• Nenhum resultado encontrado

Políticas públicas para a juventude: uma análise do Projovem Adolescente sob a perspectiva dos participantes

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Políticas públicas para a juventude: uma análise do Projovem Adolescente sob a perspectiva dos participantes"

Copied!
184
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A JUVENTUDE: UMA ANÁLISE DO PROJOVEM ADOLESCENTE SOB A PERSPECTIVA DOS PARTICIPANTES

Caroline Cristina de Arruda Campos

(2)

Caroline Cristina de Arruda Campos

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A JUVENTUDE: UMA ANÁLISE DO PROJOVEM ADOLESCENTE SOB A PERSPECTIVA DOS PARTICIPANTES

Dissertação elaborada sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Ilana Lemos de Paiva e apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Psicologia.

(3)
(4)

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes

Programa de Pós-Graduação em Psicologia

A dissertação “Políticas públicas para a juventude: uma análise do Projovem Adolescente sob

a perspectiva dos participantes”, elaborada por Caroline Cristina de Arruda Campos, foi considerada aprovada por todos os membros da Banca Examinadora e aceita pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia, como requisito parcial à obtenção do título de MESTRE EM PSICOLOGIA.

Natal/RN, 12 de setembro de 2013.

BANCA EXAMINADORA

Prof.ª. Dra. Ilana Lemos de Paiva _______________________________________ (Presidente)

Profª Dra. Maria de Fatima Pereira Alberto _______________________________________ Profª Dra. Isabel Fernandes de Oliveira _______________________________________

(5)
(6)

AGRADECIMENTOS

Escrever esta dissertação de Mestrado foi, para mim, uma experiência extremamente enriquecedora, que ultrapassou os limites do âmbito da academia e acarretou muitos ganhos no âmbito pessoal. Sei que o trajeto que percorri até aqui não foi dos mais fáceis, porém também sei que eu não fiz esse percurso sozinha, muitas pessoas estiveram comigo e com algumas delas caminhei lado a lado longas distâncias, já outras somente encontrei em algum momento, mas todas tiveram sua importância e contribuição durante esse percurso e merecem minha sincera gratidão. Assim, eu gostaria de agradecer a todos que partilharam comigo das angústias e alegrias da vida de mestranda, mandando o meu Muito Obrigada!

Agradeço, a Deus, por tudo. Agradeço por ter fé e acreditar que existe uma energia boa, que está presente na natureza e nas pessoas e que me alimenta de esperanças, que é possível construir um mundo melhor com luta e firmeza.

Meu muito obrigada, vai para todos os adolescentes participantes desta pesquisa, e a todos os participantes do Projovem Adolescente da cidade de Natal/RN, que me inspiraram a fazer este trabalho e participaram, ativamente, de sua construção como colaboradores diretos. Agradeço ainda, a todos os profissionais que atuam no serviço, os quais foram muito importantes para esta pesquisa, contribuindo diretamente para que eu conseguisse realizar os encontros com os adolescentes, sempre confiando e acreditando neste trabalho.

Minha gratidão à Ilana, querida orientadora, pelo acompanhamento durante toda a caminhada do mestrado. Muito obrigada Ilana, tenho certeza que durante esse período de convivência aprendi muito com você, através da sua confiança, compreensão, sensibilidade, competência e exemplo de profissional dedicada e implicada nas causas que se envolve.

(7)

Um obrigada muito especial à Professora Isabel Fernandes, além da disponibilidade em participar da banca de defesa e também da leitura do primeiro seminário, agradeço por ter sido fundamental no meu processo de formação desde a graduação.

Gratidão sem fim à minha querida família, que me apoiou e me apoia sempre em todos os meus projetos, me dando o suporte sem o qual não seria possível a realização deste trabalho. À minha mãe, Maria José, por tudo que faz por mim, pelo amor incondicional, pelo colo sempre disponível a acolher nas dificuldades da caminhada, pelas palavras de incentivo, força e pela confiança em mim depositada (muitas vezes maior que a minha própria!). Ao meu pai, José Roberto, por compartilhar comigo suas experiências e conquistas acadêmicas, pelo carinho e cuidado de sempre e pela disposição em me ajudar com o texto. À minha irmã querida, Jaqueline, uma florzinha, que, com muito abraço, carinho, compreensão e conversas de madrugada me ajuda muito nessa caminhada da vida. Ao meu Tio Chico, pelo exemplo de perseverança e esperança diante da vida. Essa conquista é também de vocês! Obrigada por me ensinarem a cada dia que o amor é a maior riqueza dessa vida!

Agradeço imensamente ao meu querido companheiro e amor, Tulio, por todo o incentivo para a realização deste trabalho e por estar sempre ao meu lado nesse caminho e nos outros caminhos da vida. Seu amor, apoio e energia positiva foram imprescindíveis para que eu tivesse segurança e força para caminhar.

Muita gratidão às amigas queridas e companheiras de mestrado, que muito contribuíram para a firmeza e resistência necessárias nessa jornada na pós-graduação: Ana Cândida, Shenia, Suzany e Mariana! Obrigada por todos os momentos de descontração, risadas, desabafos, por todo carinho e cumplicidade. Mando um muito obrigada especial também à querida Rocelly, por seu bom humor, sorriso sempre aberto, por dividir comigo vários momentos importantes nessa caminhada! Um agradecimento bem especial a ‘una chica’ muito querida, Luana, por sua incrível capacidade de ser sempre presente, atuante,

(8)

Mando um muito obrigada especial às minhas queridas amigas de toda uma vida, Janaína, Adrielle e Anacler. Pelo apoio, companheirismo, compreensão, alegria, risos e abraços os quais amenizaram as angústias do caminho e enchem de graça e diversão a minha vida.

Agradeço também a todos os colegas de turma de mestrado, pela preocupação, disponibilidade em ajudar, disposição para tranquilizar nos momentos antecedentes aos seminários e para comemorar também após esses momentos! Obrigada pessoal por toda torcida! Esse muito obrigada também vai para todos os professores do Programa e para Cilene que sempre esteve disposta a ajudar nos momentos em que precisei.

Muito obrigada a todos os membros do GPME, em especial ao Professor Oswaldo Yamamoto, por todos os apontamentos, orientações em grupo e ensaios pré-seminários que contribuíram para este trabalho, bem como para que eu melhor compreendesse o “fazer” do

pesquisador, suas responsabilidades e compromissos.

(9)

SUMÁRIO

Lista de Siglas ...x

Resumo ... xi

Abstract ... xii

Apresentação ... 13

Introdução ... 16

I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 24

Capítulo 1 - Sobre adolescências e juventudes ... 24

1.1 - Adolescências: um olhar a partir de uma perspectiva crítica ... 25

1.2 - Juventudes: diferentes enfoques sobre o sujeito jovem... 35

1.2.1 - Construção do conceito de juventude ... 35

1.2.2 Dimensionando a juventude no Brasil: jovens em contextos de vulnerabilidade ... 44

Capítulo 2 - A juventude em foco: da invisibilidade à ação pública ... 54

2.1- Percurso no cenário internacional: marcos históricos ... 54

2.2 - Ações públicas para a juventude nacional ... 57

2.3 - A Política Nacional de Juventude no Brasil ... 64

Capítulo 3 - Política de Assistência Social para a juventude: o Projovem Adolescente ... 71

3.1- A Política de Assistência Social e suas relações com os jovens... 71

3.2- O Projovem Adolescente – Serviço Socioeducativo... 75

II - MÉTODO ... 86

1. Percurso metodológico e coleta ... 86

(10)

III - APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 99

1 - Caracterização do Campo ... 100

1.1 - O Projovem Adolescente em Natal ... 100

1.2 - Caracterização dos núcleos participantes ... 108

1.2.1 –África ... 108

1.2.2 –Quintas ... 110

1.2.3 –Planalto ... 112

2 - Sobre conceitos de adolescência e juventude ... 113

3 - A participação nas ações socioeducativas do Projovem Adolescente ... 125

3.1 Perspectivas dos participantes sobre as características positivas e negativas do PJA ... 125

3.2 - Participação no planejamento e avaliação das ações socioeducativas ... 138

3.3 - A relação dos jovens com o trabalho ... 141

3.4 - Possibilidades e contribuições do PJA em seus contextos de vida ... 149

3.4.1 Expectativas a partir da participação ... 149

3.4.2 - Contribuição e possibilidades advindas da participação no serviço. ... 156

IV - Considerações finais ... 161

V - Referências ... 167

(11)

Lista de Siglas

1. CONJUVE – Conselho Nacional de Juventude

2. CRAS – Centro de Referência de Assistência Social

3. ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente

4. EJA – Ensino de Jovens e Adultos

5. MCC – Método Comparativo Constante

6. MDS – Ministério do Desenvolvimento Social

7. OIJ – Organização Ibero-Americana de Juventude

8. OIT – Organização Internacional do Trabalho

9. OMS – Organização Mundial de Saúde

10. ONG – Organização Não-Governamental

11. ONU – Organização das Nações Unidas

12. PAIF – Programa de Atenção Integral às Famílias

13. PBF – Programa Bolsa Família

14. PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios

15. PNJ – Política Nacional de Juventude

16. PROJOVEM – Programa Nacional de Inclusão de Jovens

17. SEMTAS – Secretaria Municipal do Trabalho e da Assistência Social

18. SNJ – Secretaria Nacional de Juventude

(12)

Resumo

A partir dos diagnósticos das vulnerabilidades da condição juvenil contemporânea, as Políticas Públicas de Juventude têm ganhado maior força e um lugar mais definido nas pautas das demandas e conquistas sociais. Faz-se necessário, então, direcionar atenção para essas Políticas Públicas, a fim de promover uma reflexão sobre como ocorre a sua execução no âmbito do seu público alvo. Esta dissertação centraliza sua análise no Projovem Adolescente (PJA), uma das modalidades do Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM – que se destina ao atendimento de jovens com específica faixa etária entre 15 a 17 anos, com caráter assistencial e socioeducativo. Desta forma, o objetivo geral deste estudo foi discutir as ações do Projovem Adolescente, no que diz respeito ao processo socioeducativo, a partir da perspectiva dos adolescentes participantes da cidade de Natal/RN. E, especificamente, objetivou-se: investigar de que maneira os adolescentes avaliam as atividades das quais participam, considerando se suas expectativas coincidem com as propostas do serviço; averiguar a participação dos adolescentes na elaboração, execução e avaliação das ações socioeducativas do serviço; bem como compreender as motivações que contribuem para a inserção e permanência ou evasão dos adolescentes no PJA. Para tanto, foram realizados três grupos focais com adolescentes participantes do Projovem Adolescente, em diferentes núcleos do serviço, no município de Natal/RN. Cada grupo focal contou com dois encontros, em que, primeiramente, foram debatidos aspectos da participação nas ações socioeducativas e, num segundo encontro, foram realizadas oficinas de produção de fanzines. A análise qualitativa dos dados foi realizada a luz da perspectiva teórica do materialismo histórico-dialético, utilizando-se como método de análise o Método Comparativo Constante, baseado na Teoria Fundamentada, que busca compreender o significado do fenômeno sob a perspectiva dos participantes. Os resultados foram apresentados divididos em eixos de análise os quais versaram sobre: as concepções dos jovens sobre adolescência e juventude; e a participação nas ações socioeducativas do PJA, destacando-se as características positivas e negativas apontadas pelos participantes, a relação dos jovens com o trabalho e as possibilidades e contribuições do PJA em seus contextos de vida. Em vista da análise empreendida, é possível constatar que a concepção dos participantes sobre a própria vivência da adolescência e juventude se encontra influenciada por imagens socialmente atribuídas aos jovens, como a que considera a juventude enquanto etapa de preparação para o mundo adulto. A participação nas ações socioeducativas, por sua vez, foi, de uma maneira geral, avaliada positivamente pelos participantes, não obstante esta avaliação, os jovens apresentaram uma visão muito crítica sobre a execução do serviço no município de Natal, relatando conhecer bem as dificuldades de ordem da gestão, bem como as contradições e limitações nas ações do serviço. Compreende-se a perspectiva da “inclusão social” no contexto neoliberal em que são implementadas as políticas sociais, contudo acredita-se que dar voz aos jovens participantes contribuiu para proporcionar uma reflexão sobre o modo como as políticas sociais, através do Projovem Adolescente, têm atingido seu público, considerando as questões e perspectivas apresentadas pelos jovens como ferramentas a serviço das juventudes na construção de políticas democráticas e efetivas.

(13)

Abstract

From diagnostics vulnerabilities of contemporary youth condition, the Youth Public Policies has gained greater strength and a more defined on the agendas of demands and social achievements. It is necessary, therefore, to direct attention to these public policies in order to promote a reflection on how the implementation of these occurs adjacent to your target audience. This dissertation focuses its analysis on Projovem Adolescent (PJA), one of the modalities of the Programa Nacional de Inclusão de Jovens- PROJOVEM - which aims at serving young people with specific age group between 15-17 years with charater assistance and socialeducational. Thereby, the aim of this study was to discuss the actions of Projovem Adolescente and its socio-educative process from the perspective of adolescents that participated of program in Natal / RN. And specifically aimed to: investigate how adolescents evaluate the activities in which they participate, taking into account whether your expectations coincide with the proposed service; ascertain the participation of adolescents in the preparation, execution and assessment of socioeducational service; as well as understand the motivations that contribute to integration and permanence or evasion of adolescents in PJA. Thereunto, was performed three focal groups with Projovem Adolescente's participants in different headquarters of the program, in the city of Natal/RN. Each focal group had two meetings, which first it was debated aspects of participation in social and educational activities and, in the second meeting workshops were performed for the production of fanzines. The qualitative data analysis was conducted from the theoretical perspective of historical and dialectical materialism, using as the analytical method Constant Comparative Method, based on Grounded Theory, which aims to understand the meaning of the phenomenon under the perspective of participants. The results were presented divided into analysis axes which analyzed the conceptions of young people about adolescence and youth, and participation in social and educational activities of the PJA, highlighting the positive and negative characteristics indicated by the participants, the relationship of young people with the work and possibilities and contributions of the PJA in their life contexts. Considering the analysis conducted, it is clear that the conception of the participants about their own experiences of adolescence and youth is marked by the absorption of certain images socially assigned to young people, as it considers the youth as a step of preparation for the adult world . The participation in socioeducational actions, in turn, was, in general, positively evaluated by the participants, despite this assessment, the youth presented a very critical view on the implementation of the service in Natal, reporting to know well the difficulties of order management, as well as the contradictions and limitations on the actions of the service. We may understand the perspective of "social inclusion" in the neoliberal context in which social policies are implemented, however it is believed that give voice to young participants contributed for providing a reflection on how social policies through Projovem Adolescente has reached its public, considering the issues and perspectives presented by young people as tools at the service of youth in building democratic and effective policies.

(14)

Apresentação

Como forma de introduzir a discussão do presente estudo, inicio, nesta seção, elucidando algumas questões que fazem parte de minha experiência profissional e acadêmica, para que o leitor possa compreender as escolhas realizadas tanto no que diz respeito ao objeto de estudo, como às opções teóricas realizadas.

Segundo o próprio título sugere, o objetivo deste trabalho consiste na realização de uma pesquisa no âmbito das Políticas Públicas para a juventude, mais especificamente no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Adolescentes e Jovens, o Projovem Adolescente (PJA), buscando discutir as ações do Projovem Adolescente, no que diz respeito ao processo socioeducativo, a partir da perspectiva dos adolescentes participantes da cidade de Natal/RN. Trata-se de uma pesquisa empírica na qual se buscou investigar o modo como tem sido operacionalizada a execução de um dos principais, senão o principal, serviço voltado ao público jovem no País, dando voz aos próprios adolescentes integrantes do PJA. Acredita-se que dar voz aos próprios jovens participantes do serviço pode proporcionar uma reflexão sobre o modo como a Política Nacional de Juventude e, também, a Política Nacional de Assistência Social têm atingido seu público. Busca-se, ainda, dar significativo valor às necessidades, demandas e desejos daqueles que estão socialmente mais vulneráveis.

É importante informar que este trabalho não teve o propósito de realizar uma avaliação do serviço, pois se entende que avaliar implica a análise de todo o processo de sua implantação. Nesse sentido, identificar processos e resultados, comparar dados de desempenho, como por exemplo, acompanhar a entrada e a saída de um grupo de jovens seria essencial para a realização de um processo avaliativo propriamente dito, portanto, não foi meta desta pesquisa se lançar neste campo específico.

(15)

equipe técnica responsável pela Coordenação Municipal do Projovem Adolescente (PJA), na Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (SEMTAS) da cidade de Natal/RN, nos anos de 2009 a 2011. A partir dessa experiência profissional, passei a conhecer e vivenciar o cotidiano da consolidação da implantação do, até então recém-criado, Projovem Adolescente. Ao mesmo tempo acompanhando de perto a realidade da execução da metodologia proposta pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), para as ações socioeducativas. Tal fator me possibilitou formar diversas questões sobre a elaboração, execução e avaliação das políticas públicas, particularmente, as relacionadas à juventude e à assistência social.

O trabalho, bem como, a aproximação com os profissionais operadores do Projovem Adolescente e, particularmente, o convívio com os adolescentes me alimentou de indagações sobre a aplicação das diretrizes preconizadas pelas políticas. Algumas questões permanecem, outras se atualizam, mas elas versam sobre: que tipo de inclusão social o Projovem Adolescente se propõe a promover para os jovens entre 15 aos 17 anos? Como está se desenvolvendo, na prática, este Serviço? Quais as repercussões na vida dos jovens participantes?

(16)
(17)

Introdução

Lançar um olhar sobre a juventude na contemporaneidade, a partir de um enfoque crítico, significa conceber a noção de juventude como uma construção social, cultural e histórica, que só pode ser definida a partir de suas múltiplas relações e contextos sociais. Desse modo, pensar o conceito de juventude é pensar sobre a diversidade de vivências a partir dos condicionantes de classe social, gênero, raça, moradia, entre outras condições. Sob o mesmo enfoque, refletir sobre as políticas públicas voltadas para esses jovens denota entender tais políticas para além da prestação de serviços e da realização de ações em benefício dos jovens. Assim, se faz necessário entender que as políticas públicas para a juventude fazem parte de uma totalidade e refletem uma concepção de jovens e de formas de se lidar com eles, amparadas pelo cenário sócio-econômico-político excludente e desigual vigorante no País. Através dessa ótica ampliada que se pretende analisar as questões e perspectivas apresentadas pelos jovens, considerando-as como ferramentas a serviço das juventudes na construção de políticas democráticas.

O tema juventude vem ganhando repercussão no espaço da sociedade civil, na mídia, nos movimentos sociais, na academia e no âmbito governamental, em diversos domínios, seja em função da representatividade demográfica nacional dessa parcela da população, seja, também, em função de questões como o retrato social preocupante no que diz respeito ao desemprego, escolaridade, pobreza, e violência a que está sujeita essa parcela da população.

(18)

quanto pelas distintas formas de violência física e simbólica, que caracterizaram o final do século XX e persistem neste início do século XXI” (p. 253).

Dessa maneira, a partir do caráter vulnerável da condição juvenil contemporânea, as políticas públicas de juventude têm ganhado maior força e um lugar mais definido nas agendas de demandas e lutas sociais. Com o objetivo de refletir sobre tais políticas, torna-se indispensável esclarecer: quem são os jovens, alvo dessas políticas? Quais situações esses jovens vivenciam? E qual o lugar social a eles destinado? Outras questões surgem no decorrer das reflexões e serão discutidas ao longo do percurso deste trabalho.

Definir juventude não é tarefa simples e faz emergir a necessidade de se discutir diversos conceitos, os quais são complexos e, por vezes até, contraditórios. Considera-se que se trata de uma noção construída a partir das condições e processos de socialização vivenciados por essa parcela da população. Nesse sentido, não há um único conceito que dê conta de sistematizar a juventude. Segundo a Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL, 2004) apesar do crescente incremento de pesquisas sobre a juventude e de sua inclusão nas agendas políticas, ainda continua sendo “una tarea compleja, tanto para el mundo académico como para los gobiernos, delimitar una categoría de juventud que permita establecer cuáles son los límites de esta etapa de la vida y cómo visibilizar sus particularidades sociohistóricas y necesidades.” (p. 290).

Nesse debate, ainda há que se esclarecer a existência e o uso simultâneo dos termos, ‘adolescência’ e ‘juventude’, os quais podem tanto se sobrepor, como constituir campos

distintos, mas que se complementam. As diferenças e os atrelamentos entre os dois termos não são tão explícitos, o que, muitas vezes, pode gerar disputas e divergências de opiniões na formulação de políticas para esses segmentos.

(19)

sociais e históricos, chegando até a inexistir em algumas culturas. Assim, é válido ponderar a existência tanto da juventude como da adolescência como sendo variante de acordo com a condição social de classe (Trassi & Malvassi, 2010).

Considerando a existência tanto da adolescência como da juventude, o presente estudo considera importante apresentar as definições dos dois termos, buscando discutir de forma mais aprofundada, em sua fundamentação teórica, de que modo estes têm sido utilizados no debate e na ação na conjuntura brasileira das Políticas Públicas.

Juventude é uma palavra presente no vocabulário cotidiano da população de um modo geral e, não dificilmente, as pessoas são capazes de defini-la e emitir suas opiniões sobre a vivência da juventude, uma vez que tal vivência faz parte do ciclo da vida da maioria. Ou seja, se é ou se foi jovem e convive-se com jovens, de forma direta ou indireta. Ao realizar um levantamento mais aprofundado de definição do termo, fica perceptível sua característica de imprecisão, dubiedade, complexidade e multiplicidade de dimensões a que esse termo se refere.

(20)

grande intensidade, sendo a característica de singularidade que pode tornar a juventude visível e capaz de se configurar como uma categoria social. (Freitas, 2005).

Em virtude da diversidade de situações existenciais que afetam os indivíduos nessa etapa do ciclo de vida, tem sido recorrente a importância de se tomar a ideia de juventude e de adolescência em seu sentido plural – juventudes e adolescências (Sposito, 2003), sentido este compartilhado pela presente pesquisa.

Devido à necessidade de uma definição operacional, a partir de uma perspectiva demográfica, tradicionalmente as Políticas Públicas de Juventude têm adotado os marcos etários para definição do seu público-alvo. Mais do que simples limites ou cortes populacionais, a demarcação de idade dos grupos jovens é uma definição do universo de sujeitos que habitariam o tempo da juventude (Carrano, 2011).

Os limites da faixa etária que compreendem a população jovem não se apresentam de forma consensual. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei 8.069/90) estabelece que a adolescência abrange o período entre os 12 e 18 anos, já o Estatuto da Juventude1, prevê que a juventude compreende o período entre 15 e 29 anos de idade, dividida nos seguintes subgrupos: 15 a 17 anos – jovem-adolescente; 18 a 24 anos – jovem-jovem; 24 a 29 anos – jovem adulto. Internacionalmente, existem outras delimitações adotadas para a faixa etária da juventude. De acordo com critérios estabelecidos pelas Nações Unidas e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a faixa etária corresponde dos 15 aos 24 anos (UNESCO, 2004). A ampliação no limite superior da faixa etária não tem sido uma peculiaridade brasileira e pode ser verificada em muitos países que pretendem implementar políticas para a juventude. Alguns países seguem delimitações bem variadas. No Japão, por exemplo, são classificados como jovens os indivíduos até 35 anos (Chaves Junior, 1999). Na

1

(21)

Itália, tem sido considerados jovens indivíduos até a faixa dos 34 anos (Carrano, 2011). Nos países que compõem a Organização Iberoamericana de Juventude (OIJ), também, existem algumas divergências nos limites etários da juventude. Segundo publicação da CEPAL (2004), dos 21 países Iberoamericanos; 14 deles contam com idades elevadas na definição etária de juventude, estabelecidas em 28, 29, 30 ou até 35 anos, sendo a idade de 29 anos o limite etário mais utilizado.

Para determinar uma idade em que a juventude se inicia - ou seja, o limite inferior dessa faixa etária - observa-se um razoável consenso que estabelece a idade de 15 anos, o qual leva em consideração, prioritariamente, os critérios com um enfoque biológico e psicológico, relacionados ao desenvolvimento das funções sexuais e reprodutivas, próprias do momento da adolescência (UNESCO, 2004). O marco etário inferior que delimita a faixa dos sujeitos jovens – 15 anos – acaba por atingir, também, parte do período que, no Brasil, é delimitado como a faixa etária da adolescência. Tem-se, então, um subgrupo, com idades entre 15 e 17 anos que se encontra em uma interseção dos limites etários definidos tanto para o adolescente, como para o jovem, constituindo-se em um segmento mesclado na fronteira entre a adolescência e a juventude, são denominados jovens-adolescentes.

Com a aprovação do Estatuto da Juventude, o jovem-adolescente deverá ter seus direitos fundamentais garantidos tanto pelo ECA, quanto pelo Estatuto da Juventude2. Os jovens-adolescentes têm sido alvo de diversas ações tanto públicas como da própria sociedade civil. Um exemplo de ação pública destinada a eles é o Projovem Adolescente (PJA), o qual corresponde ao campo de análise deste trabalho e será apresentado nesta seção, sendo

2

(22)

posteriormente discutido e problematizado de forma mais aprofundada em capítulo específico deste estudo.

O Projovem Adolescente é uma das modalidades do Programa Nacional de Inclusão de Jovens – PROJOVEM – que se destina ao atendimento de jovens com específica faixa etária entre 15 a 17 anos, com caráter assistencial e socioeducativo. É uma ação que integra a Política Nacional de Juventude (PNJ) e a Política Nacional de Assistência Social (PNAS), compondo o Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

Seus objetivos principais são a execução de mecanismos socioeducativos que harmonizem a convivência familiar e comunitária, a inserção ou reinserção do jovem no sistema educacional, estimulando a sua permanência, a ampliação do acesso às políticas públicas, o fortalecimento de sua autonomia e o estímulo ao seu protagonismo social. Busca-se atingi-los, através de ações socioeducativas baBusca-seadas em três eixos estruturantes. São eles: o eixo da convivência social, o do mundo do trabalho e o da participação cidadã (MDS, 2009).

O Projovem Adolescente faz parte do âmbito das políticas sociais, as quais possuem funções definidas enquanto mecanismos propostos pelo Estado para a redução das consequências da “questão social”, estruturados a partir do binômio inclusão-exclusão.

Diante do exposto, a questão que norteia este estudo é: como os adolescentes participantes vivenciam a “inclusão social” no processo socioeducativo do Projovem

Adolescente?

(23)

políticas públicas, as quais são desenhadas e implementadas, em sua maioria, verticalmente, buscando ainda contribuir politicamente na discussão de políticas de/para/com juventudes.

O estudo objetiva discutir as ações do Projovem Adolescente no que diz respeito ao processo socioeducativo, a partir da perspectiva dos adolescentes participantes da cidade de Natal/RN. E, especificamente, objetivou-se: investigar de que maneira os adolescentes avaliam as atividades das quais participam, considerando se suas expectativas coincidem com as propostas do serviço; averiguar a participação dos adolescentes na elaboração, execução e avaliação das ações socioeducativas do serviço nos três eixos estruturantes, a Convivência Social, a Participação Cidadã e o Mundo do Trabalho; bem como compreender as motivações que contribuem para a inserção e permanência ou evasão dos adolescentes no PJA.

O presente trabalho se encontra dividido em três capítulos teóricos, um capítulo em que se encontra descrito o desenho do método empregado da pesquisa, uma seção com a apresentação e discussão dos resultados encontrados, e por último, uma seção com as considerações finais sobre o trabalho e a apresentação dos desafios e perspectivas para a área.

O primeiro capítulo teórico discute as diferentes formas de se olhar e se compreender a condição juvenil ao longo da história, aprofundando a análise sobre as aproximações e diferenças entre o conceito de juventudes e adolescências. Analisa-se a construção do conceito de juventude adotado pelas políticas voltadas aos jovens. Apresenta-se ainda uma perspectiva sobre a dimensão da juventude brasileira, caracterizando a vivencia em situações de vulnerabilidade.

(24)

O terceiro capítulo teórico debate a juventude no campo das políticas de assistência social. Discute-se a inserção da juventude no âmbito das políticas de assistência social e, de forma mais detalhada, apresenta-se o Projovem Adolescente, sua metodologia, funcionamento, desafios e perspectivas.

À luz das discussões apresentadas, as seções seguintes dizem respeito à pesquisa realizada

com os adolescentes participantes do Projovem Adolescente de Natal/RN. Primeiramente, é feito

um relato do desenho de pesquisa descrevendo-se o percurso metodológico e procedimentos de

coleta de dados. Posteriormente, são apresentados os procedimentos de análise definidos para a

pesquisa. A seguir faz-se uma caracterização do campo, detalhando-se questões da gestão e

execução Projovem Adolescente na cidade de Natal/RN, bem como uma apresentação dos núcleos

participantes. Na próxima seção são apresentados e discutidos os dados coletados, os quais foram

divididos em grandes blocos de análise: os conceitos de adolescência e juventude dos

participantes e as percepções dos jovens sobre a participação do serviço, destacando-se suas

formas de participação na avaliação e planejamento, suas relações com o mundo do trabalho e

suas percepções sobre as possibilidades e contribuições do Projovem Adolescente. Por fim, são

delineadas as considerações finais, levantando questões e apresentando os desafios, contribuições

(25)

I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Capítulo 1 - Sobre adolescências e juventudes

O presente capítulo pretende apresentar e discutir os conceitos e concepções de adolescência e juventude que permeiam o campo científico, bem como embasam as políticas públicas voltadas para esse público. Acredita-se que é de extrema importância para este trabalho refletir sobre as diferenças conceituais entre os dois termos, os quais muitas vezes se confundem, sendo utilizados como sinônimos. A importância se revela, principalmente, pelo fato deste estudo versar sobre as perspectivas dos participantes do Projovem Adolescente, público esse, localizado na faixa etária entre 15 e 17 anos, caracterizando um segmento híbrido, situado na fronteira dos marcos legais de juventude e adolescência.

Na construção de demandas públicas no Brasil, principalmente depois da promulgação da Constituição Federal de 1988 e do reordenamento jurídico e institucional, ocorrido nos anos 1990, tem-se um predomínio das discussões em torno da adolescência, destacando-se, nesse período, a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente. O termo juventude e os jovens acima de 18 anos (não incluídos nos avanços legislativos proporcionados pelo ECA) ficaram de fora das conquistas do período. O movimento se deu de forma diferente em outros países da América Latina, os quais, na década de 1990, implementaram ações e pautaram em agenda nacional as questões da juventude, principalmente, a partir de esforços empreendidos por organismos internacionais.

(26)

Públicas de Juventude se tem um dos motivos da importância de se tratar, neste estudo, as compreensões de juventude. Outro motivo para se falar sobre juventude neste capítulo, é que, a partir do estabelecimento do tema da juventude na pauta das políticas públicas, iniciou-se uma discussão mais intensa sobre seus limites etários, principalmente, para a definição de ações voltadas a esse segmento. Como resultado dessas discussões, as quais serão apresentadas com maior profundidade durante o decorrer do capítulo, foram incluídos os adolescentes, a partir dos 15 anos na classificação etária da juventude.

O presente capítulo não pretende esgotar a discussão, bem como, não espera fornecer uma definição única, ou mesmo consensual sobre a adolescência e a juventude. Nesse sentido, procura-se debater as principais tendências que marcam as discussões sobre os adolescentes e jovens ao longo do tempo, bem como, o modo como os termos adolescência e juventude têm sido empregados no debate e na ação na conjuntura brasileira.

1.1 - Adolescências: um olhar a partir de uma perspectiva crítica

Ao iniciar as reflexões sobre adolescência nesta sessão cabe alertar primeiramente que, não existe uma definição única tanto do que vem a ser adolescência, como de juventude. Tais conceitos estão intimamente relacionados ao momento histórico e cultural e ao contexto social vividos pelos adolescentes e jovens, visto que, o “ser humano traz consigo uma dimensão que não pode ser descartada, que é a sua condição social e histórica, sob o risco de termos uma visão distorcida (ideológica) de seu comportamento.” (Lane, 1989, p.12).

(27)

coletivo e as programações de serviços sociais e de saúde pública, porém, este critério não leva em consideração as multiplicidades e as diferenças nas características individuais e grupais dos sujeitos que compõem essa faixa etária. Para tanto, é necessário destacar que os critérios sociais, históricos, culturais devem ser, considerados na abordagem conceitual da adolescência e da juventude.

O Ministério da Saúde (2008) define que a adolescência é a etapa da vida compreendida entre a infância e a fase adulta, marcada por um complexo processo de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial.

Segundo Trassi e Malvassi (2010), na cultura ocidental contemporânea, existe o aparente consenso de que a puberdade, período caracterizado pelo início da maturação sexual, demarca, concretamente, o início da adolescência. No entanto, a adolescência envolve um processo mais amplo de desenvolvimento biopsicossocial. Assim, a puberdade constitui somente parte da adolescência, a qual é caracterizada, principalmente, pela aceleração e desaceleração do crescimento físico, mudanças corporais, eclosão hormonal, desenvolvimento da maturação sexual.

Desse modo, entende-se a puberdade como um parâmetro universal, que pode ocorrer de maneira semelhante com todas as pessoas; já a adolescência é considerada um fenômeno singular caracterizado por influências socioculturais que vão se concretizando por meio de reformulações constantes de caráter social, cultural, sexual e de gênero, ideológico e vocacional (Ministério da Saúde, 2008).

(28)

O termo adolescência, de acordo com sua etimologia, decorre do verbo latino “adolescere” (ad = para e olescere= crescer), e carrega em seu sentido a qualidade ou processo

de crescimento, caracterizando alterações que se iniciariam com a entrada na puberdade e terminariam quando as responsabilidades que caracterizariam a entrada no mundo dos adultos fossem adquiridas (Mussen, Conger, Kagan, & Huston, 1995).

Apesar da aparente unidade na caracterização etimológica do termo, a noção de adolescência também é relativa, pois é demonstrado que sua existência como lugar e função social varia em diferentes momentos da história da humanidade, e contextos sociais, chegando até a inexistir em algumas culturas. Segundo Traverso-Yépez e Pinheiro (2002), tem sido recorrente na literatura psicológica uma tendência em abordar a adolescência como uma “categoria descontextualizada, seja como uma fase do desenvolvimento – etapa da vida – que,

portanto, remete à biologia e a estados do corpo, ou bem como categoria sócio demográfica que remete a parâmetros etários” (p.137).

A tendência, de acordo com Ozella (2002) está relacionada à concepção vigente sobre adolescência na Psicologia, a qual caracteriza como uma etapa estereotipada e estigmatizada, marcada por angústias e conturbações ligadas, em geral, à manifestação da sexualidade. Em um estudo com o objetivo de analisar a definição de adolescência presente na Psicologia, Bock (2004) identificou que, em quase toda a produção sobre o assunto, a adolescência tem sido encarada como uma fase natural do desenvolvimento pela qual todas as pessoas, ao se afastar da infância, devem vivenciar antes de atingir a idade adulta. Segundo Bock (2004), diversos estudos e pesquisas dedicaram-se à caracterização dessa fase, gerando, por sua vez, teorias inteiras, que influenciaram e influenciam a concepção adotada pela sociedade sobre a vivência adolescência.

(29)

rebeldias, as insatisfações, a onipotência, as crises geracionais, etc. A autora afirma que, “torna-se necessário revisitar e rever o conceito porque, em suas concepções, a psicologia

naturalizou a adolescência. Considerou-a uma fase natural do desenvolvimento, universalizou-a e ocultou, com esse processo, todo o processo social constitutivo da adolescência.” (Bock, 2004, p. 33).

Segundo Ozella (2002), a compreensão estigmatizante do conceito de adolescência foi reforçada por diversos estudiosos, dentre eles o teórico da Psicologia do Desenvolvimento, Erik Erikson, responsável pela introdução do conceito de moratória social, que instituiu a adolescência como uma etapa peculiar no processo de desenvolvimento humano, relacionando essa fase com confusão de papéis e dificuldades de estabelecer uma identidade própria. A concepção encontrou reforço em algumas abordagens psicanalíticas que a caracterizaram como uma etapa de confusões, estresse e luto. Com base nesses conceitos e pressupostos científicos, o adolescente moderno típico estabeleceu-se como um ser natural com características e atributos psicológicos bem demarcados, a partir de uma concepção naturalista e universal, que “passou a ser compartilhada pela psicologia, incorporada pela cultura

ocidental e assimilada pelo homem comum, muitas vezes através dos meios de comunicação de massa” (Ozella, 2002, p.16).

(30)

instituir algumas características que seriam inerentes a essa etapa da vida, com seus tempos e atributos específicos, diferenciando sujeitos considerados “normais” e “anormais”, de acordo com seu grau de aproximação às normas estabelecidas (Coimbra, Bocco, & Nascimento, 2005).

Ozella (2002) destaca que as concepções de adolescência baseadas nas vertentes teóricas da Psicologia mesmo quando mencionam uma relação entre o biológico e o cultural, enfatizam as estruturas internas como propulsionadoras do desenvolvimento. Segundo o autor, mesmo considerando a vivência da adolescência como um fenômeno multifacetado com influências biopsicossociais tais visões

ora enfatizam os aspectos biológicos, ora os aspectos ambientais e sociais, não conseguindo superar visões dicotomizantes ou fragmentadas. Dessa forma, os fatores sociais são encarados de forma abstrata e genérica, e a influência do meio torna-se difusa e descaracterizada contextualmente, agindo apenas como um pano de fundo no processo de desenvolvimento já previsto no adolescente (Ozella, 2002, p.20).

A compreensão da adolescência enquanto fase crítica da vida, com características inerentes em função da idade, ainda hoje é utilizada como suporte teórico para definir e embasar ações direcionadas a este público. Sobre este ponto Bock (2004) defende que

(31)

Freitas (2005), por sua vez, exemplifica como a Psicologia tem reforçado esta visão naturalizante ao apontar a diferenciação no uso dos termos, adolescência e juventude, no Brasil. Segundo a autora, o termo ‘adolescência’ é, em geral, utilizado, por psicólogos, para descrever processos físicos e biológicos que marcam esta fase da vida (as oscilações emocionais, as características comportamentais, etc.) e o termo ‘juventude’ seria, em geral,

mais usado por sociólogos, demógrafos e historiadores para referir-se aos sujeitos como uma categoria social, geração no contexto histórico, ou como atores no espaço público.

Sobre o uso corrente de diferentes termos para caracterizar e conceituar esse momento no curso da vida social, Groppo (2000) alerta para o fato de que, numa primeira análise, os termos, juventude, adolescência e puberdade, se refere cada um a um tipo de transformação que o indivíduo sofre nesta fase da vida. Segundo o autor, as ciências médicas criaram a concepção de puberdade para se referir às mudanças no corpo do indivíduo que era criança e está se tornando maduro; a Psicologia, a Psicanálise e a Pedagogia criaram a concepção de adolescência para se referir às modificações na personalidade, na mente ou no comportamento da pessoa que está se tornando adulta. A Sociologia trabalha com a concepção de juventude para se referir ao período localizado entre as funções sociais da infância e as funções sociais da pessoa adulta. Contudo através de uma segunda análise mais criteriosa sobre o uso cotidiano desses termos, tem-se que, em diversos momentos, adolescência e juventude são tomadas como fases sucessivas, naturais e universais do desenvolvimento, sendo a adolescência a fase mais próxima da infância, e a juventude a fase mais próxima da maturidade.

(32)

integral. As lutas resultaram na promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, no qual estabelece as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, os quais necessitam de proteção e tutela para garantir seu desenvolvimento adequado. O Estatuto e suas concepções tornaram-se referência para a sociedade, impulsionando inúmeras ações, programas e políticas para a infância e adolescência, principalmente para aqueles considerados em situação de vulnerabilidade diante do não atendimento dos direitos estabelecidos. Somente em meados da década de 1990 que o termo juventude volta a fazer parte do debate público, quando uma nova emergência do tema se produz, principalmente centrada na preocupação social com os problemas vividos ou representados pelos jovens (Freitas, 2005).

Para Coimbra, Bocco e Nascimento (2005) são inegáveis os expressivos avanços legislativos que o ECA trouxe. É importante entender que a concepção desenvolvimentista de adolescência está presente no texto da lei e orienta muitos de seus aspectos, os quais merecem ser colocados em análise, uma vez que seu discurso está pautado na noção de adolescência como período universal, ideia esta questionada tanto pelas autoras, como também pela presente pesquisa.

As autoras levantam a necessidade de subverter a noção de adolescência, tal como ela se encontra concebida na nossa sociedade. Tanto os conceitos de adolescência, como o conceito de desenvolvimento servem aos propósitos dominantes de homogeneização e imobilização.

(33)

capacidade, ou falta dela, para lidar com as questões de seu desenvolvimento (Coimbra, Bocco & Nascimento, 2005, p.6).

As considerações indicam que é necessário encontrar uma forma de ir além da visão naturalizante e patologizante da adolescência, a qual concebe a vivência da adolescência como uma fase natural do desenvolvimento e manifestação da natureza humana, identificando nela características naturais como rebeldia, desequilíbrios, lutos e crises de identidade, instabilidade de afetos, busca de si mesmo, tendência grupal, necessidade de fantasiar, crises religiosas, flutuações de humor e contradições sucessivas.

Objetivando superar as concepções de adolescência, concorda-se com Bock (2004) sobre a necessidade de abordar a adolescência a partir de uma perspectiva socio-histórica, entendendo-a como uma construção social que tem suas repercussões na subjetividade e no desenvolvimento do homem moderno e não como um período natural do desenvolvimento. As ponderações indicam que se deve considerar as adolescências (no plural), as quais são definidas por aquilo que está ao redor, pelos contextos socioculturais, pela sua realidade, situando-as em seu tempo, em sua cultura.

Considera-se, então, que a adolescência é criada historicamente pelo homem. Compõe-se como significado na cultura e na linguagem que permeia as relações sociais. A concepção se sustenta em uma visão histórica do homem, em que se considera que “não se

pode conhecer qualquer comportamento humano isolando-o ou fragmentando-o como se existisse em si por si” (Lane, 1989, p.19). Considerando a perspectiva histórica, só é possível

compreender qualquer fato, a partir de sua inserção na totalidade na qual foi produzido.

(34)

definida por características negativas tais como, crises, conflitos, tormentas, entre outros fatores apontados. Acredita-se que tal naturalização da adolescência apresenta subentendida a ideia de uma evolução do ser humano que independe das condições concretas de sua existência.

Tanto a adolescência como a juventude (a qual será problematizada nos próximos tópicos) devem ser compreendidas a partir dessa inserção na totalidade. Podemos perceber que

a totalidade social é constitutiva da adolescência, ou seja, sem as condições sociais, a adolescência não existiria ou não seria essa da qual falamos. Não estamos nos referindo, portanto, às condições sociais que facilitam, contribuem ou dificultam o desenvolvimento de determinadas características do jovem. Estamos falando de condições sociais que constroem uma determinada adolescência.(Ozella, 2002, p.22)

(35)

É importante frisar que o subjetivo não é igual ao social. Há um trabalho de construção realizado pelo indivíduo e há um mundo psíquico de origem social, mas que possui uma dinâmica e uma estrutura própria. Esse mundo psíquico está constituído por configurações pessoais, nas quais significações e afetos se mesclam para dar um sentido às experiências do indivíduo. Os elementos desse mundo psíquico vêm do mundo social (atividades do homem e linguagem), mas não são idênticos a ele. (Ozella, 2002, p. 21-22).

O adolescente se constitui e é constituído em movimento pelas relações sociais e culturais vividas ao longo do tempo. O seu movimento e suas características são compreendidos no processo social, histórico e cultural de sua constituição. Constituição esta que, juntamente com a constituição da juventude, se dá a partir de necessidades sociais e econômicas e é construída a partir e paralelamente, ao desenvolvimento das sociedades modernas. Diversas marcas vão sendo escolhidas para a construção das significações, para a qual é básica a contradição, que se configura nesta vivência entre as necessidades dos adolescentes/jovens e as possibilidades sociais de satisfação delas, ou ainda na relação entra a busca de padronização versus os desejos de autonomia.

Para Groppo (2000), não só a adolescência/juventude é uma criação da modernidade, como também ela é uma categoria social com importância crucial para o entendimento de diversas características das sociedades modernas, o funcionamento deles e suas transformações. Sendo a modernidade também o processo histórico-social de construção das adolescências e juventudes como hoje são conhecidas.

(36)

bem como, problematizar os conceitos adotados pelas políticas públicas voltadas para os indivíduos jovens.

1.2 - Juventudes: diferentes enfoques sobre o sujeito jovem

Tratar sobre o conceito de juventude, neste tópico, pressupõe discutir os diferentes contextos, a partir dos quais os sujeitos jovens se constroem. A juventude neste estudo é entendida enquanto uma categoria social que ultrapassa as designações de um recorte etário, sendo apreendida na sua diversidade e na complexidade de suas vivências dentro de um contexto histórico, social e cultural.

Pretende-se, então, apresentar um resgate histórico acerca da construção social da juventude, problematizando seu conceito a partir da diversidade de aspectos de este termo abriga. Busca-se, ainda, enfocar a sua visibilidade enquanto categoria alvo de ações públicas com agenda própria definida e foco de discussões científicas. O presente estudo expõe dados sócio demográficos sobre a juventude brasileira, com objetivo de dimensionar esta população por meio de diversos indicadores sociais. A partir daí, faz-se uma reflexão acerca da situação de vulnerabilidade social que tem caracterizado a vida dos jovens no Brasil, os quais se constituem

como público beneficiário das ações e serviços de políticas sociais, dentre as quais faz parte o

Projovem Adolescente.

1.2.1 - Construção do conceito de juventude

(37)

conjunto homogêneo, quando comparada a outras gerações, ou heterogêneo, quando é examinada como um conjunto social com atributos sociais que os diferenciam uns dos outros. Conforme Pais (2003):

a juventude tanto pode ser tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por indivíduos pertencentes a uma dada fase da vida, principalmente definida em termos etários, como também pode ser tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por jovens em situações sociais diferentes entre si.(p.34)

Como afirmam Sposito e Carrano (2003),a maneira mais usual de uma sociedade definir o que é um jovem é estabelecer critérios para situá-lo numa determinada faixa de idade, na qual se circunscreve o grupo social da juventude. A definição de faixas etárias é utilizada em diversos âmbitos: na realização de estudos estatísticos, na definição da idade de escolarização obrigatória, na formulação de políticas, na atribuição de idades mínimas para o inicio do trabalho profissional, na idade mínima para a responsabilização penal, na classificação de programas televisivos etc.

(38)

não possuem um caráter universal. O caráter social e cultural das idades é o que, segundo Müller (2005), dificulta a definição de fases da vida, através de limites fisiológicos para estatutos jurídicos ou dados demográficos. O que se tem então é que as fases etárias possuem um caráter relacional, ou seja, a cada idade corresponde um conjunto de regras que lhe são próprias e que se constroem na relação com outras idades. Sobre essa relação, Bordieu (1983)afirma que, “a juventude e a velhice não são dados, mas construídos socialmente na luta entre os jovens e os velhos. As relações entre a idade social e a idade biológica são muito complexas” (p.113).

De acordo com estudo da UNESCO (2004), os focos principais de estudos sobre juventudes na América Latina, tradicionalmente, versavam sobre os eixos demográfico, biológico e psicológico; mais recentemente, no final do século XX. Os enfoques sociológicos, políticos e culturais vêm sendo adotados de forma crescente.

(39)

A definição de juventude enquanto uma condição transitória aponta a direção em que se define a idade adulta, pois enquanto categorias relacionais, o conceito de adultez é construído conjuntamente ao de juventude. Logo se tem que:

se a juventude é um período que passa, a adultez é vista de forma mais definitiva (e esquecemos que ela é um período de transição entre a juventude e a velhice). A associação frequente entre juventude e transitoriedade e entre idade adulta e estabilidade faz ainda que, em oposição ao status de jovem, o status de adulto seja definido por obrigações sociais, ou seja, por um conjunto de responsabilidades.... Dizer que um indivíduo atinge a adultez na medida em que adquire responsabilidades equivale a dizer que a juventude é constituída de um período de certa irresponsabilidade. (Müller, 2005, p. 73).

(40)

Tendo em vista a existência de diversos enfoques sobre juventude, faz-se necessário um entendimento maior acerca desta categoria social. Sobre esse aspecto, Abramo (2008) discute que historicamente o conceito de juventude:

“nasce” na sociedade moderna ocidental (tomando um maior desenvolvimento no

século XX), como um tempo a mais de preparação (uma segunda socialização) para a complexidade das tarefas de produção e a sofisticação das relações sociais que a sociedade industrial trouxe. Preparação feita em instituições especializadas (a escola), implicando a suspensão do mundo produtivo (e da permissão de reprodução e participação); estas duas situações (ficar livre das situações de trabalho e dedicado ao estudo numa instituição escolar) se tornaram elementos centrais de tal condição juvenil.” (p.41).

O período de adiamento do trabalho dedicado, exclusivamente, à formação educacional foi denominado de moratória social e corresponde ao período que possibilita ao individuo a aquisição de experiências e experimentações que favorecerão seu pleno desenvolvimento para que, num tempo futuro, ele venha a exercer a plena cidadania. O termo moratória social foi cunhado pelo psiquiatra desenvolvimentista Erik Erikson, citado alhures, no fim da década de 1950, para caracterizar as transformações ocorridas no modelo de socialização, sobretudo entre as famílias burguesas. Antes, os jovens eram socializados em meio a outras gerações e, posteriormente, passaram a ser afastados da vida social e segregados em escolas; o que, a partir de então, começou a caracterizar a juventude como uma categoria social específica (Aquino, 2009).

(41)

necessário superar essa noção de moratória social da juventude, ainda presente em muitos trabalhos sobre o tema, através de um pensamento dos jovens enquanto sujeitos plenos.

Por muito tempo, na realidade brasileira, a visibilidade da juventude esteve restrita aos jovens pertencentes às classes médias e altas, que em sua maioria eram estudantes universitários ou possuíam elevados níveis de escolarização. Segundo Abramo (2008), essas eram características que carregavam em si todo o significado de condição juvenil para aquele período, até meados dos anos 1960. Segundo a autora, o que se tinha era um debate que:

se dirigia então para o papel que os jovens (principalmente por intermédio dos movimentos estudantis, da contracultura e do engajamento em partidos políticos de esquerda) jogavam na continuidade ou na transformação do sistema cultural e político que recebiam como herança (p. 38).

Essa realidade influenciou os estudos sobre juventude, pois, essa condição juvenil, tal como descrita, não era vivenciada por todos, fazendo com que esse conceito fosse considerado como uma condição de classe, ou ‘apenas uma palavra’, como cunhou Bourdieu

em seu artigo “A juventude é apenas uma palavra” (1983). Com esse artigo, o autor foi um dos primeiros a afirmar que essa juventude, tal como caracterizada então, não passava de uma palavra, um termo, um substantivo vazio, uma vez que as características atribuídas a esse termo não eram características comuns e nem mesmo possíveis a todos os indivíduos que compunham esta faixa etária na estrutura social.

(42)

duas juventudes, uma delas com direito à vivência privilegiada desse período e outra sem esse direito.

Ao problematizar a juventude, a partir da condição social dos jovens, suas manifestações históricas e culturais, as ciências sociais superaram tanto a noção de juventude baseada em função de critérios puramente etários, demográficos e definida unicamente pela inserção em uma faixa etária; como a noção de juventude ideal, estereotipada e caracterizada pela vivência de uma moratória social que lhes garantiria um tempo de preparação para o exercício posterior de uma vida adulta e de responsabilidades.

Tem-se que o debate a respeito da diversidade de conotações do termo juventude, manifesta também uma disputa pelo significado que se quer atribuir a esta categoria no momento presente e, sobre de que modo este significado deve ser tomado como foco para as políticas públicas. Uma síntese dessas questões sobre as distintas experiências vivenciadas pela população jovem é abordada por Miguel Abad (2002), ao diferenciar a condição juvenil e a situação juvenil como campos de análise a serem considerados nos estudos sobre grupos juvenis. Pare ele, a condição juvenil diz respeito ao modelo como cada sociedade constitui e significa simbolicamente este momento do ciclo de vida, enquanto que a situação juvenil revela o modo como tal condição é vivida pelos diferentes recortes.

(43)

juvenil passa a adquirir sentido em si mesma e não mais somente como preparação para a vida adulta” (Abramo, 2008, p.43).

Acredita-se que não existe mais lugar para interpretações que considerem a juventude unicamente como um grupo etário homogêneo e universal, vivenciando uma fase de transição ou moratória para o posterior exercício da vida adulta. Entende-se que a atual vivência da experiência juvenil se caracteriza não como um período de espera, mas como um momento com características próprias em que emergem “grupos ativos que questionam justamente a validade das grandes estruturas institucionais como a ‘cronologizaçãodo curso da vida’ e seus aparatos de socialização e controle.” (Souza, 2005, p.92).

Diante desse quadro em que a juventude é considerada em sua especificidade e diversidade, Novaes (2003) enumera alguns recortes os quais interferem e tornam diferentes as vivências cotidianas dos jovens. O recorte principal e mais evidente que diferencia as experiências vivenciadas pela juventude é o recorte de classe social. A classe social dos jovens determina diferentes tipos de vivência da condição juvenil, o que, por sua vez, produz disparidades em todos os âmbitos da vida dos jovens. Percebe-se que tais disparidades ficam ainda mais evidentes no âmbito da escola e do trabalho, pois a classe social é determinante para a inserção e permanência de um jovem tanto no mundo do trabalho, como na escola.

(44)

da exclusão social vivenciada pelos jovens (Novaes, 2003). Apreende-se que existem diferenças no modo como a juventude é vivenciada em cada recorte. Faz-se necessário frisar que no modelo socioeconômico vigente, as diferenças de classe social, determinadas pela desigualdade na distribuição dos recursos, apresentam-se como fator determinante para a existência de diferentes formas de situação juvenil.

Tem-se então que a constituição da juventude é diversificada diante de uma pluralidade de recortes. Com base nessas diferenças existentes, como também nas desigualdades sociais que perpassam a juventude, faz-se importante considerá-la em sua pluralidade. Assim, tornou-se comum a utilização da expressão “juventudes”, seja no meio acadêmico, político ou em discursos de organizações da sociedade civil, como forma de destacar e reconhecer a realidade plural e multifacetada desta categoria social.

Ribeiro, Lanes e Carrano (2006) quando afirmam que é necessário estar atento que não existe um modo único de vivência do tempo de juventude, por isso:

a noção de “juventudes” é um complexo processo socioeconômico-cultural que se

expressa simultaneamente em diversidades e desigualdades, objetivas e subjetivas. Dessa forma, ao tratarmos da juventude, devemos ter em mente a dupla dimensão dessa categoria que expressa simultaneamente um momento do ciclo de vida e determinadas contingências de inserção dos sujeitos na estrutura social (p.77).

(45)

O uso do termo juventudes contribui para lançar luz sobre os diferentes modos como a condição juvenil tem sido (e pode ser) vivida. Enfatiza-se que esta expressão não encerra em si a discussão sobre as desigualdades presentes nessas diferentes formas de vivência da juventude. Mostra a necessidade de compreender a origem dos problemas sociais que afetam os jovens e que contribuem para que sejam incluídos na agenda política nacional.

Tem-se, ainda, que, por um lado o reconhecimento da diversidade da juventude, bem como a importância de políticas universais e específicas foram se caracterizando como referência para a formulação de políticas de juventude em diferentes instâncias governamentais. A realidade de “exclusão” social em que estão inseridos os jovens de uma forma geral (e particularmente os jovens de 15 a 17 anos, público de referência do Projovem Adolescente), não só se constitui enquanto referência às políticas, como impõe desafios a serem enfrentados por estas, no sentido de garantir proteção social contra riscos e vulnerabilidades sociais, que as condições de pobreza e as escassas oportunidades de acessos materiais e culturais potencializam. Cabe apresentar alguns dados acerca da configuração sociodemográfica da juventude contemporânea no Brasil que fundamentam as políticas voltadas para este público no País.

1.2.2 Dimensionando a juventude no Brasil: jovens em contextos de vulnerabilidade

(46)

Segundo dados do Censo 2010, a população jovem no Brasil (composta por pessoas com idade entre 15 e 29 anos completos) conta hoje com 51 milhões de brasileiros e brasileiras, o que representa pouco mais de 26% dos quase 200 milhões de habitantes do País. Existe um consenso comumente utilizado que divide esse amplo grupo populacional em três subgrupos: a)jovem--adolescente, com idade entre 15 e 17 anos; b) jovem-jovem, entre 18 e 24 anos, e c)jovem-adulto, entre 25 e 29 anos. Com relação à população de jovens que compõem cada um dos subgrupos, tem-se que o grupo dos jovens-adolescentes, totaliza aproximadamente 10 milhões ou 20% dos jovens; o grupo dos jovens-jovens perfaz um total de 23,1 milhões ou 47%; e os jovens-adultos, totalizam 17,5 milhões ou 33% do total dos jovens (SAE, 2013).

O enorme contingente populacional atingiu tais proporções devido a mudanças produzidas na estrutura etária da população brasileira pela redução das taxas de natalidade, como de mortalidade. Com base nessas mudanças, tem-se hoje, no País, uma situação denominada bônus demográfico, em que a população em idade ativa é superior à população dependente – crianças e idosos (Brito, 2008). O debate sobre o significado desse bônus demográfico para o País tem relação direta com a relação existente entre os grupos etários da população. O bônus torna-se uma oportunidade de crescimento da economia, que também pode se traduzir em desafios para a luta política na garantia de direitos. Seu aproveitamento para o crescimento econômico é condicionado à capacidade do País de conduzir políticas que levem em consideração essa vantagem na conjuntura demográfica. Falar de políticas públicas de juventude significa tratar de políticas com um caráter central para o desenvolvimento do Brasil.

(47)

humanos, saúde e violência, dentre outros. A análise de um conjunto de indicadores sociais evidencia que concorrem para a vulnerabilidade juvenil o baixo nível de renda, o acesso restrito à educação de qualidade, ao esporte, ao lazer e à cultura, a falta de alternat ivas de formação para o mundo do trabalho, a violência urbana, o envolvimento com drogas e a gravidez precoce (MDS, 2009).

Em relação à educação, dados da PNAD 2011 apontam para uma redução das taxas de analfabetismo da população brasileira, com idade de 15 anos ou mais, ao longo dos anos, visto que, em 2004; 11,4% do total dessa população era analfabeta e, em 2011, o índice total correspondia a 8,6%. Apesar da diminuição dessa porcentagem o número absoluto continua impressionando, pois são 12,9 milhões de pessoas com 15 anos de idade ou mais em situação de analfabetismo. Com relação ao recorte específico dos jovens de 15 a 29 anos, os dados (IBGE, 2012) apontam que esse grupo possui os menores índices de analfabetismo (5,7%) quando comparados com o grupo de pessoas analfabetas de 30 anos ou mais (31,9%), sendo que as maiores taxas estão concentradas nas pessoas com idades mais elevadas. Vale destacar que, nesse período, com relação ao recorte da juventude(15 a 29 anos), o maior contingente de analfabetos estava na região Nordeste, correspondendo a 11,3% do total da população analfabeta dessa idade, enquanto que a menor concentração de analfabetismo se encontrava na Região Centro-Oeste com 2,6%. A despeito de ter havido redução desses índices a situação encontrada em 2011, apresentava a Região Nordeste concentrando mais que o dobro da média nacional de jovens em situação de analfabetismo.

Referências

Documentos relacionados

Pois é preciso notar que quando digo que alguém passa de uma perfeição menor a uma maior e vice-versa, não entendo que uma essência, ou forma, se transforme em outra (um cavalo,

Pelo exposto no presente artigo, pode-se chegar às seguintes conclusões: (a) Os ensaios de caracterização das amostras de solo indicaram que as mesmas podem apresentar

Experiencias de consumo de media hora y de 24 horas por Cnesterodon decemmaculatus (Jenyns, 1842) y Jenynsia multidentata (Jenyns, 1842) se llevaron a cabo con larvas de Culex

No lugar onde tem homem não tem jeito, a mulher fica meio sem graça, e como lá não tem isso, a gente fica à vontade, ah, porque deve ser ruim a gente fazer as coisas e os homens

3.7.7 Para candidatos que tenham obtido certificação com base no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, do Exame Nacional para Certificação de Competências

Se a pessoa do marketing corporativo não usar a tarefa Assinatura, todos as pessoas do marketing de campo que possuem acesso a todos os registros na lista de alvos originais

1) (UNICAMP SP/2013) Os fungos são organismos eucarióticos heterotróficos unicelulares ou multicelulares. Os fungos multicelulares têm os núcleos dispersos em hifas, que podem

Após 96 horas, houve um aumento no consumo, com o aumento de 100 para 160 ninfas, que não diferiu significativamente da densidade 220; com 280 ninfas disponíveis houve um