todo o conceito arquetípico da década em questão. Eleven uma das principais personagens da série aparece assistindo ao programa da Xuxa, que por sua vez aparece com uma foto de Will, personagem que desaparece na primeira temporada da série, gerando assim uma interação entre a narrativa da produção e um ícone da TV nacional na década de 80. Além disso, o vídeo tem quase dois milhões de visualizações, 77 mil curtidas, se tornando uma das mais importantes campanhas da Netflix.

Figura 4 - Vídeo publicado em 04 de agosto de 2016 no canal oficial da Netflix

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=2t-AIbErqts

Outro case da playlist Zueiras originais Netflix foi para o lançamento da série GLOW com o vídeo Gretchen Vs Cadillac. A série de comédia, que aborda os estereótipos comuns dos

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anos 80, quebra paradigmas preconceituosos, usando-os como uma forma de libertar suas protagonistas. Considerando a história de vida e a carreira das personagens brasileiras na campanha, a Netflix acerta mais uma vez na escolha de “personalidades memes” que dialogam com o histórico proposto na série. O vídeo foi postado no mês de julho de 2017 e já acumula quase 1 milhão de acessos.

Figura 5 - Vídeo publicado em 02 de julho de 2017 no canal oficial da Netflix

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=MmmmS2ZDBKQ

Por fim, outro vídeo que ganhou grande destaque no canal da Netflix foi “Orange Is The New Black - Inês Brasil em Litchfield”, no qual a web-celebridade Inês Brasil, que ganhou notoriedade com seu cômico vídeo de inscrição no Big Brother Brasil, aparece dialogando com a protagonista da série Orange Is The New Black, Piper Chapman, interpretada pela atriz norte americana Taylor Schilling. Novamente uma conexão entre os protagonistas das séries e ícones pops brasileiros. O vídeo alcançou mais de 1 milhão e 800 mil visualizações (um pouco mais que

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o vídeo protagonizado pela apresentadora Xuxa), porém com um detalhe: o número de curtidas superou a marca de 87 mil.

Figura 6 - Vídeo publicado em 16 de junho de 2016 no canal oficial da Netflix

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=oJhBh0scBOU

4 COSIDERAÇÕES FINAIS

Através do artigo apresentado, foi possível observar que a mudança na forma de comunicar, em função do desenvolvimento dos recursos tecnológicos, tornou-se vital para a sobrevivência de empresas que buscam fortalecer a suas respectivas marcas, produtos e serviços.

As redes sociais foram as principais condutoras da expansão desse novo formato de comunicação interativa, que possibilitou a resposta por parte de quem, no sistema analógico, era apenas o receptor de uma mensagem, fazendo com que as empresas fiquem mais próximas de seus consumidores. Nesse contexto, foi possível observar que o desenvolvimento da Netflix nos

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últimos anos se deu em decorrência da digitalização de mecanismos até então analógicos, que dificultavam o acesso e a reprodutibilidade de seus conteúdos. Assim, buscando criar a sua presença online na mente dos consumidores (apoiada em seu desenvolvimento tecnológico), a empresa se tornou, durante esse período de expansão, uma das mais engajadoras de conteúdo na web.

O estudo também apontou que, após o processo de desenvolvimento da marca, a Netflix se empenhou em criar conteúdo online com foco em associações entre os grandes protagonistas de suas principais séries e ícones da televisão e cultura popular brasileira. Muitos personagens brasileiros utilizados em diversas campanhas da marca, se associam com à condição de memes, fazendo com que o conteúdo criado pelo serviço de streaming, ganhe certo tom de comicidade, gerando grande engajamento nas publicações. Alguns cases de sucesso baseados nesse modelo foram apresentados no trabalho, demonstrando que resultados positivos podem ser alcançados com esse tipo de produção.

Por fim, é possível observar que trabalho se deteve na análise de três campanhas feitas para o Twitter e três vídeos realizados para o Youtube, porém a empresa conta com diversos outros cases, tanto nas redes sociais supracitadas, quanto em demais redes como o Facebook, por exemplo. Nesse caso, esse trabalho funciona como uma proposta inicial de análise, que futuramente pode ser ampliada, gerando ricas discussões dentro do campo da comunicação na era digital.

CONTENT MARKETING ON SOCIAL NETWORKS AS A LOYALISM STRATEGY: A Netflix Case Study

ABSTRACT

With the advancement of communication in digital media and the search for users through interactivity and content, there is a transformation in the way advertising is done, causing content

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marketing in social networks to gain prominence. In this way, understanding how the receivers relate to the messages of their emitters is one of the fundamental factors for the development of successful campaigns, which consequently generate the engagement of a brand. The article developed brings the case study of Netflix, which in recent years has changed its way of communication, highlighting the use of social networks to approach its audience, generating both the interaction and positioning of the Netflix brand, as well as its products and releases. Through this article, it is possible to broaden the perception regarding the use of new digital platforms, as well as to observe the need to create contents that enhance the reach of a certain target audience, a strategy known as content marketing. The main objective of the article is to present some Netflix campaigns in social networks, highlighting how content marketing influences the interactivity between brand and client. The present analysis demonstrates that the use of strategies focused on content marketing in social networks, works as an effective way of communication between brand / service and target audience, highlighting the importance of the discussion about a relatively new theme in communication processes .

Keywords: Netflix. Content Marketing. Social Networks.

REFERÊNCIAS

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Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia e Ciência – Universidade Estadual Paulista, São Paulo, 2005.

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KOTLER, Philip. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012.

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PRIMO, Alex. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. 2006. In: XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Brasília, 2006.

REZ, Rafael. Marketing de conteúdo: a moeda do século XXI. São Paulo: DVS, 2016.

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VAYNERCHUK, Gary. Nocaute: como contar sua história no disputado ringue das redes sociais. São Paulo: HSM do Brasil, 2016.

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FINANÇAS PESSOAIS: Um estudo de caso sobre a influência dos pais na educação financeira de alunos de uma Instituição de Ensino Superior do Sul de Minas Gerais.

Leonardo Sena de Freitas Arthur Coelho Porchat de Assis1

RESUMO

Este trabalho trata da influência dos pais sobre a educação financeira de seus filhos. Tal abordagem se faz necessária uma vez que nos últimos anos o endividamento das pessoas no Brasil aumentou consideravelmente. Isso aconteceu sem o devido preparo para que as pessoas pudessem lidar com crédito e ocasionou um elevado índice de comprometimento da renda das famílias. O objetivo deste estudo é apurar se os pais possuem influência positiva na educação financeira de seus filhos. Além deste, pretende-se verificar se a maioria dos alunos foi educada financeira pelos pais, se os que foram educados possuem maior controle financeiro e se a renda familiar está diretamente ligada ao nível de educação financeira dos alunos. Este propósito será alcançado através de pesquisa bibliográfica, documental e também a realização de uma pesquisa de campo feita através de questionário digital aplicado em alunos de graduação de uma Instituição de Ensino Superior do Sul de Minas Gerais. A pesquisa evidenciou que os pais possuem papel fundamental na educação financeira de seus filhos uma vez que os alunos que obtiveram esses ensinamentos possuem maior controle sobre suas finanças e têm menos dívidas em atraso se comparadas àquelas que não tiveram tais ensinamentos. Tais resultados reforçam a necessidade dos pais ensinarem seus filhos sobre a educação financeira.

Palavras-Chave: Finanças Pessoais. Educação Financeira. Endividamento.

1 Curso de Ciências Contábeis do Grupo Educacional Unis.

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1 INTRODUÇÃO

Atualmente o Brasil passa por momentos difíceis economicamente, onde a taxa de inadimplência e desemprego aumentam, empresas estão encerrando suas atividades, e a renda disponível da população está cada vez menor. Num cenário totalmente instável, a educação financeira tornou-se importante para os cidadãos brasileiros.

Com base nesse cenário este trabalho trata da influência dos pais sobre a educação financeira de seus filhos.

Tal abordagem se faz necessária uma vez que nos últimos anos o endividamento das pessoas no Brasil aumentou consideravelmente. Isso aconteceu sem o devido preparo para que as pessoas pudessem lidar com crédito e ocasionou um elevado índice de comprometimento da renda das famílias.

O objetivo deste estudo é apurar se os pais possuem influência positiva na educação financeira de seus filhos. Além deste, pretende-se verificar se a maioria dos alunos foi educada financeira pelos pais, se os que foram educados possuem maior controle financeiro e se a renda familiar está diretamente ligada ao nível de educação financeira dos alunos.

Este propósito será alcançado através de pesquisa bibliográfica, documental e também a realização de uma pesquisa de campo feita através de questionário digital aplicado em alunos de graduação de uma Instituição de Ensino Superior do Sul de Minas Gerais.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Perfil de Endividamento das famílias brasileiras

O endividamento tem origem no verbo endividar e significa contrair dívidas. Desse modo, pode ser conceituado como a utilização de recursos de terceiros a fim de satisfazer as necessidades de consumo (FERREIRA, 2006).

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É tudo aquilo que se compromete a pagar por determinado período, seja ele por tempo fixo ou variável, a exemplo de cartões de crédito, cheques especiais, carnês, financiamento de um carro, financiamento de uma casa dentre tantos outros.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em 2016, mostra que 58,7% do total de famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 23,6% estão com contas ou dívidas atrasadas e 8,9% estão sem condições de pagar suas dívidas atrasadas (CNC, 2016).

A tabela 1 apresenta os principais indicadores do PEIC – Perfil de Endividamento e Inadimplência do Consumidor entre 2010 e 2016:

Tabela 1: Principais indicadores do PEIC

Fonte: Peic/CNC(2016)

Apesar da diminuição das famílias endividadas, ocorreu um aumento de 18,4% de famílias com contas em atraso. Em 2015 eram 3,07 milhões e em 2016 aumentou para 3,64 milhões. Já as famílias que declararam não ter condições de pagar as suas dívidas aumentou 25,2%. Em 2015 eram 1,10 milhão e em 2016 aumentou para 1,38 milhão (CNC, 2016).

2.2 Educação Financeira

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A educação financeira pode ser definida como “a habilidade que os indivíduos possuem de fazer escolhas adequadas ao administrar suas finanças pessoais durante o ciclo de sua vida”

(HILL, 2009 apud SOUZA, 2012, p. 28).

Luquet (2007, p. 26) afirma:

Assim como escovar os dentes, o planejamento financeiro é um hábito que, quanto mais cedo você iniciar, mais fácil se incorpora em sua rotina. Estimule seu filho a criar estratégias de investimentos para atingir metas, como uma viagem de férias ou uma bicicleta nova. Mas não pare por aí. Deixe que ele saiba qual a parcela das economias da família está sendo destinada a financiar seus estudos na faculdade, por exemplo, ou a compra de uma casa nova.

Figo (2016, s.p.) afirma: “a idade mais indicada para que os pequenos recebam suas primeiras lições sobre o tema é a partir dos seis anos, quando geralmente eles estão começando a se alfabetizar”.

Este tema vem sendo tratado com bastante ênfase atualmente no país, devido ao alto endividamento, porém nem sempre foi assim, com a economia totalmente volátil não era possível fazer economias e nem gerir seus recursos de forma mais planejada:

O Brasil passou por instabilidades econômicas durante anos, fato que pode explicar o motivo pelo qual o tema Educação Financeira foi classificado como desnecessário,

‘numa economia sufocada pela inflação, qualquer tentativa de planejamento financeiro tinha resultados frágeis e desanimadores’.

Com uma grande variação diária de preço devido à alta inflação os brasileiros criaram o estereótipo de “Comprar agora” pelo medo de horas depois os preços subirem, assim, à medida que os anos passavam esse conceito mais se fixava, e mesmo após mais de uma década de estabilidade econômica a população ainda está presa a esse hábito. (D”Aquino 2008 apud Silva, 2015, p.7)

Com a globalização as economias ficaram cada vez mais correlacionadas e o tema educação financeira ficou conhecido mundialmente:

Não foi apenas no Brasil que esse fenômeno aconteceu, no mundo todo, o acesso ao crédito passou a ser maior. Por isso os governos decidiram investir mais em educação financeira. Segundo pesquisa da Standard and Poor’s (S&P), os cinco países que mais investem nessa área no mundo são a Noruega, Dinamarca e Suécia (com 71% da população educada sobre o tema), Israel e Canadá (com 68%). Mesmo assim,

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mundialmente, apenas 35% dos homens e 30% das mulheres dominam a área.

(STEFFEN, 2016)

“Um novo ranking global, que mede o nível de educação financeira de 144 países, revelou que o Brasil está na 74ª posição, atrás de alguns dos países mais pobres do mundo como Madagascar, Togo e Zimbábue” (EXAME, 2015, s.p.).

“A pesquisa S&P Ratings Services Global Financial Literacy Survey (Pesquisa Global de Educação Financeira da divisão de ratings e pesquisas da Standard & Poor’s) foi baseada em entrevistas realizadas em 2014 com mais de 150 mil adultos” (EXAME 2015, s.p.)

Tabela 2: Ranking dos países que mais investem em educação financeira:

País Posição no

ranking

Parcela da população que acertou 3 dos 4 conceitos

Noruega 71%

Dinamarca 71%

Suécia 71%

Israel 68%

Canadá 68%

Reino Unido 67%

Holanda 66%

Alemanha 66%

Austrália 64%

Finlândia 10º 63%

Nova Zelândia 11º 61%

Cingapura 12º 59%

República Tcheca 13º 58%

Estados Unidos 14º 57%

Suíça 15º 57%

... ... ...

Brasil 74º 35%

... ... ...

Angola 140º 15%

Somália 141º 15%

Afeganistão 142º 14%

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Albânia 143º 14%

Iêmen 144º 13%

Média global 33%

Fonte: S&P Ratings Services – Modificado pela EXAME

Há diversas formas desse conteúdo ser passado, conforme DSOP (2015):

Em diversos países, vários modelos são testados para que a educação financeira possa ser ensinada à população. Na África do Sul, por exemplo, o tema é abordado através das telenovelas;

na Índia, através de videogames; e no Brasil é incluído como tema transversal – ou não – na grade curricular dos alunos, desde os anos iniciais ao ensino médio (DSOP, 2015; apud FERREIRA, 2015).

No Brasil com o alto endividamento da população pelo aumento do crédito cedido pelo governo, e pelo descontrole característico do brasileiro, foi criada uma lei com o intuito de mudar a atitude perante o dinheiro, mudar as ideias de como lidar com este recurso. De acordo com a Associação de Educação Financeira do Brasil (2010):

A Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, instituída pelo Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010, tem a finalidade de promover a educação financeira e previdenciária e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores.

Este decreto é um avanço para a implementação da educação financeira nas escolas desde o ensino básico ao ensino médio, visando promover uma sociedade mais segura economicamente.

2.3 Planejamento financeiro, orçamento e fluxo de caixa

Para Frankenberg (1999, p.31) “planejamento financeiro pessoal significa estabelecer e seguir uma estratégia precisa, deliberada e dirigida para a acumulação de bens e valores que irão formar o patrimônio de uma pessoa e de sua família”.

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O Planejamento financeiro é extremamente importante para se alcançar sonhos, objetivos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo. Com ele é possível traçar quais atitudes tomar para se alcançar estabilidade financeira. Gitman (2010, p.94) afirma:

As pessoas assim como a sociedade por ações, devem se concentrar nos fluxos de caixa ao planejar e monitorar suas finanças. Você deve estabelecer metas financeiras de curto e longo prazos (destinos) e desenvolver planos financeiros pessoais (mapas) que mostrem o caminho para chegar aos objetivos. Os fluxos de caixa e os planos financeiros são tão importantes para os indivíduos quanto para as empresas.

Mais da metade dos casamentos são extintos por questões financeiras, quando a crise financeira vem e não há sintonia e comunicação entre o casal, ambos veem o divórcio como a melhor opção.

De acordo com SERASA (2015):

O dinheiro é mais importante do que sexo quando se trata da duração ou da ruptura de um casamento. Embora a frase do educador financeiro americano Alvin Hall seja polêmica, o dinheiro é, segundo estudos da Experian, a principal causa das brigas entre os casais. Uma pesquisa feita no Reino Unido pela Experian, com 3 mil pessoas, apontou que questões financeiras representaram 56% das causas de divórcio nos últimos seis anos.

Devido a essas situações o planejamento financeiro se torna muito importante no contexto familiar. Dentro do planejamento financeiro familiar é necessário entender um pouco sobre orçamento e fluxo de caixa, estes serão instrumentos importantíssimos para o sucesso da educação financeira.

No Brasil, o orçamento passou a ser foco de estudo a partir de 1940, mas apenas a partir de 1970 as empresas o adotaram com mais frequência em suas atividades. Orçar significa processar informações e apresentá-las em forma de relatórios, permitindo ter uma visão do futuro e poder acompanhar o cumprimento do que foi orçado. (KNUTH, 2010)

Gitman (2010, p. 108) afirma “O orçamento de caixa ou projeção de caixa, é uma demonstração das entradas e saídas de caixa previstas da empresa. Serve para estimar as necessidades do caixa no curto prazo, dando especial atenção ao planejamento de superávits e déficits de caixa”.

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Segundo ASSAF NETO (1997, p.35) “o fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários”

De acordo com o Banco Central Brasileiro (BCB):

Orçamento pode ser visto como uma ferramenta de planejamento financeiro pessoal que contribui para a realização de sonhos e projetos. Para que se tenha um bom planejamento, é necessário saber aonde se quer chegar; é necessário internalizar a visão de futuro trazida pela perspectiva de realização do projeto e estabelecer metas claras e objetivas, as quais geralmente precisam de recursos financeiros para que sejam alcançadas ou para que ajudem a atingir objetivos maiores. Por isso, é importante que toda movimentação de recursos financeiros, incluindo todas as receitas (rendas), todas as despesas (gastos) e todos os investimentos, esteja anotada e organizada.

Hoje existem diversas formas de se executar esse orçamento e fluxo de caixa como por exemplo: planilhas em Excel, aplicativos para smartphone dentre outras.

Segue abaixo um modelo de planilha.

Tabela 3: Modelo de orçamento e fluxo de caixa

Receitas Orçado Realizado Despesas Orçado Realizado Salários R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 Água R$ 100,00 R$ 95,00 Comissão R$ 400,00 R$ 350,00 Energia Elétrica R$ 70,00 R$ 80,00 Supermercado R$ 300,00 R$ 320,00 Combustível R$ 200,00 R$ 220,00 Escola R$ 150,00 R$ 150,00 Aluguel R$ 600,00 R$ 600,00 2.350,00

R$ R$ 1.465,00

885,00 R$

ORÇAMENTO E FLUXO DE CAIXA

ENTRADAS SAÍDAS

TOTAL ENTRADAS TOTAL SAÍDAS

RESULTADO DO MÊS

Fonte: Elaborada pelo autor.

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Ao observar a tabela acima percebe-se que houve uma sobra de recursos no valor de R$

885,00. Tal sobra passaria a compor o saldo inicial do mês seguinte ou então poderia ser aplicada em algum título disponível no mercado financeiro.

3. METODOLOGIA

O artigo exposto é embasado por pesquisas bibliográfica, documental e uma pesquisa de campo.

A parte bibliográfica foi elaborada através de livros e artigos de outros autores. De acordo com Gil (2008, p. 50):

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Parte dos estudos exploratórios podem ser definidos como pesquisas bibliográficas, assim como certo número de pesquisas desenvolvidas a partir da técnica de análise de conteúdo.

A documental feita por sites e revistas. De acordo com Gil (2008, p. 51):

A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A única diferença entre ambas está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa.

A pesquisa de campo tem como público alvo alunos de graduação de uma Instituição de Ensino Superior do Sul de Minas Gerais, nos cursos denominados da área de Educação e Negócios. A população estimada é de 1000 alunos, sendo necessário o preenchimento de 278 questionários da pesquisa para ter uma margem de erro de 5% com grau de confiança de 95%.

Para esta amostra, o cálculo foi realizado, a partir de TRIOLA (2008).

A pesquisa é composta de um questionário que foi respondido de forma digital, com perguntas fechadas. Na tabulação dos dados da pesquisa foi possível verificar a relação da educação financeira na infância com o nível de vida financeira saudável na fase adulta.

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4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesse capítulo apresentam-se os resultados da pesquisa realizada. A amostra inicial era de 286 questionários, porém devido ao curto tempo obteve-se 199 questionários respondidos. Uma das grandes dificuldades deste artigo foi o tempo para a aplicação da pesquisa.

Dos 199 questionários respondidos obteve-se 86 do gênero masculino, 112 do feminino e 1 como outro:

Gráfico 1 – Distribuição por gênero

Fonte: o autor

As idades dos respondentes eram: 162 pessoas até 25 anos, 31 pessoas de 26 a 35 anos, 5 pessoas de 36 a 45 anos e 1 pessoa acima de 45 anos.

Gráfico 2 – Idade

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Fonte: o autor

Verificou-se que mais da metade, ou seja, 104 (52,26%) dos entrevistados obtiveram em sua infância ensinamentos dos pais sobre educação financeira, contrariando a primeira hipótese de que a maioria dos alunos não seria educada financeiramente pelos pais:

Gráfico 3 – Obteve ensinamento dos pais sobre educação financeira?

Fonte: o autor

Dos 104 entrevistados que afirmaram ter recebido ensinamentos sobre educação financeira dos pais na infância 95 (91,35%) fazem controle financeiro mensalmente, sendo a grande maioria deles de maneira informal (71,58%) conforme gráfico 4.

Gráfico 4 – Como controla suas finanças? Entrevistados que receberam ensinamentos.

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Fonte: o autor

O fato de se fazer o controle financeiro de maneira informal fomenta a dúvida sobre a qualidade desse controle e se a pessoa lança todos os gastos.

Dos entrevistados que afirmaram NÃO ter recebido ensinamentos sobre educação financeira dos pais na infância 77 (81,05%) fazem controle financeiro mensalmente, sendo a maioria deles (63,64%) de maneira informal conforme o gráfico 5.

Gráfico 5 – Como controla suas finanças? Entrevistados que NÃO receberam ensinamentos.

Fonte: o autor

Cabe salientar que a incidência de pessoas que fazem controle financeiro mensalmente é maior entre os que receberam ensinamentos sobre educação financeira dos pais na infância.

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Dos entrevistados que afirmaram possuir algum tipo de dívida (95 no total) 60,00% estão adimplentes, 30,53% estão inadimplentes e renegociando suas dívidas e 9,47% alegam não ter mais como pagar suas dívidas.

Gráfico 6 – Situação dos que possuem dívidas

Fonte: o autor

Segue abaixo tabela que detalha o perfil do controle financeiro dos entrevistados que possuem dívidas em atraso:

Tabela 4 - Comparativo de dívidas por perfil de controle

Perfil de controle financeiro Pessoas com dívidas em atraso? %

Não faz controle 11 28,95%

Através de aplicativo 4 10,53%

Através de planilha 7 18,42%

Informalmente 16 42,11%

Total 38 100,00%

Dívidas em atraso x Perfil de Controle Financeiro

Fonte: o autor

Observa-se que quase mais de 70% dos endividados ou não faz o controle financeiro ou o faz de maneira informal.

De acordo com os dados colhidos, pessoas que obtém ensinamentos de educação financeira na infância tem maior controle financeiro do que as pessoas que não tiveram tais ensinamentos.

Tabela 5 - Comparativo de controle financeiro x educação financeira ensinada pelos pais Teve ensinamento dos pais sobre

Educação Financeira? Quantidade Faz Controle Financeiro

Não Faz Controle Financeiro

Sim 104 91,35% 8,65%

Não 95 81,05% 18,95%

Imagem

Figura 1 - Tweet publicado em 18 de fevereiro de 2015 na página oficial da série House of Cards
Figura 2 - Tweet publicado em 16 de março de 2016 na página oficial da série House of Cards
Figura 3 - Tweet publicado em 16 de março de 2016 na página oficial da série House of Cards
Figura 4 - Vídeo publicado em 04 de agosto de 2016 no canal oficial da Netflix
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Referências

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Utilizaram-se os descritores controlados presentes no DeCS (Descritores da Ciência da Saúde): Planejamento familiar; Saúde sexual; Homem; Mulheres. O cruzamento entre os termos