REVISTA
BRASILEIRA DE
ANESTESIOLOGIA
Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de Anestesiologiawww.sba.com.br
ARTIGO CIENTÍFICO
Dever ético e legal do anestesiologista frente
ao paciente testemunha de Jeová: protocolo
de atendimento
Augusto Key Karazawa Takaschima
a,∗, Thiago Mamôru Sakae
b,c,
Alexandre Karazawa Takaschima
d, Renata dos Santos Teodoro Takaschima
e,
Breno José Santiago Bezerra de Lima
ae Roberto Henrique Benedetti
a,faCET Sianest SBA, Florianópolis, SC, Brasil
bUniversidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Imbituba, SC, Brasil cUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil dDireito Estadual --- Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil
eComplexo de Ensino Superior de Santa Catarina (Cesusc), Florianópolis, SC, Brasil fHospital Florianópolis, Florianópolis, SC, Brasil
Recebido em 26 de fevereiro de 2015; aceito em 24 de março de 2015 Disponível na Internet em 23 de marc¸o de 2016
PALAVRAS-CHAVE
Anestesiologia; Bioética; Direito; Transfusão; Hemoderivados; Sangue
Resumo
Justificativa e objetivos: Os pacientes testemunhas de Jeová recusam transfusão sanguínea por motivos religiosos. O anestesiologista deve dominar conhecimentos jurídicos específicos para atender esses pacientes. Entender como o direito e o Conselho Federal de Medicina tratam essa questão é fundamental para saber agir dentro desse contexto. O objetivo deste artigo foi estabelecer um protocolo de atendimento do paciente testemunha de Jeová com ênfase no dever ético e legal do anestesiologista.
Conteúdo: O artigo analisa a Constituic¸ão, o Código Penal, resoluc¸ões do Conselho Federal de Medicina (CFM), pareceres e jurisprudência para entender os limites do conflito entre a autonomia de vontade da testemunha de Jeová em recusar transfusão e a obrigac¸ão do médico em transfundir. Baseado nessas evidências um protocolo de atendimento é sugerido.
Conclusões: A resoluc¸ão do CFM 1021/1980, o Código Penal no artigo 135, que classifica como crime a omissão de socorro, e a decisão do Supremo Tribunal de Justic¸a sobre o processo HC 268.459/SP impõem ao médico a obrigac¸ão de transfusão quando houver risco de vida. Não é necessário concordância do paciente ou de seu responsável, pois não é proibida a manifestac¸ão
∗Autor para correspondência.
E-mail:[email protected](A.K. Takaschima). http://dx.doi.org/10.1016/j.bjan.2015.03.008
devontadedopacientetestemunhadeJeováaorecusartransfusãosanguíneaparasieseus dependentes,mesmoememergências.
©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum artigoOpen Accesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
KEYWORDS
Anesthesiology; Bioethics; Rights; Transfusion; Bloodproducts; Blood
EthicalandlegaldutyofanesthesiologistsregardingJehovah’sWitnesspatient:care
protocol
Abstract
Backgroundandobjectives: Jehovah’sWitnessespatientsrefusebloodtransfusionsfor religi-ousreasons.Anesthesiologistsmustmasterspecificlegalknowledgetoprovidecaretothese patients.UnderstandinghowtheLawandtheFederalCouncilofMedicine treatthisissueis criticaltoknowhow toactinthiscontext.Theaimofthispaperwastoestablish a treat-mentprotocolfortheJehovah’sWitnesspatientwithemphasisonethicalandlegaldutyofthe anesthesiologist.
Content: ThearticleanalyzestheConstitution,CriminalCode,resolutionsoftheFederal Coun-cilof Medicine (FCM), opinions,and jurisprudence to understandthe limitsof theconflict betweentheautonomyofwillofJehovah’sWitnessestorefusetransfusionandthephysician’s dutytoprovidethetransfusion.Basedonthisevidence,acareprotocolissuggested.
Conclusions:TheFCMresolution1021/1980,thepenalcodeArticle135,whichclassifiesdenial ofcareasacrimeandtheSupremeCourtdecisionontheHC268,459/SPprocessimposesonthe physiciantheobligationofbloodtransfusionwhenlifeisthreatened.Thepatient’sorguardian’s consentisnotnecessary,astheautonomyofwillmanifestationoftheJehovah’sWitnesspatient refusingbloodtransfusionforhimselfandrelatives,eveninemergencies,isnonotforbidden. ©2016SociedadeBrasileiradeAnestesiologia.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisan openaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc
¸ão
e
justificativa
Os pacientes testemunhas de Jeová recusam transfusão sanguínea.1 Alegam impedimento religioso, fruto de uma
interpretac¸ãoliteraldaBíblia.Afeitosàpropagac¸ãodesuas crenc¸as,essemovimentoamericanocrescedeforma impor-tante.Dessamaneira,atendemoscada vezmaismembros dessadenominac¸ão nos hospitais,2 alguns em situac¸ão de
emergêncianecessitadosdetransfusão dehemoderivados. CombaseemdecisõesproferidaspeloJudiciáriobrasileiro, naConstituic¸ão,noCódigoPenal,noCódigodeÉticaMédica e em resoluc¸ões do Conselho Federal de Medicina (CFM) elaboramos protocolo de atendimento anestesiológico de testemunhasdeJeováquenecessitamdetransfusão.
Inicialmenteabordaremos conceitosdebioética impor-tantes para a compreensão do tema. Na sequência analisaremos a jurisprudência e por fim apresentaremos sugestãodeprotocoloparaessasituac¸ão.
Autonomia
da
vontade
e
manifestac
¸ão
de
vontade
Em seu artigo 5◦ a Constituic¸ão3 garante plena liberdade aocidadãobrasileiro.Essagarantiaconstitucionaltraduz-se noprincípiodaautonomiadavontade.Entende-sevontade, no contexto clínico, como a opc¸ão do paciente por uma formadetratamentooumesmopelonãotratamento.4São
exemplosdeautonomiaadecisãodopacientedecontinuar
fumando,apesar deenfrentar umproblema pulmonar,ou aopc¸ãodeumapaciente engravidar,mesmocomdoenc¸as coexistentes que implicam em risco de morte durante a gestac¸ãoouoparto.5
Amanifestac¸ãode vontade torna pública adecisão do paciente. Nesse sentido o artigo 22 do Código de Ética Médica6estabelece:‘‘Évedadoaomédico:deixardeobter
consentimento dopaciente oudeseu representante legal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvoemcasoderiscoiminentedemorte’’.Comoexpresso, o consentimento é uma exigência para a prática médica eletiva.4Usualmente,opacienteassina umtermoem que
declara ciênciada natureza daintervenc¸ão médicae dos correspondentes riscos e os assume livremente. Essa é a manifestac¸ãodeVontademaisempregadarotineiramente. OutraformaéarecusadosTestemunhasdeJeovádereceber transfusõessanguíneas.
A doutrina jurídica relaciona como requisitos de vali-dadedamanifestac¸ãodevontade:agentecapaz,objetonão proibido pelodireito e formaprescritaem lei.7
Respeita-dosessescritérios,amanifestac¸ãodopacientetestemunha deJeováderecusartransfusão sanguíneaé absoluta.Esse direitofundamenta-senaConstituic¸ãobrasileira3(artigo5◦, IncisoII)quegarante:‘‘Ninguéméobrigadoafazerou
Regulac
¸ão
jurídica
da
transfusão
sanguínea
Estritamente falando, lei refere-se à norma emanada do poderlegislativo.Dentrodesseconceitonãohánormalegal ouconstitucionalquereguleaobrigatoriedadeda transfu-sãosanguíneanoBrasil8Entretanto,oConselhoFederalde
Medicina,bemcomooConselhoRegionaldoRiodeJaneiro (Cremerj), editouresoluc¸ão sobre o assunto. Por ter pre-visãoconstitucional,algunsautoresponderamqueopoder normativoereguladordosconselhosmédicosemergemda própriaConstituic¸ão.9Suasresoluc¸õesnãosãoleisno
sen-tidoestrito,mastêmforc¸adelei.Assim,aresoluc¸ãodoCFM 1021/8010afirmaemsuaconclusão:
‘‘Em casodehaverrecusaem permitiratransfusão de sangue,omédico,obedecendoaseuCódigodeÉticaMédica, deveráobservaraseguinteconduta:
1. Senãohouveriminenteperigodevida,omédico respei-taráavontadedopacienteoudeseusresponsáveis. 2. Sehouveriminenteperigodevida,omédicopraticaráa
transfusãodesangue,independentemente de consenti-mentodopacienteoudeseusresponsáveis’’’.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), na mesma linha do CFM, editou a Resoluc¸ãon◦ 136/9911pararegularoassunto,daqual cita-mososseguintesartigos:
Art. 1◦ --- O médico, ciente formalmente da recusa do pacienteem recebertransfusão desanguee/ouseus deri-vados, deverá recorrer a todos os métodos opcionais de tratamentoaoseualcance.
Art.3◦ ---Omédico,aoverificaraexistênciaderiscode morteparaopaciente,emqualquercircunstância,deverá fazerusodetodososmeiosaoseualcanceparagarantira saúdedomesmo,inclusiveatransfusãodesanguee/ouseus derivados, e comunicar, se necessário, à autoridade poli-cialcompetentesuadecisão,casoosrecursosusadossejam contráriosaodesejodopacienteoudeseusparentes.
Épatentequeambasasresoluc¸õesimpõemaomédicoo deverdetransfundirsanguequandoavidadopaciente esti-veremrisco.Acercadopodercoercitivodessasresoluc¸ões,a ProcuradoriaGeraldoRiodeJaneiro,emparecerque envol-veuoHospitalUniversitárioPedroErnestodoRiodeJaneiro e paciente testemunha de Jeová que recusavatransfusão de sangue, afirmou: ‘‘... certo é que não será tranquila, ao ângulo disciplinar, a situac¸ão dos médicos que, nessa mesmaperspectiva,nãoobservaremaresoluc¸ãon◦136/99 doCremerj---ConselhoRegionaldeMedicinadoEstadodo Rio de Janeiro, que trata especificamente da recusa em receber transfusão de sangue e hemoderivados. Esse ato determinaqueosmédicostentemevitaranecessidadede transfusões,masprevêafeituraforc¸adaem casoderisco iminenteàvida(destaquedoparecer).Daísugerir-seo ajui-zamentodeac¸ãodiretadeinconstitucionalidadeperanteo SupremoTribunalFederal’’.12Oposicionamentodoparecer
é o de respeito àvontade da paciente. Entretanto, reco-nhecequeaomédicoseimpõeodeverdetransfundirpela resoluc¸ão136/99doCremerj.Pornãoconcordarcomoseu conteúdo, a Procuradoria sugere o ajuizamento de ac¸ão direta deinconstitucionalidade dessa resoluc¸ão, admite a obrigac¸ãodeinconstitucionalidadedestaresoluc¸ãoeadmite
aobrigac¸ãodeverqueéimpostaaosmédicosquandosugere suaanulac¸ão.
Odesrespeitoaumaresoluc¸ãodoconselhoadmitesanc¸ão administrativa.Omédicoquenãotransfundirsanguequando necessáriocorreesserisco.Entretanto,essanãoéaúnica punic¸ão a que o médico pode estar sujeito.8 Há a
possi-bilidade de experimentar consequências civis (com ac¸ões indenizatóriase/ouac¸õesregressivasdopoderpúblicocaso sejao Estadocondenadopelaomissão médica) e adminis-trativasperanteascomissõesdisciplinaresdopoderpúblico aqueestivervinculado,nahipótesedemédicosservidores públicos,e,deformapreocupante,processopenal,casose entendaomissãodesocorro(artigo135doCódigoPenal).13
Limites
O limite entre a autonomia de vontade do paciente e o dever de agir do médico é o risco de morte. O Código Penal,13noartigo146,estabelececomocrimecontraa
liber-dadepessoal:‘‘Constrangeralguém,medianteviolênciaou graveameac¸a,oudepoisdelhehaverreduzido,por qual-queroutromeio, acapacidadederesistência,anãofazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda’’. Aexcec¸ãodiretamenterelacionadaàatuac¸ãomédicaestá noparágrafo3domesmoartigo:‘‘Nãosecompreendemna disposic¸ãodesteartigo:aintervenc¸ãomédicaoucirúrgica, semoconsentimentodopacienteoudeseurepresentante legal,sejustificadaporiminenteperigodemorte’’.Logo,se atransfusãosanguíneafornecessáriaparasalvaravidado paciente,nãopodeserconsideradaumaviolac¸ãoda auto-nomiadevontadedatestemunhadeJeová
Emalgumascircunstânciasomédico,aoantever sangra-mentoimportanteantesdeumagrandecirurgia,solicitaao Judiciárioautorizac¸ãoparatransfusãoprofiláticade hemo-derivadosempacientestestemunhasdeJeová.Algunsjuízes negamessepedido.8Outrosesclarecemquenãoé
respon-sabilidadedoJudiciárioautorizarouprescrevertratamento médico.Confirmamaautoridadedoatomédicoeressaltam anecessáriaindependênciaquea situac¸ãodeemergência impõe.Afirmam que o médicotem a obrigac¸ão de tomar ascondutasnecessáriasparatratarospacientes.Qualquer quadroclínicoquedemandetransfusãosanguíneadeveser tratadosemintermediac¸ãojudiciária.
Jurisprudência
Há umgrande número de processos que envolvem teste-munhasdeJeováemédicos.8Destaca-sedecisãoproferida
pelo Supremo Tribunal de Justic¸a (STJ) em processo (HC 268.459/SP)14quetramitounaJustic¸apormaisde20anos
acercadeumaadolescentede13anos,filhadetestemunhas deJeová.
transfundida.Atransfusãonãofoifeitaeameninamorreu horasapósaentradanohospital.
Apromotoriaindiciouospaisdaadolescentepor homi-cídiodoloso.Essetipodecrimeé julgadoporumtribunal dejúri.Nessecasoespecíficoodolofoicaracterizadocomo eventual,noqualosacusadosadotaramumaconduta sabi-damente de risco. Exemplo similar seria o do motorista embriagadoque atropelae mata umpedestre. Ao ingerir bebidaalcoólicaacimadopermitido, oacusado assumea responsabilidadedecausarumpotencialacidenteematar alguém.Segundoaacusac¸ão,aorecusaratransfusãode san-gue,ospaiscontribuíramdiretamenteparaamortedafilha. OadvogadorecorreuaoTribunaldeJustic¸adeSãoPauloe alegouqueospaisnãopoderiamseracusadospor homicí-dio.Opedidofoiindeferido.AdefesarecorreuaoSupremo Tribunalde Justic¸acomumpedidodehabeascorpus com amesmatese.Ocasofoijulgadopela6a
TurmadoSTJ.A relatora,emseurelatório evoto,afirmouqueospaisnão poderiamserresponsabilizadospelamortedafilha.Emsua opinião,a recusa dos pais não poderiaser motivo para a nãotransfusãodaadolescente.Aculpaseriadosmédicos, que deveriamter transfundido a paciente, mesmo contra avontade dosresponsáveis.Nãohaveriacrimeemrecusar transfusão desangue parasi ou seusdependentes, poisa liberdadereligiosaeamanifestac¸ãodavontadesãodireitos constitucionais.ConstaemseurelatórioaResoluc¸ãodoCFM 1021/1980.
Cabe destacar que o voto da relatora, ao concordar com a argumentac¸ão da defesa, foi aceito pelo STJ. Os paisseriam inocentes,porque amanifestac¸ãode vontade élivreeabsoluta,nãoconstituicrime.Nãohaveria necessi-dadedeconcordânciaparaatransfusão.Omédicotemuma obrigac¸ãodedeverqueopacienteouresponsávellegalnão tem.Atransfusãodeveacontecerapesardeamanifestac¸ão devontadedopacienteouresponsávelsercontrária.
Essadecisãoéconsideradafundamental,pois,como tra-mitouna esfera penal, e nãona civil,delimitou a tutela doEstado sobre o tema.Quando transfundirfor necessá-rio,omédicotemumaobrigac¸ãodeagir,sobrepujaravida sobrealiberdade.OEstado,aomantertotalliberdadede atuac¸ãoemrelac¸ãoàreligião,deveefetivaraprotec¸ãoaos direitosfundamentais,determinaraosprofissionais respon-sáveispelasaúdepúblicaeprivadatodososprocedimentos necessáriosàpreservac¸ãodavida.15
Protocolo
de
atendimento
Combase noestudofeitosobre otema,desenvolvemos o seguinteprotocoloanestesiológicoparapacientes testemu-nhasdeJeová:
1) Identificac¸ãodasituac¸ãodeemergência enecessidade detransfusão.
Documentarfielmenteoquadroclínico,ossinaisvitais eosexamescomplementares.Anecessidadede transfu-sãodeveserevidente.
2) Nãotentarmudaravontadeouamanifestac¸ãode von-tadedopacienteouparentes.
Opacienteouseusparentespassamporsituac¸ão difí-cil. Em ummomentono quala fé e a religião servem comoapoio,confirmarocompromissodenãotransfusão
é muito importante para a testemunha de Jeová. Não é aconselhável discutir ou pedir autorizac¸ão para transfusão. É desnecessário.A assistentesocial, psicó-loga oumesmo a enfermeira podemconversar com os parenteseafirmarqueaequipedeemergênciaentende eapoiaintegralmenteadecisãodenãotransfundir,mas que atransfusão será feitaparasalvar avida do paci-ente.Talposic¸ãoéaindamaisimportantecomcrianc¸as eadolescentes.
3) Emcasoderesistênciafísicadeparentesoupacientes. Sehouverresistênciafísicaporpartedepacienteou responsáveis que impec¸am transfusão, chamar autori-dadepolicialsenecessário.
4) Transfusão
Em caso derisco de morte atransfusão é umdever médico. Compromisso prévio com o paciente assegu-rando que não irá transfundir hemoderivados durante cirurgia,bemcomodocumentoassinadoporpacienteou responsável nãoisentamo anestesiologistade sua res-ponsabilidade.
Conclusão
Aresoluc¸ãodoCFM1021/1980,oCódigoPenalnoartigo135, queclassificacomocrimeaomissãodesocorro,eadecisão doSTJsobreoprocessoHC268.459/SPimpõemaomédicoa obrigac¸ãodetransfusãoquandohouverriscodemorte.Nãoé necessárioconcordânciadopacienteoudeseuresponsável, poisnãoéproibidaamanifestac¸ãodevontadedopaciente testemunhadeJeováaorecusartransfusãosanguíneapara sieseusdependentes,mesmoememergências.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Referências
1.SilvaLA,deCarliD,CangianiLM,Gonc¸alvesFilhoJBM,daSilva IF.Tampãosanguíneoperiduralempacientestestemunhasde Jeová:relatodedoiscasos.RevBrasAnestesiol.2003;53:633---9. 2.ImbelloniLE,BeatoL,OrnellasA,BorgesCRJ.Manuseiodegrave diminuic¸ãodehemoglobinaempacientejovem,testemunhade Jeová,submetidoàproctocolectomiatotal:relatodecaso.Rev BrasAnestesiol.2005;55:538---45.
3.Brasil.Constituic¸ão(1988).DiárioOficial[da]República Fede-rativadoBrasil,Brasília,DF,05out1988.
4.GodinhoAM,LanziottiLH,MoraisBS.Termodeconsentimento informado:avisãodosadvogadosetribunais.RevBras Aneste-siol.2010;60:207---14.
5.BarrosoLR.Legitimidadedarecusadetransfusãodesanguepor testemunhasdeJeová.Dignidadehumana,liberdadereligiosae escolhasexistenciais.RevistadeDireitodaProcuradoriaGeral doRiodeJaneiro.2010;65:327---57.
6.Brasil.CódigodeÉticaMédica(2009).DiárioOficialdaUnião. 24set2009;(183,sec¸ãoI):90-2.
7.BastosCR. Direito derecusa depacientes submetidosa tra-tamento terapêutico às transfusões de sangue, por razões científicaseconvicc¸õesreligiosas.SãoPaulo:Revistados Tri-bunais.Ano90.2001;787:499---510.
humana.O casoda transfusãodesangueem testemunhade Jeová.RevistadaEmerj.2010;13(50):155---90.
9.WillemanF.Parecern◦09/2009.RevistadeDireitoda Procura-doriaGeraldoEstadodoRiodeJaneiro.2010;65:327---57. 10.Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resoluc¸ão CFM n◦
1.021/80.DiáriooficialdaUnião(Sec¸ãoI-ParteII)de22/10/80. 11.Brasil. Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro ---Resoluc¸ãoCREMERJN(136/1999.DiárioOficialdoEstadodoRio deJaneirode19/02/1999.
12.TavaresLLG.Parecern◦01/2009.RevistadeDireitoda Procu-radoriaGeraldoEstadodoRiodeJaneiro.2010;65:357---9.
13.Brasil.CódigoPenal.Decreto-Lein◦ 2.848,de7dedezembro de1940.Vademecum.SãoPaulo:Saraiva;2013.
14.Brasil. Superior Tribunal de Justic¸a. Habeas-corpus no 268.459/SP,da6a
turmadoSuperiorTribunaldeJustic¸a, Brasí-lia,DF,2desetembrode2014.