Neste mesmo capítulo vamos abordar os princípios que orientam o sistema de direitos humanos, que orientam o sistema de direitos humanos para os agentes da lei, as dimensões dos direitos. A história dos Direitos Humanos é tão antiga quanto a das civilizações e sempre se baseou na dignidade da pessoa humana.
Dimensões de direitos
Os direitos de segunda dimensão ou a geração de direitos, na verdade, surgiram da promoção dos direitos fundamentais, por meio de políticas públicas, sendo por meio do direito positivo o dever do Estado de prover meios para garantir a dignidade das pessoas por meio do direito à educação, saúde, conhecidos como direitos sociais. Após a grande Segunda Guerra Mundial, foi criado o Tribunal de Nuremberga, devido à necessidade de respeitar os direitos.
A partir do momento em que o Brasil se redemocratizou, mais especificamente, quando o país teve a Constituição Federal Brasileira aprovada em 1988, passou a adotar normas internacionais de proteção aos direitos humanos. Como resultado das mudanças decorrentes da redemocratização brasileira, o Brasil no plano internacional tem adaptado e reorganizado as medidas relacionadas aos tratados internacionais para uma melhor imagem do Brasil e com uma visão moderna da proteção dos direitos humanos internacionais. A Carta de 1988, ao estipular que “os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros direitos derivados de tratados internacionais”, a contrario sensu, inclui no rol de direitos previstos em tratados internacionais dos quais o Brasil é membro. festa.
5º, § 2º, da Constituição de 1988 consiste em acrescentar, por minha proposta, ao rol de direitos constitucionalmente consagrados, os direitos e garantias expressos em tratados internacionais de proteção internacional dos Direitos Humanos dos quais o Brasil é parte. O 'quórum' qualificado reforça exatamente essa natureza ao adicionar um lastro constitucional formal aos tratados ratificados, prevendo a 'constitucionalização formal' dos tratados de direitos humanos no quadro jurídico interno. O tratado internacional de proteção dos direitos humanos, no artigo 5º, parágrafo 2º, demonstra que a hierarquia é de natureza constitucional e os demais tratados são de natureza hierárquica infraconstitucional.
Existe o princípio da aplicabilidade dos direitos e garantias fundamentais imediatos quando se trata de violações aos Direitos Humanos, que está consagrado constitucionalmente.
A violação e efetividade dos Direitos Humanos
Há uma composição de instituições internacionais de proteção dos direitos humanos, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é composta por sete membros "de elevada autoridade moral e reconhecido conhecimento no campo dos direitos humanos" e esses membros podem provir de qualquer Estado membro da Organização dos Estados Americanos. É responsabilidade da Comissão, conforme explica Thomas Buergenthal citado por PIOVESAN, 2010 p.261:. Ao contrário de outros tratados de direitos humanos, a Convenção dos EUA sobre Direitos Humanos não concede exclusivamente às vítimas de violações o direito de apresentar petições individuais.
Seguindo o procedimento listado acima, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos tenta resolver o conflito amigavelmente com as partes. Se o Estado parte não decidir sobre o caso recomendado, a Comissão se reúne e, por maioria absoluta, deve decidir se encaminha o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Vejamos o que diz o artigo 61 da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José, Costa Rica).
Desta forma, fica claro que a denúncia pode ser apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos por qualquer pessoa, organização ou Estado e a Comissão é quem apresenta um relatório à Corte Interamericana de Direitos Humanos, em que não há cumprimento por parte do Estado Parte das recomendações enviadas ao país pela CIDH.
A POLÍCIA E OS DIREITOS HUMANOS
Nomenclatura e sentido do Poder de Polícia
Segundo Heraldo Garcia Vitta: “os conceitos jurídicos são 'funcionais', ou seja, destinam-se a realizar o trabalho do estudioso, para que este possa desenvolvê-los com rapidez e segurança”.41. Dessa forma, o autor destaca que é fundamental indicar os conceitos para que não haja mal-entendidos inerentes à força policial, visto que ela dispõe de instrumentos que estão intimamente ligados aos institutos jurídicos. Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que, ao restringir ou disciplinar direitos, interesses ou liberdades, na verdade regula a prática de ato ou abstinência, em razão do interesse público quanto à segurança, higiene, ordem, costumes, disciplina de produção e o mercado, o exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, a tranquilidade pública ou o respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
O exercício do poder de polícia considera-se regular quando for exercido pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, de acordo com o processo legal e, tratando-se de atividade que a lei discricionário, sem abuso ou mau uso do poder. O termo poder de polícia tem suas raízes no grego politeia usado para indicar a função da cidade-estado, essa palavra não tem ligação com o que hoje conhecemos como poder de polícia. 01 - 2015 Página 496 atividade estatal que limita o exercício dos direitos individuais em benefício da segurança”43, e o conceito moderno é “Atividade estatal que consiste em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem comum”.44.
Aspectos do “poder de polícia”
- Poder de Policia Administrativo
- Poder de Policia Judiciária
A polícia militar é um ramo da polícia administrativa com atuação coercitiva, apesar de observarmos cotidianamente sua atuação em investigações criminais como justificativa para o bem da coletividade e objetivos do Estado, seja por meio da repressão, isso se justifica por sua polícia. competência consagrada no artigo 144 da Constituição Federal. O agente de segurança pública é, porém, um cidadão qualificado pelo ofício: simboliza o Estado em seu contato mais direto com a população. A influência na vida dos indivíduos e das comunidades, que este cidadão qualificado tem no trabalho, é, portanto, sempre uma influência extrema e simbolicamente referencial no bem-estar ou mal-estar da sociedade.”46.
Como pudemos ver a função da Marechaussee é ilusória, mas nessa atribuição ela enfrenta questões criminais como porte de armas, tráfico de drogas, por isso ela atua em atribuições da polícia judiciária para o bem estar da comunidade e segurança pública. Devemos entender aqui que a polícia judiciária significa a polícia que atuará repressivamente, com o objetivo de prevenir infrações penais, como exemplos temos a polícia civil e a polícia federal. Afinal, quando atua no campo das infrações puramente administrativas (preventivas ou repressivas), a polícia é administrativa.
Devemos, pois, saber que a polícia administrativa é fundamentalmente preventiva e regulada pela lei administrativa, e a polícia judiciária é a polícia repressiva responsável pela investigação dos factos criminais sujeitos às normas processuais penais.
Esses princípios exigem, respectivamente, que a força seja usada pela polícia apenas quando estritamente necessária para fazer cumprir a lei e manter a ordem pública, e que a aplicação do uso da força deve ser proporcional - isto é, deve ser aplicada apenas na medida exigida pelo fins legítimos de cumprimento da lei e manutenção da ordem pública”. Esta disposição enfatiza que o uso da força pela aplicação da lei deve ser excepcional. A legislação nacional normalmente limita o uso da força por policiais, de acordo com o princípio da proporcionalidade.
Cerqueira e Dornelles51 relatam que o direito à vida é o direito mais importante no bem jurídico tutelado e que o uso da força quando este direito é violado resulta em grave violação dos direitos humanos. Assim, existem inúmeros sistemas de proteção para que o uso da força não ultrapasse os direitos e garantias individuais, consagrados em nossa Constituição, bem como em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. 01 - 2015 Pág. 501 Por exemplo, as execuções sumárias perpetradas pelos chamados “esquadrões da morte”, a morte por tortura ou maus tratos, e pela força exercida pela polícia no uso da força.
Segundo os autores, a arbitrariedade das autoridades, que consiste na autoridade policial no uso da força, poderia ter como consequência a incapacidade de realizar atividades, o que por si só é extremamente difícil.
CASOS ESPECÍFICOS DE VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS
Caso do Massacre do Carandiru (Caso Número 11.291) 60
Embora o uso de força ilegal pela polícia seja particularmente pronunciado no Rio, também é um problema sério em São Paulo. Essa medida causou uma grande revolta entre os detentos que arrombaram o portão em massa e ainda queriam que a briga entre os dois continuasse. Refere-se, em síntese, à morte de 111 presos (dos quais 84 foram processados, mas ainda não condenados) e graves ferimentos sofridos por outros presos durante a repressão a uma rebelião de presos, ações supostamente realizadas pela Polícia Militar de São Paulo em 2 de outubro de 1992.
Após a tragédia, a OAB-SP, representada por sua Comissão de Direitos Humanos, foi a primeira a chegar ao presídio para investigar o caso. Mas a CIDH descartou a possibilidade de solução amigável e decidiu que o Estado brasileiro assumiu responsabilidade internacional pela violação de diversos direitos da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, uma vez que as execuções sumárias foram realizadas por agentes estatais, pela obstrução e demora no julgamento dos responsáveis por crimes graves. Somente em abril de 2013, 23 policiais militares foram condenados pelo júri, o processo ainda está em andamento.
É importante observar que seguindo as recomendações da CIDH, em razão de diversas violações aos Direitos Humanos, a Emenda Constitucional n. da Polícia Militar pelo Tribunal do Júri.
Dessa forma, o Brasil, dando um passo à frente, garantiu que a proteção dos direitos humanos seja efetiva. 01 - 2015 Pag. 509 perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Arley José Escher e outros (interceptação de linhas telefônicas de organizações sociais) (Caso 12.353) v. República Federativa do Brasil)64. Diante disso, a Comissão considerou oportuno encaminhar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos para que o Brasil seja julgado por violações do direito à proteção da honra e da dignidade (artigo 11 da Convenção Americana).
Autoriza a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República a cumprir a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos. 84, inciso IV, da Constituição, e considerando a Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Arley José Escher e outros; Por fim, o processo foi encerrado em razão do cumprimento integral da sentença condenatória do Brasil por cumprimento das condições fixadas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O Estado não intervém de forma violenta e efetiva, de modo que as vítimas de violações de direitos humanos geralmente são deixadas ao acaso. Culpar os defensores dos direitos humanos ao se desculpar por crimes com as palavras de. A petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos é uma ferramenta capaz de coibir as violações de direitos humanos, mas em estado engessado, como pudemos alcançar através dos casos aqui apresentados como exemplo.